
Capítulo 233
O Extra é um Gênio!?
Noel avançou pela multidão com calma e precisão, seu traje verde arrastando-se pelos bancos de veludo e as caudas do casaco balançando ao vento. Balthor o seguia de perto, acompanhando o ritmo, mas lançando olhares desconfortáveis ao redor.
À medida que se aproximavam do centro da sala — onde as risadas mais ruidosas e o maior aglomerado de pessoas se concentravam — Noel inclinou discretamente a cabeça em sua direção.
"Não chame ele de seu irmão," ele falou baixinho. "Só siga meu ritmo. O que ele foi antigamente... isso não importa mais."
Balthor hesitou, mas assentiu uma vez. "Beleza, garoto."
O homem no centro era impossível de não notar. Cercado por mercadores mascarados, investidores e nobres anões, ele se comportava com uma naturalidade impressionante — uma bebida na mão, a outra gesticulando suavemente enquanto negócios e rumores circulavam ao redor dele. Sua máscara era preta com detalhes em bronze, intricadamente esculpida, e sua presença atraía olhares como uma força gravitacional.
Os olhos de Noel se estreitaram.
'Esse tem que ser ele.'
Eles avançaram, cortando entre os nobres em meio a conversas, ignorando olhares cortantes e murmúrios de irritação. Noel caminhava com confiança suficiente para parecer parte do grupo — e bem o bastante para ser notado.
Quando chegaram à borda externa do círculo interno, um dos assistentes avançou para impedi-los, examinando sua identificação.
Antes que pudessem esperar, Noel falou com firmeza.
"Estamos aqui em nome da família Estermont," disse com suavidade, voz baixa mas firme. "Contato oficial do clã. Procuramos estabelecer uma parceria lucrativa."
O efeito foi imediato.
O assistente se endireitou. "Estermonts?... a família comercial mais poderosa em valor?"
Noel sorriu discretamente. "Só me recordo de uma família com esse sobrenome."
Alguns murmúrios correram pelo grupo interno. Então, do centro, o homem mascarado virou-se.
Mesmo por trás da máscara elaborada, seu interesse era evidente.
Ele levantou uma mão levemente, e o assistente recuou para o lado.
"Envie-os a uma mesa privada," ordenou o homem. Sua voz era calma, firme, com uma pitada de diversão. "Vamos conversar de forma decente."
Noel acenou com a cabeça em sinal de aprovação.
Balthor não respondeu — mas seu olhar permaneceu fixo no homem enquanto eram conduzidos até uma cabine com cortinas de veludo, iluminação refinada e uma vista clara para o ambiente da arena.
A cabine era silenciosa, confortável, com almofadas macias e com uma estrutura que abafava o ruído ao redor. Uma mesa baixa entre eles já estava preparada com duas taças de cristal e uma decantadora de licor âmbar escuro. Velas flutuavam acima, em pequenas esferas de luz dourada suave.
Momentos depois, o homem mascarado chegou — ainda cercado por atenção sutil, embora agora com uma distância respeitosa. Sentou-se do lado de Noel e Balthor, cruzando uma perna sobre a outra de forma natural.
"Poucas pessoas pronunciam esse nome neste tipo de lugar," disse, com a voz suave por trás da máscara. "Os Estermonts não fazem negócios casuais. Imagino que vocês tenham intenções sérias."
Noel acenou com educação, tom controlado. "Estamos buscando oportunidades. Tenho interesse em receitas que não sejam limitadas por política ou burocracia lenta."
O homem deu uma risadinha baixa. "Uma fome rara."
"Não me importa como é feita," continuou Noel. "Só quero que funcione. Rápido e em grande volume."
Balthor recostou-se, com os braços cruzados, interpretando o papel de um colaborador silencioso. Seus olhos nunca deixaram o mascarado.
O anfitrião pausou, deixando as palavras de Noel ecoar no silêncio antes de responder.
"Você não é o primeiro a sonhar com ouro aqui," disse. "Mas poucos entendem os verdadeiros veios a explorar."
Noel inclinou a cabeça levemente. "Então talvez você possa me apontar um."
O homem alcançou a decantadora, serviu-se de uma única dose — ainda sem oferecer aos outros.
"O torneio da academia deste ano é uma veia de ouro, se souber como explorá-la de forma adequada."
Noel levantou uma sobrancelha. "Você parece confiante."
"Porque controlo vinte e cinco por cento dos brackets, e mais, mas vocês não saberiam disso."
Não havia arrogância na sua voz — apenas certeza.
A mandíbula de Balthor se moveu levemente, mas ele ficou em silêncio.
Noel manteve o olhar fixo na conversa. Sua expressão era indecifrável.
"E o que acontece se eu ganhar?"
"Então você ganhará um assento na mesa. As portas começarão a se abrir mais rápido para você."
"E se eu perder?"
O homem recostou-se na cadeira. "Assumirei que você não estava preparado para esse mundo. E as portas permanecerão fechadas. Você provavelmente estará sem um dente, com algumas células cerebrais a menos, ou até mesmo vivo — se tiver sorte."
Balthor se remexeu desconfortavelmente, lançando um olhar para Noel.
Os dedos de Noel bateram uma vez na borda da taça ainda intacta — mas ele não tinha ainda bebido nada.
'Talvez uma armadilha... mas desistir agora fecharia todas as possibilidades.'
Ele assentiu rapidamente. "Então, estabeleça as condições. Vou lutar."
O homem mascarado voltou o olhar para a arena. "Vou mandar alguém preparar sua luta. Você não estará sozinho lá embaixo."
"Apenas sobreviva… e conversaremos sobre negócios."
O homem levantou-se com a graça de alguém acostumado a ser obedecido.
"Avisarei o gerente da arena," disse. "Sua luta começará em breve. Não me decepcione."
Com isso, virou-se e saiu, desaparecendo novamente na multidão. Imediatamente, alguns assistentes seguiram-no, deixando Noel e Balthor sozinhos na cabine.
Balthor inclinou-se para ele. "Vai mesmo encarar?"
Os olhos de Noel continuaram fixos na arena. "Se eu sair agora, ele não vai nos dar nada. Ficaremos de fora."
"E se ele estiver armando uma cilada pra te matar?"
"Então vou sobreviver. Como sempre."
Balthor bufou, claramente descontente, mas não insistiu mais.
Logo abaixo, o suave zumbido dos amplificadores de mana começou a aumentar.
Projetores de luz se viraram para a arena.
Uma figura familiar entrou na luz — a announcer elfa, agora vestida com um vestido prateado e preto, sua máscara cintilando com fragmentos de pedra preciosa.
"Senhoras e senhores," ela anunciou, sua voz ecoando clara pela sala, "o próximo combate de hoje é uma ocasião especial."
Ouvia-se aplausos dos espectadores acima.
"Voltando à arena… o invicto, o indestrutível — Marteiro!"
O gigante anão entrou na arena pelo portão esquerdo, com os braços levantados. A multidão imediatamente começou a gritar seu nome, batendo os pés no chão e levantando as taças em homenagem.
"E seu oponente…" a anunciadora continuou, esperando o efeito dramático.
Da cabine, Noel ainda não se mexeu.
"Um desafiante sem nome, patrocinado por um convidado da casa."
Um silêncio se instaurou na plateia.
"Anônimo… você vai, por favor, dar um passo à frente?"
Noel levantou-se lentamente.
Balthor olhou para ele, silêncio por um momento. "Nem morra."
Noel lhe deu um pequeno sorriso. "Não estou planejando."
Depois, virou-se.
O público aguardava abaixo.
E Marteiro estalou os dedos.