
Capítulo 28
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
O poder nem sempre se manifesta de forma explícita.
Às vezes, ele se move silenciosamente—através de dívidas nunca anotadas, favores nunca retribuídos, nomes sussurrados uma vez e depois deliberadamente esquecidos. A influência não precisava de volume. Precisava de paciência.
Jack aprendeu essa lição na noite em que cruzou os muros do Triângulo sem autorização.
Podia haver câmeras, é claro. Grades de vigilância, encantamentos de detecção de movimento, ciclos de patrulha otimizados para desencorajar “exploração não autorizada”. A maioria dos estudantes nunca os testava. Os que tentavam, não eram sutis.
Mas Jack era.
No instante em que cruzou a fronteira invisível que marcava a jurisdição da academia, o ar mudou. Não magicamente—de forma estrutural. A cidade lá embaixo, sob o Triângulo, não vibrava com energia controlada ou ordem institucional.
Ela inspirava.
Sinais de néon piscavam contra torres de concreto enegrecidas pelo tempo e sujeira. Varejistas gritavam uns sobre os outros, discutindo preços como se a sobrevivência dependesse do volume. Mercenários vestidos como civis apoiados contra paredes e cantos, fingindo não ver nada enquanto catalogavam tudo.
Este era o mundo real.
O Triângulo treinava monstros.
A cidade alimentava-os.
Jack puxou o capuz mais para baixo, ajustou a gola de sua jaqueta e entrou no fluxo de pessoas. Não apressou, não hesitou, não vasculhou de forma ostensiva.
A confiança atraía atenção.
A hesitação convidava predadores.
Ele caminhava com propósito, nem se misturando nem se destacando—deixando que a cidade o aceitasse como ruído de fundo. As luzes limpas da academia se apagaram atrás dele, substituídas por ruas mais estreitas, becos apertados e camadas de som que se sobrepunham.
Em algum momento, o ambiente mudou.
Não ficou mais frio.
Ficou mais pesado.
Como se a própria cidade tivesse percebido algo que entrou nela.
Jack parou na frente de uma porta sem marcas.
Sem sinal.
Sem câmera.
Sem guarda visível.
Apenas uma chapa de aço, desgastada pelo uso de décadas, gravada com um único símbolo: um triângulo quebrado atravessado por uma linha tão fina que quase desaparecia dependendo do ângulo.
Ele bateu duas vezes.
Esperou.
Depois bateu mais uma vez.
A porta se abriu apenas o suficiente para que dois olhos o avaliassem—frios, eficientes, treinados para detectar nervosismo.
"Você está atrasado", disse uma voz.
"Não me deram hora", respondeu Jack com calma.
Pausa.
Então, a porta se abriu completamente.
Dentro, o ambiente era dim—não escuro, mas deliberadamente abafado. Luz baixa escondia expressões, não movimentos. Murmúrios se sobrepunham, misturados ao tilintar de copos e ao zumbido contínuo de geradores escondidos atrás das paredes.
Não era uma taverna.
Não era uma sala de reuniões.
Era um nó.
Lugares assim não aparecem em mapas oficiais. Informações circulam por eles como sangue pelas veias—quietamente, constantemente, invisivelmente.
Jack entrou.
Olhos o seguiram.
Não hostis.
Curiosos.
No final da mesa, um homem com os pés apoiados na cadeira oposta, com um copo de líquido escuro na mão. Seu cabelo preto estava preso de forma frouxa, postura relaxada ao ponto de ser desrespeitosa.
Maximus Sagaza.
Jack o reconheceu instantaneamente—não pelos detalhes de Maya, mas pelos padrões.
O tipo de pessoa que não precisa afirmar domínio porque o ambiente já se curva ao redor dele.
Maximus olhou para cima, o olhar afiado e cirúrgico.
"…Você é mais jovem do que imaginei."
Jack não respondeu.
Esperou.
Essa hesitação—medida, proposital—lhe rendeu um sorriso contido.
"Bom", disse Maximus, acenando em direção à cadeira ao seu lado. "Sente-se. Quem fala primeiro costuma mentir."
Jack sentou-se.
A mesa entre eles estava marcada—risco de faca, marcas de queimadura, símbolos meio apagados gravados na madeira e esquecidos. História sobreposta a história.
"Você tem gastado suas dádivas de forma estranha", continuou Maximus, girando lentamente sua bebida. "Informação em vez de artefatos. Contatos em vez de armas. Anonimato em vez de influência."
Jack olhou fixo para ele, sem desviar o olhar.
"Não preciso de ferramentas", disse. "Preciso de opções."
Maximus deu uma risada suave. "Você é muito inteligente… ou muito perigoso."
"Esses não se excluem."
Isso fez Maximus rir alto.
"Já gostei de você", falou. "O que é uma pena."
"Por quê?"
"Porque pessoas como você atraem atenção", respondeu Maximus. "E atenção é ruim para os negócios."
Jack recostou-se um pouco. "Então por que topou se encontrar comigo?"
Por um momento, o sorriso de Maximus afinou-se.
"Porque o Triângulo está te observando", disse ele. "E quando o Triângulo te observa tão cedo, geralmente é por uma de duas razões."
Jack não respondeu.
"Querem te recrutar", continuou Maximus, "ou querem desmembrar você."
Silêncio entre eles.
Jack quebrou o silêncio. "E o submundo?"
Maximus tomou um gole lentamente. "O submundo quer saber de que lado você vai ficar."
Jack pensou nisso.
"Informação", ele finalizou. "É isso que estou comprando."
Maximus assentiu. "Então aqui vai—de graça."
Ele se inclinou para frente, baixando a voz.
"O Controle do Triângulo te marcou há três dias. Não oficialmente. Um tipo de marca que não aparece em papel, mas que altera a movimentação de recursos."
A pulsação de Jack não mudou.
"E", acrescentou Maximus casualmente, "uma outra pessoa tem apagado vestígios ao seu redor. Não de forma limpa. Mas o suficiente para atrasar o reconhecimento de padrões."
Os olhos de Jack se aguçaram.
"Quem."
Maximus deu de ombros. "Não sei. Mas quem quer que seja? É bom. E não está alinhado com o Triângulo."
Maya.
O nome ficou em silêncio, sem ser dito.
"Isso significa", disse Maximus, "que você está no limite de algo maior que a política da academia."
Jack assentiu uma vez. "Sei."
Maximus o observou por um longo momento, recalculando.
"Me diga uma coisa", perguntou. "Se o Triângulo entrar em colapso… de que lado você fica?"
Jack não respondeu de imediato.
Porque a verdade não era complicada.
Ele não era leal.
Ele não era rebelde.
Ele não era idealista.
"Estou do lado que sobreviver", disse Jack.
Maximus sorriu lentamente.
"Boa resposta."
Ele se levantou, colocando seu copo na mesa.
"É assim que funciona", continuou. "Eu te forneço informações. De forma silenciosa. Aos poucos. Você não trabalha para mim. Não me deve nada."
Jack franziu levemente a testa. "Nada é de graça."
"Verdade", concordou Maximus. "Então, em vez disso… mantenha-se interessante."
Jack olhou nos olhos dele.
"E isso eu consigo fazer."
Quando Jack voltou para a cidade, ela parecia diferente.
Mais aguda.
Mais próxima.
Como se as ruas estivessem conscientes da presença dele agora.
Dentro do Triângulo, nenhum alarme soou. Nenhum anúncio foi feito.
Mas, bem no coração de sua administração, um sistema foi atualizado silenciosamente.
STATUS DE ANOMALIA: ESCALADO
ASSUNTO: DREYDEN STELLA
NÍVEL DE MONITORAMENTO: ATIVO
Longe dali, Maya sentou-se sozinha diante de um mapa com linhas vermelhas e nós brancos.
Ela traçou uma rota lentamente.
Terminava no Triângulo.
"Ele está entrando nele agora", ela murmurou.
O submundo tinha notado.
A academia estava de olho.
E o espaço entre eles estava encolhendo.