
Capítulo 232
O Extra é um Gênio!?
Noel caminhou alguns passos atrás de Balthor, tomando cuidado para não encostar nos ombros dos convidados mascarados que lotavam o salão. O espaço estava repleto de mesas redondas cobertas por veludo vermelho, candelabros dourados lançando luzes intermitentes em taças de cristal e travessas transbordando de comida.
Cada pessoa usava uma máscara. Algumas simples, outras extravagantes — cravejadas de joias, com penas ou esculpidas em metal escuro. O aroma no ar era de incenso, vinho e algo levemente temperado.
Garçons se moviam pela multidão com bandejas na mão, vestidos com roupas minimalistas e elegantes que atraíam olhares de muitos. Risadas, brindes e murmúrios de conversas se misturavam num sussurro de fundo.
Balthor parou ao lado de uma mesa próxima à extremidade da sala e serviu-se de uma bebida de tom âmbar escuro, retirada de um decantador de cristal.
"Então, garoto, o que exatamente você quer fazer aqui?" ele perguntou, mexendo devagar a bebida no copo.
Noel não respondeu imediatamente. Seus olhos vasculharam a sala.
"Não acha que seu irmão devia estar aqui?" ele disse finalmente. "Noniel nos disse que é diretor do Instituto Tharvaldur e que algumas dessas lutas são armadas. Se ele está envolvido com as apostas, este parece o lugar perfeito para fechar negócios. Por isso pedi que você me trouxesse."
Balthor levantou uma sobrancelha, depois assentiu de leve.
"Você tem razão. Provavelmente ele está por perto. Mas, como pode ver, aqui tem muitos anões… e, se ele estiver usando um terno de verdade, a tatuagem estaria escondida. Pode ser difícil identificá-lo."
Noel se inclinou um pouco mais perto, em tom baixo. "Na verdade, não. Se ele for o responsável pelos aposta, não seria o centro das atenções? Duvido que alguém assim consiga passar despercebido — mesmo aqui."
"Haha," Balthor riu. "Você está certo de novo. Quando ele aparecer, provavelmente vai acontecer uma mudança no ambiente. As pessoas vão se aglomerar ao redor dele."
"Por enquanto, esperamos?" Noel questionou.
Balthor levantou o copo. "E ficar de olho na apresentação."
Noel inclinou a cabeça. "Apresentação?"
Balthor fez um gesto em direção ao fim do salão.
"Às vezes eles têm cantores ou dançarinas, umas garotas bem bonitas, na verdade, mas a atração principal aqui é a luta. Olha ali."
Noel seguiu o gesto e viu uma ampla escadaria levando a um nível inferior. Um eco de aclamações fracas subia por ela.
"É a arena," disse Balthor. "Na maior parte das noites, eles deixam os lutadores se enfrentarem até que alguém seja nocauteado — ou pior."
"Esse tipo de diversão é o que os poderosos gostam?" Noel perguntou baixinho.
Balthor soltou uma risadinha curta. "Quem vai impedir eles? Lá fora, talvez, eles joguem conforme as regras… mas aqui dentro? As pessoas querem algo diferente. Se você conquistar a confiança do dono, pode ser convidado a círculos mais profundos nos negócios. Mas, na maioria, a arena é o que atrai a maior parte do público."
"Entendi."
De repente, uma onda de aplausos veio do nível inferior.
Noel não se mexeu, mas seus olhos se estreitaram.
'Algo está errado nisso… Não sei quando o Quinto Pilar vai aparecer. E se eu conseguir me aproximar.'
Uma voz suave e amplificada ecoou do nível inferior, chamando a atenção de muitos convidados próximos.
"Senhoras e senhores… a primeira luta da noite está prestes a começar."
Noel e Balthor se deslocaram em direção ao balcão que dava vista para a arena. De lá, pôde-se enxergar claramente o piso inferior: uma arena circular cercada por grades elegantes, fileiras de assentos estofados e cabines privativas ao longo das paredes. Tochas acesas em apliques de metal lançavam sombras marcadas na areia do chão da arena.
No centro, havia uma mulher — uma announcer elfa, vestida com um longo vestido violeta que brilhava sob as luzes. Sua máscara era de prata, com formas delicadas como asas. Ela ergueu um braço com graça, sinalizando ao público para calar.
"Nosso primeiro competidor," anunciou ela, "é um jovem guerreiro de uma de nossas consagradas academias. Vamos recebê-lo de volta ao palco…"
Um anão apareceu na arena.
Os olhos de Noel se estreitaram. 'Espere… Eu o conheço.'
Era o mesmo anão que abrirara o torneio entre as academias — aquele que lutou na primeira luta.
"Ele lutou no torneio," disse Noel em voz alta.
"É? Vamos ver contra quem ele vai lutar."
A voz da elfa ecoou novamente. "E enfrentando-o esta noite, o favorito do público… uma montanha de músculos e força… o invicto Rachador de Ossos!"
A porta oposta se abriu. Um anão enorme entrou na arena. Sua pele era pálida e marcada por cicatrizes, seu corpo quase desproporcionalmente largo. Cada passo fazia a madeira sob a areia ranger. Sua máscara era minimalista, mais parecida com uma proteção de queixo de metal.
'Isso não é justo,' pensou Noel. 'Não é uma luta. É uma armadilha.'
Ele se virou para Balthor. "Por que isso está tão desequilibrado?"
Balthor deu de ombros. "Não sei. Outro dia, tinha dois caras iguais a ele. Descompensação brutal. Sem magia, sem truques. Apenas punhos. Não entendo por que as pessoas gostam de ver alguém ser achatado."
Noel não respondeu de imediato. Seus olhos fixaram-se no jovem anão sozinho na arena, tentando manter as mãos firmes.
'Isso não é normal. Será castigo? Pode estar ligado ao seu desempenho no torneio?'
"O grandão já esteve aqui antes," disse Balthor. "Chamam ele de Rachador de Ossos por um motivo."
Noel levantou a cabeça. "Por quê?"
"Apenas assista. Você verá. Coitado do garoto… Não sei o que ele fez para acabar aqui."
A announcer ergueu a mão. Um sino tocou, limpo e nítido.
"Que comece a luta… agora!"
O som do sino foi substituído pelo som surdo de punhos atingindo carne.
Rachador de Ossos não hesitou. Avançou como um aríete, com um braço levantado, o outro perto do chão. O jovem anão mal teve tempo de levantar a guarda antes do primeiro golpe, pesado, brutal e o suficiente para fazer alguns convidados estremecerem.
O anão menor cambaleou para trás, já sangrando pelo nariz.
"Vamos, se mexa!" murmurou Noel baixinho. Mas estava claro — aquilo não era uma luta. Era uma execução.
Rachador de Ossos agarrou seu oponente pelo ombro e bateu com força contra a parede da arena. A multidão rugiu em aprovação. Bebidas foram erguidas em celebração. Moedas tilintaram enquanto apostas novas eram feitas no meio do combate.
Noel se virou para se afastar por um instante… e congelou.
Uma figura entrou pelo salão acima deles — bem vestida, confiante, cercada por um grupo de acompanhantes e seguranças bem vestidos. O terno dele era escuro, sob medida, com linhas de fios de bronze. Mesmo por trás da máscara, sua presença era inconfundível.
As pessoas começaram a se mover, algumas se levantaram para saudá-lo, outras sussurrando. Um grupo se formou ao redor dele como mariposas atraídas pela chama.
'É ele,' pensou Noel. 'Deve ser o Quinto Pilar. Aquele que está por trás disso.'
Balthor percebeu a mudança também.
"Não olhe pra ele por muito tempo, garoto," ele murmurou. "Vamos não chamar atenção."
Mas os olhos de Noel foram puxados de volta para a arena por uma nova rodada de aclamações. O anão menor tentou contra-atacar — mas Rachador de Ossos pegou seu pulso bem no giro.
"Uh-oh," murmurou Balthor. "É aqui que acaba."
Rachador de Ossos puxou-o para perto e entrelaçou seus braços enormes ao redor dele.
Um abraço forte e brutal.
Noel rangeu os dentes.
'Vamos lá… alguém tem que parar isso.'
Mas ninguém fez nada.
A multidão gritou mais alto:
"Aguante, márcalo!"
"Quebro ele!"
"Deixa ele explodir!"
Noel apertou os punhos. 'Se eu pudesse parar, entraria. Mas… não é por isso que estou aqui. Preciso chegar mais perto do Pilar. Se agir agora, vou acabar arruinando tudo.'
Ele assistiu, com a mandíbula firmemente cerrada, enquanto os braços do pequeno anão ficaram inertes. Seu corpo afundou na desconfortável pegada, os ossos rangendo audivelmente. Seus olhos reviraram na cabeça.
'Droga,' sussurrou Noel, desviando o olhar justo no momento em que a última pressão transformou o garoto em um boneco de pano sem vida.
A multidão explodiu em aplausos estrondosos quando Rachador de Ossos deixou o corpo do garoto cair no chão.
O menino não se moveu.
Seus membros estavam torcidos de forma bizarra, o peito mal se elevava. Sangue escorria de um lado da boca, e os olhos permaneciam abertos, sem foco.
Um instante depois, um grupo de médicos entrou na arena por uma porta lateral — três anões de jaleco branco e luvas, movendo-se rapidamente com uma maca. Um deles ajoelhou ao lado do corpo, verificando o pulso. Outro balançou a cabeça com expressão de reprovação e começou a lançar um feitiço de cura básico, apenas o suficiente para estabilizar.
Rachador de Ossos ergueu ambos os braços para a plateia, se exibindo com um sorriso amplo. A multidão respondeu com gritos e cânticos descontrolados.
"Rachador de Ossos! Rachador de Ossos!"
Ele socou o peito e soltou um rugido, saboreando a atenção.
Noel ficou parado, com a mandíbula cerrada.
O menino foi cuidadosamente colocado na maca, com o corpo inerte como um pano molhado. Os médicos o levaram rapidamente para fora, evitando o centro da arena onde a areia estava manchada de sangue.
"Asqueroso," murmurou Noel para si mesmo.
Balthor expirou ao lado dele. "Eles adoram uma apresentação, mesmo que seja distorcida."
Sem responder, o olhar de Noel se voltou novamente para o homem na multidão — aquele cercado por seguranças, agora rindo com dois comerciantes mascarados.
'É ele,' pensou. 'Esse tem que ser o Quinto Pilar. É ele quem está por trás disso.'
Seus olhos se estreitaram.
'Faltam vinte e quatro dias. Se quero respostas, tenho que agir. Não posso perder essa noite.'
Sem dizer mais uma palavra, Noel começou a caminhar em direção ao lado mais distante da sala, se misturando entre grupos de nobres e líderes de guilda.
A multidão ainda aplaudia forte. Mas, para ele, a verdadeira luta nem tinha começado.