O Extra é um Gênio!?

Capítulo 450

O Extra é um Gênio!?

Fazia uma semana inteira desde os acontecimentos na Capital Sagrada.

Uma semana desde que Charlotte reformulou a doutrina. Uma semana desde que Orthran começou a preparar Elarith para a nova era. E agora — era hora da Fase Dois.

Noel, Charlotte e Noir atravessaram os portões de Valon ao amanhecer. Os terrenos da academia estavam em sua maioria silenciosos; apenas alguns estudantes adiantados cruzavam o pátio, inconscientes da tempestade de mudanças prestes a acontecer na cidade.

Mas além das muraças da academia, Valon já despertava — sinos tocando suavemente, mensageiros correndo pelas ruas. A notícia se espalhara rapidamente:

O santo desta geração tinha retornado para falar ao continente.

Esperando por eles na entrada do grande edifício, estava Seraphina — mãos atrás das costas, postura impecável, expressão de calma mortal de quem só uma Presidente do Conselho Estudantil sobrecarregada conseguiria manter.

Ela caminhou em direção a eles com passos calculados.

"Noel," ela cumprimentou. "Charlotte. Noir."

"Bom dia," disse Noel, sentindo uma ponta de perigo.

Seraphina levantou uma sobrancelha. "Bem-vindos de volta. Faz… o quê? Algumas semanas? Um pouco mais?"

"Mais ou menos isso, sim," confirmou Noel.

Sorriso formal dela desapareceu, dando lugar a algo mais neutro.

"Perfeito. Então, deixe que eu lhe informe de algo muito importante." Ela cruzou os braços. "O Conselho Estudantil vem sofrendo… vamos chamá-lo de uma escassez catastrófica de pessoal durante sua ausência."

Noel piscou. "…Catastrófico?"

"Sim," disse Seraphina com firmeza. "Suas namoradas — Elena, Elyra e Selene — têm ajudado sem parar. Sem elas, poderíamos ter colapsado sob a carga de trabalho."

Charlotte levemente colocou a mão na boca, sem conseguir esconder um sorriso.

Noel esfregou a nuca. "…Certo."

Seraphina se inclinou à frente.

"Você prometeu ajudar neste semestre. Agora que voltou, não vai escapar das suas obrigações novamente. Depois do discurso da Charlotte, vá ao escritório do Conselho."

Noir ronronou com um ar de orgulho. 'Ela está certa, pai. Você abandonou seu posto.'

Noel suspirou. "Entendi… Eu vou lá."

Seraphina concordou com um leve aceno, satisfeita, e então virou-se para Charlotte com uma expressão de respeito genuíno suavizando seu rosto.

"Charlotte, a cidade já começou a se reunir. A praça está se enchendo — nobres, soldados, cidadãos, até emissários. Valon está pronto para ouvir sua mensagem."

Charlotte respirou com calma. "Obrigada, Seraphina. Eu vou falar com eles."

Noel olhou para os telhados distantes, onde um murmúrio fraco de uma multidão já começava a surgir.

A caminhada até o prédio Classe S parecia estranhamente familiar — como se Noel estivesse fora por mais tempo do que realmente esteve. Talvez porque tanta coisa mudou em apenas algumas semanas.

Quando entraram pelas portas duplas polidas, o aroma quente de comida matinal flutuava pelo corredor. Vozes ecoavam suavemente da refeitório.

Charlotte sorriu. "Eles chegaram."

Noel exalou suavemente, se preparando. 'Sim. Hora de encontrá-los.'

Ele abriu a porta da refeitório.

Três cabeças se virar imediatamente.

Elena foi a primeira a reagir — seus olhos azul-verde se arregalaram antes que ela quase corresse pelo cômodo e o abraçasse.

"Noel!" ela respirou, apertando-o como se ele pudesse desaparecer de novo. "Você ficou fora por forever!"

Noel acariciou suas costas suavemente. "Foram só algumas semanas…"

"Isso é muito tempo," Elena insistiu, recusando-se a largar imediatamente. "Tempo demais."

Antes que ele pudesse responder, Elyra apareceu ao lado deles — elegante como sempre, mas com um pequeno bico que raramente deixava alguém ver.

"Você nem enviou uma cartinha," ela falou, cruzando os braços. "Pois é, uma só, mas só pra ajudar na missão. Sabe como era chato o trabalho do Conselho sem você?"

Seraphina esclareceu a garganta de forma direta por trás de Noel.

Elyra acrescentou rapidamente, "Não porque eu quisesse trabalhar menos. Eu só—Sentia falta de você."

Noel riu baixinho. "Eu também senti falta de você."

Então, a última se aproximou — Selene.

Ela não correu. Não fez bico.

Ela simplesmente parou na frente dele, olhos gelados suavizados por algo quente e silencioso.

"…Você voltou," ela disse.

A voz dela era calma, mas o tremor no final a entregou.

Noel deu um passo à frente e beijou sua testa suavemente. "Sim. Voltei."

Selene exalou, a tensão deixando seus ombros. "Ótimo."

Charlotte ficou atrás de Noel, sorrindo calorosamente enquanto as três garotas o cercavam.

Ela finalmente o soltou o suficiente para olhar para Charlotte. "Como foi? deu tudo certo?"

Charlotte acenou com a cabeça. "Deu. Melhor do que esperado. Mas hoje é a parte difícil — mostrar ao mundo."

Elyra deu uma batidinha leve no peito de Noel. "E você não se machucou desta vez?"

"Tudo bem, sem lutas desta vez," disse Noel.

As três o olharam fixamente.

"Que raro." repetiram em uníssono.

Noir pulou no ombro de Noel, balançando a cauda com um orgulho teatral.

'Viu? Pai consegue sobreviver sem uma catástrofe toda hora.'

Selene soltou um suspiro quase uma risada — e se aproximou, seus dedos frios deslizando naturalmente na mão de Noel.

"Vamos ouvir a história completa depois," ela disse suavemente. "Mas por enquanto… fique conosco até o discurso."

Elena acenou animada. "Sim!"

Elyra arqueou uma sobrancelha, sorrindo. "E depois do discurso, a Seraphina nos informou que você deve… um trabalho importante para o Conselho."

Noel gemeu. "Certo."

Saíram do prédio Classe S pela porta dos fundos, deslizando por becos mais tranquilos que cortavam atrás da academia. Valon nunca ficava silenciosa — mas hoje, parecia diferente.

O murmúrio distante de uma multidão gigante vibrava pelas ruas. Centenas de milhares já estavam reunidos perto da praça do castelo, esperando pelo anúncio público de Charlotte. Os guardas da cidade controlavam o trânsito, desviando as pessoas das avenidas principais.

Elena olhou para os telhados, notando as bandeiras do brasão Imperial penduradas em cada arcos. "Tem… tanta gente," ela sussurrou.

Elyra ajustou seu capote, os olhos se estreitando pensativos. "E todos esperando pela mesma coisa."

Selene caminhava ao lado de Noel, a mão ainda levemente ligada à dele. "Isso é maior do que qualquer coisa que a academia já organizou."

Noir pousou no ombro de Noel, as orelhas mexendo.

'A mana no ar está trepidando. Tantos sentimentos… excitação, medo, curiosidade.'

Charlotte sorriu suavemente. "Significa que estão prontos para ouvir."

Seguiram por um caminho mais amplo, ainda assim uma rua menos usada. Se entrassem na via principal, seriam engolidos pela multidão instantaneamente.

Noel olhou para trás, para suas namoradas. "Orthran já devia ter começado."

Elyra levantou uma sobrancelha. "Começado o quê exatamente?"

"O mesmo anúncio," explicou Noel. "Ele está fazendo em Elarith agora mesmo. Todos os anões, elfos e humanos do continente ocidental estão ouvindo hoje."

Elena piscou. "Então, não somos os únicos?"

"Não," disse Noel. "Velmora também."

Selene apertou a mão ao lado dele. "O continente demônio?"

Ele assentiu. "Sim. A facção aliada à Igreja concordou em espalhar a mensagem. Charlotte fala aqui em Valon, Orthran distribui em Elarith, e o Círculo de Velmora cuida do lado deles."

Os olhos de Elyra se arregalaram levemente. "Três continentes… tudo no mesmo dia."

Charlotte respirou fundo, calma e firme. "Tem que ser global. Se deixarmos rolar boatos primeiro, tudo desaba naturalmente."

A expressão de Elena mudou de admiração para responsabilidade. "Hoje você realmente vai mudar o mundo…"

Charlotte sorriu suavemente. "Não sozinha."

Seguiram pelo último beco, emergindo numa varanda que dava vista ao ritmo da praça do castelo.

E de lá, viram.

Um oceano de pessoas.

Uma onda de rostos que se estendia desde os degraus do castelo até a avenida central de Valon. Vozes se mesclando numa única sonoridade viva, como o respirar de uma criatura gigante esperando para ser despertada.

Selene sussurrou, "…Isso é enorme."

Elyra soltou uma respiração lenta. "Nunca tinha visto Valon assim."

Noel deu um passo ao lado de Charlotte, o peso do momento pesando em seus ossos.

Quando chegaram aos degraus superiores do castelo, o mundo abaixo tinha se transformado em um rugido unificado. Os guardas do castelo se curvaram ao passarem por Noel, Charlotte e as garotas, abrindo as portas altas ornamentadas que levavam ao salão principal de recepção.

Lá dentro, esperando com a autoridade composta de alguém destinado a governar, estava o Rei Alveron IV.

"Então," ele disse, com uma voz ressonante e calorosa, "vocês voltaram bem no momento mais decisivo."

Charlotte fez uma reverência respeitosa. "Vossa Majestade."

Noel seguiu com um aceno. "Alveron."

O sorriso do rei se alargou levemente.

"Já fui informado pela Seraphina de tudo o que vocês pretendem fazer hoje." Ele suavizou o olhar — uma espécie de doçura que só se reserva à família. "Ela acredita que essa mudança é necessária. E, como pai dela… confio no julgamento dela."

Charlotte piscou surpresa. "A Seraphina… contou tudo para você?"

"Contou," respondeu Alveron. "Falou-me sobre as mudanças na doutrina que planejam anunciar hoje — e a escala do que isso significará para Elarith, Velmora e nosso Império."

Seus olhos suavizaram enquanto olhavam fixamente para Charlotte.

"Charlotte… você carrega o título de Santa. E carrega o peso que vem com ele."

Ele se aproximou e colocou uma mão firme, porém delicada, no ombro dela.

"Se minha filha — a futura Imperatriz — acredita que essa mudança é necessária, então eu confio nela. E, como Rei de Valor… estou do seu lado."

A respiração de Charlotte tremeu levemente, tocada pelo peso do apoio dele.

Alveron prosseguiu:

"A Seraphina decidiu ajudar você. E assim fará o Império. Não de forma relutante — mas voluntária." Sua expressão ficou firme. "Essa mudança na doutrina moldará o futuro das nações. Se você liderar isso… Valor protegerá."

Elena exalou suavemente. Selene fez uma reverência. Elyra assentiu com segurança.

Noel permaneceu ao lado de Charlotte, transmitindo seu apoio silencioso.

Um guarda entrou rapidamente, fazendo uma reverência profunda.

"Vossa Majestade. A multidão está pronta. Eles aguardam a Santa."

Charlotte respirou fundo uma última vez, com calma e firmeza. "Então… vamos começar."

Alveron estendeu o braço na direção do corredor no balcão.

"Vá," ele disse, "deixe o mundo ouvir sua voz."

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