
Capítulo 34
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A contenção criou pressão.
A pressão revelou fissuras.
Essa era a doutrina do Triângulo.
Porém, havia uma falha que a academia nunca conseguiu explicar totalmente — a pressão não apenas quebrava o sujeito. Às vezes, ela destruía as estruturas que a aplicavam.
Dreyden sentiu essa fissura no instante em que saiu de seu dormitório.
Não por alertas.
Não por vigilância.
Por ausência.
O corredor estava errado.
Estava mais limpo que o habitual, mais claro, mais silencioso — mas não de um jeito que acalmasse. O fluxo regular de estudantes era menor, movendo-se com espaçamento deliberado, como água desviada ao redor de um obstáculo submerso.
Ao redor dele.
As pessoas ainda passavam.
Ainda respiravam.
Mas nenhuma permanecia.
Nem mesmo Lucas estava esperando do lado de fora.
Isso, mais do que qualquer outra coisa, confirmou a escalada.
O Triângulo não isola imediatamente os estudantes. Primeiro, ele corrói seus pontos de conexão — elimina desculpas para aproximações, desencoraja coincidências, enfraquece relacionamentos até que eles desmoronem naturalmente, de forma explicável.
Contenção pela solidão.
Dreyden ajustou seu ritmo e seguiu em frente.
Se o isolamento fosse o método, ele não resistiria emocionalmente.
Ele o usaria como arma.
⸻
O primeiro teste veio sob a forma de um convite.
Não um Chamado.
Uma oportunidade.
Ela apareceu na tela do seu sistema logo após os treinos matinais, entre avisos rotineiros e anúncios irrelevantes de facções.
REQUISIÇÃO OPCIONAL DE PARTICIPAÇÃO
TESTE AVANÇADO DE OBSERVAÇÃO EM COMBATE
LOCAL: ARENA DO SUBSÓLIDO C
PRESENÇA: LIMITADA
Opcional.
Avançado.
Observação.
A redação era cuidadosa o suficiente para parecer inocente a qualquer outro.
Para Dreyden, era transparente.
Eles queriam ver como ele agiria ao ficar confinado, perto de variáveis de alto risco.
Queriam ver quem quebraria primeiro.
Ele aceitou.
A Arena do Subsólido C era antiga.
Mais antiga que o atual esquema da academia.
A arquitetura não tinha acabamento estético — vigas grossas de suporte, blindagem reforçada, portões manuais em vez de barreiras holográficas. Era um espaço concebido antes dos protocolos de otimização e modelagem comportamental.
Bruto.
Prático.
Desconfortável.
Dreyden contou onze participantes além dele.
Nenhum da turma dele.
Todos acima de trinta de classificação.
A maioria desconhecida.
Todos cuidadosamente escolhidos.
O instrutor Hale não estava presente.
Ao invés disso, três funcionários permaneciam na periferia — trajando roupas civis, sem insígnias visíveis, expressões neutras, quase vazias.
Supervisão.
Um deles ativou manualmente a barreira da arena.
"As regras são mínimas", disse o funcionário central. "Este é um teste de interação sob estresse. Combate é permitido. Terminar a qualquer momento, não."
Dreyden respirou baixinho, em silêncio.
Não estavam testando força.
Estavam testando consequência.
A primeira troca de golpes foi rápida.
Muito rápida.
Um atacante de Rank 26 avançou sem aviso, ativando suas habilidades de forma agressiva. Uma provocação — não para atacar diretamente Dreyden, mas para ver como ele reagiria sob pressão não sinalizada.
Dreyden se moveu antes que o pensamento fosse processado.
Um passo.
Rotação do ombro.
Desvio mínimo.
Ele redirecionou o golpe sem contra-atacar.
O atacante cambaleou.
Recuperou-se.
Recuou.
O ambiente mudou.
Não por medo.
Por cálculo.
Eles estavam testando limites agora.
A segunda troca foi mais sutil.
Um especialista à distância disparou tiros de supressão de baixa força — não letais, não agressivos, mas irritantes. Uma tática de negação para interromper o foco.
Dreyden aguentou por exatamente doze segundos.
Depois, ajustou sua postura.
Alterou posições — não atacando quem disparava, mas manipulando ângulos. Criou obstáculos na linha de visão. Deixou que outros participantes absorvessem a perturbação.
Sem força.
Sem escalada.
Só controle.
A supervisão acompanhava tudo.
A terceira troca nem foi um combate de verdade.
Foi uma conversa.
"Você está causando confusão", disse uma mulher alta, com amplificação cinética, calmamente ao passar por ele. Rank 31. Postura de veterana.
"Eu estou reagindo a ela", respondeu Dreyden.
"Isso é pior", ela disse. "Eles não gostam de anomalias que respondem."
"Então deveriam parar de aplicar estímulos."
Ela quase sorriu.
A pausa ocorreu aos dezessete minutos.
Nem dramática.
Nem repentina.
Um colapso na barreira do quadrante leste — localizado, breve, mas suficiente para interromper o fluxo.
Um participante entrou em pânico.
Um estudante de Rank 38, suporte, ativou uma habilidade de reforço instável em reação.
Ele não estava atacando.
Estava assustado.
O ciclo de feedback detonou a barreira dele para dentro.
Dreyden se moveu.
Sem hesitação.
Sem cálculo.
Já estava entre a explosão e o resto da arena.
O impacto o atingiu com força suficiente para rachar a blindagem sob seus pés.
A dor explodiu,
a mana queimou.
Mas ele resistiu.
O aluno caiu inconsciente atrás dele.
O ambiente ficou silencioso.
Foi nesse momento que a contenção falhou.
Não porque Dreyden agiu.
Mas porque todos viram que ele podia.
E, pior ainda —
que ele faria isso.
Os funcionários de supervisão trocaram olhares.
A prova terminou imediatamente.
Frase oficial: Foi detectada instabilidade no ambiente.
Realidade não oficial: risco de escalada inaceitável.
O que veio a seguir foi rápido.
O estudante inconsciente foi removido.
Mais dois saíram cedo.
Ninguém olhou nos olhos de Dreyden.
Não por medo —
Mas por reconhecimento.
Ele não era um monstro.
Ele não era uma arma.
Ele era um estabilizador.
E estabilizadores ameaçam a hierarquia do Triângulo tanto quanto o caos.
Lucas soube disso em menos de uma hora.
Não por relatórios.
Por sussurros que mal sabiam do que estavam falando.
"Ele interveio."
"Ele não precisava."
"Ele protegeu todo mundo."
Isso não devia ter acontecido.
Não aqui.
Mais tarde, Lucas encontrou Dreyden sozinho, perto do reservatório superior — uma estrutura pouco usada, com vista para as luzes da cidade além dos muros do campus.
"Você não deveria ter feito isso", disse Lucas após um tempo.
"Eu sei", respondeu Dreyden.
"Então por que—"
"Porque", interrompeu Dreyden com calma, "eles estavam testando se a minha proximidade causava dano."
Lucas engoliu em seco.
"E você mostrou que impede."
"Sim."
"Isso te torna pior."
Dreyden assentiu uma vez.
"Estou ciente."
Lucas riu baixinho, vazio. "Você é louco."
"Não", disse Dreyden. "Sou caro."
Nessa noite, os protocolos de contenção foram atualizados novamente.
Mas desta vez, não para fora.
Para dentro.
O Triângulo reclassificou o status de anomalia de Dreyden.
Ele não era mais considerado um risco de instabilidade.
Agora, era considerado um catalisador de convergência.
Essa designação trazia implicações muito maiores do que a simples isolamento.
Significava que as pessoas seriam atraídas por ele.
E o sistema não sabia como parar isso sem se desmontar.
Em outro ponto, Maya lia o relatório com calma deliberada.
Ela não sorriu.
Ela não franziram a testa.
"Ele não evitou", murmurou. "Ele absorveu."
Isso era perigoso.
Isso era heroico.
Isso era burrice.
Ela recostou-se, fechando os olhos por um instante.
"Isso muda tudo."
Os caminhos se dividiram mais do que antes.
Um levava à inevitabilidade pública.
O outro à extinção privada.
ElaReachou sua interface.
Não para interferir.
Ainda não.
Apenas para se preparar.
De volta ao Triângulo, Dreyden estava na janela, observando as luzes da cidade abaixo.
A contenção tinha falhado.
Mas a escalada só tinha começado.
Ele fechou a mão uma vez, sentindo a dor persistente nos ossos.
"Tudo bem", murmurou silenciosamente.
"Se ficar parado destrói as pessoas…"
Um sorriso leve, sem humor, cruzou seu rosto.
"... então avançar vai destruir sistemas."
E em algum lugar profundo na arquitetura preditiva do Triângulo, os modelos de probabilidade começaram a retornar um valor que a academia nunca havia tolerado antes.
RESULTADO: IRRECONCILHÁVEL
A história tinha ultrapassado outro limite.
E, desta vez —
Era irreversível.