O Extra é um Gênio!?

Capítulo 385

O Extra é um Gênio!?

— Ai... — Noel esfregou o topo da cabeça, olhando de relance para a pequena esfera de ferro que agora rolava pelo chão como se tivesse uma rixa pessoal com ele. — Perfeito. Primeiro a besteira enigmática da Mirelle, agora sendo atacado pelo meu próprio equipamento de treino.

Ele se abaixou para pegá-la — mas antes que seus dedos tocassem a bola, um som suave de sino ecoou pela sala.

Ding.

Noel congelou. O som era inconfundível. Um brilho azul suave se espalhou pelo ar à sua frente, enquanto letras translúcidas começavam a tomar forma.

[Familiar Evolução Concluída.]

[Lobo Sombrio (Noir) — Rank Ascendente.]

Por um momento, a mente de Noel ficou em branco. Sua respiração deu uma engasgada na metade da garganta, e seus olhos se arregalaram como se temesse piscar e aquilo desaparecesse.

— ...Noir? — sussurrou, mal acreditando na palavra que saía de sua boca.

Uma sombra ondulou sob seus pés, espalhando-se pelo chão como tinta na água. A temperatura na sala caiu alguns graus, e um leve aroma de ozônio preencheu o ar.

O coração de Noel acelerou. Ele deu um passo devagar para trás, encarando a poça negra que se formava à sua frente.

— Espera—não pode ser——

A superfície da sombra mexeu-se. Então, dois olhos roxos brilhantes piscaram dentro da escuridão.

O ar espancou o peito de Noel.

A figura dentro da sombra ergueu-se, formando quatro patas, um pequeno focinho e uma cauda. A poça semelhante a tinta puxou-se para cima, torcendo-se numa forma familiar — elegante, escura, viva.

E então, com um único salto, a criatura saiu da sombra.

Um borrão de luz negra e violeta atingiu seu peito, derrubando-o de costas.

Por um instante, silêncio.

Depois, um pequeno latido. Um peso familiar. Pelo quente.

Os olhos de Noel tremeram enquanto olhava para baixo. — ...Noir? —

A pequena loba abanou a cauda, pressou a cabeça contra seu peito e latiu uma vez — baixa e feliz.

Noel ficou parado, o canto dos lábios se contorcendo enquanto a incredulidade se transformava em algo bem mais forte.

Por um longo segundo, Noel não conseguiu se mover. Suas mãos ficavam flutuando desajeitadamente no ar, sem saber se aquilo era real — se o calor contra o peito dele não era apenas uma ilusão cruel do sistema.

Mas o ritmo do coração sob seus dedos dizia o contrário.

Lento. Constante. Vivo.

— Noir… — Sua voz quebrou no meio do nome. Finalmente, ele envolveu-a com os braços, puxando-a para perto. — Você está viva.

A pequena loba negra latiu suavemente, a cauda balançando tão rápido que quase esfregou seu rosto. O pelo dela, antes opaco e desgrenhado, agora brilhava com sutis manchas violetas de mana. Seus olhos cintilavam como ametistas gêmeas na luz suave da sala, refletindo a luz tênue da janela.

Noel riu — um som curto, trêmulo de alívio. — Sua burrinha. Você me assustou quase até a morte.

Ele pressionou a testa contra a dela. Ela respondeu lambendo seu nariz, fazendo ele soltar um suspiro incrédulo.

— Que nojo. É, eu que senti sua falta também.

Por um momento, tudo o que existia lá fora desapareceu — a missão, a mansão, até o peso sufocante do legado Thorne. Era apenas seu calor e o ritmo suave da respiração dela.

Ele se lembrou da última vez que a vira — ensanguentada, quebrada, com seu núcleo de mana piscando tão fraquinho que ele pensou que ela não sobreviveria. Enviar ela evoluir dentro da sombra dele tinha sido um jogo de risco, um que ele aceitou sabendo que poderia matá-la.

E agora… ela estava aqui.

A garganta de Noel apertou novamente. Levantou uma mão, passando o polegar pela pelagem dela, traçando as marcas violetas tênues que antes não estavam ali.

— Você realmente evoluiu, hein? Olha só você.

Noir inclinou a cabeça com orgulho e deu um pequeno latido, como se dissesse Claro que sim.

Noel deu uma risada, agora mais suave. — Acho que devia saber. Você nunca faz nada pela metade.

Ele se encostou na parede, ainda segurando nela. — Bem-vinda de volta, parceira.

A cauda de Noir bateu nas suas pernas em resposta, os olhos brilhando e carregados de algo que parecia perigosamente perto de afeto.

Noel ficou lá por um tempo, apenas respirando, seus dedos traçando distraidamente as linhas suaves da pelagem dela. Estava mais macia do que antes — ainda fria ao toque, mas agora carregada com vestígios de energia, como uma estática que dançava sob a pele.

Então, outro som suave de sino ecoou no ar.

[Vínculo Familiar Estabelecido.]

[Vínculo Sombrio — Passivo.]

[Efeito: Quando estiver a até dez metros de seu Familiar, a regeneração de mana aumenta 25%. Percepção compartilhada disponível mediante foco.]

Noel piscou, lendo o texto brilhante.

— ...Percepção compartilhada? —

Ele mal teve tempo de pensar antes que sua visão piscasse — de repente, ele se via de um ângulo mais baixo, através de olhos preenchidos com tons de violeta e escuridão. Poderia ver seu próprio peito subir e descer, a aura tênue de mana pulsando sob a pele.

A sensação desapareceu um segundo depois, quando ele sacudiu a cabeça. — Ok… isso é novo.

Olhou para baixo. Noir estava sentada orgulhosamente em seu colo, a cauda balançando preguiçosamente, claramente satisfeita consigo mesma. — Então, foi você quem fez isso, né?

A loba latiu uma vez — firme, afirmativa.

Noel deu uma risada baixa. — Certo, certo. Você agora tem truques, hein? Você ganhou.

Ele estendeu a mão e repousou a palma na cabeça dela novamente, concentrando-se na suave vibração entre eles. O Vínculo Sombrio pulsou suavemente, e ele sentiu as emoções dela — pequenos surtos de calor, alegria e alívio, todos entrelaçados.

'Você também ficou preocupada comigo, né?'

Ele sorriu levemente. — Não precisa. Agora estamos no mesmo nível.

Pelotear dias no peso, o sistema, as dúvidas — tudo parecia mais leve. O conforto silencioso da presença dela apagava qualquer sombra de dúvida.

Ele podia sentir o batimento do coração dela se sincronizando lentamente com o dele através do vínculo, dois ritmos batendo como um só. A sensação era estranha, ancoradora, quase pacífica.

Noel apoiou a cabeça contra a parede, fechando os olhos. — Você realmente voltou mais forte, hein?

Noir latiu novamente, suave e orgulhosa.

— É, — murmurou ele, sorrindo delicadamente, — eu também.

A sala voltou à quietude.

A tempestade lá fora tinha cessado completamente, restando apenas o suave zumbido de mana das velas que Noel tinha acendido mais cedo. Noir estava aninhada em seu colo agora, a cauda se movendo lentamente de um lado para o outro, as marcas violetas em seu pelo brilhando a cada respiração.

Noel encostou as costas na parede, com um braço descansando preguiçosamente ao redor dela. — Sabe — murmurou com a voz baixa —, comecei a achar que tinha perdido você de verdade. Acho que deveria parar de duvidar de você, né?

Noir levantou um pouco a cabeça, os olhos semicerrados, atentos.

— Você… é diferente — continuou Noel. — Não só mais forte. Mais calmo. Como se tivesse visto algo que eu não vi.

Ele fez uma pausa,acendendo os dedos na pelagem dela novamente. — Ainda assim… é bom ter você de volta. Muito bom mesmo.

A loba inclinou a cabeça, o olhar fixo nele por um momento, antes de abaixar novamente, emitindo um som suave, entre um ronronar e um rosnado.

Noel sorriu de leve. — É, senti sua falta também.

Fechou os olhos, finalmente cansado após a semana de investigações sem parar, noites sem dormir e tensões. A sensação de calor nas pernas o embalou, e, pela primeira vez, o silêncio não parecia opressor.

'Quem sabe as coisas comecem a fazer sentido logo,' pensou, quase se deixando levar. — Por enquanto… isso já é suficiente.'

Seu pensamento começou a se apagar quando uma voz — suave, clara, inequivocamente feminina — ressoou em sua mente.

'Oi, pai.'

Os olhos de Noel se arregalaram. Ele congelou, a respiração presa na metade da boca. Lentamente, olhou para baixo.

Noir olhava fixamente para ele, pequena, com a cauda balançando distraidamente, os olhos brilhando mais do que antes.

— ...Você acabou de—?

Ela não mexia a boca. Mas o calor na mente dele pulsava novamente, suave e certo.

'Oi, pai.'

O queixo de Noel caiu um pouco, entre o espanto e o pânico.

— ...Que diabos… —sussurrou.

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