Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Capítulo 9

Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia

Deixei o ar escapar lentamente e observei Maya se sentar na beirada da cama como se não confiasse que o chão a sustentasse.

Seus ombros estavam tensos. As mãos permaneciam próximas ao corpo. Mesmo após o banho, mesmo com o uniforme que não caía bem nos ombros dela, sua postura carregava a mesma ansiedade do corredor — como se esperasse que alguém puxasse seus cabelos novamente se ela relaxasse por um segundo.

A pior parte não era o medo.

Era o quão treinado ele estava.

Você não adquire esse tipo de medo de um dia ruim. Você aprende com a repetição. Com o entendimento de que a bondade é uma armadilha ou um acidente.

Na história original, Maya Serenity era um nome que eventualmente tinha significado.

Mais tarde, ela se manteria ereta. Mais tarde, olharia nos olhos das pessoas. Mais tarde, conseguiria fazer uma sala gelar só com sua presença.

Mas isso era antes de tudo isso acontecer.

Era a versão que o mundo tentou apagar antes que ela tivesse a chance de se tornar perigosa.

Mantive a voz baixa, cuidadosa.

"Qual é seu nome?" perguntei de novo.

Maya deu um passo para trás — ainda, mesmo agora — como se a própria pergunta fosse uma armadilha. Seus olhos levantaram em pequenas oscilações, primeiro testando minha expressão, depois meu tom, depois a distância entre nós.

"…M-Maya," disse ela. "Meu nome é Maya."

Ela não acrescentou mais nada.

Sem sobrenome. Sem história. Sem convite.

Inteligente.

Concordei com a cabeça, como se aquilo fosse suficiente.

"É," eu disse. "Antes de fazermos mais alguma coisa… diga-me o que você quer."

Seu sobrancelha se franziu.

"Huh…?"

"Não o que você acha que deve dizer," acrescentei. "Não o que faz você sair de problemas. O que você realmente quer."

Por um momento, ela me olhou como se eu tivesse falado uma língua que ela nunca tinha aprendido.

No Triângulo, as pessoas não perguntam o que você quer.

Elas perguntam o que você pode oferecer.

O olhar de Maya caiu para seu colo. Seus dedos apertaram a colcha como se precisassem de uma âncora.

"…Por quê?" sussurrou.

A pergunta não foi acusatória.

Era pior do que isso.

Era medo.

"Por que você quer me ajudar?"

Quando ela olhou para cima novamente, seus olhos continham duas coisas ao mesmo tempo — medo e algo frágil o suficiente para se partir se eu errasse na minha abordagem.

Esperança.

Eu poderia mentir.

Poderia dizer que era porque eu era "uma boa pessoa", que era "o certo a fazer", que "qualquer um ajudaria".

Mas mentiras assim eram fáceis de testar. Fáceis de desmentir. Fáceis de transformar em arma.

Então, escolhi algo mais difícil.

"Gosto de você," eu disse.

Maya parou de novo.

Não como alguém envergonhado.

Como alguém esperando um golpe que não veio.

Seus lábios se abriram e, inicialmente, nenhum som saiu. Então, em um sussurro magro e incrédulo:

"…Você gosta de mim?"

"Sim," respondi simplesmente.

Não me aproximei mais. Não a toquei. Não fiz nada que pudesse parecer pressão.

"Você estava se machucando no corredor cheio de gente," continuei. "E nenhum deles se mexeu. Isso já me diz o suficiente."

Ela respirou aceleradamente. Seus olhos tremiam, tentando manter-se firme.

"Eu não… não sou útil," disse ela rapidamente, como se estivesse recitando algo que tinha aprendido. "Não… Não consigo—"

"Você está viva," cortei, calmo, firme — não severo. "Isso já é mais do que a maioria consegue aqui."

Alguma coisa no rosto dela quebrou.

Lágrimas escorreram antes que ela pudesse detê-las, e a raiva que veio em seguida dirigiu-se para dentro, não para mim.

"Isso… não é um sonho," sussurrou ela, a voz distorcendo ao redor das palavras. "Certo?"

" Não é um sonho," eu confirmei.

Ela quebrou após isso.

Não foi bonito. Não foi silencioso. Não foi do tipo de choro que histórias arrumadinhas gostam de escrever.

Foi um alívio feio. Foram respirações trêmulas e uma dor que não sabia para onde ir agora que tinha permissão para existir.

Ela se curvou, mãos segurando a colcha, soluçando como se o som tivesse ficado trancado por anos entre suas costelas e finalmente tivesse força suficiente para escapar.

Eu não falei.

Não a tranquilizei com discursos.

Apenas esperei, presente e imóvel, deixando seu corpo perceber que não seria punida por fazer barulho.

Passaram minutos.

Ela respirava de forma irregular, como uma tempestade perdendo força.

Quando finalmente levantou a cabeça, seus olhos estavam vermelhos, as bochechas molhadas, a voz arranhada.

"Quero ajuda," disse ela. "Quero ficar mais forte."

Engoliu com dificuldade.

"Por favor."

Lá estava ela.

Não uma performance. Não um pedido de piedade.

Uma escolha.

Senti uma contração no peito — não inteiramente minha.

O corpo de Dreyden lembrou-se do que era ser abandonado.

Talvez seja por isso que essa cena tenha sido tão mais forte do que deveria.

"Eu vou," eu disse.

Não de maneira dramática.

Não heroica.

Apenas certa.

Maya hesitou, então se inclinou para frente, como se não tivesse certeza se podia se aproximar de alguém.

Encontrei-a pela metade do caminho e a abracei.

Ela ficou rígida por dois segundos — puro reflexo.

Depois, os ombros afundaram, como se seu corpo finalmente tivesse perdido forças para fingir que não precisava de alguém.

Ela não se agarrou. Ela apenas se segurou, como quem se apoia na moldura de uma porta durante uma inundação.

"Vou te ajudar," murmurei. "Mas a gente faz do jeito certo. Sem atalhos. Sem pedir clemência. Sem deixar que decidam quem você é."

Maya concordou com a cabeça, lentamente, séria.

Pequena. Tremendo.

Mas verdadeira.

Quando ela finalmente recuou, apressadamente limpou o rosto, envergonhada pelas próprias lágrimas, como se a vergonha fosse um hábito que ela não sabia como parar.

Não comentei nada a respeito.

Em vez disso, mudei o foco da conversa para a coisa mais importante no Triângulo, mais que emoções:

fatos.

"Maya," disse eu. "Mostre-me seu status."

Seu corpo inteiro ficou rígido.

A saudade voltou de repente como uma corrente puxando forte.

"P-por favor…" sussurrou. "Só—só escute com calma primeiro. Está bem?"

"Vou," respondi.

Ela me olhou, procurando no meu rosto o momento em que a bondade se transformaria em repulsa.

Quando não encontrou, respirou com dificuldades.

"Status Visível."

Uma luz se formou no ar.

A tela holográfica piscou uma vez, como se não tivesse certeza se queria existir naquele cômodo.

Depois, estabilizou.

STATUS — Maya Serenity

Força: 10

Resistência: 13

Agilidade: 11

Inteligência: 20

Percepção: 13

Energia Mágica: 20

Manipulação da Realidade — Identidade (Lv. 10)

Subproduto da Realidade Original. Permite a assimilação da identidade de outro universo, adquirindo suas memórias e habilidades.

Efeitos Colaterais:

— Alto custo de ativação

— Vazamento de personalidade

— Aumento do custo mágico a cada nova identidade

— Desativa automaticamente

Resisti por um segundo mais do que deveria.

Não por ser "legal".

Porque era assustador.

Nível 10.

Subproduto original.

Assimilação.

Transferência de memória.

Aprendizado de habilidades.

Isto não era uma ferramenta.

Era uma calamidade com rosto humano.

Respirei fundo lentamente.

“Isso é insano,” murmurei.

Maya piscou, confusa.

"Você… você não está bravo?" perguntou ela, cuidadosa. "Por eu ter escondido?"

Olhei para ela.

"Bravo?" repeti.

Então balancei a cabeça.

"Honestamente, acharia você estúpida se não tivesse escondido."

Ela abriu a boca, como se não soubesse que essa resposta existia.

A tensão nos ombros dela se soltou — só um pouco, mas o suficiente para perceber.

"Custa…" ela hesitou, depois admitiu como se fosse uma confissão. "Setecentos e trinta de energia mágica só para ativar."

Isto explicou tudo.

O pedido. A impotência. Como ela esteve presa num corpo que não podia usar sua própria arma.

Seus olhos se estreitaram um pouco enquanto a lógica se encaixava.

"Preciso de controle de magia," disse ela. "Urgente."

Então, ela parou, encarando.

"Espere… por que você não fica chocado que seja nível 10?"

"Porque eu também não sou normal," respondi.

Sua respiração ficou presa.

Levantei a mão.

"Status."

A tela apareceu diante de mim.

Na medida certa.

Somente o essencial.

Os olhos de Maya arregalaram tão rapidamente que parecia medo de novo — até eu perceber a outra emoção por baixo dessa, diferente.

Compreensão.

"H-habilidade não registrada…?" ela sussurrou. "Você— você consegue copiar habilidades…?"

"Só você sabe disso," eu disse.

Toquei na tela, fechando-a.

"Para todo mundo, só tenho Fúria de Fogo. Essa é a máscara."

Maya concordou, devagar e sério.

"Entendido," ela disse. Não como uma promessa. Como um juramento.

Muito bem.

Levantei-me, fui até a mesa e peguei o manual fino — aquele que Lucas tinha jogado fora na história original.

Deixei sobre a cama.

Maya o pegou com as duas mãos, como se fosse frágil.

Como se fosse sagrado.

"Leia," disse eu. "Vamos começar pelo seu núcleo."

Os dedos dela tocaram a capa.

"E se eu fracassar?" perguntou ela, silenciosa.

Inclinei-me contra a parede, ao invés de ficar pairando.

"Se isso acontecer, paramos antes de você se machucar e tentamos de novo amanhã," eu disse. "Sem pânico. Sem pressa."

Maya olhou para cima.

"Por que você—" Ela se deteve, engolindo. "Por que você está fazendo isso por mim?"

Não respondi com romance.

Não respondi com destino.

Respondi com realidade.

"Porque o teste mensal está chegando," eu disse. "E se você entrar nele como está agora, o Triângulo vai acabar o que aquela passagem começou."

O rosto de Maya ficou pálido.

Depois, seu maxilar se fechou.

Não medo.

Decisão.

Assenti uma vez.

"Enquanto você constrói seu núcleo, vou injetar energia mágica para estabilizar sua circulação," continuei. "Vai doer. Você vai querer parar. Mas não vai. Não porque você seja forte—porque você escolhe viver."

Maya olhou para o manual.

Suas mãos pararam de tremer.

Ela levantou os olhos para mim, e algo diferente apareceu neles agora.

Não gratidão.

Não adoração.

Determinação.

"Estou pronta," ela disse.

A voz dela tremeu.

Sua vontade, não.

Senti um sorriso se formar nos meus lábios, sutil.

"Ótimo," eu disse. "Termine a primeira parte."

Empurrei-me da parede.

"Vamos começar agora."

Comentários