
Capítulo 33
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
O contenimento nunca chegou de forma violenta.
Essa foi a primeira lição que Dreyden aprendeu.
Violência era barulhenta. Era emocional. Criava resistência.
O Triângulo não gostava de resistência.
Por outro lado, o contenimento chegava silenciosamente—embalado na rotina, disfarçado de normalidade, enterrado tão profundamente nos procedimentos que ninguém podia ser responsabilizado por isso.
Dreyden percebeu que tudo havia começado quando sua rotina mudou.
Não drasticamente.
Somente... sutilmente.
Seus treinamentos matinais foram antecipados em quinze minutos. Sua aula de teoria à tarde foi transferida para uma sala menor. Seu acesso ao simulador de combate à noite foi limitado a duas sessões, em vez de quatro.
Sem aviso.
Sem explicação.
Sem confronto.
As mudanças eram tão pequenas que um estudante comum nem perceberia.
Dreyden notou imediatamente.
Ele estava no vestiário, com a toalha jogada nos ombros, olhos semicerrados enquanto examinava sua interface atualizada. As modificações já estavam marcadas como "ajustes padrão de estudante", registradas retroativamente para parecer que sempre estiveram ali.
Isso era elegante.
Isso era perigoso.
Ele deu uma respiração lenta e terminou de se trocar, já pensando nas implicações.
Não estavam limitando-o por ter feito algo errado.
Estavam limitando-o porque ele não tinha feito.
Porque variáveis não controladas eram as mais caras.
⸻
A primeira confirmação verdadeira veio durante o treino de combate.
Não do instrutor.
Do auditório.
A aula era menor que o habitual—doze estudantes em vez de vinte e quatro. O espaço de treinamento, contudo, era uma das instalações mais novas do Triângulo, com pisos reforçados, barreiras modulares, pontos de observação escondidos no teto.
Dreyden entrou e sentiu imediatamente.
Uma pressão—não mágica, não física.
Procissional.
Alguém observando quem não deveria estar na aula.
O Instrutor Hale—um homem alto, com ombros largos e uma cicatriz que descia pelo queixo—esperou até que todos estivessem presentes antes de falar.
"A lição de hoje é adaptação controlada," anunciou. "Execução em duplas, uso limitado de habilidades."
Os alunos se movimentaram, murmurando discretamente.
O olhar de Hale permaneceu sobre Dreyden por meia fração de segundo além do necessário.
"Nenhuma ativação de habilidades avançadas," continuou Hale. "E sem improvisações além dos parâmetros estabelecidos."
Isso era novo.
Dreyden assentiu uma vez, sem dizer palavra.
As duplas foram distribuídas.
De propósito.
Dreyden percebeu imediatamente o padrão: cada combinação maximizava o contraste. Rápido com lento. Defensivo com agressivo. Habilidade estável com volátil.
Exceto a dele.
Sua parceira era Elias Trent.
Nível 39.
Tipo barreira, eficiência média, péssimo instinto de combate.
Comum.
Inofensivo.
Insubstituível.
Dreyden entendeu antes mesmo de começar o exercício.
Não se tratava de desempenho dele.
Era de observar o que acontecia com os outros ao redor.
⸻
A luta começou limpa.
Elias colocou sua barreira rapidamente—projeção semi-oblíqua de formação sólida. Dreyden avançou no ritmo, sem melhorias, sem ativar habilidades.
No terceiro movimento trocado, Elias cometeu um erro.
Bem pequeno.
Sua barreira demorou menos de um segundo para se realinhar.
Dreyden corrigiu de forma instincts.>
Não deveria ter feito isso.
O golpe atingiu—não com força brutal—mas exatamente onde Elias não se preparou.
A barreira falhou.
Elias caiu pesadamente, sob somofiltro, olhos fixos, respirando com dificuldade.
O ambiente congelou.
O Instrutor Hale levantou a mão imediatamente. "Parem."
Dois drones de equipe médica saíram de compartimentos ocultos nas paredes, descendo com velocidade assustadora.
Elias estava consciente.
Mas tremente.
O olhar de Hale foi para ele—não para Elias—mas para Dreyden.
Depois, virou para cima.
Dreyden seguiu o traço da visão por tempo suficiente para confirmar o que já suspeitava.
Camada de observação ativa.
Não eram instrutores.
Era fiscalização.
⸻
A aula terminou mais cedo.
Razão oficial: "Recalibração de segurança."
Realidade não oficial: coleta de dados concluída.
Dreyden foi liberado primeiro.
Isso por si só confirmou tudo.
Ele não voltou ao seu quarto.
Ele saiu andando.
Pelos corredores externos. Passando pelos auditórios. Por entre corredores de manutenção raramente usados pelos estudantes.
Por onde fosse, o campus parecia… diferente.
Não hostil.
Organizado.
Como se um espaço tivesse se rearranjado silenciosamente para acomodar sua presença.
Isso era contenção.
⸻
A segunda confirmação veio na forma de uma mensagem.
Não para ele.
Sobre ele.
Ele a encontrou por acaso.
Ou melhor—por design.
O terminal subterrâneo de informações que acessava de vez em quando—uma retransmissão minimalista, sem identificadores—piscou brevemente ao ser ativado.
Tempo suficiente.
Um nome apareceu antes que a tela se corrigisse:
ELIAS TRENT – OBSERVAÇÃO MÉDICA ESTENDIDA
Causa: Evento de Estresse Secundário
Anotações: Risco de Interação Elevado – Associação de Padrão Pendente
Dreyden encarou a linha por um longo instante.
Elias não era frágil.
Elias não era fraco.
Ele simplesmente era… adjacente.
E adjacência, aparentemente, agora era considerada perigosa.
Esse era o custo.
E agora Dreyden sentia isso.
Não culpa.
Responsabilidade.
O contenimento estava ampliando seu perímetro.
⸻
Lucas percebeu a mudança naquela noite.
Não por causa dos procedimentos.
Pela ausência.
Dreyden não apareceu para o treino aberto.
Não entrou na fila do simulador.
Não estava na pista.
Lucas o encontrou sentado em um dos mirantes superiores, pernas balançando sobre a grade, postura relaxada.
"Você está evitando as pessoas," disse Lucas, cauteloso.
"Estou sendo incentivado a isso," respondeu Dreyden.
Lucas franziu a testa. "Como assim, incentivado?"
Dreyden não respondeu imediatamente.
Abaixo deles, a pista pulsava de energia—estudantes trocando golpes, habilidades explodindo, a ambição se extinguindo em pequenas fogueiras controladas.
"Estão isolando quem interage comigo com frequência demais," disse Dreyden calmamente. "De forma suave. Médica. Administrativa."
Lucas ficou rígido. "Isso é loucura."
"É eficiente."
Lucas quase respondeu—mas parou.
Sua percepção vacilou.
As cores mudaram.
Não dramaticamente.
Mas ele percebeu.
Estudantes próximos a Dreyden—recentes—estavam mais opacos. Menos vividamente definidos. Tons de azul esmaecendo para cinza.
"Alguém se machucou?" perguntou Lucas em voz baixa.
"Sim."
"Claro quão sério."
Dreyden olhou para baixo.
"Sério o bastante para justificar uma intervenção," disse.
Lucas engoliu em seco. "Isso não foi culpa sua."
"Isso é irrelevante."
Lucas se virou completamente para ele agora. "Não é assim que as pessoas funcionam."
"Não," respondeu Dreyden calmamente. "É assim que os sistemas funcionam."
⸻
A terceira confirmação chegou naquela noite.
Não na forma de informação.
Mas de silêncio.
Um dos contatos de informações de Dreyden deixou de responder. Não atrasou. Não foi redirecionado.
Simplismente desapareceu.
O terminal confirmou que a conta havia sido desativada sob o rótulo "agrado voluntário".
Isso era mentira.
Rescisões deixam rastros.
Esse não deixou.
Dreyden se recostou na cadeira, mãos entrelaçadas de forma relaxada, respirando com calma.
O contenimento já não era passivo.
Era ativo.
⸻
Em outro lugar—bem além do raio de fiscalização oficial do Triângulo—Maya também sentiu.
Não por falhas.
Não por registros de acesso.
Pela queda de probabilidade.
Fios que uma vez divergiam claramente agora convergiam demais. Resultados se estreitavam. Futuros condicionais se dobravam para dentro, comprimindo-se em menos trajetórias viáveis.
Isso só acontecia sob pressão.
"Eles se moveram," ela sussurrou, dedos se fechando contra a borda do console.
As memórias de Wendy surgiram sem aviso—não emoções, não pânico, apenas contexto.
O Triângulo não erradicava anomalias.
Ele as refinava.
Ou removia seu ambiente.
Maya fechou os olhos.
"Isso é perigoso," ela murmurou.
Não para ela.
Para ele.
⸻
Dreyden recebeu sua convocação na manhã seguinte.
Desta vez, diferente.
Não era rotulada como Avaliação.
Não era rotulada como Disciplina.
Era rotulada como Consulta.
E a prioridade não era mais padrão.
Estava elevada.
A sala era menor do que antes.
Somente uma pessoa aguardava lá dentro.
O Diretor Kael Vireen.
Chefe do Controle de Aptidão.
Um homem cujo nome não aparecia nos registros estudantis.
"Sente-se," disse Kael suavemente.
Dreyden obedeceu.
Kael o observou—não como um superior, nem como uma ameaça, mas como um técnico inspecionando uma máquina.
"Você está causando ondas," disse Kael.
"Sem intenção," respondeu Dreyden.
"Isso costuma ser pior."
Kael deu um tapa na mesa, e uma tela apareceu entre eles—interações, probabilidades, gráficos de variação.
Vidas humanas mapeadas como pontos de dados.
"Não acreditamos que você seja hostil," disse Kael. "Mas você está desestabilizando zonas de proximidade."
O olhar de Dreyden se afinou. "Então a sua solução é isolamento."
"Contenção parcial," corrigiu Kael. "Minimizamos os danos colaterais."
"À custa de outros."
Kael não negou.
"Esse é o custo de evitar perdas maiores."
Silêncio entre eles.
Então Kael se inclinou para frente.
"Você tem duas opções," disse ele.
Dreyden esperou.
"Integrar," prosseguiu Kael. "Visibilidade total. Controladores. Restrições. Você vira um ativo controlado."
"E a outra?"
Os olhos de Kael escureceram um pouco.
"Continuar como está," disse ele. "E remover o ambiente ao seu redor."
Dreyden entendeu imediatamente.
Não prisão.
Não execução.
Erradicação pela circulação controlada.
As pessoas parariam de existir perto dele.
Uma a uma.
"Isso não é uma escolha," disse Dreyden.
Kael sorriu levemente. "É o único tipo de oferta que o Triângulo faz."
Dreyden se levantou.
"Vou precisar de um tempo," disse.
Kael assentiu. "Claro."
Ao sair, Kael acrescentou uma última frase.
"Você deve tomar cuidado," disse. "Variáveis independentes atraem umas às outras."
Dreyden parou—mas não se virou de volta.
⸻
Nessa noite, ele tomou sua decisão.
Não em voz alta.
Nem formalmente.
Por meio de ação.
Reabriu sua interface.
Desbloqueou permissões que não tinha utilizado.
Reativou rotas de acesso adormecidas.
Se o contenimento fosse inevitável—
Ele decidiria o perímetro.
E em algum lugar distante, Maya sentiu a mudança.
Uma linha que ela vinha monitorando se quebrou limpidamente.
Não parou.
Não reverteu.
Redirecionou.
Ela fechou os olhos.
"…Você escolheu," ela sussurrou.
E pela primeira vez desde que saiu do Triângulo, ela não tinha certeza se deveria intervir—
Ou se preparar para o impacto.
⸻
O sistema atualizou silenciosamente.
Os protocolos de contenção foram recalibrados.
Modelos de risco revisados.
Os resultados se estreitaram.
A história não comentou isso, mas o próximo capítulo faria.
Pois o contenimento já havia falhado antes—
Só quando seu sujeito deixou de ficar parado.
E Dreyden Stella acabou de começar a se mover.