O Extra é um Gênio!?

Capítulo 375

O Extra é um Gênio!?

A sala de jantar da Casa Thorne foi feita para impressionar. Uma longa mesa de carvalho escuro se estendia quase por toda a câmara, polida até refletir como um espelho. Abajures de candelabros queimavam de forma constante acima, lançando um brilho dourado nas paredes de pedra que pouco ajudava a aliviar a tensão no ar.

Noel entrou com passos medidas, o som de suas botas ecoando suavemente no piso de pedra. Ele não carregava uma arma — isto não era um campo de batalha, pelo menos não um de aço. Ainda assim, cada olhar que se voltava para ele parecia mais afiado do que uma lâmina.

No cabeçalho da mesa, estava Albrecht Thorne, olhos tão firmes e cortantes quanto de costume. À sua direita, sentava-se Serina, mãe de Sylvette — elegante, composta, com postura impecável, sua calma escondia uma dose de cálculo. Do lado oposto, Mirelle, a segunda esposa, tinha o rosto duro, os lábios comprimidos formando uma linha que parecia desafiar alguém a provocá-la.

Sylvette já estava sentada mais adiante, com a coluna ereta, sua postura quase demais para parecer natural. Quando Noel entrou, seus olhos pálidos o cruzaram por um breve instante antes de baixarem novamente.

Kael e Damon, filhos de Mirelle, ocupavam lugares opostos. O ar de arrogância habitual deles havia desaparecido; ambos permaneciam em silêncio, contidos. Talvez mudados desde a última Caça — mas Noel não deixou de notar como seus ombros se arredondavam, como se estivessem esperando um julgamento.

Ninguém tocou na comida. Ninguém falou. O silêncio era denso, e o barulho de pratos e talheres parecia mais uma encenação, como se fosse cenário de uma peça teatral.

Noel acomodou-se na cadeira vazia reservada para ele, seus olhos percorrendo a mesa. Já sentia as linhas que eram traçadas — a confiança silenciosa de Serina, a raiva fervendo de Mirelle, a autoridade inabalável de Albrecht.

"Na real, não me importo muito com o Herdeiro, acho que é a Sylvette, mas enfim, acho que não vou escapar daqui."

As portas se fecharam atrás dele, selando a sala.

O silêncio se estendeu, frágil como vidro. Então, finalmente, Albrecht se moveu, batendo sua faca uma vez contra a borda do prato. O pequeno som reverberou por toda a sala, atraindo todos os olhares para ele.

"Já passou da hora," disse, com voz profunda, firme e autoritária. "Hoje à noite, resolvemos o que deveria ter sido decidido há muito tempo — a questão da sucessão."

As palavras caíram como uma lâmina.

O olhar dele primeiro se voltou para Mirelle. "Seus filhos — Kael, Damon. Seus atos na última Caça quase nos custaram tudo. Colocaram em risco herdeiros de outras casas, fizeram esta família abaixar a cabeça e pedir perdão. Thorne foi humilhada."

Os dedos de Mirelle se fecharam em punho sobre a mesa, os nós se tornando brancos. "Eles eram jovens —"

"E eram imprudentes," interrompeu Albrecht, com tom cortante. "Um herdeiro não pode trazer vergonha à família. Eles não podem continuar como candidatos."

Do lado oposto, Kael e Damon mantinham a cabeça baixa, os olhos fixos nos pratos à frente. Nenhuma palavra de protesto. A briga parecia ter desaparecido deles — ou talvez tivesse sido achatada pelo fracasso.

Albrecht recostou-se na cadeira, os olhos se movendo para o outro lado da mesa. "Ficam dois. Noel. Sylvette."

As palavras pesaram no ar mais uma vez.

Sylvette endireitou-se, com expressão calma, embora suas mãos estivessem tensas no colo. Ela não falou. Já sabia o que Noel sentia.

Também permaneceu em silêncio, observando seu pai com olhos semi fechados.

Albrecht deixou o silêncio pairar, como se desafiasse um dos dois a reivindicar o assento de herdeiro.

"Só a força decidirá o futuro desta casa," concluiu, com a voz ecoando na câmara.

O silêncio quebrou-se quando Serina se inclinou para frente, com voz suave e deliberada.

"Então, a resposta é óbvia," disse ela, o olhar fixo em Albrecht, mas as palavras afiadas o suficiente para atravessar a mesa. "Sylvette é a escolha clara. Ela demonstrou disciplina, inteligência e contenção. Sua postura tem dignidade. É isso que esta casa precisa."

A mão de Mirelle bateu com força na mesa, fazendo os talheres tilintarem. "Dignidade? Disciplina? Você despreza Kael e Damon como se fossem inúteis?" Seu tom aumentou, a máscara de calma desfeita pela fúria. "São filhos desta casa. Eles lutaram na Caça, entraram em combate, e agora você ousa apagá-los?"

Serina não se intimidou. "Eles envergonharam Thorne. Colocaram em risco alianças que levaram décadas para serem construídas. A oportunidade deles acabou."

"Sua serpente fria," disparou Mirelle. "Não se trata da casa — é sua ambição. Você vê Noel recusando, e acha que é sua chance de coroar sua filha sem contestação."

Serina inclinou ligeiramente a cabeça, um sorriso estilizado nos lábios. "E como você chama apegar-se a filhos que nos envergonharam? Amor maternal? Ou desespero?"

O clima ficou ainda mais pesado. Kael rangeu o maxilar, Damon se moveu desconfortavelmente, mas nenhum deles se atreveu a falar.

"Você manipula Albrecht, sempre sussurrando em seu ouvido," cuspiu Mirelle. "E agora atreve-se a usar a recusa de Noel ao seu favor. Você acha que é esperta?"

Noel recostou-se na cadeira, observando-os com um leve sorriso de divertimento. 'Não faz muito tempo, ambos estavam unidos contra mim. Agora, não suportam nem mesmo um ao outro. Interessante.'

O conflito de vozes atingiu seu ápice, as palavras calmas de Serina cortando a fúria de Mirelle, até que finalmente Albrecht se moveu.

Sua mão bateu forte na mesa, fazendo tremer todos os copos.

"Chega."

A palavra soou como trovão na sala. As duas mulheres ficaram em silêncio, embora Mirelle ainda tremesse de raiva, seus olhos fervendo do outro lado da mesa.

O olhar de Albrecht passou por todas elas. "Esta casa não pode ser governada por esposas que gritam. Precisa de força. Precisa de certeza." Ele fez uma pausa, fixando o olhar em Noel por um longo momento antes de se virar para Sylvette. "Noel se provou, mas recusou o cargo. Portanto, a responsabilidade cairá sobre Sylvette."

Serina esboçou um sorriso sutil, uma expressão de alívio passando por seu rosto. "Como deve ser."

Mirelle levantou-se de repente, seu cadeira arrastando alto contra o piso de pedra. "Como deve ser? Você trai sua própria sangue, Albrecht! Você descarte Kael e Damon como se não fossem nada, porque um erro pesa mais do que tudo que eles deram."

O sorriso de Serina não desapareceu, alimentando ainda mais os incêndios na voz de Mirelle.

"Isso não é justiça. É favorecimento. Manipulação."

Kael e Damon pareciam prontos para se levantar, mas Mirelle levantou uma mão com firmeza, silenciando-os. A fúria dela não era a deles para acalmar.

Albrecht não se mexeu. "Sente-se, Mirelle."

Mas ela não se sentou. Seus olhos fixaram-se em Serina, cheios de um veneno cultivado por anos. "Aproveite sua pequena vitória. Ela não vai durar."

Com isso, virou-se e saiu da sala, seus filhos seguindo atrás, em silêncio desconfortável.

As portas se fecharam com estrondo atrás delas.

Por um momento, só permaneceu o silêncio. Então, Serina exalou lentamente, relaxando os ombros, com uma expressão de triunfo silencioso.

Noel recostou-se, os lábios levemente curvados em um sorriso de leve diversão. 'Será que isso foi o que deixou a Casa Thorne cair?'

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