Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 22

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Por muito tempo depois que Maya saiu, eu simplesmente permaneci ali, sentado.

A conversa distante da sala de aula desapareceu. Mesmo a presença do Lucas ao meu lado se dissolveu no ruído de fundo. Minha mente não estava mais na Sala do Triângulo — ela havia viajado para um lugar muito mais antigo, muito mais silencioso, muito mais escuro.

Maya tivera que confrontar sua própria verdade.

Me era justo fazer o mesmo.

Porque, antes de Dreyden, antes deste corpo, antes de magia, monstros e destinos...

Havia um menino chamado Jack.

E este mundo não fazia ideia de quem ele realmente era.

Jack não vinha de uma casa trágica.

Ele não foi maltratado.

Ele não passou fome.

Ele não era desprezado.

Sua vida era mais quieta — o tipo de silêncio que afoga as pessoas sem fazer barulho.

Ele tinha uma irmã mais nova que ouvia música alta demais, ria alto demais e dançava pela sala como se fosse seu palco particular. Ela era o sol numa casa que frequentemente parecia cinza.

Ele a amava mais do que tudo.

Mas, fora dela, Jack se sentia como um espectro.

Não odiado.

Não perseguido.

Apenas... invisível.

Existem crianças que sofrem bullying, crianças que são ridicularizadas, crianças que evitam.

Jack não era nenhuma dessas.

Ele era a criança de quem ninguém se lembrava que existia.

Professores esqueciam de marcar sua falta.

Os trabalhos em grupo eram feitos sem sua presença.

Pessoas esbarravam nele nos corredores e nem percebiam que tinham feito isso.

Uma vez, passou um semestre inteiro sentado ao lado da mesma garota na aula.

Ela nunca soube seu nome.

Nem uma vez.

Ele não era vítima de crueldade — era vítima da indiferença.

E, para uma criança, ser invisível é uma morte lenta.

Seus pais não eram maus. Simplesmente... não estavam lá.

Não fisicamente — emocionalmente.

Discutiam sobre contas, trabalho, estresse, tudo aquilo em que os adultos se perdem. Jack aprendeu cedo que falar só fazia eles suspirarem ou bufarem com irritação distraída.

Sua irmã era diferente.

Ela via nele.

Sempre que colocava suas playlists de dança ridículas, arrastava ele para fora do quarto, obrigava a comer, conversar, rir — mesmo quando ele não queria.

Ela o puxava para o mundo com pura força de vontade.

Ele nunca disse a ela que ela era a razão de ele não ter desaparecido completamente.

Mas o mundo exterior não era o mesmo.

Ser ignorado lentamente moldou algo nele. Algo afiado e silencioso.

Ele aprendeu a observar as pessoas.

A entendê-las.

A prever seus comportamentos.

Se as pessoas não iam notar ele naturalmente, ele aprenderia a fazer que notassem sem pedir.

A observação virou sobrevivência.

A manipulação virou uma necessidade.

No começo, eram pequenas coisas:

Descobrir as palavras certas para fazer os colegas incluí-lo.

Dizer a frase perfeita para fazer o professor pensar que ele tinha contribuído.

Se comportar de modo inofensivo para que as pessoas não o afastassem.

As pessoas prestavam mais atenção quando ele controlava o ritmo da situação do que quando tentava ser honesto.

Pouco a pouco…

Jack percebeu que manipular era mais fácil que criar vínculos.

As pessoas não se importavam com sinceridade.

Elas se importavam com utilidade.

Pela primeira vez na vida, Jack sentiu algo próximo de poder.

Não poder real — mas suficiente.

Ele não era cruel.

Não era coração de pedra.

Simplesmente aprendeu que o mundo não recompensa a honestidade.

E recusou-se a ficar invisível de novo.

Nem na escola.

Nem na vida.

Nem em lugar algum.

Mas em casa?

Casa era diferente.

Sua irmã o adorava.

Se agarrava a ele.

Colocava música alta demais, fazia ele ter que gritar para ela parar.

Mas ela tirava fotos dele, perguntava sua opinião, empurrava o celular na cara dele para mostrar memes, chorava nas provas que não passava, se aninhava nele quando estava cansada.

Ela era o único lugar onde ele nunca tinha que manipular.

O único lugar onde Jack era simplesmente Jack.

Ele prometeu — silenciosa, privada e profundamente — que qualquer escuridão que carregasse nunca tocaria nela.

Ela merecia o mundo mais brilhante possível.

Por isso, virou seu escudo.

E sorria por ela, mesmo nos dias em que não conseguia sorrir por si mesmo.

Jack cresceu assim.

Invisível para todos, exceto ela.

Observador demais para confiar nos outros.

Especialmente solitário demais para parar de tentar.

Medo demais para ser visto.

Desesperado demais para desaparecer.

Talvez seja por isso que Webnovels afetaram tanto ele.

Um mundo onde ninguém importante se tornava poderoso.

Onde crianças esquecidas despertavam habilidades.

Onde pessoas como ele podiam moldar seus próprios destinos, em vez de esperar pelo reconhecimento.

Ele devorava essas histórias, e “A Dança do Poder” virou uma delas.

Não era perfeita, mas vivia.

Ele comentava.

Ele teorizava.

Ele participava.

E quando o autor anunciou uma oportunidade de inserir personagens criados pelos leitores…

Jack tentou.

Porque, pela primeira vez, alguém poderia escolhê-lo.

Ele escreveu com cuidado. Com atenção. Tentou ser equilibrado, interessante, crível. Nem forte demais, nem fraco demais. Só digno de existir.

O e-mail de rejeição chegou rápido.

Seu personagem era interessante, mas não se encaixava no que eu queria… Simplesmente não era bom o bastante.

Jack não chorou.

Ele não astou de raiva.

Só ficou olhando as palavras por um longo tempo.

“Não bom o bastante” não era novidade — ele tinha ouvido o mundo sussurrar isso para ele a vida toda.

Então, fechou o livro e seguiu em frente.

Pelo menos, achou que tinha feito isso.

E então acordou em outro corpo.

Em outro mundo.

No sala de estar de uma casa desconhecida, segurando uma carta que dizia:

"Prezado Dreyden. Você foi aceito na Sala do Triângulo."

Ele não era Jack.

Era Dreyden Stella.

Seu próprio OC rejeitado.

Um personagem considerado “não bom o bastante” pelo autor — arremessado para um mundo onde pessoas como ele morriam horrivelmente.

Sem habilidade, sem futuro.

Sem poder, sem direitos.

Na Sala do Triângulo, fraqueza significava morte.

Deveria ter animado — uma chance de recomeço, uma nova vida, um mundo de poder.

Mas o primeiro pensamento que lhe deu um soco no peito não foi sobre ele.

Era sobre sua irmã.

Ela ainda está esperando por mim? Vai pensar que a abandonei? Estará bem sem mim?

O mundo pode ter dado uma nova identidade a ele, mas não apagou a parte mais importante dele.

Ele não quer viver porque busca glória.

Quer sobreviver porque alguém em outro mundo nunca entenderia por que seu irmão desapareceu.

Jack—agora Dreyden—encostou-se na cadeira na sala de aula do Triângulo, respirando fundo lentamente.

Maya não era a única a carregar uma verdade pesada demais para suportar.

Ela descobriu que não era real.

Ele aprendeu que era demasiado real.

Ele não nasceu para este mundo.

Não nasceu para poder.

Não foi moldado por esta sociedade.

Era um estrangeiro usando a pele de alguém, adaptando-se, planejando, manipulando — todos instintos que aprimorara antes mesmo de a magia entrar em cena.

Maya tinha Wendy — uma alma de leitor, uma consciência meta, uma identidade fragmentada.

Jack tinha silêncio, invisibilidade e uma vida inteira observando o mundo através de uma parede de vidro.

Ele nunca deveria ser o herói.

Nem sequer deveria existir na história.

Era um acidente.

Um erro.

Uma ideia rejeitada.

Porém, aqui estava… sentado ao lado do protagonista do romance original, subindo na hierarquia de uma academia mortal, reescrevendo seu destino a cada escolha.

Em algum lugar do mundo real, provavelmente sua irmã estava lhe mandando ir comer, gesticulando dramaticamente, dançando horrivelmente fora de ritmo.

Ele não podia deixá-la esperando pra sempre.

Ele não podia morrer aqui.

Ele não iria.

A campainha da aula soou ao longe.

Dreyden virou-se para Lucas e perguntou: "Vamos treinar depois?"

Lucas olhou para Dreyden e assentiu.

Porque ele não tinha mais tempo para hesitar.

Precisava ficar mais forte.

Precisava sobreviver.

Precisava mudar o futuro que Maya temia.

Não pelo destino.

Nem por glória.

Nem mesmo por si mesmo.

Mas porque o garoto chamado Jack…

…queria voltar pra casa.

E ele destruiria este mundo antes que deixasse que ele o matasse.

Feridas não cicatrizam da noite pro dia,

Estou a alguns instantes de puxar o gatilho…

Autodestrutivo, às margens do limite,

De fazer com que você seja meu coveiro…

Me deixe agora,

Por favor — salve-se…

Você é louco,

Eu não vou embora…

Você me faz…

Eu estou danificado — por favor, não conserte isso…

Seus pensamentos giravam como a letra de uma música presa num loop quebrado.

Idealizei todas as coisas erradas,

Pelos motivos errados…

Agora estou paralisado… traumatizado…

Sangue em mim,

Antes que eu me machuque…

Você é louco,

Eu não vou embora…

Você me faz…

Eu estou danificado — por favor, não conserte isso…

Hora de confessar por que você disse isso…

Ok, eu confesso—sou sem coração.

Ok, eu confesso—sou ciumento.

Ok, eu confesso—sou um narcisista…

Você é louco… Eu não vou embora…

Estou danificado — não conserte isso…

Jack tinha cinquenta e duas cartas.

Ele segurou a dama de copas.

Ela queria ele.

Ele conseguiu ela.

5150.

Perigo para si mesmo.

E talvez…

Para todos ao redor.

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