
Capítulo 387
O Extra é um Gênio!?
Noel não se mexeu. A palavra ainda ecoava dentro de sua cabeça — clara, quente e impossível.
'Olá, pai.'
Ele olhou para Noir, cuja cauda se agitava preguiçosamente contra o chão de madeira. Sua boca não tinha se mexido, mas ele tinha ouvido — não com os ouvidos, e sim dentro da cabeça.
Ele piscou uma, duas vezes. Então sussurrou: "Você… você acabou de falar?"
A pequena loba inclinou a cabeça. Sim.
Noel parou de novo. Seu coração deu um solavanco, depois acelerou o ritmo duas vezes mais rápido. "Certo… ótimo. Impressionante. Tô ficando louco."
'Você não está,' respondeu Noir, com a voz firme, mas estranhamente familiar — baixa, controlada, com uma ponta de sarcasmo.
Ela soava como… ele mesmo.
Ele massageou as têmporas. "Ótimo. Agora minha familiar também tem o meu tom."
'Já tenho isso há um tempo,' ela respondeu simplesmente, balançando a cauda. 'Você que nunca reparou.'
Noel exalou, meio rindo, meio atordoado. "Você não pode simplesmente soltar uma coisa dessas como se fosse normal! Como é que você… está falando? Você não tinha essa habilidade antes."
'Evolução,' respondeu Noir, de modo sério. 'A Link da Sombra nos mudou. Agora posso falar através dela. Você pensa, eu escuto. Eu penso, você ouve.'
Ele a olhou, tentando processar aquilo.
"Então você me diz… que consegue literalmente ler minha mente?"
Sim.
O rosto de Noel ficou vazio. "…Impressionante. A privacidade morreu de vez."
Noir inclinou um pouco a cabeça. 'Não é como se you escondesse muito de mim também.'
Ele soltou uma risada forçada, passando a mão pelo cabelo. "Sim, claro. Você ficaria surpresa."
'Não,' ela falou suavemente, com os olhos brilhando em roxo pálido. 'Eu não ficaria.'
A respiração de Noel ficou presa. Algo no tom dela parecia mais pesado — conhecendo.
Ele franziu a testa. "O que isso quer dizer?"
'Quer dizer,' Noir disse em voz baixa, 'que eu já sei tudo sobre você, pai.'
Noel a olhou, com a garganta seca. "O que você quer dizer… tudo sobre mim?"
Noir piscou uma vez, indiferente. Sua cauda roçou na bota dele.
'Tudo,' sua voz ecoou suavemente dentro da cabeça dele. 'Seus pensamentos. Seus medos. Até o lugar de onde você veio antes deste mundo.'
O corpo de Noel ficou completamente imóvel. Seu coração pulou uma batida.
"…Você— o que foi que acabou de dizer?"
'Terra,' respondeu Noir, calma como sempre. 'O mundo de onde você veio antes de acordar aqui.'
Ele deu um passo para trás, como se ela tivesse acabado de fincar uma espada nele. O sistema deveria ter impedido — a mesma dor ardente sempre atravessava seu crânio sempre que ele pensava em revelar essa verdade. Mas agora… nada.
Seu pulso acelerou. "Como diabos você sabe disso? Eu— nunca contei pra ninguém!"
As orelhas de Noir hesitaram. 'Você não precisou. No momento em que evoluí, a Link da Sombra nos conectou totalmente. Suas memórias não são mais só suas. Eu posso ver o que você viu, sentir o que sentiu.'
Ele passou a mão pelos cabelos, andando de um lado para o outro. "Isso não é possível. O sistema não deveria permitir isso. Eu—"
'O sistema não se aplica a mim,' cortou Noir suavemente. 'Eu não faço parte dele. Sou parte de você.'
As palavras dela foram como uma lâmina afiada atravessando seu peito. Ele parou, olhando fixamente para ela.
"Então… você viu tudo, né?"
'Sim,' respondeu ela em voz baixa. 'Sua antiga vida. O barulho, as luzes, os quartos frios. A solidão. As pessoas que fingiam se importar e as que não se importavam nada.'
A mandíbula de Noel travou. Ele virou a cabeça, olhando para a parede. "Então, sabe por que não posso falar sobre isso."
'Eu sei,' respondeu Noir. 'Por isso não perguntei. Só queria que você soubesse que não está mais sozinho com isso.'
O tom dela não era mais brincalhão — era suave, quase protetor.
Pela primeira vez desde que acordou neste mundo, Noel não sentiu o peso do silêncio pressionando. Ele permaneceu ali, respirando calmamente, deixando que a compreensão se assentasse.
Alguém finalmente sabia.
Noel afundou na cadeira perto da mesa, com os dedos entrelaçados, olhando para o chão. O silêncio entre eles era espesso, desconfortável, mas sincero.
Finalmente, ele quebrou o silêncio. "Então… you viu tudo, né? Até… como eu morri."
Noir não se moveu, mas a cauda parou no meio do movimento.
'Sim,' a voz dela ecoou baixinho na cabeça dele. 'No hospital. Os aparelhos. O frio. Eu vi tudo, como você se arrependeu de tudo no final, e tinha medo.'
O peito de Noel apertou. Ele massageou o pescoço, sentindo uma pontada daquele velho sofrimento passar por seus nervos. "Pois é. Cancelamento terminal. Me deram pouquíssimo tempo e, naquela vida, eu não tinha mana nem as Bênçãos da Charlotte…"
Ele soltou uma risada amarga, balançando a cabeça. "Na hora, acordei aqui — nesse corpo, nesse mundo. Dentro de um maldito romance."
As orelhas de Noir se mexeram. 'E mesmo assim, você ainda está lutando.'
"Talvez porque eu não sei parar." Seu tom ficou mais baixo. "Me diga, Noir… você sabe alguma coisa sobre a própria história? Como ela deveria se desenrolar?"
'Não,' ela respondeu imediatamente. 'Só sei do que você se lembra. Das partes do romance que leu antes de chegar aqui. Tudo o que aconteceu depois é o que você viveu desde então.'
Ele suspirou, recostando-se na cadeira. "Certo… então sem códigos de trapaça ou spoilers. Como esperado."
'Mas eu sei da sua situação atual,' continuou Noir, mudando o tom para algo mais analítico — quase como a própria voz dele. 'O sistema lhe deu uma missão: evitar a queda da Casa Thorne.'
Ele concordou lentamente. "Sim. Essa mesma. E nem sei por que eles deveriam cair. Não há nada no romance falando sobre isso."
'Correto,' disse Noir. 'Tudo que vi através das suas memórias foi o que você observou. Nada concreto. Só uma pista possível — Mirelle. Ela mudou de comportamento depois que seus filhos perderam o status de herdeiros.'
O olhar de Noel escureceu. "Exatamente. Ela anda estranha. Não o suficiente para acusa-la, mas… algo está errado. Eu sinto isso.'
'Então, vamos ficar de olho nela,' respondeu Noir com simplicidade. 'Se ela tiver alguma ligação com a queda, vamos descobrir.'
Ele respirou fundo lentamente, olhando na direção da espada descansando ao lado da mesa. "Acho que é hora de voltar a investigar sombras."
'É o que fazemos de melhor,' respondeu Noir.
Ele se inclinou para frente, um leve sorriso começando a se formar nos lábios. "Pois é… então, quer que eu veja o quão forte você está agora?"
As orelhas de Noir se ergueram, a cauda se mexendo animadamente. 'Quer que eu te surpreenda?' ela perguntou, com um tom alegre, quase brincalhão.
"Quero," disse Noel. "Mostre do que é capaz."
'Então tá,' respondeu Noir, com os olhos brilhando em violeta. 'Vamos lá.'