O Extra é um Gênio!?

Capítulo 338

O Extra é um Gênio!?

- POV de Selene -

Selene avançava steady pela crista irregular, com as botas rangendo contra as pedras soltas. O ar da montanha era seco, pesado, e cada respiração queexalava se condensava em um instante diante dela. O frio a acompanhava onde quer que fosse — uma aura implacável que se infiltrava no solo a cada passo.

Seu punho firmava a varinha fina, moldada como gelo entalhado, cuja superfície brilhava sutilmente, como se estivesse com geada presa dentro dela. Ela a segurava próxima, firme, como uma promessa.

'Não estou mais enjaulada por ela. Chega de ordens, chega de peso me pressionando.' Seus pensamentos estavam calmos, ponderados, mas a ponta era afiada. 'Mesmo assim... preciso ser a primeira. Não deixarei que ninguém me coloque abaixo de si novamente.'

Sua mente traíra-a com uma única imagem — Noel, parado diante dela na arena. O raio dele havia atravessado seu gelo. O fogo dele havia queimado sua tempestade. Sua primeira derrota verdadeira.

Seus lábios se apertaram. 'Por que pensar nele faz isso comigo? Por que eu... perco o foco?'

Um rugido súbito sacudiu a vegetação rasteira. Um Javali Pedra-Cerco emergiu das árvores, com presas reluzentes, suas placas rochosas rangendo enquanto avançava com força que fazia o chão tremer.

Selene não hesitou. Ela acenou sua varinha, a voz fria e firme.

"Aperto de Criocinese."

Mãos de gelo surgiram do chão, agarrando as pernas do animal. Geada subiu rápido, petrificando-o no lugar. O javali relinchou e se debateu, olhos selvagens.

"Lança Congelada."

Uma lança de gelo condensado se formou e disparou à frente. Atravessou a cabeça do javali limpidamente, saindo do outro lado numa chuva de fragments congelados. A criatura caiu instantaneamente, mudo e imóvel, seu sangue cristalizando-se antes de tocar o solo.

Selene abaixou a varinha, a respiração equilibrada. 'Rápido. Só isso.'

Mas a sombra de Noel permanecia, de qualquer forma.

Selene avançou mais fundo pela trilha da montanha, suas botas deixando finas pegadas de geada sobre a pedra nua. O calor natural da região pressionava contra ela, mas nunca tocava sua pele — o frio ao redor a engolia por completo.

Sua varinha pulsava ligeiramente com mana, sua superfície cristalina brilhando. Ela caminhava sem pressa, sem tensão.

'Toda manhã... ele estava lá.' O pensamento veio indesejado. 'O único outro que treinava tão cedo quanto eu.'

Ela se lembrava de Noel na época, tropeçando nos treinos, suor escorrendo pelo rosto. Fraco. Fragil. Ainda assim, nunca pulou um dia sequer. 'Achava aquilo patético. E mesmo assim... ainda lembro disso até hoje.'

Um grito agudo de repente interrompeu seu foco, elevando seu olhar. Um Falcão Gavião de Penacho Carmesim mergulhou de cima, com asas abertas, pontas de penas vermelhas como brasas incandescentes. Seus garfões brilhavam como ferro derretido, deixando rastros no ar enquanto caía em velocidade vertiginosa.

Os olhos de Selene se arregalaram. "Prisão de Gravidade."

O ar ficou espesso, a gravidade aumentou. O falcão vacilou no meio do mergulho, as asas lutando contra o peso invisível. Ela levantou sua varinha, precisa, impassível.

"Investida Glacial."

Uma lança estreita de gelo disparou à frente, perfurando o peito do falcão. Ele gritou, torcendo-se violentamente, penas voando por toda parte. A força do feitiço o lançou ao chão, formando uma cratera sob seu corpo.

A criatura se esforçou uma última vez, levantou a cabeça. Selene avançou um passo, com expressão ainda neutra.

"Lança Congelada."

A próxima projeção atravessou seu crânio. O silêncio caiu, interrompido apenas pelo sussurro tênue do sangue congelado espalhado pelo solo.

Selene expirou lentamente, abaixando a varinha. O ar estava frio o suficiente para queimar seus pulmões.

'Ele teria acabado mais rápido', pensou de repente, os lábios finos. 'Por que isso importa para mim?'

A respiração de Selene se condensava diante dela enquanto o frio se espalhava, congelando musgo e terra sob suas botas.

Um rosnado gutural ecoou. Depois outro.

Duas Ravagers de Mandíbulas de Ferro saíram de lados opostos da crista, suas formas imensas cobertas por escamas metálicas, mandíbulas cheias de presas irregulares que reluziam como aço forjado. Seus olhos vermelhos fixaram-nas, ambos avançando lentamente, com passos pesados que rachavam a rocha a cada movimento.

Selene apertou a pegada na varinha, o rosto uma máscara de calma.

'Na noite em que ele invadiu Iskandar…' A lembrança veio afiada como as presas dos Ravagers. Noel, puxando-a para fora da casa que ela chamava de prisão. No começo, ela o odiava por isso. Por ousar interferir. Por decidir sua vida por ela.

Mas depois, entendeu — ele não a salvou por si mesmo. Ele simplesmente rejeitou deixá-la lá.

Seu coração pulou uma batida. Ela franziu a testa. 'Por que estou me lembrando disso agora?'

Os Ravagers rugiram em uníssono, avançando lentamente. O chão tremeu.

"Explosão de Ponto Zero."

A voz de Selene cortou como gelo. Uma esfera de gravidade comprimida se formou entre as criaturas, puxando-as para dentro com força esmagadora. Suas garras arranharam a pedra, seus corpos se esforçando contra a força invisível.

Ela levantou ainda mais sua varinha, mana pulsando forte. "Floração Gélida."

Debaixo de seus pés, uma enorme flor de gelo floresceu, com pétalas afiadas como lâminas. Os Ravagers uivaram enquanto as pétalas giravam, cortando escamas e carne por igual. A tempestade de geada os desfez, deixando apenas restos congelados espalhados pelas rochas.

O feitiço terminou. O silêncio retornou.

Selene abaixou a varinha, expressão neutra. Mas seus pensamentos sussurravam traiçoeiramente: 'Por que pensar nele me faz tremer assim?'

O campo de batalha permanecia silencioso, pedaços de gelo cintilando sobre as rochas onde os Ravagers caíram. Vapores tênues emergiam de seus corpos congelados, o único sinal de que há pouco tempo o local tinha sido uma confusão.

Selene respirou fundo lentamente, abaixando a varinha até que sua luz de gelo se apagasse. Acima dela, pequenas partículas de luz shimmer, os drones de mana, sempre presentes, registrando cada movimento, cada feitiço, cada vitória. Nobres, patriarcas, matriarcas… todos observando.

Eles tinham testemunhado a elegância do seu Declínio Cristalino, a precisão dos seus golpes, o jeito como ela desmontava duas bestas Adept como se fosse rotina. Para eles, ela pareceria inabalável, uma herdeira perfeita da linhagem Iskandar.

Porém, eles não podiam enxergar a tempestade que existia dentro do seu peito.

Seu aperto na varinha se fechou, as palmas pálidas. A lembrança de Noel treinando na alvorada voltou a surgir — o garoto teimoso que já fora fraco demais para ficar de pé após um treino. Ela se lembrava de como ele continuava aparecendo, machucado, exausto, recusando-se a desistir. Ele não tinha motivo. Nenhuma obrigação que o prendesse. Ainda assim, ele persistia.

Por que essas memórias ressurgiram agora, aqui, no meio da Caçada? Por que seu coração acelerava não por causa da batalha, mas por causa de um rosto que não estava presente?

Selene ergueu o queixo, apagando o leve tremor nos lábios antes que pudesse se formar. Seus olhos dourado-cian se tornaram mais gelados, mais afiados.

"Para vencer," sussurrou, quase inaudível para si mesma. "Tenho que ser a primeira. Não serei segunda — por ninguém."

Os drones giraram acima, capturando a predadora impecável que o mundo esperava dela. Nenhum deles podia registrar as rachaduras que havia por baixo do gelo, a guerra silenciosa que travava contra sentimentos que se recusava a nomear.

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