O Extra é um Gênio!?

Capítulo 230

O Extra é um Gênio!?

- Visão de Garron -

As luzes da arena se moveram novamente enquanto a multidão se inclinava para frente, ansiosa. O sol da tarde filtrava-se pelo domo encantado acima, refletindo pontos de ouro na plataforma de pedra.

"Próximo combate!"

A multidão voltou a reagir — gritos, suspiros, conversas interrompidas no meio da frase.

"Do continente de Valor, representando a Academia Imperial — estudante do segundo ano, Garron Bale!"

Uma seção das arquibancadas de Valor explodiu em aplausos.

Garron entrou pesado, com os punhos cerrados e os ombros firmes. Alto e robusto, não vestia armadura nem portava armas — apenas o uniforme de combate azul-marinho padrão, reforçado no peito e nos braços. Sua bota pesada batia na arena como tambores de guerra.

Ele sorriu e enviou um sinal de positivo rápido ao público, depois deu uma girada no pescoço, já canalizando mana pelo corpo.

"E do continente de Elarith… um dos Cinco Melhores estudantes da Academia Luceria — Anastasia de Ravienne!"

De um túnel oposto veio uma figura bem menor.

Ela caminhava com calma, quase delicadamente. Seu uniforme roxo com prateado ajustado ao corpo, bem cortado e elegante. O cabelo curto, cor de vinho, emoldurava seu rosto de porcelana, e seus olhos vermelhos fixavam-se na frente, afiados como vidro.

Na mão direita, ela carregava uma varinha fina de prata marcada com runas de tempestade. Uma leve ondulação de eletricidade dançava na ponta dela.

O contraste era absurdo — Garron parecia uma montanha, enquanto Anastasia parecia uma criança nobre que tinha acabado de entrar no prédio errado.

A arena chiava com sussurros, risadas e apostas sendo feitas.

Anastasia não reagiu.

Ela parou no ponto marcado e levantou levemente sua varinha — formal, mecânica.

Garron respirou fundo uma vez, batendo os punhos juntos com força, fazendo um estalo.

O narrador ergueu a mão.

"Combatentes… prontos?"

"Sempre," disse Garron, exibindo um sorriso.

Anastasia piscou uma vez. "Pronta."

"Comecem!"

O combate começou.

No instante em que a voz do narrador se apagou, Garron avançou com tudo.

Pura força e impulso — seus punhos se cerraram, os pés batendo o chão com passos retumbantes, mana pulsando em todos os músculos do seu corpo.

Anastasia não se moveu.

Ela ficou completamente imóvel, com a varinha relaxadamente ao seu lado, observando.

Quando Garron se aproximou, ela sussurrou:

"Aqua Surge."

Um jato de água pressurizada explodiu debaixo dos pés de Garron. O impacto atingiu-o bem no peito, levantando-o do chão e interrompendo sua carga a meio passo. Ele caiu forte na pedra, escorregando — encharcado e desorientado.

Ela não esperou.

"Voltage Arc."

Um relâmpago disparou da sua varinha e atingiu a água que ainda grudava no corpo dele. O estalo resultante reverberou na arena enquanto faíscas dançavam violentamente ao redor de sua roupa molhada.

Garron soltou um grunhido — parte dor, parte fúria — e virou-se de lado, com vapor saindo dos ombros.

A multidão praguejou, depois explodiu em gritos.

Ele se forçou a ficar de pé, respirando com dificuldade, o corpo já machucado e queimado.

Ele rugiu e voltou a atacar, agora mais rápido — músculos reforçados com mana fresca, punhos cerrados como ferro.

Mas Anastasia já se movia.

Um passo curto e preciso para o lado esquerdo, seguido de um movimento com a varinha.

"Shockline."

Uma linha estreita de relâmpagos se espalhou pelo chão, sincronizada com a aproximação de Garron. Ele entrou nela sem perceber, e a voltagem percorreu suas pernas, travando-as no lugar por meio segundo — tempo suficiente.

Ele cambaleou novamente, e seu próximo soco saiu descontrolado e fora de equilíbrio.

Anastasia recuou duas passadas e abaixou a varinha.

Garron já começava a se desintegrar.

Garron deu uma respiração agitada, agachou-se, os braços tremendo enquanto a mana continuava a pulsar através dele. Seus punhos estavam cerrados com tanta força que as juntas ficaram brancas, o vapor ainda subindo de partes da sua roupa molhada.

Ele avançou novamente — não com velocidade, mas com força bruta.

Anastasia manteve sua posição.

Na última fração de segundo, ela deslizou com graça, evitando o soco a poucos centímetros.

"Stream Flicker."

Seu corpo brilhou — fazendo um movimento de ondulação como água fluindo — enquanto ela corria por uma trilha fina de umidade no chão de pedra. Ela reapareceu atrás de Garron antes mesmo que ele pudesse parar sua investida.

Ela não falou.

"Chain Spark."

Um relâmpago rasgou o ar, atingindo-o pelas costas em três explosões seguidas — ombro, coluna e panturrilha.

Garron gritou, o corpo sacudindo ao cair de joelhos. Sua mana piscava caoticamente na pele, irregular, instável.

Ainda assim, ele rosnou e se forçou a levantar novamente.

Ele lançou um punho selvagem para trás, na esperança de pegá-la de surpresa.

Porém, Anastasia já havia desaparecido — deslizando ao redor dele com passos leves e sem esforço.

Ela virou o pulso com um movimento rápido.

"Pulse Tap."

Uma explosão direta de eletricidade na ponta de sua varinha, que atingiu seu pescoço de lado.

Garron cambaleou para o lado, quase caindo de vez. Ele se apoiou no chão, respirando fundo, suor escorrendo pela testa, braços trementes.

A pele dele estava marcada por linhas vermelhas de queimadura mágica. Seus golpes nunca tinham atingido. Sua velocidade desaparecera.

Ele olhou para cima, tentando focar.

Anastasia estava a cinco metros de distância, completamente composta. Sua roupa parecia intacta. Sua expressão, imutável.

A respiração de Garron estava pesada agora.

Ele tentou se levantar novamente, jogando toda a mana restante nas pernas. A visão turvou. O corpo tremeu. Sua arrogância gritava mais alto que a dor.

Mas Anastasia já estava na posição.

Ela estendeu a varinha para frente — ainda sem expressão.

"Storm Snap."

Um pequeno orbe de relâmpago e água comprimidos se formou na ponta da varinha. Com um movimento rápido, ela lançou, explodindo na frente de Garron em um clarão de luz branca-azulada que estalava.

O impacto não foi grande, mas foi preciso — centrado no peito dele.

Seu artefato brilhou imediatamente, formando um escudo de defesa ao seu redor, justo antes de Garron despencar completamente.

Ding.

"A vitória é de Anastasia de Ravienne, da Academia Luceria!"

A multidão entrou em silêncio, surpreso, antes de começar a aplaudir — mais forte do que esperavam. Não porque ela tivesse vencido…

Mas pelo modo como venceu.

Anastasia virou-se sem olhar para trás, caminhando em direção ao túnel com passos lentos e elegantes, como ao chegar.

Logo atrás, Garron permanecia de joelhos, com as mãos apoiadas no chão, a cabeça baixa.

Os ombros dele tremiam — desta vez, não por dor.

Frustração.

Ele treinara mais do que qualquer um. Empurrou seu corpo além dos limites. Não deveria perder na primeira rodada.

Não assim.

Nem sem tocar nela.

No espaço de espera ao lado dos quadros, Marcus observava a tela de cristal que exibia o final da luta.

No começo, ficou em silêncio, com os braços cruzados, assistindo Anastasia se afastar na projeção.

Depois, seus olhos mudaram para o quadro do torneio.

O nome de Anastasia acabara de passar para a próxima linha —

Bem na direção dele.

"…Ela é rápida," murmurou baixinho. "E limpa."

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