O Extra é um Gênio!?

Capítulo 234

O Extra é um Gênio!?

A arena era um ringo oco de pedra e calor, iluminado por tochas e ladeado por camarotes revestidos de veludo. Sangue manchava a areia em vários pontos—alguns ainda frescos da última luta.

Quando Noel apareceu, descendo as escadas estreitas com seu uniforme verde escuro e a máscara também verde, os murmúrios começaram.

"Será esse o próximo? Ele não parece muito magro?"

"Não parece alguém que saiba lutar, parece mais fraquinho que o anterior."

"Anônimo? Quem ele pensa que é, uma estrela? Mostre o rosto pra gente ver, seu barato—"

Decenas de convidados mascarados se inclinaram para frente, com drinques na mão, sussurrando por trás de leques ou gesticulando para o poço. Acima deles, as lâmpadas de mana escureceram levemente—concentrando a atenção nas duas figuras abaixo.

Bone Crusher já aguardava.

O anão permanecia imóvel próximo ao centro da arena, braços cruzados, corpo enorme e ainda sujo de sangue seco de seu oponente anterior. Seus nós estavam roxos, a testa coberta de escaras vermelhas, e o peito pelado subia e descia com respirações lentas e constantes.

A apresentadora élfica subiu ao púlpito do lado oposto da arena. Sua voz ecoou clara pelo ambiente.

"Hoje à noite, por pedido especial—um competidor não registrado entra na arena. Nome: Anônimo."

A multidão se agitou novamente, faminta por sangue.

"E mais uma vez, seu adversário: o invicto, o favorito do público… Bone Crusher."

Um rugido explodiu dos camarotes.

Bone Crusher ergueu um punho, lentamente e deliberadamente. Algumas moedas de ouro caíram do alto.

Noel não disse nada.

Quando o sino tocou, ele não avançou—correu. Em alta velocidade ao redor do perímetro da arena, com as botas escorregando um pouco na areia.

Arfantes e risos encheram o ambiente.

"Ele está fugindo?"

"O que é isso?"

Bone Crusher fez um giro surpreendido, rosnou e partiu em direção a ele como um touro enfurecido.

Noel virou de lado no último instante.

Colidiu.

O gigante anão bateu de cabeça na parede de pedra curva com um impacto retumbante. Poeira caiu do teto.

A multidão uivou de empolgação.

Noel continuou correndo.

'Ele é grande, musculoso, muito forte, mas não tem cérebro, é galinha destemida.'

Bone Crusher rugiu de novo, sacudindo o golpe e partindo atrás dele.

'Lembra Garron… Exceto que Garron sabe quando pensar.'

Bone Crusher avançou novamente, com botas imensas batendo na areia enquanto perseguia Noel em um arco amplo. Sua respiração já estava pesada—cada expiração alta o bastante para se ouvir até dos camarotes.

Noel se movia leve, abaixando-se para passar por dentro de um braço que balançava como um aríete. A multidão rugiu ao ver o punho de Bone Crusher rasgar o ar e passar a centímetros dele.

Outra investida. Outro desvios.

E então, impacto.

Bone Crusher colidiu contra a parede de pedra pela segunda vez, com poeira e lascas explodindo ao redor. Desta vez, uma pequena gota de sangue escorria pela testa dele.

Ele pareceu não perceber.

Mais acima, os espectadores se inclinaram, os murmúrios crescendo de novo.

"Ele está brincando com ele."

"Não, ele está taticando… observa a trajetória dos ataques."

Noel reapareceu, respirando firme. Seus passos quase não deixavam marcas na areia.

'Seu alcance é brutal, mas só na frente. Cada investida custa mais a ele do que a mim.'

Bone Crusher virou, rosnando. Os dentes dele estavam manchados de vermelho.

Ele avançou de novo, com os punhos voando.

Noel deslizou por baixo do primeiro soco, mas o segundo o atingiu no ombro—com força suficiente para fazê-lo cambalear para trás na areia.

Uma onda de aplausos explodiu.

"Finalmente fez ele!"

"Derruba ele!"

Bone Crusher não esperou. Avançou com um rugido, levantando ambos os braços para desferir um golpe de peso total.

Noel rolou de lado no último momento, com a areia levantando-se ao redor enquanto o chão se cavava sob o golpe do gigante.

Ainda no chão, Noel chutou para cima—direto no tornozelo do gigante.

O equilíbrio do gigante vacilou. Ele cambaleou para frente, o suficiente para cair de joelhos pela primeira vez.

Gritos ecoaram acima.

Noel se levantou, o peito subindo e descendo, uma leve mancha de sangue nas costelas.

A multidão passou de divertimento para atenção concentrada.

Noel exalou lentamente, mexendo o ombro ao se levantar. O golpe tinha deixado uma dor surda sob a clavícula, mas nada sério.

Bone Crusher estava de joelhos, rosnando com dentes ensanguentados, tentando sacudir a dor na perna. Sua testa agora gotejava sangue livremente—correntes espessas e lentas descendo pelo rosto.

'Ele está mais lento agora. Respira com dificuldade. Sangra mais.'

O enorme anão se ergueu com um esforço, fists levantados. Avançou mais uma vez, menos coordenado, desferindo golpes selvagens.

Noel não recuou desta vez.

Ele avançou.

Duas pancadas rápidas—uma no abdômen, outra logo abaixo do queixo. Depois, abaixou-se e apoiou o cotovelo na parte de trás do joelho de Bone Crusher.

O gigante cambaleou.

Noel girou para o lado e deu um golpe preciso na têmpora. Bone Crusher uivou e tentou alcançá-lo, mas Noel deslizou justo para fora do alcance.

A multidão não aplaudia mais—estava de olho.

Cada movimento agora tinha peso. Estratégia. Ritmo.

'A postura dele está desmoronando. Cada erro custa caro. Ele não consegue se reorganizar rápido o suficiente.'

Furioso, Bone Crusher atacou de novo—uma última tentativa desesperada de esmagar o osso com um golpe.

Noel entrou na curva.

Seu ombro colidiu com o torso do anão—suficientemente para girar ao redor dele e saltar nas costas em um movimento fluido.

Toda a multidão fez um suspiro ao ver Noel envolver seu braço ao redor do pescoço gigante, travando uma guilhotina traseira apertada. As pernas dele prenderam o tronco de Bone Crusher como barras de ferro.

O anão urrou e recuou cambaleando, tentando se livrar, mas Noel firmeu-se.

Ele ajustou a pressão e sussurrou perto do ouvido dele:

"Isto é o que uma luta de verdade parece."

Bone Crusher caiu de joelhos novamente.

A multidão se levantou.

O aperto de Noel só ficou mais forte.

Bone Crusher se debateu loucamente, tentando se livrar, mas a força de seus braços vinha se esgotando; a perda de sangue finalmente o atingiu. Suas mãos arranharam o braço de Noel, mas o estrangulamento permanecia firme, cortando o fluxo de ar. Sua massa tremia.

A respiração de Noel já estava firme, calma, mesmo com o corpo tenso.

Ele se inclinou um pouco mais, a voz baixa, mas clara:

"Isto é pelo garoto que você esmagou antes de mim."

Um segundo depois, os braços de Bone Crusher ficaram frouxos.

Seu corpo caiu pesadamente para frente, levando Noel junto na poeira e sangue.

Noel soltou a firmeza e se levantou lentamente. O uniforme verde estava manchado no peito e nos joelhos, o cabelo suado, mas ele não cambaleou. Não sorriu.

Acima, a plateia ficou em silêncio.

Depois, uma única batida de palmas.

Depois outra.

E então, a arena explodiu—um trovão de aplausos, assobios, moedas sendo jogadas na arena. Os apostadores contra Bone Crusher gritaram de descrença. Os que apoiaram o azarão gargalharam de vitória.

Da plataforma do apresentador, a mulher élfica levantou a mão, sua voz novamente projetada pelo ambiente:

"A vitória… é de Anônimo!"

Noel levantou uma mão levemente em sinal de reconhecimento, mas seus olhos não estavam na multidão.

Ele olhava para o camarote privado—onde Torwan o observava, braços cruzados, lábios levemente curvados em um sorriso discretíssimo.

'Eu provei meu valor. Agora, me entregue a chave do seu mundo.'

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