
Capítulo 376
O Extra é um Gênio!?
- Elyra POV -
A grande sala de jantar brilhava com uma luz dourada, lustres balançando suavemente enquanto a brisa vespertina entrava pelas janelas entreabertas. Elyra estava sentada à mesa com seus pais—seu pai, sempre imponente, postura firme, e sua mãe, calma, elegante, imóvel como se fosse esculpida em mármore.
A voz de Caeron cortou o barulho de talheres. "Você se saiu bem em Tharvaldur, Elyra. Transformar o caos em vantagem... isso é o que faz um Estermont. Mas esse garoto—" seus olhos se estreitaram, o peso deles tão pesado quanto ferro. "—Noel. Não confunda apego momentâneo com verdadeira força. Ele não é—"
A voz de Elissabeth, suave mas firme, cortou como uma lâmina. "Caeron." Ela colocou a taça na mesa, olhou fixamente para o marido. "Não vai falar dele desse jeito."
A sala ficou em silêncio. Até Elyra, acostumada à autoridade tranquila de sua mãe, piscou surpresa.
Elissabeth continuou, agora com a voz mais fria. "Esquece quem foi que salvou minha vida. Sem Noel, eu ainda estaria consumida pela doença—ou teria desaparecido de vez. Você realmente acredita que um homem que salvou sua esposa não merece o seu respeito?"
A mandíbula de Caeron se travou, mas ele não respondeu imediatamente. Seus olhos escuros se dirigiram a Elyra, depois voltaram para Elissabeth. O silêncio se estendeu.
Elyra se recostou na cadeira, um sorriso maroto surgindo nos lábios. "Parece que a mãe tem o argumento mais forte, pai."
Seu pai respirou fundo pelo nariz, sinal quase imperceptível de derrota. "Ainda sou seu pai. E não vou aprovar facilmente quem quer que esteja ao seu lado."
O olhar de Elissabeth suavizou, embora sua voz permanecesse firme. "Aprovação ou não, a verdade permanece. Noel não é alguém comum. Lembre-se disso, Caeron."
O sorriso de Elyra se alargou. Por dentro, seu peito aqueceu. 'Você realmente não faz ideia do quão sério eu sou com ele, não é, pai?'
Os criados já haviam limpado a maior parte dos pratos, sobrando apenas uma garrafa de vinho meio cheia e o suave odor de caça assada no salão. Elyra apoiou o queixo na mão, seus olhos cinzentos brilhando com algo mais afiado que sua habitual estreia brincalhona.
"Na verdade," ela disse de repente, cortando o silêncio. "Eu pretendo me casar com Noel."
As palavras ficaram no ar como uma lâmina.
Caeron congelou na metade de uma respiração, os ombros largos ficando tensos como se tivesse sido atingido. Seu olhar se tornou mais afiado, estudando a filha como quem procura fissuras em sua determinação. Ele já a vira teimosa antes—em treinamentos, negociações, até diante de outros nobres—mas nunca assim.
Elyra não recuou. "Gosto dele. Sinceramente. Nunca me importei o suficiente com ninguém para dizer isso. Mas Noel... ele é diferente. Não vou deixá-lo partir."
A testa de Caeron se franziu, a máscara de autoridade usual escorregando por um instante para uma surpresa genuína. "Você…?" Sua voz saiu baixa, hesitante. "Elyra, você nunca falou de casamento antes. Nem uma vez."
Elyra inclinou a cabeça, a trança deslizando pelo ombro, os lábios curvando-se em seu sorriso travesso habitual. "Primeira vez para tudo, não é?"
O silêncio se estendeu. Os olhos de Caeron caíram sobre a mesa por um momento, os dedos batendo contra a madeira. Por trás daquela expressão severa, ele lutava com algo a que não estava acostumado: respeito por um homem que se recusava a admitir como digno.
A mão de Elissabeth, pálida e firme, tocou o braço do marido. Sua voz era calma, mas contundente. "Perdoe seu pai, Elyra. Ele não é sempre honesto em suas palavras. O que ele sente e o que ele diz não são a mesma coisa."
O sorriso de Elyra suavizou-se em algo mais caloroso, os olhos entre eles. 'Então até ele… respeita Noel, lá no fundo. Ele só não quer admitir isso.'
O salão tinha ficado quieto, os passos suaves dos criados se afastando até que só o crepitar da lareira preenchesse o silêncio. Caeron tinha se despediado mais cedo, murmurando algo sobre correspondências não feitas, deixando Elyra e sua mãe sozinhas.
Elissabeth sentou-se com graça, postura impecável apesar dos anos. Serviu chá, o aroma de ervas preenchendo o ar. Seus olhos cinzentos, tão parecidos com os de Elyra, voltaram-se para a filha com uma ternura que poucos notaram.
"Então," começou Elissabeth, com um leve sorriso nos lábios. "Você realmente pretende se casar com ele."
Elyra recostou-se na cadeira, a trança caindo pelo ombro. "Claro que sim. Eu já te disse, não foi? Gosto dele." Sua voz soava casual, quase brincalhona, mas os olhos entregavam sua seriedade. "E não é só por parecer algo passageiro. Quero tê-lo comigo—sempre. E… até quero que ele já me dê um herdeiro."
Elissabeth levantou as sobrancelhas, embora seu sorriso não desaparecesse. "Ora, ora… você parece quase impaciente."
Elyra encolheu os ombros, as bochechas levemente coradas apesar de suas palavras ousadas. "Talvez eu seja. Noel é diferente. Quando estou com ele, me sinto afiada, viva. Ele me desafia, brinca comigo de volta, nunca baixa a cabeça como os outros. Ele me vê, mãe. Não o nome de Estermont, nem a herdeira de uma casa poderosa—apenas eu."
A mão de Elissabeth passou suavemente pelos dedos dela. "Então seu coração já decidiu. Isso está claro." Ela fez uma pausa, os olhos caminhando em direção à porta de onde Caeron havia partido. "Quanto a seu pai… não confunda sua dureza com desprezo. Ele não sabe expressar o que sente. Para ele, admitir respeito é uma forma de fraqueza."
O sorriso de Elyra voltou, sutil mas afiado. "Então ele respeita Noel, sim. Só não quer admitir que sua menininha pode ter escolhido bem."
Elissabeth deu uma risadinha suave. "Exatamente isso. Ainda te vê como a criança que se sentava no colo dele, puxando a barba. Deixe que ele se ajuste. Com o tempo, aceitará."
Ela inclinou levemente a cabeça, observando a filha com curiosidade silenciosa. "Diga-me, Elyra. Como tudo começou? Quando você começou a sentir assim por ele?"
Elyra batucou o dedo no braço da cadeira, os olhos se perdendo na lareira. "Hmm… Talvez antes mesmo de admitir para mim mesma. No começo, eu só… percebi ele. Ele não era como os outros. Os demais estudantes da academia olhavam para mim como se eu fosse um prêmio a ser ganho ou uma ameaça a evitar. Mas Noel? Ele era… focado, sempre fazendo seu próprio caminho. Isso chamou minha atenção."
O sorriso de Elissabeth se revelou uma expressão de entendimento. "E?"
As bochechas de Elyra ficaram levemente aquecidas, embora sua postura confiante permanecesse. "Uma vez, pedi ajuda a ele na biblioteca. Uma coisa pequena, mas ele não me tratou como alguém superior. Simplesmente ajudou, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Depois veio o banquete… quando ele me salvou." Sua voz diminuiu, mais afiada agora. "Naquela noite, ninguém se mexeu. Nenhum deles. Só Noel. Foi quando percebi—não era só atenção. Era algo mais."
A mão de sua mãe repousou suavemente sobre o pulso dela. "Então ele se provou quando os outros ficaram parados. Isso diz tudo."
Elyra expirou devagar, os olhos cinzentos brilhando com um leve lampejo. "Exatamente. Desde então, não consigo tirar ele da cabeça. Toda manhã, toda luta, cada palavra—tudo se acumula. E agora? Agora eu não quero só tê-lo ao meu lado. Quero construir algo com ele. Um futuro."
Elissabeth a observou por um longo momento, depois assentiu lentamente. "Então seu coração escolheu bem. Só espero que ele perceba o quanto minha filha deseja ele de verdade."
Elyra deu um sorriso, sua voz suavemente sussurrada. "Ah, ele sabe muito bem disso."