
Capítulo 337
O Extra é um Gênio!?
A imagem de Damon e Sylvette permanecia nas telas de mana dentro da enorme tenda, mostrando a batalha contra o Lagarto de Cascos de Ferro em detalhes silenciados. Os golpes tensos de Damon, as cortes precisas de Sylvette, a derradeira lança desferida com esforço.
Sussurros se espalhavam entre os nobres.
— Nada mal.
— Elegante, sim, mas ainda longe do nível deles.
— Comparando com Noel… nem chega perto.
As palavras não carregavam hostilidade, apenas um reconhecimento frio. Todos tinham visto. Damon e Sylvette tinham se esforçado, enquanto Noel tratava os elites como meros manequins de treino.
Na mesa central, a Lady Mirelle cruzou os lábios numa linha fina. Lady Serina puxou o ar desconfortavelmente. O silêncio entre elas era tão cortante quanto qualquer declaração.
Foi quando Thalanor von Lestaria recostou na cadeira, um sorriso caloroso surgindo nos lábios. — Ainda acha que Noel fica abaixo da minha filha, Elena? — Sua voz era leve, mas a mordida foi certeira.
Os olhos de Mirelle se estreitaram. Serina lançou um olhar atento para ele, mas nenhum respondeu. Os murmúrios ao redor aumentaram, nobres trocando olhares disfarçados e sorrisos escondidos.
No outro lado da mesa, Lorde Albrecht permanecia impassível, como se fosse de ferro. Seu olhar frio permanecia fixo nas telas, sem revelar nada.
Thalanor deu uma risadinha suave, servindo-se de uma bebida. — Sabia que ia chegar nesse ponto.
A tela piscou novamente, desviando o foco dos Thornes. Os sussurros diminuíram, mas o peso da comparação permanecia no ar.
As telas de mana oscilavam mais uma vez, dissipando a imagem de Damon e Sylvette. Uma nova imagem preenchia a tenda — Selene von Iskandar.
Ela avançava pelo caminho na montanha com a mesma compostura que sempre demonstrava na academia: postura ereta, passos deliberados, cada movimento calculado. As sombras do cume não se grudavam nela — elas se curvavam ao seu redor, como se o frio próprio recusasse qualquer coisa próxima. Seu cabelo azul curto refletia a luz da projeção de mana, e na mão brilhava uma vara fina, levemente cristalina, como se fosse esculpida de gelo puro.
Os nobres dentro da tenda se inclinavam para frente. Ninguém proferia palavra.
O dron avançou, captando as mudanças no ar ao seu redor. A temperatura caiu visivelmente, geada se formando nos rochedos enquanto ela levantava a vara. Seus lábios mal se moviam, mas o feitiço assumia forma com perfeição de controle.
— Réquiem do Frostfall.
A atmosfera colapsou instantaneamente. O hálito virou névoa e congelou em segundos. Então veio o pulso — uma onda expansiva de mana, afiada e glacial, irrompendo para fora como um batimento de coração.
O alvo — um grupo de Lobos de Espinha de Corvo ao pé do cume — nunca teve chance. A tempestade explodiu com força total, um vendaval ofuscante de vento branco e fragmentos minúsculos de gelo. Os lobos uivaram uma última vez antes de serem engolidos pela nevasca, seus gritos cortados abruptamente enquanto as agulhas rasgavam peles, carne e ossos simultaneamente.
Quando a tempestade cessou, o silêncio reinou. Os lobos jaziam imóveis, estátuas de gelo já rachando sob seu próprio peso.
Selene abaixou a vara sem ostentação, com uma expressão imutável. Ela não sorriu. Não franziu a testa. Simplesmente seguiu em frente, passos deixando tênicas marcas de geada na pedra.
A tenda permaneceu silenciosa, cada nobre a observando como se o ar tivesse ficado pesado.
Do ponto de vista de Selene, a caçada era apenas uma questão de cálculo. O frio acalmava seu pulso, aguçava seus pensamentos. Ela avançava pela cordilheira com certeza silenciosa, observando as trilhas de mana à frente.
De repente, duas Panteras Frostfang saíram do matagal, suas pelagens se misturando às rochas cobertas de neve. Seus olhos brilhavam em um azul pálido, as mandíbulas escorrendo geada. Elas circundaram, baixas e velozes, tentando se posicionar na retaguarda dela.
Selene não apressou o passo. Levantou levemente a vara, acompanhando cada movimento com o olhar. — Esquerda primeiro. A direita vem logo depois.
— Crono Aperto.
Mãos de gelo brotaram do chão, agarrando as patas da pantera esquerda. Ela se debatia, rosnando enquanto a geada subia pelas pernas, travando-a no lugar. A segunda pantera saltou para o flanco dela, garras reluzindo.
— Impulso Glacial.
Sua vara lançou-se para frente, uma lança de gelo disparando com precisão cirúrgica. Fechou-se no peito do animal, congelando a ferida antes mesmo de atingir o solo. A criatura caiu silenciosa, olhos ainda arregalados de fome selvagem.
A pantera presa urrou, rasgando o gelo para escapar, mesmo que sangrando nas patas. Avançou, desesperada. O rosto de Selene não mudou.
— Prisão de Gravidade.
A mana se concentrou ao redor do animal. Seu corpo foi lançado ao chão, preso por uma súbita força gravitacional. Ela se aproximou, a vara firme.
— Lança Congelada.
Uma lança condensada de gelo surgiu e atravessou limpidamente o crânio da pantera. A criatura estremeceu uma vez e não se moveu mais.
Selene respirou fundo, baixando a vara. O frio ao seu redor permaneceu, geada cobrindo as rochas, mas sua expressão não traía nada. Como sempre, um distanciamento frio e profissional.
— Eficiente. Nada mais.
Ela virou-se, retomando seu caminho, como se dois predadores mortos aos seus pés fossem coisa comum.
De volta à grande tenda, os nobres mantinham os olhos fixos nas telas de mana que se alternavam. A caçada gelada de Selene terminara em silêncio, sua figura afastando-se dos cadáveres congelados com a mesma calma demonstrada desde o início.
No lado da mesa de Iskandar, Lady Vaelora mantinha uma expressão perfeitamente composta — costas retas, lábios neutros, olhar impenetrável. Parecia a estrategista que a casa era conhecida por ser. Para os outros nobres, ela parecia intocável, simplesmente observando a performance da filha com uma postura profissional.
Mas, por dentro, os pensamentos eram mais afiados do que qualquer lâmina.
— Ela está usando a varinha dele. — O brilho cristalino era inconfundível, a ressonância atravessando toda a projeção.
A mão de Vaelora deu um tremor contra o colo, embora seu rosto estivesse calmo.
Ela se lembrava bem da garota que uma vez desprezou, repreendeu, empurrou além de limites não por orientação, mas por crueldade. A criança que aprendeu a endurecer o coração, não por treinamento, mas porque sua própria mãe a deixou sem escolhas.
— Ela nunca me perdoará. Nem deveria. Eu não mereço.
Por um instante breve, uma sombra cruzou seus olhos. — Mas, ainda assim… mesmo que ela me odeie para sempre, eu estarei aqui. Observando. Protegendo à distância que ela exige. Desta vez, não vou virar as costas.
Vaelora ajustou a postura, máscara voltando a se encaixar perfeitamente. Ao redor, outros nobres cochicharam, impressionados com a demonstração de Selene.
Ela apenas assentiu uma vez, sua voz fria e firme ao dizer: — Como era de se esperar da minha filha.