
Capítulo 18
Extra da Webnovel: Reencarnado com uma Habilidade de Cópia
A meditação não era opcional se você queria uma verdadeira evolução.
Você podia forçar a energia. Podia suar a circulação até os músculos doerem e as veias parecerem fios de alta tensão. Mas, quando se tratava de mudar a qualidade do seu núcleo — transformá-lo em algo capaz de sustentar uma força maior — esforço bruto só te levava até a metade do caminho.
O resto era silêncio.
Eu me sentei com as pernas cruzadas no tapete, as costas retas, as mãos apoiadas nos joelhos. No começo, tudo no meu corpo reclamava.
Meus ombros queriam cair.
Minha coxa ficou dormente.
Meus pensamentos rodavam em círculos — classificações, méritos, Maya, Lucas, o exame do calabouço, as centenas de maneiras que esse lugar poderia me matar se eu cometesse uma bobagem.
Então o ruído diminuiu.
Inspire.
Expire.
Expiração mais longa.
Meu coração desacelerou, não porque estivesse relaxado… mas porque meu corpo finalmente aceitou que eu não estava me movendo.
Bom.
Basta.
A evolução do núcleo não era só “mais magia”.
Era a fundação se tornando mais dura. O recipiente mudando. A diferença entre alguém que tinha um grande reservatório de água — e alguém que podia moldá-la numa lâmina sem perder metade dela pelo derramamento.
As famílias tratavam isso como uma conquista de linhagem. Não por tradição, mas porque “controle de força” começava a ganhar… particularidades. Aspectos. Peso. Densidade. Leveza. Propriedades que decidiam se você era uma ameaça ou apenas mais um estudante barulhento.
Eu não sabia qual atributo minha trajetória se inclinaria.
O romance não explicava tudo de forma explícita.
Nunca faz.
Deixei meus olhos fecharem.
E o espaço se dissolveu.
De forma rápida.
Instantaneamente — como se eu tivesse saltado de uma borda e caído num oceano de preto.
Fiquei em um vazio que não parecia imaginação. Era como se o espaço mesmo tivesse sido esvaziado e eu fosse a única coisa sobrando dentro dele. Sem cima. Sem baixo. Sem som.
Então —
Apareceu luz.
Não um só feixe, mas dezenas de rios colossais sobre minha cabeça — como rodovias de vidro, cada uma carregando um rio de energia cristalina azul. Tinham curvas no escuro, convergindo para um ponto.
Um círculo.
Vasto.
Prateado.
Ele pairava ali como uma estrela selada, pulsando — brilhando o suficiente para lavar o vazio de branco — e depois engolindo seu próprio brilho de volta para dentro dele.
Os pulsos aceleraram.
A casca tremeu.
Uma rachadura fina apareceu.
Depois outra.
Então uma teia de fraturas se espalhou até que toda a superfície parecia porcelana quebrada.
CRACK.
A casca prateada se quebrou, fragmentos se dissolvendo antes de caírem.
Por baixo —
ouro.
Um núcleo novo, brilhando como a luz do sol presa num metal.
E ao se revelar, a escuridão se encheu de pontinhos azuis — milhares deles — piscando na existência como um céu sendo reconstruído do zero.
Meus olhos se abriram de repente.
Os pontinhos não sumiram.
Mesmo na minha sala, com suas paredes sem graça e o zumbido silencioso do prédio, ainda conseguia vê-los — flutuando suavemente, como poeira que não pertence à física.
Um sorriso lento se formou nos meus lábios.
“… Então é assim.”
Levantei meu braço.
Vamos.
Os pontinhos avançaram.
Não em direção ao meu corpo de modo geral — mas à minha intenção. Envolveram meu antebraço como uma manga viva, se agrupando mais rápido do que eu esperava, condensando até que o ar densificou.
Energia metafísica.
Ela revestiu meu braço com uma camada brilhante e limpa de força — forte demais para ser chamada de brilho. Mais parecido com uma luz que decidiu virar sólida.
Meu coração bateu forte — tão forte que deu uma mexida.
Dei uma machadada para baixo, testando instintivamente.
A energia se alongou além do meu punho, formando uma lâmina fina, translúcida que se projetou no ar.
Assim que saiu do meu braço, minha conexão com ela afinou. Como segurar uma corda que já escapa pelos dedos.
Pare —
Hora errada.
KSHHH.
A rasante atingiu a parede, cavando uma linha profunda nela.
Não era queimar.
Era um corte.
Fiquei olhando para o estrago, então exalando lentamente pelo nariz.
“… É. Isso vai dar problema.”
Logo me sentei de novo, a empolgação real, mas sabia que não podia deixar isso tomar conta de mim.
Controlar energia metafísica é um curso avançado no Triângulo. A maioria dos estudantes luta meses só para formar construções estáveis. Alguns nunca conseguem.
E eu tinha conseguido por acidente.
Isso não era só talento.
Era risco.
Verifiquei como estava meu núcleo.
…Quase vazio.
O sorriso sumiu.
“Idiota,” murmurei para mim mesmo.
Fechei os olhos de novo e comecei a circulação, puxando o rio de volta pedaço por pedaço. Não era glamouroso. Não era rápido.
Era necessário.
E fiquei assim — sozinho na minha sala — até a noite deixar de parecer noite e começar a parecer manhã.
[19 de março, XXXX — 06:40]
[Refeitório da Academia]
— Ei, Dreyden — qual é sua habilidade?
— Não deve ser só copiar as coisas. Conta pra gente logo.
Furei a comida com o garfo e mantive o olhar pra baixo.
Se fosse pra nomear o que aquilo era, não era fama.
Era infestação.
Desde que subiram na classificação, as pessoas que antes passavam por mim como se eu fosse mobília de escritório agora queriam minha atenção. Alguns tentavam amizade. Outros pressionavam. Outros ainda soltavam risadinhas falsas, que na verdade eram testes de até onde podiam ir.
E por baixo de tudo, tinha algo mais feio.
Inveja.
Não porque eu tivesse machucado alguém.
Mas porque eu tinha me movido.
Um estudante na mesa da frente soltou, "Ele disse que não quer conversar. Para de encher o saco dele!"
Ele não me defendia.
Estava irritado porque eu não dava o que queria.
Nem me dei ao trabalho de responder. Eram mais fracos. Não me superavam. Se eu lutasse, estaria perdendo tempo e alimentando a história que eles queriam — de que era fácil me derrubar.
Terminei de comer, levantei-me e saí enquanto as perguntas continuavam zigzagando atrás de mim, como insetos.
Deveria passar na Maya mais tarde.
Hoje ela ia usar a habilidade pela primeira vez.
Se ela escolhesse a identidade que eu lembrava… a mudança aconteceria rápido. Uma postura diferente. Uma confiança diferente. Como se alguém tivesse colocado fogo na forma dela.
Quase dei risada com o pensamento.
Depois das aulas, então.
Hoje tinha treinamento de combate de qualquer jeito.
E, de alguma forma — de alguma forma — o Lucas conseguiu meu telefone.
Agora ele queria “treinar”.
Fui passando a mão no rosto enquanto caminhava.
— Por favor, não vire um problema —
— Vai virar, com certeza.