
Capítulo 7
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A arena principal do Trecho era uma cúpula enorme de aço reforçado e vidro laminado.
De fora, parecia um estádio profissional.
De dentro, tinha o clima de um campo de provas.
O teto se erguia alto acima, entrelaçado com arrays de supressão para reduzir explosões indesejadas. O piso era de uma liga segmentada — resistente a impactos, autoreparável, levemente marcado por padrões de difusão de energia.
Tudo naquele espaço transmitia uma mensagem única:
Quebrar coisas.
Desde que não quebrem a estrutura.
Alunos de Classe A entravam lentamente, não em grupos barulhentos, mas em entradas controladas. Ninguém apressava, ninguém entrava em pânico.
Moviam-se como quem sabia que estava sendo observado o tempo todo.
E hoje, eles estavam.
Entrei sem pressa e escolhi um banco próximo ao centro — nem muito na frente, nem na periferia.
Na periferia, não importava.
No centro, representava desafio.
Busquei uma exposição neutra.
O ar vibrava com assinaturas mágicas.
Mesmo os alunos inativos exalavam pressão — vento sibilando ao redor dos tornozelos, estática leve nas pontas dos dedos, rajadas controladas de energia terrestre sob as botas.
Gênios privilegiados não carregavam só confiança.
Carregavam expectativa.
E alguns carregavam orgulho ferido.
Minha chegada tinha deslocado três assentos no primeiro dia.
Esse tipo de entrada não era discreta.
Sentei-me e cruzei os braços de forma casual.
Lucas chegou alguns segundos depois, com as mãos nos bolsos, postura descontraída quase proposital.
"Você chegou cedo," ele disse.
"Não consegui dormir," respondi.
Ele olhou na direção do chão, onde alguns alunos já estavam fazendo alongamentos.
"Ótimo," falou. "Significa que está pensando."
Pensando.
Não nervoso.
Não empolgado.
Pensando.
Ele me observava de forma aberta, como de costume.
Ele não desconfiava.
Estava formando um modelo.
Antes que eu pudesse responder, o chão da arena tremeu.
BOOM.
Uma rajada de vento comprimido explodiu perto da parede ao fundo, criando uma ondulação na superfície de liga.
Os alunos recuaram instintivamente —
Todos, exceto Lucas.
Ele piscou uma vez.
Foi só isso.
No epicentro do vendaval estava Raisel Silvius.
Cabelos brancos flutuando.
Olhos roxos levemente iluminados.
Magia do vento girava ao redor de suas canelas, tensionando como uma mola antes de dispersar.
Ela não atacou ninguém.
Simplesmente aterrissou.
Um salto de aquecimento.
A voz de Arlo soou de trás, na sequência: "Isso é dramático às 8 da manhã."
Lucas expirou pelo nariz. "Ela treina forte."
Raisel virou-se levemente.
Olhou pela arena —
Depois parou em mim.
Não era hostilidade.
Nem admiração.
Era uma classificação.
Onde você se encaixa?
Essa pergunta estava em seus olhos.
Não desviei o olhar.
Mas também não fiquei encarando de volta.
Demasiada atenção seria um convite.
Alunos começaram a formar grupos soltos pelo domo.
Usuários de vento perto do quadrante leste.
Usuários de terra mais próximos à parede reforçada.
Alguns de fogo marcaram espaço central.
A política de proximidade era silenciosa, mas precisa.
Ativei sutilmente os Olhos da Verdade — só o suficiente para perceber os fluxos de energia, sem alterar muito o meu próprio campo.
O espaço se transformou em uma camada de clareza.
A magia do vento pulsava de forma errática — de alta intensidade, que consumia rápido.
A magia da terra se movia lentamente, mas de forma densa — como uma corrente carregada.
O fogo acendia em faíscas — afiadas, emotivas.
A água fluía de modo suave, adaptável.
A energia do Lucas destacava-se à parte.
Não era energia mágica.
Era mana.
Movia-se de forma diferente — estruturada, mas fluida.
Ele não a transmitia abertamente.
Mas ela estava lá.
Controlada.
Reservada.
"Você observa de forma diferente," Lucas disse sem tirar os olhos de mim.
"De que jeito?" perguntei.
"Como se estivesse lendo padrões, e não pessoas."
Desativei os Olhos da Verdade imediatamente.
Ele captava demais.
"Observar é barato," eu disse. "Errar, não."
Ele sorriu com um sorriso quase imperceptível.
Antes que pudesse insistir, o Instrutor Lean entrou.
Sem entrada dramática.
Sem brilho de energia.
Apenas presença.
"Classe A."
As conversas cessaram de imediato.
"Alinhem-se."
Os alunos formaram fileiras rapidamente. Sem confusão, sem hesitar.
A hierarquia obedecia à eficiência.
Lean caminhou à nossa frente, mãos atrás das costas.
"Vocês não estão aqui para ficarem confortáveis uns com os outros," disse de forma equilibrada. "Estão aqui para entender seus próprios limites em relação à sala."
Aquele jeito de falar importava.
Em relação.
Não absoluto.
"Hoje," continuou, "vocês irão se familiarizar."
Um sussurro sutil percorreu a fila.
Todos sabíamos o que isso significava.
Lean bateu as mãos uma vez.
"Treinamento livre. Vocês escolhem seus oponentes."
A arena se acendeu em movimento.
Desafios foram lançados.
Olhares trocados.
Pequena rivalidade evoluiu para batalhas formais.
Fiquei imóvel.
Se me oferecesse para lutar de forma agressiva, pareceria inseguro.
Fugir de toda confrontação indicaria fraqueza.
Espere.
Essa era a decisão certa.
O olhar de Lean me encontrou, mesmo assim.
"Dreyden."
Claro.
"Vai lutar."
"Com quem?" perguntei.
Lein sorriu levemente.
"Com alguém adequado."
Ele se virou um pouco.
"Thorne."
Um garoto alto avançou do quadrante oeste.
Galen Thorne.
Cara afiada.
Sorriso calculado.
assinatura de vento forte — alta velocidade, camadas eficientes.
Raiva emanava dele como calor.
Treinou por um mês.
Conquistou seu lugar.
Então eu cheguei.
Ele virou o pescoço lentamente.
"Então você é o substituto."
"Não substituí ninguém pessoalmente," respondi.
"Você substituiu três," ele retrucou.
E lá estava.
Não ódio.
Deslocamento.
Avançamos para o centro.
A sala nos deu espaço.
Dhara ficou perto da borda — silenciosa, atenta.
Riven se aproximou dela, falando baixo.
Arlo sorriu abertamente.
Raisel cruzou os braços.
Lucas observava sem expressão.
"Comecem," disse Lean.
Galen saiu na frente.
Vento se comprimindo ao redor das pernas —
Depois sumiu num clarão.
Rápido.
Não imprudente.
O primeiro golpe dele veio com curva — lâmina de vento em direção ao meu ombro.
Saltei de lado.
Muito estreito.
A borda tocou o tecido e a pele.
Agressividade controlada.
Ele não se comprometeu demais.
Bom.
Segundo golpe vindo de canto cego.
Girei ao invés de recuar, deixando o impulso passar seu braço um pouco além do centro.
Olhos da Verdade piscando —
A saída de energia dele saltava antes de cada rajada.
Padrão micro previsível.
Terceiro golpe.
Entrei na trajetória ao invés de fugir dela.
Olhos dele se arregalaram um pouco.
Esperava recuo.
Peguei seu antebraço no meio do movimento.
Vento rasgou minha manga.
A dor cutucou.
Ignorei.
A circulação fluía —
Punhos de fogo.
Não com toda força.
Densidade controlada.
Chamas azuis envolvendo bem meus punhos.
Galen tentou se desligar, mas eu já tinha ancorado minha postura.
Impacto.
BOOM.
A onda de choque explodiu numa onda comprimida.
Ele escorregou para trás, vento amorteceu parcialmente, mas não o bastante.
Suspiros ecoaram.
Sem raiva.
Surpresa.
Galen se recompôs, rosto corado — não gravemente ferido, mas abalado.
Ele atacou de novo, com mais força.
Vento espessava-se por baixo.
Velocidade aumentava.
Deu um chute na parte baixa — rodando a perna com pressão.
Levantei, pivotei —
e me desvinculei totalmente.
Ele deu um passo além, errando o alvo.
Controlar não é o mesmo que dominar.
Não precisava esmagá-lo.
Precisava de clareza.
Ele virou, respirando com mais esforço.
Humilhação pairava no ar.
"Chega," falou Lean.
Galen congelou na metade do movimento.
"Vencedor: Dreyden."
Sem aplausos.
Apenas uma nova avaliação.
Galen recuou sem tirar os olhos de mim.
Não atacou de surpresa.
Isso me impressionou um pouco.
Rancor contido.
Rancor contido vira rivalidade futura.
Não tumulto imediato.
Voltei calmamente ao banco.
Lucas se aproximou, mais perto.
"Você não se excedeu," disse.
"Nem há motivo para isso."
"Poderia ter terminado com mais força."
"Sim."
Arlo sorriu amplamente. "Você dominou limpa."
"Não foi limpo," eu disse. "Foi cedo."
Isso importava.
Domínio precoce cria inimigos.
Controle equilibrado gera dúvida.
O olhar de Raisel ficou em mim um pouco mais dessa vez.
Nem despedida.
Nem admiração.
Interessada.
Dhara cochichou alguma coisa para Riven novamente.
O movimento na sala retomou, mas o tom tinha mudado.
Sussurros discretos circulavam:
"Ele ajustou no meio da luta."
"A densidade de energia não era normal."
"Tem apoio de família?"
"Stella... esse nome parece familiar."
Ignorei.
A reação alimentava a narrativa.
A narrativa moldava os níveis de ameaça.
A voz de Lean cortou a arena.
"As rotações de duplas continuam."
Mais confrontos começaram.
Vento colidiu com fogo.
Barreiras de pedra racharam.
A água virou gelo no ar antes de se estilhaçar.
Assisti a três combates sem participar de novo.
Não porque Lean impedisse.
Mas porque informação é valiosa.
No fim, aprendi:
O controle de vento da Raisel era mais refinado que o do Galen — elaborado, com múltiplas camadas.
O poder de Arlo era explosivo, porém cansava rápido.
Dhara escondia sua verdadeira potência — jogava nas reservas deliberadamente.
Lucas não lutou nenhuma vez.
Ninguém o desafiou.
E ele não desafiou ninguém.
Isso falava mais alto que qualquer luta.
Quando a sessão acabou, os alunos se dispersaram em grupos.
Galen evitou-me.
Bom.
Conflito adiado.
Lucas se levantou e alongou-se de leve.
"Você se adapta rápido," disse.
"Não gosto de cometer os mesmos erros duas vezes."
Ele me estudou novamente.
"Você não luta como alguém que tenta provar algo."
"Porque eu não tento."
Ele sorriu de leve.
"Todo mundo aqui tenta."
Talvez.
Mas eu não estava tentando provar que pertencia.
Estava provando que podia ficar.
Quando saímos do domo, o ar da manhã parecia mais frio do que antes.
Não fisicamente.
Socialmente.
O arena cumpriu seu papel.
Atualizou as avaliações internas de todos.
Eu tinha me movido.
Não para o topo.
Mas para uma posição relevante.
Relevância significava pressão.
Pressão trazia oportunidade.
Lucas caminhava ao meu lado sem dizer uma palavra.
Por fim, falou baixinho:
_"Bem-vindo à Classe A."
Dessa vez, não parecia uma provocação.
Era um reconhecimento.
E reconhecimento —
Era a primeira moeda verdadeira do Triângulo.