
Capítulo 24
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
O Triângulo nunca dormia.
Mesmo à noite, a academia — refeitórios de treino brilhando suavemente, drones de patrulha deslizando pelos corredores, estudantes se esforçando ao máximo na esperança de subir um degrau na hierarquia — fervilhava de atividade.
Nesta noite, Dreyden se movimentava por tudo isso como um espectro.
Ele não tinha pressa.
Ele não insistia no movimento.
Ele simplesmente se deslocava.
Dois dias.
Era esse tempo que Maya tinha desaparecido.
Dois dias desde que ela sumira do Triângulo sem avisar, deixando boatos, ausências e perguntas sem resposta.
Dreyden esperava por um pânico.
Em vez disso, o silêncio o incomodava ainda mais.
As pessoas conversavam — mas não sobre ela.
Elas falavam dele.
“Você ouviu? Ele não para de subir de nível.“
“Dizem que ele venceu o Nível 19 sem usar nenhuma habilidade visível.“
“Ninguém da facção o reivindicou ainda. Isso é perigoso.“
“Ou arrogante.“
Dreyden os ignorou.
Sabia há muito tempo que barulho não significava nada.
O que importava eram as coisas que as pessoas não diziam.
E, neste momento, ninguém perguntava onde Maya Serenity tinha ido.
Isso só podia significar uma coisa.
Alguém mais importante já sabia.
Ele parou diante do quadro de classificação.
A tela holográfica piscou ao registrar sua presença.
Ranking: 17
Subiu três posições desde ontem.
Ele nem tinha percebido.
Vencer não parecia causar mais nenhuma emoção. Não havia adrenalina, satisfação — só eficiência. Passo. Golpe. Concluir. Seguir em frente.
Ele olhou seu nome por mais tempo do que o necessário.
Não era orgulho.
Avaliação.
Demasiado rápido.
O pensamento ressoou silenciosamente.
Subir rápido demais atraía atenção. Atenção atraía interferências. Interferências introduziam variáveis — coisas que ele não podia prever, manipular ou preparar-se para.
E variáveis matavam pessoas.
Ele escaneou o chão ao seu redor sem virar a cabeça.
Reflexos no vidro. Mudanças na postura. Conversas que se afastavam ao invés de parar de repente.
Sutil.
Cuidadoso.
Alguém já o tinha sinalizado como uma variável em desenvolvimento — não suficiente para suprimir, não suficiente para recrutá-lo, mas suficiente para ficar de olho.
Esse era o estado preferido do Triângulo.
Estudantes fracos eram ignorados. Estudantes fortes eram desafiados. Estudantes que não se encaixavam eram observados.
Ele guardou essa percepção.
Ser vigiado não era perigoso.
Ser previsível enquanto observado, sim.
Ele virou-se e foi embora.
A ala do mercado subterrâneo era mais silenciosa que o campus principal.
Isso era intencional.
Oficialmente, ela não existia. Não oficialmente, era onde pontos de mérito desapareciam e o poder reaparecia de formas diferentes — artefatos, contratos, informações.
Dreyden entrou sozinho.
Um erro, pela maioria dos padrões.
Para ele, era um teste.
O comerciante atrás do balcão não olhou imediatamente. Um homem mais velho, encurvado, com olhos semicerrados como se já estivesse cansado da própria existência.
"Informações", disse Dreyden.
Isso chamou a atenção dele.
O homem levantou uma sobrancelha. "Isso é caro."
"Posso pagar."
"Sobre o quê?"
Dreyden se inclinou um pouco para frente. Sem ameaçar. Sem se submeter.
"Sobre uma garota ruiva que saiu do Triângulo há dois dias."
Silêncio.
O comerciante passou a observá-lo com atenção — de verdade, agora. Estudando cada detalhe.
"…Você é Dreyden Stella."
Não era uma pergunta.
"Sim."
Pausa.
Depois, um sorriso lento e consciente.
"Isso explica por que fui instruído a não responder perguntas sobre ela."
Algo se apertou no peito de Dreyden.
"Quem lhe disse isso?"
"Pessoas que você não quer que percebam sua presença tão cedo," respondeu calmamente o homem. "Vamos chamar de… interesse administrativo."
Então, foi confirmado.
Maya não simplesmente saiu.
Ela foi notada.
"Ela saiu por vontade própria?" Dreyden perguntou.
O comerciante hesitou.
E essa hesitação foi resposta suficiente.
"Ela saiu de forma legal", disse o homem com cuidado. "Se foi por vontade… depende de como você define escolha."
Dreyden se endireitou.
"Para onde ela foi?"
O comerciante balançou a cabeça. "Isso eu realmente não sei."
Depois, mais suave: "Mas posso te dizer quem está perguntando por você agora."
Dreyden olhou nos olhos dele.
"Continue."
"Vigilância do Triângulo."
"Duas facções."
E algo… mais antigo."
O silêncio seguinte pesou mais do que qualquer ameaça.
Mais velho significava sistemas herdados. Mais velho significava protocolos que antecediam a administração atual. Mais velho significava autoridade que não se dava ao trabalho de se explicar.
O Triângulo havia sido construído por camadas — algumas visíveis, outras enterradas tão fundo que até os instrutores só conheciam fragmentos.
Se algo mais antigo tinha notado ele, não era mais sobre Maya.
Era sobre trajetória.
E trajetórias, uma vez observadas, raramente permaneciam neutras.
Sua respiração desacelerou.
"Defina 'mais antigo'."
O comerciante expirou. "Já teve a impressão de que alguém está lendo sua história por cima do seu ombro?"
Dreyden não respondeu.
Porque ele já tinha percebido.
Mais tarde, naquela noite, ele permaneceu sozinho em uma sala de treino.
Sem espectadores.
Sem instrutores.
Sem distrações.
Somente ele — e o eco da própria respiração.
Ele ergueu as mãos.
Não ativou os Punhos de Fogo.
Não chamou os Olhos da Verdade.
Não tocou na Biblioteca Celeste.
Ele lutou contra o ar vazio.
Cada movimento preciso. Controlado. Livre de excessos.
Isso não era treino.
Era contenção.
Porque o poder agora era fácil.
Até demais.
O que o assustava não era perder o controle —
Era como o controle natural parecia tão fácil.
Jack sempre acreditou que o medo era o que afinava as pessoas.
Agora, ele entendia que o medo só impedia de cometer erros.
O que realmente aprimorava as pessoas era a repetição sem consequências.
Vencer sem punição.
Avançar sem resistência.
Aprender que o mundo se curva se você aplicar a pressão nos lugares certos.
Essa lição era mais difícil de desaprender que qualquer trauma.
E o Triângulo ensina tudo isso de forma eficiente.
Percebi que era nisso que sempre fui bom, ele pensou. Desde sempre.
Manipular situações.
Ler as pessoas.
Adaptar o comportamento para sobreviver.
A magia não o mudou.
Ela apenas lhe deu ferramentas melhores.
Ele parou no meio do movimento.
O suor escorreu pela coluna.
Pela primeira vez desde que Maya saiu, a dúvida surgiu.
Não sobre seu plano.
Sobre ele mesmo.
Se eu me tornar o que este mundo recompensa…
O que sobra de Jack?
A resposta veio sem ser solicitada.
A vontade de sobreviver.
Isso era suficiente.
Assim tinha que ser.
Em outro lugar — longe do Triângulo —
Maya Serenity estava numa pequena sala estéril.
Parede brancas.
Sem janelas.
Um único terminal brilhava diante dela.
STATUS DE IDENTIDADE: ESTÁVEL
SINCRONIZAÇÃO DE REALIDADE: PARCIAL
RISCO DE ANOMALIA: ELEVADO
Ela encarou seu reflexo na tela escurecida.
As memórias de Wendy estavam silenciosas agora.
Demais silêncio.
E isso a assustava mais do que a dor alguma vez tinha assustado.
Em algum lugar profundo, ela sabia com certeza absoluta.
Dreyden viria procurá-la.
E quando viesse —
O mundo não estaria preparado para a versão dele que chegasse.