
Capítulo 8
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
"O que você acabou de dizer?!"
O grito cortou o corredor do dormitório como uma chicotada.
A cabeça de Maya reagiu ao impacto antes mesmo do corpo sentir. Sua nuca bateu forte na parede, fazendo a placa de metal barata tremer, e a garota que a segurava não afrouxou a pressão—ela apertou ainda mais, os dedos enredados fundo na trança de Maya, torcendo até as raízes gritarem.
A dor explodiu no couro cabeludo de Maya.
Era uma dor aguda, rasgante, daquelas que fazem os olhos lacrimejar mesmo quando você se esforce para não chorar.
Seu rosto já estava inchado. Uma bochecha roxa. Sangue seco no canto da boca, onde ela tinha mordido o lábio em algum momento e deixou de perceber.
Instintivamente, as mãos alcanzaram a tentar puxar a mão da garota de volta.
Cada vez que os dedos de Maya encontravam uma ponta de resistência, o punho livre da agressora batia forte no antebraço dela—de novo, de novo—puídas rápidas, para amaciar, não para machucar. Rápido. Treinado.
O braço de Maya ficou pesado.
Depois, inútil.
"P-por favor... para..." A voz de Maya quebrou, passando quase um sussurro pelo garganta.
"Parar?" gritou a agressora, saliva voando. "Parar?!"
Ao redor, o corredor estava lotado.
Alunos da Classe E. Uniformes finos. Faces machucadas. Olhos vazios.
Não estavam assistindo como testemunhas.
Estavam assistindo como uma fila.
Alguns encostados na parede como se fosse entretenimento. Outros de pé, tensos, com punhos cerrados, a raiva vibrando sob a pele.
Mas toda aquela raiva não era dirigida à agressora.
Era direcionada a Maya.
"Estamos todos presos aqui!" a garota rosnou. "Todos sofremos todo dia! Que direito você tem de correr pedindo ajuda para as turmas superiores?!"
A mão dela deslizou da trança de Maya até o pescoço dela.
Fechou os dedos.
Forte.
A respiração de Maya desapareceu.
Ela tentou arranhar o pulso da garota com unhas inúteis, sem nem conseguir fazer marcas profundas. A visão dela escurecia nas bordas dos olhos.
"Você acha que é melhor que a gente?" sibilou a garota. "Que você é especial?"
Maya tentou sacudir a cabeça, mas a pressão só aumentava.
Seus pés arrastavam.
Seus joelhos começavam a se dobrar.
"Você não treina. Não luta. Não faz nada." A face da agressora se torceu de ódio. "Só fica rastejando para as outras turmas e fazendo a gente parecer lixo."
Alguém, de trás da multidão, soltou uma risada.
Não é graça.
É crueldade.
"Isso é normal", murmurou alguém.
E era mesmo.
A Classe E devora a sua própria.
Nem instrutores apareceram.
Nem câmeras se mexeram.
Nem alarmes gritaram.
O Triângulo nem precisou olhar para a Classe E.
Já tinha decidido que eles eram descartáveis.
Os dedos de Maya escorregaram.
Seus pulmões spasmaram.
O mundo virou som e pressão.
Um último pensamento desesperado passou pela sua cabeça—> Eu nem fiz nada errado.
Então, seu corpo traiu ela.
Seus olhos rolaram, e ela ficou imóvel.
A garota que a segurava parou por meio segundo, surpresa com a rápida ausência de resistência—depois sacudiu Maya como se tentasse puxar a luta de dentro dela novamente.
"Não desmaie pra mim—!"
No fim do corredor, uma figura se afastou da parede.
Um garoto.
Cabelos escuros.
Listra dourada no uniforme.
Classe A.
Ele vinha assistindo.
Não com curiosidade.
Nem com diversão.
Com a mandíbula cerrada, tanto que o músculo tremia.
Dreyden Stella.
"No romance", murmurou baixinho, voz firme, "eu só via isso como uma memória."
Ele deu um passo.
O povo ainda não percebeu sua presença. Continuavam fixos na cena, sedentos por ela—como se ver Maya sofrendo justificasse sua própria dor.
"Mas ver ao vivo..."
Seu punho fechou com força.
Seus nós rangiam.
"…me enfurece mais do que eu pensei."
Ele se lembrava da cena como texto na tela.
Um parágrafo.
Uma nota de rodapé.
Uma justificativa para o despertar de Maya mais tarde.
O romance não capturou o cheiro de sangue e suor antigo presos nas paredes baratas do dormitório.
Não capturou o som de alguém engasgando enquanto todos aguardavam sua vez.
Maya Serenity.
Última filha de uma família original.
Portadora de uma habilidade original rara.
E aqui ela estava—presa como presa.
Implorando.
Punida por tentar sobreviver.
Uma contradição que a chamada “meritocracia” do Triângulo não admitiria que existisse.
A respiração de Dreyden saiu devagar, controlada.
Ele não moveu imediatamente.
Não porque não quisesse.
Mas porque entendia a Classe E.
Se interviesse cedo demais, no instante em que saísse, eles voltariam.
E piores.
Com mais raiva.
Com mais justificativa.
Ele precisava que a lição fosse tão forte que permanecesse.
Viu até Maya realmente perder o fôlego.
Até a fome do corredor mudasse—ela não está mais lutando, então já não é mais divertida.
Só aí, a contenção de Dreyden se quebrou.
A magia subiu pelo seu braço como uma maré.
Calor acendeu-se nos seus punhos.
Luz azul—densa, comprimida, violenta.
Ele se moveu.
Não como um estudante entrando em conflito no dormitório.
Como uma impacto.
Quando eles viram o uniforme, o corredor se partiu.
O medo se espalhou como uma onda, rápido e instintivo.
Os alunos da Classe E recuaram como se o próprio ar tivesse ficado cortante.
Dreyden não olhou para eles.
Seu olhar focou apenas na Maya, pendurada na pegada de outra pessoa.
Ele parou na frente da agressora.
Sem aviso.
Sem fala.
Sem moralidade fingida.
Apenas—
BOOM.
Seu punho acertou o abdômen da garota.
Não foi um soco comum.
Foi uma declaração.
A força levantou ela do chão e a jogou na parede com força suficiente para fazer os painéis do corredor tremerem.
O uniforme dela fumegava onde a chama azul beijou o tecido.
Ela caiu com um baque surdo, o fôlego sumindo, os olhos rodando.
Silêncio.
Até as próprias alunas que odiavam Maya olharam para Dreyden agora—porque odiar era fácil.
A pressão da Classe A não era.
Dreyden olhou fixamente para a agressora.
"Ela está viva," ele disse com frieza.
Não foi misericórdia.
Foi controle.
E para quem assistia, isso era pior.
Porque significava que ele tinha decidido deixá-la viver.
O corredor se dispersou como ratos na luz.
Estudantes fugiram.
Uns empurrando os outros.
Outros sem ousar olhar para trás.
Alguns alunos de turmas superiores que tinham passado para assistirem não correram—ficaram parados, olhos arregalados, fingindo que não tinham se divertido com a cena minutos antes.
Dreyden ajoelhou-se ao lado de Maya.
Sua pele estava fria por causa do choque.
Seu pescoço já inflamava.
Seu cabelo parcialmente rasgado, fios grudados ao sangue no couro cabeludo.
Ele tirou a jaqueta do uniforme e a envolveu com delicadeza que não combinava com aquele corredor.
Suspiros correram pelos espectadores.
Ninguém cobriu uma estudante da Classe E com a jaqueta de uma Classe A.
Era quase uma heresia.
Dreyden não se importou.
Ele a levantou com cuidado, ajustando seu peso para que a cabeça dela não caísse.
Depois, começou a caminhar.
O corredor se abriu.
Não por respeito.
Pelo medo.
Maya foi ficando na escuridão.
Seu pescoço pulsava de dor.
Suas costelas doíam.
Seu couro cabeludo queimava.
Ela tentou abrir os olhos, mas pensar já doía.
Um som suave escapou dela—meio suspiro, meio gemido.
"Não precisa levantar."
A voz era profunda.
Firme.
Quente.
Seu corpo reagiu antes de sua mente—congelando, depois tremendo.
Seus olhos se abriram lentamente.
Um teto que ela não reconhecia.
Ar puro.
Um quarto.
Um quarto particular.
Que não existia para pessoas como ela.
Ela tentou se sentar, o pânico tomando o lugar da dor.
Então ela viu a jaqueta nela.
Listra dourada.
Classe A.
Seu coração caiu direto no peito.
"N-Não… não é isso—por que estou usando—?"
Um garoto sentado no chão perto da cama.
De costas contra a parede.
Antebraço levemente marcado com uma queimadura.
Pele molhada de suor—treinamento de circulação.
Ele abriu os olhos.
Picante.
Calmo.
Não cruel.
Dreyden Stella.
"Então você acordou", ele disse.
Ele levantou, depois se sentou na ponta da cama—nem muito perto, nem intimidando.
Cuidadoso.
Ainda que Maya tremesse violentamente.
Classe A significava poder.
Violência.
Dominação.
Era o tipo de gente que machuca só porque pode.
"Você é da Classe A..." ela sussurrou, a voz trêmula. "P-por favor… não me bata…"
Ela se encolheu, com as mãos na cabeça, como se esperasse o golpe.
Esperando o inevitável.
Dreyden piscou, surpreso de verdade.
Depois sua expressão suavizou, mostrando algo que Maya não via há meses.
Não bondade.
Nem mesmo piedade.
Piedade.
"Não vou te bater", ele disse baixinho.
Maya espiou por entre os dedos.
"Você… não?"
"Não." Sua voz manteve-se firme. "Você pediu ajuda. Eu vou ajudar você."
A respiração dela prendeu, doendo.
"…V-Você vai?"
"Sim."
Ele apontou para o banheiro. "Mas primeiro, toma banho. Você está ferida por todos os lados."
Maya olhou para si mesma—tecido rasgado, hematomas, sangue seco—and sua garganta apertou.
"Eu… ok..."
Ela desceu da cama, cambaleante.
Depois hesitou na porta, como se sair do lugar dele fosse perigoso também.
"E-espere." Sua voz tremeu. "Seu nome… qual é o seu nome?"
Dreyden levantou uma sobrancelha.
"Você não reconheceu? Pensei que todo mundo tivesse falado de mim hoje."
Maya sacudiu a cabeça rapidamente.
"Ninguém me conta nada."
Por um segundo, o olhar de Dreyden se intensificou—raiva piscando por trás da calma.
Depois, ele respirou fundo.
"Dreyden Stella", disse ele.
Maya piscou.
Seus ombros tremeram—não de medo desta vez.
De uma esperança aguda, quase como uma ferida se abrindo.
Ela correu para o banheiro e fechou a porta como se pudesse manter o mundo fora.
Água quente tocou sua pele.
Queimou cada hematoma.
Queimou cada corte.
Mas era quente.
Calor verdadeiro.
Não a calor do corredor.
Nem a adrenalina.
Calor que significava segurança.
Maya olhou para seu reflexo.
Uma garota de cabelo vermelho—bagunçado, rasgado, desigual.
Um rosto que parecia mais velho do que deveria.
Olhos que hesitavam mesmo sem nada se mover.
A voz da mãe ecoou de algum lugar profundo na memória.
"Sua habilidade vai te fazer grande. Não tenha medo. Você tem um futuro brilhante."
As mãos de Maya se fecharam em punhos.
"Se isso é um sonho…" ela sussurrou, "não me deixe acordar."
Depois, seus dedos tocaram o cabelo.
Ou o que restou dele.
Um lado foi cortado mais curto.
Jagged.
Desigual.
Como um lembrete.
Lágrimas voltaram a surgir.
Ela olhou para si mesma por um longo tempo.
Depois pegou as tesouras perto da pia.
A mão tremeu.
Corte.
Corte.
A cada corte, sentia como se estivesse cortando a última coisa que ainda pertencia à menina que costumava ser.
Quando terminou, não ficou bonito.
Mas ficou parelho.
E quando ela olhou para cima—
Uma Maya diferente olhava de volta.
Ainda machucada.
Ainda assustada.
Mas mais limpa.
Menos… dominada.
Ela vestiu o uniforme de reserva, dobrado cuidadosamente ao lado da pia.
Não era da Classe E.
Não estava rasgado.
Nem sangrando.
Uma gentileza temporária que ela não sabia como aceitar.
Ela saiu.
Dreyden ainda estava sentado no chão, olhos fechados, suor escorrendo pela têmpora—magia circulando com uma disciplina lenta.
Nem predador.
Nem salvador.
Apenas… alguém tentando não se tornar nenhum dos dois.
Maya se acomodou quieta na cama, mãos repousadas no colo, esperando como tinha aprendido a fazer a vida toda.
Dreyden abriu um olho.
"Finalmente resolveu sair," ele disse.
Maya engoliu em seco e assentiu.
Sorriso calmo dele torceu algo no peito dela.
Uma esperança dolorosa, estranha.
"Tudo bem," ele falou. "Vamos conversar agora."
A respiração de Maya tremeu.
Porque, pela primeira vez em muito tempo—
Ela acreditou em alguém.
E essa crença a assustava quase tanto quanto o Triângulo sempre tinha assustado.
Porque, se fosse real…
Então perdê-la doeria pior do que tudo que ela tinha sobrevivido até agora."