O Extra é um Gênio!?

Capítulo 231

O Extra é um Gênio!?

- Noel POV -

O suave zumbido da boutique sumia ao fundo enquanto Noel se acomodava ao lado de Balthor e Noriel, o aroma de uísque ainda impregnando o ar. Seu traje verde escuro vestia-se perfeitamente ao corpo, feito sob medida, milimetricamente ajustado. Um último gole na forte cerveja anã aquecia sua garganta.

Os três permaneciam em silêncio desconfortável—até que Noriel quebrou a pausa com um olhar culpado.

"Eu não devia ter mencionado seu irmão... desculpa," ele murmurou, colocando a caneca na mesa.

Balthor exalou lentamente, a espuma ainda grudada à barba. "Não, relaxa. Quer saber? Ainda bem que você falou. É por isso que vim aqui. Quando Noel me disse que Torwan ainda poderia estar vivo, tive que ver com meus próprios olhos."

Noel se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. "Mas você não o reconheceu quando viu o diretor do instituto?"

Balthor balançou a cabeça. "Mesma expressão. Mas não é o mesmo homem. Na época, ele era rebelde como eu—sem ternos, sem títulos, só bebida e papo de negócios. Agora? A postura, a fala limpa... Tive minhas dúvidas, mas no fundo eu sabia."

Noriel riu, levantando a caneca. "Vocês dois juntos eram uma confusão. Ainda lembro da noite em que vocês incendiaram seu próprio bar tentando acender um cachimbo com uma cerveja mágica."

Balthor riu também. "Isso foi culpa dele, não minha."

Noel sorriu levemente, observando a troca.

'Mesmo com tudo acontecendo, esses momentos parecem... normais. Quase pacíficos.'


Noriel levantou a caneca em direção a Noel. "Boa sorte no torneio, garoto. Ganhe algumas rodadas e deixe esse velho anão rico."

Noel bateu sua caneca na de Noriel. "Chegou a hora de eu arrumar um armário cheio de roupas."

Balthor deu um grunhido. "Você ganha mais um terno. Não seja ganancioso."

Noriel se levantou, dando uma palmada amigável no braço de Balthor. "Não desapareça por mais cinquenta anos, está ouvindo?"

Balthor sorriu. "Só se a cerveja continuar fluindo."

Noel ajustou as luvas e assentiu. "Obrigado pela bebida."

"Valeu por não quebrar nada," Noriel piscou e acenou despedindo-se.

A porta se fechou atrás deles, e o suave tilintar das canecas permaneceu.

Quando saíram da boutique, Noel instintivamente se abaixou sob o arco estreito de pedra do túnel anão—mas não o suficiente.

Tac!

Ele bateu a testa na borda do teto.

"Ai—droga," murmurou, massageando o machucado enquanto Balthor explodia em risadas ao seu lado.

"É o que dá zombar da arquitetura dos anões!" Balthor bufou, dando uma bofetada na própria coxa. "Karma é rápido nessas ruas!"

"Yeah, yeah…" Noel suspirou, ajustando o ombro do paletó verde. "Só me leva logo naquele lugar."

Eles caminharam lado a lado pelo corredor baixo e dim, as pedras antigas ecoando sob os passos. Quanto mais se aprofundavam, mais silêncio dominava—apenas o piscar ocasional de uma tocha na parede quebrando a monotonia.

"Então, pra onde exatamente vamos? Quero dizer, onde fica esse lugar chique?" perguntou Noel, um pouco mais cauteloso desta vez.

Balthor sorriu maliciosamente, abaixando a voz. "Em algum lugar onde o ouro de verdade circula. Apostas altas, clientes anônimos e—" ele se inclinou um pouco, "—partidas marcadas."

Noel parou por um momento. "Marcadas? Você esqueceu de mencionar isso."

"Ah, é só um detalhe," Balthor piscou com um sorriso. "Nada que vá estragar sua diversão."

Noel estreitou os olhos.

'Partidas marcadas... se o Instituto está permitindo isso, eles estão desesperados ou dominam tudo. E, se for pelo dinheiro, sempre tem alguém puxando as cordas.'

Balthor apontou adiante. "Vamos lá. Precisamos de uma máscara pra você—ninguém entra lá sem uma."

Alguns minutos depois, chegaram a uma loja pequena e pouco iluminada, aninhada entre duas enormes colunas de pedra. Uma placa pendurada rangia acima, com o nome "Véu de Velmara."

Dentro, paredes decoradas com máscaras elegantes e misteriosas—algumas simples, outras extravagantes, todas encantadas com ilusões menores para esconder as feições. Noel as olhava silenciosamente.

"Escolha algo discreto," disse Balthor, com os braços cruzados. "Você já chama atenção com esse terno verde."

Noel assentiu, pegando uma máscara de verde floresta escura com detalhes sutis em prata. Ela combinava perfeitamente com o seu figurino atual.

"Serve."

Balthor aprovou com um positivo de cabeça. "Bom gosto. Agora me dá um minuto—vou me trocar também."

Ele entrou em um beco próximo, tirando sua capa com destreza. Noel ficou na entrada da loja, de braços cruzados.

"Noir, está aí?" perguntou baixinho.

Da sua sombra, surgiu o lobo de pelagem preta—silencioso, com as orelhas erguidas.

"Quando a gente entrar, manda uma busca sozinho. Não chame atenção. Se notar alguma coisa estranha, me avise."

Noir deu uma pequena cabeça com um movimento afirmativo e desapareceu na sombra que se espalhava sob os pés de Noel.

moments depois, Balthor voltou vestindo um terno amarelo claro, bem ajustado ao corpanzil, com uma máscara dourada que combinava com sua barba e cabelo vermelhos.

"Tá bem na fita," comentou Noel com um sorriso leve.

"Eu sempre estou," respondeu Balthor, ajustando o colarinho. "Vamos fazer algumas memórias."

Eles atravessaram a praça de pedras até uma construção polida, guardada por um anão sério de colete preto e botões dourados.

"Res?" perguntou o anão, olhando uma ficha.

"Balthor," respondeu.

O anão conferiu a lista e acenou. "Da última vez, veio sozinho. E quem é esse aqui?"

"Meu assistente."

"Nome?"

"Noel. Só Noel," acrescentou secamente, ajustando sua máscara verde.

O mordomo anotou. "Muito bem. Podem entrar."

Ao passarem pelas portas ornamentadas, Noel se inclinou mais perto.

"Então... um restaurante?"

"Na aparência." Balthor batucou o lado do nariz. "Só esperar até descer as escadas."

Balthor liderou o caminho por uma escada estreita, cujos degraus de pedra polida se curvavam sob o restaurante elegante acima. O som de risadinhas abafadas e taças tilintando ficava mais alto a cada passo.

Ao chegarem no subterrâneo, o ar mudou—mais quente, mais denso, carregado de perfumes e de uma tensão palpável.

O salão subterrâneo era um contraste brutal com o mundo de cima: tapetes de veludo, lustres dourados e longas mesas de mármore, cercadas por convidados mascarados. Anões, elfos, humanos e até demônios conviviam, todos trajando ternos sob medida e trajes finos. A conversa tranquila flutuava no ar, acompanhada de uma música suave.

Os olhos de Noel vasculhavam a sala por baixo da máscara.

'Então, esse é o verdadeiro jogo...'

Balthor sussurrou com um sorriso de orgulho. "Seja bem-vindo às águas profundas, garoto."

Noel deu um pequeno aceno e sussurrou: "Noir—busque."

Uma leve cintilação no ar, e o lobo sombrio deslizou silenciosamente pelo chão, sumindo na escuridão.

A caçada tinha começado.

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