Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 26

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Os rumores não se espalharam pelo Triângulo.

Eles se propagaram.

Na manhã seguinte, Dreyden já sentia antes mesmo de registrar conscientemente — pequenas interrupções no ritmo, micro-pauses na movimentação de pessoas, a maneira como conversas mudavam de direção em vez de simplesmente parar. A academia não reagia mais de forma barulhenta.

E ela se ajustava.

O medo, antes novo e desajeitado, havia amadurecido em uma noite.

Já não era mais barulhento.

Era cauteloso.

Ele caminhava pelo corredor principal em direção à sua primeira aula com as mãos nos bolsos, postura relaxada, passo tranquilo. Não estava projetando confiança. Não estava escondendo presença.

Simplesmente existia.

Isso, por si só, já era suficiente.

Os estudantes se abriram instintivamente. Não de forma dramática, nem em ondas de pânico, mas com uma consciência inconsciente que o colocava um pouco fora do fluxo normal. Seus corpos o registravam antes mesmo de suas mentes perceberem — pés mudando de direção, ombros se virando, olhos se desviando rapidamente e recuando.

Não era assim que tratavam o Lucas.

Lucas despertava admiração. Expectativa. Curiosidade.

Dreyden despertava cálculo.

"Ele copia habilidades."

"Não, ele se adapta a elas."

"Ouvi dizer que ele não ativa a habilidade há um tempo."

"Dizem que a Supervisão do Triângulo o convocou."

Esse último boato o seguia como uma sombra secundária.

Dreyden não reagiu.

Rumores só têm poder quando tentamos destruí-los. Negá-los publicamente aumenta a curiosidade. Enfrentá-los aguça o interesse.

Deixe-os circular.

Deixe-os mudar.

Entrou na sala de aula e ocupou seu lugar, ignorando a bolha de cadeiras vazias ao redor. Ninguém as preencheu. Ninguém fez questão de não notar.

Lucas chegou um instante depois, parou ao ver a lacuna, mas sentou ao lado dele mesmo assim.

"Você é popular," disse Lucas baixinho, olhando para frente.

"De outro tipo," respondeu Dreyden.

Lucas deu uma olhada breve. "Eles estão assustados."

"Ótimo."

Isso lhe passou um olhar mais atento que o normal.

A aula começou, mas a atenção dos alunos se fragmentou. Até o professor olhava na direção de Dreyden mais de uma vez. Não de forma hostil, nem de forma reverente.

Observando.

Era diferente de desconfiança.

Era uma avaliação.

Quando a aula acabou, ninguém se aproximou dele.

Isso era novo.

Antes, a curiosidade sempre escapava pelas fissuras — alianças meio formadas, desafios disfarçados de conversa, pessoas sondando fraquezas ou vantagens.

Agora?

Distância.

Distância calculada.

Mais tarde, na ala de treinamento, a mudança se tornou inegável.

Um estudante de Rank 41 hesitou do lado de fora da arena ao ver Dreyden sentado perto. Seus passos desaceleraram, até pararem completamente. Após alguns segundos de indecisão, ele virou-se e saiu, fingindo consultar sua interface.

Outro aspirante entrou até a metade de um círculo, Notou seu reflexo no vidro da barreira e recuou sem explicação.

Um terceiro olhou para ele, engoliu em seco, e tomou o caminho mais longo pelo corredor.

Ninguém mais queria ser visto lutando contra ele.

Não porque achassem que perderiam —

Mas porque perder para ele agora significava algo.

Dreyden observava sem expressão.

Então é nesse momento que a reputação pesa mais que a prova.

Foi um pequeno incômodo. Nada mais.

O medo não o isolava.

Ele estava reorganizando o ecossistema ao seu redor.

Isso era explorável.

Ele levantou-se e se dirigiu ao área de armários quando uma voz calma cortou o ruído ambiente.

"Dreyden."

Ele se virou.

Uma garota da Classe A2 estava ali, mãos fechadas ao lado do corpo. Ela o reconheceu vagamente — de nível intermediário, eficiente, nunca chamativa. O tipo de estudante que sobrevive com consistência, não com picos de talento.

"O que você quer?" perguntou.

Ela respirou com cuidado. "Estão dizendo algumas coisas."

"Eu sei."

"Dizem que você é instável."

Ele inclinou um pouco a cabeça. Sem zombaria. Sem ameaça. Apenas interesse.

"Sou?"

Ela hesitou.

Essa hesitação falou mais alto que qualquer acusação.

"Dizem que você não liga se alguém se machuca," ela continuou, forçando as palavras. "Que usaria qualquer um se isso ajudasse a subir."

Dreyden deu um passo mais perto. Não intimidou. Não invadiu o espaço dela agressivamente. Simplesmente reduziu a distância até sua presença se tornar inegável.

"Você acredita nisso?" perguntou.

A garganta dela enganou-se. "Eu... não sei."

Ele assentiu uma vez. "Isso é honesto."

Depois, passou por ela sem dizer mais uma palavra.

Nessa noite, ele não treinou.

Em vez disso, ficou sozinho, revisando registros — mudanças de classificação, transferências de mérito, histórico de confrontos. Não vídeos de combate. Movimentos sociais.

Quem deixou de desafiar após perder o ranking.

Quem se alinhou de repente com quem.

Quem se afastou de quais facções após ficar próximo a ele.

O medo não isolou Dreyden.

Ele realinhou incentivos.

Isso poderia ser explorado.

No dia seguinte, uma notificação de desafio piscou em sua interface.

REQUISITADA DE PARTIDA RANKING DESAFIANTE: KAREL VOSS (Rank 28)

Dreyden levantou uma sobrancelha.

Finalmente alguém decidiu testar os boatos, em vez de apenas repeti-los.

A arena não estava cheia quando chegaram, mas foi se preenchendo lentamente. Não por entusiasmo. Não por expectativa.

Verificação.

As pessoas queriam saber se as histórias correspondiam à realidade.

Karel Voss era metódico. Habilidade de escudo. Construção defensiva. postura limpa. Olhos pacientes. Sem movimentos desnecessários.

Ele fez uma reverência rígida antes do combate.

Dreyden devolveu-a.

O obstáculo levantou-se.

A luta foi silenciosa.

Sem foguetório. Sem trocas dramáticas.

Dreyden pressionou ângulos, interrompeu ritmos, forçou micro-erros. Circulou, sondou, esperou. Karel se manteve firme — melhor que a maioria — mas a paciência começou a se desmoronar com a incerteza prolongada.

Um passo errado.

Uma sobreposição de movimento.

Uma abertura.

Dreyden aproveitou.

O golpe foi limpo. Preciso. Decisivo.

Karel caiu e permaneceu no chão.

Quando o obstáculo baixou, o silêncio pesou mais que qualquer gritaria de aplausos.

Dreyden se abaixou e o ajudou a levantar.

"Boa defesa," disse.

Karel olhou fixamente, desconcertado — não pela derrota, mas pela ausência de crueldade.

"Por que você não finalizou com mais força?" perguntou baixinho.

Dreyden fixou o olhar nele. "Porque não precisarei."

Essa resposta se espalhou mais rápido que qualquer boato anterior.

Ao entardecer, a narrativa tinha mudado novamente.

Ele não era impulsivo.

Não era instável.

Não era sedento por sangue.

Ele era pior.

Ele era controlado.

De volta ao quarto, Dreyden ficou na janela, observando as luzes do campus brilhar sob o céu noturno. O Triângulo pulsava com ambição, medo e uma recalibração silenciosa.

A reputação se consolidara.

Ele não era mais um mistério que queriam desvendar.

Era uma variável que queriam evitar.

E isso lhe cabia perfeitamente.

Longe do Triângulo, em um lugar que não aparece em mapas oficiais, Maya Serenity fechou um relatório confidencial com seu próprio nome.

"Então já perceberam ele," ela murmurou.

Ela se recostou na cadeira, expressão impassível.

"Ótimo," disse suavemente.

"Assim, eles não vão perceber o que vem a seguir."

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