
Capítulo 336
O Extra é um Gênio!?
Dentro do amplo acampamento, as lâmpadas de mana iluminavam os postes de sustentação, lançando uma luz constante nas paredes forradas de veludo. No centro, painéis de mana condensada flutuavam, projetando a caçada em tempo real, refletindo-se nas expressões severas dos senhores e damas reunidos para assistir.
A transmissão congelou por um momento, mostrando pedra queimada, cinzas dispersas e o espaço vazio onde uma Macaco Espectro do Crepúsculo tinha estado. Sem cadáver, sem sangue. Nada restou.
O silêncio era sufocante. Até o zumbido baixo dos projetores de mana parecia alto demais.
Então os murmúrios começaram.
"Uma criatura de Elite Adepta… sumiu em segundos."
"Ele nem cambaleou."
"Foi uma execução."
A transmissão congelou novamente na pedra queimada, cinzas dispersas e o espaço vazio onde um Macaco Espectro do Crepúsculo havia estado. Sem cadáver. Sem sangue. Nada sobrando.
O silêncio era abafado. Mesmo o sussurro baixo dos projetores de mana parecia ruidoso.
Então os murmúrios se intensificaram.
"Uma fera de Elite Adepta… sumiu em segundos."
"Ele nem se desequilibrou."
"Não foi uma luta. Foi uma execução."
As palavras deles não se focavam apenas no feitiço, mas na forma como Noel tinha lidado com cada encontro desde que entrou nas montanhas. Javali, falcão, destruidor—cada um um monstro de nível Adepto, cada um eliminado de forma precisa, decidida, como alguém removendo sujeira dos sapatos.
Um nobre inclinou-se para frente, com a voz baixa. "Ele está tratando Elites como lixo. Você consegue entender o que isso significa?"
O nome surgiu como uma fumaça pesada e impossível de ignorar:
"Ascendente."
O título carregava peso. Alterava o clima dentro da tenda, deixando senhores e damas trocando olhares desconfortáveis. Por anos, Noel Thorne foi descartado como uma figura de fundo—sombreado pelos irmãos, sem destaque entre os mais jovens.
Agora, com uma única demonstração, essa imagem havia se quebrado.
As telas repetiram o momento em que seu Sol Sombrio consumiu o macaco. A implosão, o estalo de calor, a maneira como ele apagou a criatura sem resistência. Suspiros sussurrados ecoaram silenciosamente entre as fileiras nobres.
Lord Albrecht Thorne sentava-se rígido na longa mesa central, mãos entrelaçadas sobre o encosto entalhado de sua cadeira. As telas de mana refletiam em seus olhos, imagens de seu filho destruindo monstros com facilidade. Sua expressão permanecia invariável, como se fosse talhado em pedra.
Mas sua mente estava longe de estar calma.
'Ascendente… antes dos vinte e cinco.'
Seu olhar fixou-se na imagem do último golpe de Noel. Sol Sombrio derrubando o Macaco Espectro do Crepúsculo.
'Não. Nem mesmo vinte. Quase dezessete anos. Isso é loucura.'
Ao seu redor, nobres cochichavam, com vozes carregadas de descrença e curiosidade. Albrecht ignorou todos eles. Seus pensamentos se intensificaram.
Deveria sentir orgulho, aquecer-se até, mas Albrecht não era um homem de emoções assim. Essa vaidade pertencia a outros. A homens como Thalanor von Lestaria, que podiam rir e sorrir mesmo enquanto viam seus filhos lutando. Albrecht já invejou isso. Ainda inveja, embora jamais admitisse.
Mas ele não podia permitir-se tanta suavidade.
Sua mão apertou discretamente. "Essa força… talvez signifique que eu não precise mais carregá-la sozinho para sempre. Talvez ele esteja finalmente preparado."
A esperança piscarou breve e afiada, antes de ser esmagada por sua disciplina de ferro habitual. Albrecht endireitou-se, com o rosto neutro, sua aura fria o suficiente para silenciar até os sussurros ao redor.
No monitor, Noel continuava a se mover, já procurando terreno elevado. Eficiente. Implacável. Forte.
Albrecht recostou-se, exalando silenciosamente. Para o restante da tenda, apresentava sua postura habitual—rígido, inafixável, inabalável.
Mas por dentro, as palavras ressoavam como um tambor: 'Ascendente antes dos dezoito… isso vai além da razão.'
No lado esquerdo da longa mesa, Lady Mirelle estava com as mãos elegantemente cruzadas no colo, postura impecável como sempre. Seus olhos brilhantes não desviavam do painel que mostrava os movimentos de Noel nas montanhas. Pela primeira vez, a frieza de seu olhar vacilou.
Ao lado dela, Lady Serina se inclinou levemente para frente, os lábios finos comprimidos. Ela foi a primeira a romper o silêncio entre elas.
"…Ele faz parecer fácil."
Os olhos de Mirelle se estreitaram levemente. "Demais. Sempre achei que ele… fosse apenas mediano. Nada mais."
Suas palavras foram baixas, mas a própria admissão foi impressionante—Lady Mirelle, que raramente admitia qualquer coisa, muito menos elogios.
Serina a olhou, uma ponta de humor seco reluzindo em seus olhos verdes. "Você não está só nisso. Pensei o mesmo. Acho que todos estávamos enganados."
No monitor, Noel saltou de uma crista com precisão fluida, a lâmina brilhando brevemente ao sol. Os movimentos não eram desesperados, não pareciam forçados. Estavam controlados. Dominantes.
Os dedos de Mirelle batiam uma vez contra o apoio do braço. "Ele não deveria ser capaz de eliminar Elites Adeptos assim. A menos que…"
"…A menos que seja Ascendente," completou Serina para ela.
As duas ficaram em silêncio, o peso dessa verdade se instalando.
Após uma pausa, Serina falou novamente, desta vez mais suave. "Tenho curiosidade para saber como Damon está se saindo. Ou Sylvette."
O sorriso de Mirelle foi discreto, embora mais calculado do que gentil. "Sim. Se Noel já chegou a esse nível, isso coloca os demais em… uma luz delicada."
As duas ficaram em silêncio após isso, os olhos nunca deixando os painéis brilhantes.
Nessa quietude, a verdade pesou ainda mais: Noel, antes ignorado, tinha acabado de mudar o equilíbrio dentro da Casa Thorne.
As telas de mana piscaram, desviando o foco da escalada de Noel pelos penhascos. A vista se virou para o leste, concentrando-se em duas outras figuras que se moviam pelos cumes arborizados.
Damon Thorne avançou primeiro, com a lâmina já na mão. Um Lagarto Blindado de Ferro gigantesco saiu do mato, suas escamas brilhando como bronze escuro. Damon atacou com força bruta, o aço tocando as escamas, mas o golpe mal cortou. A besta rangeu, a cauda se virou. Damon recebeu o impacto no antebraço, dentes cerrados, sendo arremessado para trás alguns passos.
"Esse treco é mais difícil do que parece," murmurou, avançando novamente. Seus movimentos eram impulsivos, fortes, mas faltava a precisão de Noel.
Ao lado dele, Sylvette se movia como uma sombra. Sua adaga brilhou uma vez, escorando entre as placas da armadura da criatura. Ela desviou com graça o contra-ataque, suas saias tocando a terra sem parar. Quando atacou novamente, foi preciso e deliberada, cada golpe mirando pontos fracos ignorados pela força bruta de Damon.
Os nobres na tenda murmuraram ao verem aquilo. Damon parecia tenso, cada movimento uma disputa de força contra força. Mas Sylvette—seus golpes pareciam fáceis, cada esquiva equilibrada, cada contra-ataque com uma frieza elegante.
No entanto, a luta se arrastava. Diferente de Noel, que eliminava Elites como quem remove uma sujeira, Damon e Sylvette trabalhavam duro por cada avanço. Seus progressos eram constantes, mas visíveis pelo suor, pelo esforço e pelos pequenos erros que, sem os drones vigiando, teriam sido fatais.
Finalmente, Sylvette cortou fundo na garganta do lagarto, que caiu com um gorgolejo gutural. Ela se endireitou, passando os dedos nos cabelos com um movimento quase despreocupado, como se o esforço não tivesse passado de uma rotina. Damon exalou pesadamente, tenso.
A tela congelou na imagem dos dois, com contraste agudo: um irmão gracioso, o outro imponente—mas nenhum com a facilidade assustadora de Noel.