
Capítulo 388
O Extra é um Gênio!?
A brisa da manhã era fresca e cortante quando Noel e Noir deixaram a propriedade Thorne. Uma névoa tênue pairava sobre a grama, e cada passo fazia um som suave ao enc contactar o solo úmido. Noir caminhava ao seu lado, em sua forma pequena, a cauda balançando visivelmente animada, seus olhos violetas brilhando como lanternas gêmeas na luz tênue.
"Então," disse Noel, com as mãos nos bolsos, "você disse que queria me mostrar o quão forte você está agora. Vamos ver isso."
'Você está tão curioso, hein?' brincou Noir, com a voz suave dentro da cabeça dele. 'Tudo bem. Mas não surte, ok?'
Noel sorriu com uma expressão de quem já esperava por isso. "Você falou isso antes. Agora, na verdade, estou até preocupado."
'Você vai sobreviver,' ela respondeu, com um tom carregado da mesma ironia que ele reconhecia nele mesmo.
Eles caminharam mais para dentro da floresta, afastados das proteções da propriedade e do movimento agitado. A vegetação ficou mais densa até que só raios de luz tênue passavam pelo dossel.
Passarinho voava assustado ao eles passarem, e o ar vibrava com um fraco hum de mana ambiente.
Noel parou assim que chegaram a uma cavidade cercada por rochas cobertas de musgo e raízes selvagens. Ele inspecionou a área rapidamente. "Perfeito. Sem guardas, sem servos, sem interrupções."
Noir avançou um passo, as garras afundando levemente na terra macia.
'Tem certeza que está pronto para isso, pai?' ela falou, numa meia brincadeira, meia advertência.
Noel levantou uma sobrancelha, cruzando os braços. "Pronto? Estou lutando contra monstros há meses. O que um lobo gigante aqui vai fazer de errado?"
Ela balançou a cauda lentamente, com calma deliberada. 'Você vai ver.'
As sombras sob ela começaram a se mexer, se estendendo como tinta preta escorrendo pelo chão da floresta. Um zumbido baixo vibrava no ar, pesado de mana.
O sorriso de Noel desapareceu enquanto seus instintos se aguçavam. Ele se endireitou, os olhos estreitando. "Então é isso," ele murmurou. "Mostre-me."
'Não fique tão surpreso,' a voz de Noir reverberou, suave e confiante. 'Dessa vez, eu sei o que estou fazendo.'
A floresta ficou completamente imóvel. Até a brisa leve que agitava as folhas minutos atrás sumiu, enquanto as sombras ao redor de Noir ficavam mais densas, engolindo a luz.
Noel recuou lentamente, os olhos concentrando-se enquanto a pressão da mana começava a se acumular ao seu redor. "Você está brincando… ficou ainda mais forte desde a última vez."
'Mais forte,' a voz de Noir ecoou, macia e orgulhosa, 'e um pouco mais alta também.'
A poça negra sob ela ondulou como vidro líquido, e então—explodiu. Uma onda de escuridão varreu oClearamento, distorcendo o ar com mana bruta. Seu corpo surgiu de dentro, crescendo a cada pulsar de energia.
Noel protegia o rosto do vento de sombras que passou, mas quando a névoa finalmente se dissipou, ele congelou.
Antes, uma pequena loba, agora erguia-se uma criatura que poderia ter sido confundida com um pesadelo vivo—uma enorme loba de sombra pura e chamas violetas. Ela tinha cerca de cinco metros de altura no ombro, seu pelo uma mistura contínua de fumaça escura e faixas de roxo brilhante. Seus olhos queimavam como estrelas gêmeas.
"...Você cresceu mesmo," murmurou Noel.
Noir abaixou sua cabeça imensa até que seus olhos brilhantes encontraram os dele. O sorriso na voz dela era inconfundível. 'Impressionado?'
Ele deu uma risadinha, de leve. "Você ficou maior."
A cauda dela balançou, criando uma rajada de sombra que agitava as folhas. 'Você não devia falar assim para uma dama, sabia.'
Noel sorriu. "Você tem razão—foi mal."
O solo sob as patas dela brilhou levemente com mana residual, cada movimento deixando traços suaves de luz violeta. Sua presença sozinha distorcia o espaço ao redor; ela não era apenas grande—ela era poderosa.
Noel avaliou-a de cima abaixo, com as mãos nos quadris. "Você percebe que, se entrasse numa cidade assim, ia assustar metade do continente, né?"
'Talvez,' respondeu Noir, a voz cheia de diversão. 'Mas não pretendo usar essa forma a não ser que seja necessário.'
Noel deu um passo para trás, concordando com a cabeça. "Mostre o seu poder, Noir."
A floresta tremeu em resposta.
Noir agachou-se lentamente, suas garras cavando na terra. O ar ao redor dela pulsava com energia sombria, ondulações tênues distorciam o espaço, como se a própria floresta estivesse prendendo a respiração.
'Pronta?' sua voz ecoou na cabeça de Noel, mais afiada e focada agora.
Noel deu um sorriso fraquinho. "Sempre preparado."
Antes que pudesse piscar, Noir desapareceu. Uma rajada de luz violeta atravessou a clareira—rápida, silenciosa e mortal. O ar rachou onde ela estivera, a força do movimento curvando a grama para trás. Os sentidos de Noel alertaram-se imediatamente.
"Passo Sombrio…" ele murmurou.
'Correto,' respondeu Noir, do outro lado dele.
Noel virou rapidamente, mas ela já havia sumido novamente—um rastro de escuridão pulando de árvore em árvore, o afterimage de seu movimento deixando arcos suaves de luz roxa.
'Ainda não viu nada.'
Aura de Noir intensificou-se, e desta vez, as sombras ao redor começaram a se espalhar—devagar no começo, depois de repente, como um oceano engolindo a luz. O claro escureceu até o crepúsculo. As cores do mundo—verde, marrom, dourado—foram drenadas até que só restassem tons de preto e violeta.
Aura de Noir intensificou-se novamente, as sombras avançando lentamente e depois de uma vez, engolindo tudo como um mar, sumindo o brilho e a cor da paisagem.
Noel ficou sem fôlego, observando ao redor. Até sua sombra desapareceu, substituída por um rio de tinta que respondiam à presença de Noir.
"O que é isso…?"
'Domínio das Sombras,' disse Noir, com tom tranquilo e calmo. 'Tudo que você vê agora me pertence. Cada vibração, cada respiração, cada batida do coração—posso senti-los todos.'
Noel fez um giro lento, os olhos arregalados ao sentir o ar vibrar de energia. "Isso… é insano. Você consegue rastrear qualquer coisa aqui dentro?"
'Qualquer coisa,' ela confirmou. 'Se ela pisar, eu sei. Se ela respirar, eu percebo.'
Noel soltou uma risada curta, esfregou a testa. "Droga, Noir. Isso vai facilitar demais as lutas. Você é tipo um radar ambulante."
'Correção,' ela respondeu com orgulho fingido. 'Um bem elegante.'
Ele sorriu. "Claro, o que te ajuda a dormir à noite."
A cauda dela balançou uma vez, e toda a floresta pareceu pulsar novamente—sua força se espalhando, viva, vasta.
Noel cruzou os braços, olhando as sombras que se espalhavam. "Você está certa," ele murmurou. "Isso é… incrível."
'Disse, né?' Noir respondeu, com tom de orgulho, mas suave. 'Você ainda não viu minha última cartada.'
Noel olhou para os olhos enormes e brilhantes dela, meio divertido, meio cauteloso. "Tem mais?"
'Sempre,' ela ronronou.
Noel mal teve tempo de responder antes que Noir se agachasse novamente, sua mana pulsando em ritmo com seu coração. A luz violeta ao redor da boca dela se intensificou, comprimindo-se num globo giratório de sombra pura.
"Outra diversão?" Noel murmurou, franzindo os olhos.
'Chama das Sombras,' respondeu Noir com tom firme. 'Ela comprime a escuridão até se tornar instável—e então…'
Ela mordeu e liberou. A esfera avançou como uma bala de arma de fogo, explodindo no ar com um pulso abafado que enviou ondas pelo Domínio. As árvores ao redor se curvaram sob a pressão, mas nenhuma folha incendiou-se. Pelo contrário, escureceram— absorvendo-se na trilha da sombra.
Noel parou, verdadeiramente surpreso. "Isso… destruição controlada, bem legal."
Noir balançou a cauda com orgulho, sua forma gigante parecendo um monumento na penumbra. 'Eu te disse, pai. Estou mais forte agora. Posso te proteger também.'
A palavra pai ainda lhe atingia de forma diferente—suave, desconcertante. Ele sorriu levemente, cruzando os braços. "Me proteger, é? Achava que era eu quem fazia isso."
'Podemos fazer turnos,' ela disse, com a voz cheia de calor através do vínculo.
Noel deu uma risada silenciosa. "Pois é. Dá pra viver assim."
De repente, as orelhas de Noir se mexeram. Sua cabeça imensa virou em direção às árvores ao fundo. A luz brincalhona nos olhos dela se apagou em sinal de cautela.
'Tem alguém aí,' ela sussurrou. 'Observando.'
A expressão de Noel endureceu. "Quem?"
Antes que Noir pudesse responder, uma voz familiar chamou da beira das sombras:
"O que… é aquilo?"
Sylvette apareceu entre as árvores, com postura tensa, olhos arregalados de descrença enquanto encarava a loba gigante envolta em luz violeta.
Noel congelou. Noir emitiu um ronronar baixo e inseguro.
Então, num piscar de olhos, seu corpo começou a encolher—as sombras se colapsando até sobrara apenas a pequena loba do tamanho de um filhote. Ela troteve para frente, a cauda balançando inocentemente, como se o monstro gigante que fora até momentos atrás nunca tivesse existido.
Noel suspirou, esfregando a testa. "...Ótimo. Só o que faltava."
O olhar de Sylvette pulava entre ele e Noir. "Vai me explicar tudo, irmão."
Noir sentou-se aos seus pés, inclinando a cabeça. 'Boa sorte, pai,' ela brincou suavemente na cabeça dele.
Noel murmurou, com um suspiro silencioso: "Valeu pelo apoio."