
Capítulo 6
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A cafeteria do Triângulo não era barulhenta.
Ela estava vibrando.
Estudantes se moviam em uma organized chaos—com tabuleiros batendo, talheres riscando, magia piscando inconscientemente das pontas dos dedos quando as emoções aumentavam. As conversas se sobrepunham em camadas, rápidas e afiadas, mas nada parecia desordenado.
Parecia estruturada.
A turma D se agrupava no canto mais distante, como animais acuados—de costas para as paredes, tabuleiros defendidos por instinto.
A turma C ocupava o espaço intermediário, tentando parecer confiante enquanto calculava ameaças.
A turma B relaxava com uma naturalidade que beirava à arrogância.
A turma A sentava na seção superior do centro—não separada por paredes ou elevação…
…mas pelo medo.
Sem barreira invisível.
Sem sinais.
Apenas distância.
Estudantes não olhavam para as nossas mesas a não ser que tivessem um motivo.
E, quando olhavam, era rápido.
Olhares rápidos.
Recalculos rápidos.
Olhos desviando antes que fossem pegos.
Percebi como eles fingiam não notar.
Isso era pior que hostilidade.
No Triângulo, ser observado significava ser uma ameaça.
Ser ignorado significava que você era irrelevante.
Mas ser avaliado—
Isso significava alguém decidindo seu valor.
Eu tava na metade da minha comida quando Lucas Væresberg deslizou seu tabuleiro na minha direção como se fosse algo natural.
"Valeu por reservar um lugar," ele disse casualmente.
Como se sentar comigo não fosse um aviso.
Arlo Stanford caiu na cadeira ao lado dele sem se preocupar com as consequências.
"Rapaz, isso aqui está estranho," Arlo murmurou entre mordidas. "As pessoas ficam olhando pra cá o tempo todo. Parece que tão me avaliando."
"Tão mesmo," respondeu Lucas com calma. "Você é da turma B sentado numa mesa de turma A."
Arlo parou no meio da mordida.
"Ah. É mesmo."
Eu continuei comendo.
Devagar.
Sem pressa.
Não apressava porque apressar implicava nervosismo.
Não desacelerava porque desacelerar implicava dominação.
Eu mantinha o ritmo.
Lucas se inclinou um pouco pra frente—não de forma conspiratória, nem secreta. Ele não precisava baixar a voz.
Quando alguém como ele falava, a sala automaticamente ouvia.
"Então, Dreyden… nota interessante ontem."
Alguns estudantes próximos ficaram em silêncio.
Hashi pausou.
Colheres desaceleraram.
Levantar de sobrancelhas.
Eu ergui uma sobrancelha. "Interessante como?"
"A maioria dos atrasados chega entre 120 a 140 mil," disse Lucas. "Você entrou com mais de 160."
"E além de alguns que chegaram cedo," acrescentou Arlo, olhando na direção de um garoto loiro alguns casais de mesas distante. O garoto imediatamente abaixou o rosto.
Lucas apoiou a queixo levemente nas mãos.
"Você não é só talentoso," ele disse. "Você é estruturado."
Isso chamou minha atenção.
"Estruturado?" repeti.
"Você não se move como alguém surpreendido pelo sucesso," afirmou.
Isso era perigoso.
"Todo mundo se surpreende com alguma coisa," respondi calmamente.
Seu olho direito vermelho me encarou por um instante maior que o necessário.
Ele não buscava uma confissão.
Estava medindo estabilidade.
Na maioria das vezes, quem tinha uma explosão alta logo cedo mostrava isso—bravata, insegurança, ansiedade, excesso de confiança.
Eu não demonstrava nenhuma dessas.
Lucas sorriu de leve.
"Justo."
Arlo bufou. "Vocês parecem estar negociando um contrato."
Antes que pudéssemos continuar, uma bandeja caiu com estrondo na mesa ao lado.
Não foi jogada com força.
Colocada ali, com cuidado.
Raisel Silvius estava na porta, cabelo branco alinhado, postura impecável.
Ela não sentou.
Não cumprimentou Arlo.
Não olhou para o meu crachá.
"Lucas," disse ela simplesmente. "Treinamento mais tarde."
"Depois da aula," respondeu ele.
Ela assentiu uma vez e saiu sem me reconhecer.
Isso não era desrespeito.
Era categorização.
Na hierarquia dela, ainda não havia ganho espaço.
Arlo observou a saída dela. "Ela parece que odeia todo mundo na mesma proporção."
"Ela não odeia," disse Lucas. "Ela calcula."
"Mesma coisa," murmurou Arlo.
Terminei meu prato e me levantei.
Lucas olhou pra cima. "Treinamento?"
"Mais tarde," respondi.
Ele não insistiu.
Isso também me revelou algo.
Ele não tava buscando controle imediato.
Estava medindo o ritmo.
Quando saí, senti novamente—
Não admiração.
Nem inveja.
Suspeita.
A suspeita acompanha as anomalias.
E as anomalias não sobrevivem muito tempo a menos que aprendam a passar por norma de propósito.
Atraso.
Pontuação alta.
Nenhum sangue ou linhagem pública me apoiando.
Stanford tinha uma família.
Silvius tinha uma dinastia.
Dogers tinha influência.
Væresberg tinha história.
Stella?
Stella tinha uma sombra.
Um nome ligado a uma clã poderosa.
Um nome que deveria ser apagado.
O que fazia minha existência ou um erro—
ou uma vergonha.
Nenhuma dessas opções era segura.
O corredor se abriu um pouco ao eu sair da cafeteria. Estudantes ajustaram suas trajetórias em poucos centímetros.
Sem se curvar.
Sem encarar.
Apenas dando espaço.
Um estudante da turma C assentiu rapidamente ao passar.
"Bom dia, senhor."
Senhor.
Soou esquisito.
Respeito no Triângulo não vinha de admiração.
Vinha da consequência futura projetada.
Não respondi.
Nem desestimulei.
Corrigir hierarquia aqui era como remover os andaimes de um prédio em construção.
Ele desmoronaria sobre todos.
Subi as escadas rumo ao pavimento superior de treinamento acadêmico. Por trás de paredes de vidro reforçado, já via as salas de treinamento em atividade.
Vento cortando alvos suspensos.
Barreiras de pedra levantando e dissolvendo.
Fogo explodindo em pulsações controladas.
A energia mágica vibrava pelo prédio como um segundo coração.
Em toda parte, a ambição ardia.
Ninguém treinava de forma casual.
Ninguém se movia sem propósito.
Eles não eram estudantes.
Eram candidatos.
A sobrevivência não era só para os mais talentosos.
Era dos mais adaptáveis.
E a adaptação começava por entender algo que a maioria ignorava:
A reputação se espalha mais rápido que força.
Entrei na turma A1 e sentei.
Lucas chegou duas minutos depois.
Raisel, um minuto depois.
Jayden Black sempre senta no fundo—silencioso, impassível.
Lean começou a aula sem introdução.
Sem cumprimentos.
Sem comentários vazios.
"A avaliação do ciclo intermediário será daqui a três semanas."
O ambiente ficou mais tenso.
"O desempenho nesse período determinará a estabilidade do posto."
Tradução:
Se tiver um desempenho abaixo, cai.
Se tiver um desempenho acima, vai atrapalhar alguém parceiro.
Cada semana na turma A era uma espécie de probation.
Eu ouvi, mas não anotei imediatamente.
Em vez disso, observei.
Quem se inclinava pra frente.
Quem cruzava os braços.
Quem olhava para Lucas quando Lean mencionou "liderar iniciativa".
Quem olhava para Raisel.
Quem evitava olhar pra mim.
Padronagens importavam mais que as aulas.
Quando a aula terminou, confirmei algo importante:
Lucas não era dominante socialmente.
Ele era estável.
Raisel não era carismática.
Ela era estratégica.
Jayden não era isolado.
Ele era paciente.
E eu?
Eu era indefinido.
Indefinido é poderoso.
Indefinido também é frágil.
Após a aula, Lucas me olhou de novo.
"Ginásio às dezoito horas?"
"Talvez," respondi.
Ele sorriu de leve. "Você não se compromete fácil."
"Sem sentido se comprometer publicamente," respondi.
O sorriso dele se afilou.
Ele gostou demais dessa resposta.
Sairia antes que a conversa aprofundasse.
Os corredores vibravam com a energia pós-aula. Estudantes da turma B iam para as salas de luta.
Turma C se apressava para treinamentos extras.
A turma D se movia rápido—sempre rápido—como se ficar parado fosse perigoso.
Esse lugar parecia menos uma escola e mais um reino funcionando sem rei.
A turma A ocupava o topo—
Mas não por serem queridos.
Por serem úteis.
Essa diferença importava.
Passei por uma grande câmara de treinamento aberta e pausei brevemente.
Dentro, um duelo em andamento.
Dois estudantes da turma B.
Controlados.
Medidos.
Brutos.
Não por ódio—
Mas porque competiam por oxigênio num espaço apertado.
O Triângulo não precisa ameaçar estudantes o tempo todo.
Ele cria escassez.
E o resto vem por consequência.
Quando retomei a caminhada, senti a vibração tranquila do núcleo de energia no meu peito.
Estável.
Receptivo.
Cheio.
Energia Mágica: 102.
Esse número não aparecia na minha credencial.
Ninguém sabia.
E essa era a única razão pela qual era útil.
Poder exibido é desafiado.
Poder escondido é acumulado.
Entrei em um corredor lateral que ligava à ala de treinamento menos movimentada.
Vazio.
Bom sinal.
Ativei suavemente os Olhos da Verdade.
O mundo mudou sutilmente.
Padrões de energia tornaram-se fios tênues que flutuavam de salas ao passageiro.
A maioria turbulenta.
Inestável.
Estudei o meu.
O núcleo pulsava de forma limpa.
Minha circulação estava mais suave que esta manhã.
Já.
O Triângulo valoriza força visível.
Mas não está preparado para aceleração invisível.
E é aí que planejo estar.
Fecha a habilidade.
Respira fundo.
Respira devagar.
Este mundo já não é mais exatamente igual ao do romance.
Eventos mudaram um pouco.
Nomes novos surgiram.
Personagens do leitor existem sem explicação.
O que quer dizer uma coisa:
O sistema não é estático.
Ele está se adaptando.
E se o mundo se adapta—
Eu também me adaptarei.
Quando retornei ao corredor do meu dormitório, a sentença não dita estava clara:
Eu não era o mais forte.
Não era o mais influente.
Não era o mais perigoso.
Ainda.
Mas estavam me medindo.
E medir significa relevância.
Abri a porta do meu quarto e paused antes de entrar.
O Triângulo tem regras.
Tem hierarquia.
Tem marcas, linhagens e política disfarçada de treinamento.
Mas tem uma fraqueza.
Acredita que talento aparece aos poucos.
Acredita que o crescimento segue padrões normais.
Acredita que os estudantes permanecem dentro de trajetórias esperadas.
Entrei, fechei a porta suavemente.
"Estão atentos a possíveis picos," murmurei comigo mesmo.
"Não a curvas."
Um leve sorriso nos lábios.
Bom.
Porque não tenho intenção de dar picos.
Minha intenção é de se curvar.
E se curvar.
E se curvar.
Até um dia—
Quando perceberem que a forma da academia mudou ao meu redor.
E então?
Já será tarde demais para medir.