Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 35

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

O Triângulo não puniu você quando você representava uma ameaça.

Ele te estudou.

Punição era para criminosos. Estudo era para ameaças.

Dreyden recebeu o convite na manhã seguinte à Arena Subnível C.

Não como uma intimação.

Como uma cortesia.

CONVITE: CONSULTA PRIVADALOCAL: ALA ADMINISTRATIVA – SUITE DE OBSERVAÇÃO 3HORÁRIO: 13:10PRESENÇA: LIMITADA

Limitação significava controle.Controle significava planejamento.

Mesmo assim, ele foi.

Recusar seria interpretado como medo. Aceitar seria interpretado como confiança.

Ambos eram riscos.

Mas só um mantinha você dentro da sala onde decisões eram tomadas.

A Ala Administrativa parecia estéril de uma forma intencional—como se a limpeza tivesse o propósito de esconder a realidade de que tudo aqui existia para manipular as pessoas.

Parede lisas.Pisos acústicos.Vidro que refletia você o suficiente para te lembrar de sua postura.

Ele passou por três pontos de controle.

Sem guardas.

Apenas portas que se abriam com reconhecimento silencioso, escaneando sem pedir permissão.

A Suíte de Observação 3 ficava no final de um corredor sem janelas. Um único símbolo marcava a porta—um triângulo cortado por uma linha, igual ao da última vez.

A porta deslizou aberta.

Dentro, o ambiente era amplo e escuro, iluminado por painéis suaves no teto que não criavam sombras severas. Uma mesa longa ocupava o centro.

Três cadeiras de um lado.

Uma cadeira do outro.

Dreyden sentou-se na única cadeira sem precisar ser convidado.

Desta vez, havia quatro pessoas.

Reconheceu duas do último encontro.

O homem de cabelo grisalho—olhos de ferro, postura como uma lâmina guardada na bainha.

A mulher de pele escura—movimentos controlados, expressão neutra, mas afiada.

A mais velha tinha desaparecido.

Substituída por uma nova figura sentada mais atrás—não na mesa.

Um homem de uniforme claro, sem insígnias. Parecia comum de uma forma que apenas pessoas poderosas conseguiam pagar.

Sua presença fazia o ambiente parecer… menor.

"Estou surpreso que tenha vindo," disse o homem grisalho.

Dreyden não piscou. "Você pediu."

"Foi um convite," corrigiu suavemente a mulher. Seus dedos pararam de teclar. "Você não está em apuros."

"Foi o que você disse da última vez."

"Verdade," concordou ela. "E era verdade."

O novo homem falou pela primeira vez.

"Seu último teste não fazia parte de nenhum programa oficial."

A voz era calma.

Mas a frase cortava como uma faca.

O olhar de Dreyden se desvia para ele. "Então por que eu estava lá?"

"Porque alguém quis ver o que você faria," respondeu o homem. "E agora estou aqui para ver o que você vai fazer a seguir."

Essa era a diferença.

A última reunião tinha sido uma avaliação.

Esta era uma análise.

Um passo mais perto de uma classificação.

Dreyden recostou-se um pouco, relaxando a postura sem parecer casual.

"Estou sendo recrutado?" perguntou.

O sorriso do homem grisalho piscou—quase divertido.

"Não," respondeu. "Ainda não."

Os olhos de Dreyden se estreitaram. "Então isso é um aviso."

A mulher balançou a cabeça. "Não. Avisos são ineficientes. Isso é… calibração."

O olhar do novo homem não se moveu, mas parecia se apertar ao redor de Dreyden de qualquer jeito.

"Você interferiu," disse simplesmente.

Dreyden hesitou antes de responder.

Ele não negou.

A negação seria tola diante de sistemas que já tinham dados.

Ao invés disso, perguntou: "Você acredita que eu causei o colapso da barreira?"

"Não," disse o homem grisalho. "Acreditamos que você preveniu vítimas."

Os olhos da mulher permaneceram nele. "É isso que nos preocupa."

Dreyden deixava o silêncio se alongar.

Eles queriam que ele falasse primeiro. Queriam que ele justificasse a si mesmo.

Ele se recusou.

No final, o homem grisalho continuou.

"Você é um catalisador de convergência," disse. "O que significa que incidentes vão se concentrar ao seu redor. Estudantes irão se apegar a você. Facções tentarão absorver você. A supervisão continuará monitorando você."

"E?" questionou Dreyden.

"E," disse suavemente a mulher, "você agora é elegível para colocação acelerada."

O estômago de Dreyden apertou.

Esse era o truque.

Colocação acelerada parecia uma recompensa.

Na prática, significava exposição.

Um caminho mais rápido para ambientes onde ele precisaria revelar mais do que gostaria.

O novo homem finalmente sorriu um pouco, mas os olhos não.

"Observação Classe S," disse.

Dreyden não reagiu externamente.

Mas sua mente acelerou.

Classe S não era só estudantes mais fortes.

Era o centro do Triângulo.

Onde aconteciam experimentos. Onde disputas políticas eram disfarçadas de treinamento. Onde talento se transformava em ativos.

Ou se destruía.

"Se eu recusar," disse Dreyden.

O homem grisalho respondeu sem hesitar.

"Você não será punido. Mas será categorizado de forma diferente."

Dreyden inclinou a cabeça. "Como, exatamente?"

A voz do novo homem diminuiu um pouco.

"Variável inaproveitável."

Isso era pior.

Significava contato forçado mais tarde.

Testes mais invasivos.

Mais "coincidências."

Estavam oferecendo uma coleira—curta, mas visível—para não precisar colocá-lo numa jaula.

Ele respirou lentamente.

"O que exatamente está sendo oferecido?" perguntou.

A mulher deslizou um tablet na mesa.

Dreyden não tocou até então.

Ela falou ao invés.

"Um mês. Você participará de duas sessões de observação Classe S por semana. Não como estudante. Como participante monitorado. Será pareado contra oponentes controlados. Seus méritos irão aumentar. Seu nível se estabilizará em um patamar mais alto."

"E o custo," acrescentou Dreyden.

O homem grisalho o olhou nos olhos.

"Você será visível."

Aí estava.

Os dedos de Dreyden tocavam finalmente o tablet—apenas para rolar a tela, apenas para confirmar o esboço.

Sem coerção óbvia.

Mas cada linha dizia a mesma coisa:

Vamos colocar você na frente dos olhos certos.

Ele fechou o tablet e empurrou de volta.

"Vou pensar," disse.

O sorriso do novo homem desapareceu.

"Não," disse ele. "Decida."

Dreyden olhou para ele.

"Qual o seu nome?" perguntou com calma.

Um instante de pausa.

O homem grisalho respondeu por ele.

"Diretor Keene."

Diretor.

Não instrutor. Não avaliador.

Uma parte do próprio Triângulo, usando pele humana.

Keene deu uma leve inclinação à frente.

"Sua amiga Maya Serenity," disse.

O nome atingiu como um soco limpo nas costelas.

Dreyden não vacilou.

Mas algo dentro dele parou.

Keene o observava cuidadosamente, como seesperando uma rachadura.

"Você não perguntou por ela," continuou Keene. "O que sugere uma de duas coisas."

O tom de Dreyden permaneceu firme. "E quais seriam?"

"Ou você não se importa," disse Keene.

"Ou já sabe onde ela está."

Silêncio.

Os dedos da mulher retomaram a digitação suavemente.

O homem grisalho não se mexeu.

Não era sobre Maya.

Era manipulação.

E Dreyden entendeu o jogo na hora.

Keene queria que ele reagisse para mapear a reação.

Dreyden não deu nada.

"Não sei onde ela está," disse.

Os olhos de Keene se estreitaram ligeiramente.

"Então deveria," disse. "Porque ela está conectada a você de formas que você ainda não entende."

A mente de Dreyden se aguçou.

Conectada como?

Habilidade? Destino? Identidade? Interferência externa do sistema?

Antes que Dreyden pudesse perguntar, Keene continuou:

"Estamos oferecendo visibilidade," disse Keene. "Porque, se você recusar, alguém mais vai dar a você depois—nos próprios termos deles."

"E se eu aceitar," respondeu Dreyden, "o Triângulo controla o palco."

O sorriso de Keene voltou, fino.

"Exatamente."

Então essa era a verdade.

Não se tratava de recrutamento.

Era contenção por estrutura.

Queriam mantê-lo dentro de caminhos previsíveis.

Queriam tornar sua anomalia gerenciável.

Dreyden lançou um olhar breve para a mulher do tablet, depois para o homem grisalho.

Depois voltou para Keene.

"Participarei," disse.

A sala mudou.

Não por alívio.

Por reconhecimento.

Keene assentiu uma vez. "Ótimo."

Dreyden acrescentou: "Mas não por favor."

Os olhos de Keene encontraram os dele.

"Claro," disse Keene. "Por um acordo."

Dreyden levantou-se.

"Quero uma condição," disse.

O homem grisalho recostou-se. "Diga."

A voz de Dreyden não mudou.

"Nada de testes não registrados mais."

As teclas da mulher pararam de tocar.

Sorrido de Keene permaneceu imóvel.

"Isso não é uma condição," disse Keene. "É um pedido."

Dreyden olhou para ele como se fosse algo trivial.

"Então recuse," disse calmamente. "E recusarei o seu programa."

Silêncio.

Foi a primeira vez que Dreyden depositou peso na mesa.

Não uma ameaça.

Não uma agressão.

Apenas uma estratégia.

Keene estudou-o por um momento longo.

Depois assentiu.

"Combino," disse Keene. "Nada de testes não registrados."

O rosto do homem grisalho suavizou-se ligeiramente—como se aprovasse a resposta.

A mulher deslizou um pequeno token na mesa.

Um disco fino preto.

"Marcador de acesso," disse. "Para portas de observação Classe S."

Dreyden guardou-o no bolso.

Depois virou-se para sair.

Ao deslizar a porta, Keene falou novamente.

"Mais uma coisa."

Dreyden parou, mas não virou.

A voz de Keene era calma.

"Sua intervenção ontem à noite salvou vidas."

Dreyden esperou.

Keene continuou.

"Também criou lealdade."

Dreyden voltou a virar um pouco a cabeça.

Os olhos de Keene estavam firmes.

"Lealdade pesa mais que medo," disse Keene. "Medo se dispersa. Lealdade permanece."

O olhar de Dreyden não mudou.

"Por isso você vai perder," respondeu.

Keene sorriu levemente.

"E essa," disse, "é a razão de você ser interessante."

Dreyden saiu.


A primeira consequência veio antes mesmo do dia terminar.

Sentiu na caminhada pelo corredor.

Estudantes não apenas se afastaram mais.

Alguns olhavam para ele com uma outra intenção por trás dos olhos.

Não medo.

Não admiração.

Esperança.

Era tênue. Pequena. Mas existia.

Um estudante de nível 38—aquele da colisão na arena—estava sentado num banco perto do corredor de emergência, pulso enfaixado, rosto pálido.

Ele viu Dreyden e se levantou rapidamente.

"Dreyden," disse, com a voz trêmula. "Eu—obrigado."

Dreyden não parou de caminhar.

"Não," disse ele.

O estudante parou. "O quê?"

"Não me agradeça," falou Dreyden de forma tranquila, não antipática. "Isso te torna leal."

A boca do estudante abriu, mas nenhum som saiu.

Dreyden continuou andando.

Porque Keene tinha razão.

Lealdade acompanha.

E seguidores têm peso.

Peso traz previsibilidade.

Previsibilidade, vulnerabilidade.

Nessa noite, Lucas o encurralou do lado de fora do ala de treino.

Não de forma agressiva.

Apenas… presente.

"Ouvi dizer," disse Lucas.

Dreyden não perguntou o que ele quis dizer.

"O quê?" respondeu ele, mesmo assim.

Os olhos de Lucas embearam-se.

"Supervisão," falou Lucas. "Ala Administrativa. Nível Diretor."

O semblante de Dreyden permaneceu neutro. "Boatos se espalham."

Lucas ficou mais próximo. "Você aceitou algo."

Dreyden olhou para ele.

Lucas hesitou, depois admitiu: "Minhas cores de sorte ficaram estranhas hoje."

Dreyden não respondeu.

Lucas engoliu em seco. "Quando eu cheguei perto de você… não foi só branco."

Os olhos de Dreyden se estreitaram um pouco. "O que foi?"

Lucas abaixou a voz.

"Branco… com um fio de ouro."

Isso fez o peito de Dreyden apertar, só um pouco.

Ouro significava grande fortuna.

Ou uma grande tragédia disfarçada de sorte.

Ele não sabia qual era.

Lucas o encarou como se quisesse dizer mais—como alguém que queria perguntar o porquê.

Mas não disse.

Ao invés disso, falou: "Tenha cuidado."

Dreyden quase riu.

Ser cuidadoso era o que ele fazia de melhor.

Ele virou-se para sair.

Lucas o deteve com uma última frase.

"Se a Maya voltar… você me diz?"

Dreyden não virou.

"Não," respondeu.

A mandíbula de Lucas apertou. "Por quê?"

A voz de Dreyden manteve-se calma.

"Porque, se a Maya voltar," disse, "você também se tornará uma variável."

E variáveis matam pessoas.


Longe do Triângulo, Maya observava a mesma mudança do outro lado.

Não por câmeras.

Por padrões.

Por como a probabilidade se afinava em torno de certos nomes.

O diretor Keene tinha se movido.

O Triângulo tinha formalizado Dreyden.

Ou seja: estavam se preparando para usá-lo.

Ou seja: aceitaram que ele não seria remover de maneira silenciosa.

Os dedos de Maya batiam na borda da mesa.

Ela não estava brava.

Não tinha medo.

Estava pensando.

"Ele concordou," murmurou.

Não surpresa.

Dreyden sempre preferia o caminho que o mantinha perto do painel de controle.

Mesmo que isso significasse ficar mais perto da máquina.

Ela olhou seu reflexo na tela escura.

Então, suavemente:

"Se vão te colocar num palco…"

Ela fechou os olhos.

"…então vou decidir o que o público vê."

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