Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 5

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

A Terceira Lei de Newton diz: para toda ação, há uma reação igual e oposta.

Era o tipo de frase que os professores adoravam, porque soava clara—como se a realidade seguisse regras e não hábitos.

Mas ao observar aquele garoto mais cedo, vendo sua técnica refletir a minha após receber um golpe, entendi por que o leitor que descreveu suas habilidades a tinha escolhido.

Não era chamativa.

Não era barulhenta.

Era… elegante.

[Ação e Reação {0}]

Uma habilidade que copiava uma técnica apenas após receber seu golpe.

Não a habilidade em si. Não o nível. Não o "nome".

Apenas o movimento e o fluxo de energia.

Uma ferramenta de predador perfeita—se o usuário tivesse a inteligência para acompanhá-la.

Ele não tinha.

Achava que estava copiando fogo.

Não estava.

Fogo era só a embalagem. O espetáculo.

O que ele copiou foi meu padrão de circulação—a forma como eu enviava magia pelo meu braço, a sequência, o ritmo, o timing.

Isso significava algo importante.

Quer dizer que ele não compreendia suas próprias mecânicas.

O que indicava que era perigoso… mas ainda não letal.

Expirei lentamente ao me afastar daquela passagem de fundo, o manual roubado sob o braço como uma mercadoria ilegal.

—"Isso é reconfortante," murmurei. "Pelo menos ele não é da Terra."

Fútil.

Mas verdadeiro.

Num mundo onde a trama já começava a despirar, eu precisava de todas as vantagens possíveis.

Se houvesse outro transmigrador, ele se lembraria das mesmas coisas que eu—eventos importantes, recursos ocultos, os hábitos da academia, futuros vilões, os pontos de ruptura da história.

Não podia perder o mapa para mais alguém.

Ainda mais quando mal conseguia sobreviver ao meu primeiro dia.

E neste momento, tinha uma vantagem que ninguém mais aqui podia copiar:

Eu sabia o que importava antes que fosse importante.

O Triângulo não recompensava moralidade.

Recompensava timing.

Quando voltei para o corredor do alojamento, o sol já estava baixo o suficiente para pintar as janelas de dourado pálido. Os estudantes se moviam pelas passagens em correntes sobrepostas—Classe A flutuando como se fosse dona do ar, as classes inferiores grudadas às paredes, cabeças baixas, passos rápidos.

Ninguém falou comigo.

Nem diretamente.

Mas senti olhares rastreando o distintivo no meu peito como um laser na presa.

Dreyden — 165.983 pts

Os números eram uma língua aqui.

E meu número era uma frase alta.

Abri a porta do meu quarto e entrei.

Não era uma suíte de luxo. O Triângulo não desperdiçava conforto com "potencial".

Uma cama.

Uma mesa.

Um armário.

Uma janela estreita.

Coisa limpa, com cara de esterilizado. Funcional o bastante para parecer provisório.

O quarto não era feito para ser vivido.

Era feito para ser usado.

Não me sentei imediatamente. Inspecionei os cantos por instinto—hábito antigo, paranoia antiga.

Sem câmeras escondidas que eu pudesse ver.

Sem runa de escuta óbvia.

Isso não significava que não houvesse nenhuma.

Apenas que o Triângulo não anunciava quando observava.

Coloquei o manual na mesa e olhei para ele por uma longa pausa.

Controle de Magia.

A chave para aumentar a Energia Mágica.

A chave para não morrer quando alguém mais forte decidisse "testar" meus limites.

Eu escrevi para Dreyden com uma habilidade de brecha, mas também o descrevi frágil nos pontos que importavam.

Força: 12.

Resistência: 15.

Agilidade: 13.

Se lutasse como um bruto, quebraria antes mesmo de subir de nível.

Se conseguisse desenvolver meu controle de energia rápido...

Eu poderia tornar a força bruta irrelevante.

Abri o livro cuidadosamente.

As páginas não eram antigas. Sem couro místico. Sem brilho dramático.

Somente instruções impressas e diagramas.

Isso era o que dava medo.

Qualquer idiota poderia encontrar isso e usar.

O que significava que a importância não era a raridade.

Era negligência.

A maioria das pessoas não queria a fundação sem graça.

Elas queriam habilidades explosivas e vitórias visíveis.

Queriam parecer fortes.

Eu queria ser forte.

"Passo um: estabelecer um núcleo de energia. Posição: lado direito do peito, paralelo ao coração."

Minha garganta ficou apertada.

Fechei o livro, sentei na beira da cama e olhei para minhas mãos.

A Energia Mágica fluía facilmente quando eu chamava Status.

Ela corria automaticamente quando o sistema respondia.

Mas manipulá-la?

Isso era diferente.

Era uma linguagem que meu corpo ainda não tinha aprendido.

"Ok," murmurei. "Vamos aprender."

Fechei os olhos.

No começo, não houve nada—apenas escuridão, o som abafado do zumbido do dormitório, passos distantes, alguém rindo alto na galeria como se precisasse do barulho para provar que não tinha medo.

Então senti.

Não como calor.

Não como luz.

Como pressão.

Como água invisível tentando passar por mim.

Centelhas azuis flutuavam na minha mente—finas, cintilantes, inconsistentes.

O manual dizia para reuni-las, não forçá-las.

Para guiar, não apertar.

Eu tentei.

As faíscas moveram-se lentamente em direção ao lado direito do meu peito.

Uma.

Duas.

Três.

Elas tocaram—

A dor explodiu.

Vermelha, aguda, interna, como se algo estivesse rasgando um buraco no músculo que não deveria ser rasgado.

Os dentes cerraram tanto que minha mandíbula doía.

"Grr—!"

Minhas mãos se fecharam em punhos.

Instinto me gritava para parar.

Para recuar.

Para romper o contato.

Mas o manual também avisou sobre isso.

Interromper a formação do núcleo no meio poderia causar instabilidade permanente.

Ou seja:

Se eu entrasse em pânico agora, poderia me acabar para sempre.

Então não parei.

Respirei por isso.

Lentamente.

Comedidamente.

Como se tentasse convencer meu corpo de que sofrimento não significava morte.

As faíscas comprimiram-se mais.

A dor intensificou-se.

Minha visão tremeu.

Suor escorria pelas têmporas.

E então—como um interruptor que fosse acionado—a formação do núcleo aconteceu.

Uma esfera brilhante pulsou suavemente no meu peito.

A dor desapareceu instantaneamente.

Ingamei ar como se estivesse me afogando.

—"Droga."

Minhas mãos tremiam.

Não por fraqueza.

Pelo efeito de sobreviver a algo que minha cabeça tinha rotulado como letal.

Abri o manual novamente com dedos trêmulos.

Passo dois: circulação.

Era aí que a maioria das pessoas falhava.

Criar o núcleo era violento.

Circulação era precisão.

O manual descrevia o núcleo como uma bomba. Você não apenas alimentava energia nele—criava um laço para que o corpo aprendesse o ritmo.

Concentrei-me.

Centelhas verdes—mana ambiente.

Centelhas azuis—minha própria energia.

Começaram a se mover em direção ao núcleo, atraídas como por gravidade.

Guiei-as pelo caminho descrito no livro.

Lentamente.

Cuidadosamente.

Um rio de poder serpenteando pelo meu corpo.

Se pressionasse demais, ele surtiria e rasgaria.

Se movesse de menos, estagnaria.

Encontrei o ponto médio.

Um pulso.

Um ritmo.

Um circuito.

Então outro.

O tempo se confundiu em repetição.

Inspire.

Guie.

Expire.

Laço.

Meu corpo começou a entender.

Não intelectualmente.

De musculatura, profundamente.

Como aprender a andar de bicicleta no escuro.

Duas horas se passaram sem que eu percebesse.

A camisa grudada nas costas.

Os dedos entorpecidos de tensão.

O peito quente—não dolorido, apenas vivo.

Abri os olhos.

A sala parecia mais nítida de alguma forma.

Como se uma camada de névoa tivesse sido raspada da realidade.

"Status," disse.

A figura brilhante apareceu.

===== Status =====

Força: 12

Resistência: 15

Agilidade: 13

Inteligência: 20

Percepção: 17 (+7)

Energia Mágica: 102 (+72)

===== Habilidades =====

[Biblioteca Celeste {0}]

Volumes armazenados:

• Olhos da Verdade {1}

• Punhos de Fogo {7}

• Ação e Reação {0}

• Nenhum

A respiração ficou presa.

Olhei para a Energia Mágica: 102 como se fosse um erro de digitação.

—"Isso é insano."

Setenta e dois pontos.

Em duas horas.

Manual de circulação de nível baixo dava +1 por ciclo.

De nível médio, +2 ou +3.

Controle de família? +5 se você fosse talentoso.

Este aqui?

Este aqui era um código de trapaceiro de terno simples.

O aumento de Percepção também fazia sentido—Olhos da Verdade não era só uma lente. Era o treinamento para aumentar a consciência. Sempre que usava, meu cérebro aprendia a perceber.

Potencial.

Essa palavra ecoou.

Não poder bruto.

Nem técnica.

Mas um tipo de crescimento que incomodava as pessoas.

Porque um crescimento tão rápido não acontece sem uma história por trás.

Verifiquei meu saldo de méritos, puxando o cartão de estudante.

Nome: Dreyden Stella

Classe: A1

Pontuação: 165.983

Saldos: 1600 Méritos

Histórico:

+500 Méritos (Bônus de entrada)

+1000 Méritos (Admissão na Classe A)

+100 Méritos (Recompensa do Sr. Lean)

Os méritos eram a coleira do Triângulo.

Dava aos estudantes uma moeda suficiente para que se sentissem investidos.

Deixava comprar uma habilidade de nível 1.

Fazia pensar que a universidade "dava" o futuro deles.

Não caía nessa.

Guardei o cartão na minha roupa e saí do quarto.

Se ficasse lá dentro por muito tempo, começaria a me sentir seguro.

E segurança aqui era como as pessoas morriam.

Os corredores eram largos e metálicos, iluminados por luz azul institucional. A arquitetura do Triângulo não tentava inspirar—tentava conter.

Andei por vinte minutos, deixando meus sentidos catalogarem tudo.

Onde poderiam estar as câmeras.

Onde existiam curvas cegas.

Onde o barulho se espalhava demais.

Foi então que vi.

Um garoto da Classe D preso contra a parede por outro estudante.

O agressor não era forte.

Nem de perto.

Mas era mais alto.

Isso já bastava.

"Achou que podia me trombar e só pedir desculpas!?" ele grunhiu, e deu um soco de volta na cara do garoto.

As pernas da vítima tremeram.

Ele não reagiu.

Nem porque não pudesse.

Porque sabia das regras.

Os estudantes passaram por ali.

Alguns desviaram o olhar.

Outros desaceleraram como se fosse um espetáculo.

Ninguém interveio.

Nem por maldade.

Pelo treinamento.

O Triângulo não ensina bondade.

Ensina cálculo de risco.

Fiquei observando por três segundos.

Era tudo que eu precisava.

Isso não era dominação.

Era covardia disfarçada de hierarquia.

Passei por eles—perto o suficiente para encostar o ombro no agressor.

Forte.

Ele cambaleou.

"Que droga—!?"

Ele se virou, a raiva já carregada—

Então seus olhos viraram para a faixa dourada na minha roupa.

Classe A.

A raiva dele evaporou como se nunca tivesse existido.

"Classe A—"

Antes que pudesse terminar, enfiei meu joelho no estômago dele.

BUM.

Ele se curvou com um gemido úmido, caindo no chão, mãos no ventre como se conseguisse se segurar pela força.

Inclinei-me um pouco, não para ameaçar.

Para garantir que minhas palavras chegassem.

"Olha só pra você," falei calmamente. "Com medo dos fortes. Espancando os fracos. Típico."

Ele chorou, os olhos marejados.

Não por dor.

Por humilhação.

Logo atrás, o garoto da Classe D relampejou quando eu me aproximei, levantando os braços defensivamente.

"N-Não me machuque—!"

Parei.

Deixei minha postura suavizar uma fração.

"Você está bem," disse. "Vai."

Ele parou de olhar e saiu correndo pelo corredor como se não confiasse no milagre.

Muito bem.

A confiança também mata gente.

Endireitei-me, mãos nos bolsos.

Os outros estudantes observavam de longe.

Ninguém falou.

Ninguém desafiou.

Porque não tinham certeza do que eu era.

E incerteza é caro.

—"Tsc," murmurei. "O humor foi por água abaixo."

A luz do alarme interno do Triângulo tocou na manhã seguinte.

Não meu telefone.

Nem minha antiga vida.

Um tom limpo ressoou nas paredes.

06h00.

Sentei-me com um gemido, o estômago dando voltas como se quisesse vingança.

—"Deveria ter comido mais."

Rropi-meu uniforme rapidamente e fui para a cantina.

Era enorme—estações modernas, filas longas, bandejas batendo, conversas sobrepostas como estática em camadas.

Mas o que mais se destacava não era o barulho.

Era a estrutura.

Mesas organizadas por faixa de classificação.

Como um mapa de assentos de um reino.

A Classe D reunida lá no fundo.

A Classe C ao centro.

A Classe B relaxada, confiante.

A Classe A sentada na seção superior-central, não separada por paredes…

…mas pelo medo.

Estudantes de nível superior cortavam fila quando queriam.

Ninguém reclamava.

Ninguém parecia ofendido.

Era normal aqui.

Puxei minha bandeja e caminhei até a Classe A.

Uma mesa vazia.

Como esperado.

Ninguém queria sentar com o "desconhecido" que acabou de chegar na A.

Nem Silvius.

Nem Dogers.

Nem os filhos de famílias poderosas o bastante para insulatar eles das consequências.

Comi em silêncio.

Até—

"Ei. Posso me sentar aqui?"

Uma voz calma.

Olhei para cima.

Lucas Væresberg estava ali, com a bandeja na mão, o olho direito vermelho observando silenciosamente.

Ao lado dele—

Arlo Stanford.

O mais forte da Classe B, sorrindo como se não entendesse o que é "perigo" do mesmo jeito que os outros.

Lucas sorriu educadamente, como se aquilo não fosse uma guerra social.

"Você reservou um lugar pra gente," disse. "Obrigado."

Na hora exata.

O protagonista finalmente tinha vindo falar comigo.

Eu me recostei um pouco e assenti.

"Fiquem à vontade."

E assim—

Minha vida no Triângulo oficialmente começou.

Não com uma luta.

Nem com um discurso.

Com uma mesa.

E o entendimento silencioso de que cada assento aqui era uma decisão.

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