
Capítulo 316
O Extra é um Gênio!?
- POV de Alveron IV -
A sala do trono de Valor permanecia silenciosa. Nenhum conselheiro, nenhuma guarda—Alveron tinha dispensado todos com uma única ordem.
Sentou-se de volta na cadeira, ombros largos, sua figura irradiando mais força do que nobreza. O chão polido refletia as bandeiras vermelhas e douradas que balançavam suavemente sob os arcos altos. Seus olhos vermelhos, que brilhavam levemente mesmo na meia-luz, estavam fixos à frente, embora sua mente estivesse longe daquele salão vazio.
As palavras do espelho ecoaram em sua cabeça. Nicolas. Partido. Seu núcleo de mana esmagado além do reparo.
Alveron inclinou-se levemente para frente, apoiando o cotovelo no apoio entalhado. "Droga, Nicolas... você disse que tinha tudo sob controle. Enviei meus soldados. Dei a ordem de avançar, e retirei eles por sua causa."
Seu maxilar se apertou. Ele não amaldiçoou em voz alta—ele nunca fazia isso—mas o peso da frustração apertava seu peito. Ainda conseguia ver a expressão calma de Nicolas, a confiança que o fizera recuar o exército.
Agora, Nicolas estava vivo, mas destruído.
Os dedos de Alveron se cerraram lentamente em um punho contra o trono. "Você deveria ter deixado eu ajudar. Não precisava carregar tudo sozinho."
Ele exalou pelo nariz, com firmeza, mas com peso. Por um momento, a sala ficou excessivamente silenciosa, demasiado imóvel. Ele não estava lamentando como rei. Estava ali como um homem, processando o fato de que seu aliado mais próximo tinha caído, e que sua decisão de confiar nele tinha lhes custado caro.
O olhar de Alveron dirigiu-se às portas imensas no final do corredor. Além delas, o palácio se estendia em silêncio. Quase podia se imaginar criança novamente, andando por aqueles corredores com passos apressados, sempre seguindo o mesmo homem.
Nicolas.
Ele tinha trinta, talvez quarenta anos a mais—velho suficiente para ser seu avô, e muitas vezes agia como se fosse. Rígido quando necessário, mas sempre paciente. Nicolas tinha lhe ensinado a segurar uma espada antes mesmo de qualquer instrutor do palácio, apesar de ser mago, e tinha lhe repreendido mais gravemente que ninguém quando tentou pular aulas.
"Você foi quem me manteve com os pés no chão. Quem me disse que eu não era apenas um príncipe—que eu era uma pessoa que tinha que trabalhar o dobro para conquistar o direito de liderar."
Uma lembrança surgiu na sua mente: um jovem Alveron, com a espada tremendo nas mãos, enquanto Nicolas berrava para ele fincar os pés. Quando deixou cair a lâmina, Nicolas não riu, não demonstrou pena. Simplesmente a pegou, colocou de volta nas mãos dele e mandou começar de novo.
Naquela época, Alveron odiava isso. Agora… percebeu que era uma das razões pelas quais se tornou o homem que era hoje.
Ele recostou-se no trono, o peito se apertando. "Você foi mais que um mentor. Foi família. A pessoa em quem mais confiei neste tribunal."
Seu punho se chocou contra o apoio de madeira—não por formalidade, mas por pura frustração. O som ressoou no salão vazio.
"Você deveria ter me deixado protegê-lo," murmurou em voz baixa, com a voz rouca pela ira contida. "Você sempre foi teimoso. Sempre carregando o peso dos outros. E agora..."
Ele exalou forte, as palavras pairando no ar.
Nicolas não estava morto, mas para Alveron, parecia perto. Um núcleo partido para um mago de seu calibre era uma morte lenta e silenciosa.
Alveron levantou-se do trono, o barulho de suas botas no mármore preenchendo o salão. Caminhou lentamente, mãos cruzadas atrás das costas, expressão firme, embora seus pensamentos estivessem embaraçados.
'Serafina... por enquanto, ela está à frente.'
Sua filha tinha se provado novamente. Mesmo aos dezessete anos, carregava a postura de alguém duas vezes mais velha. A forma como falou na eleição da academia para presidente, como se dirigiu a ele na chamada—estável, firme. Já tinha aceitado o peso que vem com seu sangue.
Dior… era diferente.
A mandíbula de Alveron se apertou ao surgirem memórias. A arrogância de seu filho durante o incidente na Academia Imperial de Valor, a imprudência que o forçou a agir. Ele puniu Dior severamente por isso—não porque não o amasse, mas porque não podia permitir uma fraqueza tão grande sem consequências.
"Foi aviso. Dei chances. Mas ele desperdiçou todas. Um rei não pode cometer erros provocados pelo orgulho."
Ele parou no meio do caminho, virando-se para uma das altas janelas de vitrais. A luz entrava, refletindo seu rosto no chão polido. Sua estrutura robusta, o cabelo loiro longo amarrado perfeitamente, os olhos vermelhos que nunca vacilavam. Um símbolo de força—era isso que tinha que ser.
Mas até os símbolos racham quando olham longe demais.
'Algum dia… um deles terá que carregar esse peso. O trono. A coroa. O fardo de todas as vidas em Valor repousando em seus ombros.'
Ele pensou novamente em Serafina: capaz, calculista, jovem demais, mas já se comportando como herdeira. Pensou em Dior: talentoso, mas ainda dominado por impulsos.
Sua mão fechou-se lentamente ao lado. "Não posso escolher por eles para sempre. Mas o trono não espera. Valor não espera."
Por um breve momento, Alveron deixou que a verdade penetrasse nele—não como rei, mas como pai. Um dia, seus filhos terão que carregar o que ele carrega agora. E, quando esse dia chegar… não haverá espaço para hesitação.
Alveron permaneceu diante do grande emblema de Valor escavado na parede acima do trono. Seus olhos vermelhos permaneciam nele por um longo momento, sua mente pesada com o peso tanto do império quanto da família.
'Nicolas se foi como eu o conhecia… mas ainda está vivo. Isso é mais do que a maioria consegue.'
A ideia era fria, mas também verdadeira. Nicolas tinha perdido seu núcleo, mas não a vida. E isso significava que Alveron ainda lhe devia algo.
O rei virou bruscamente, a capa nas costas balançando enquanto seus passos ecoavam pelo salão vazio. Empurrou as portas duplas altas, entrando no corredor onde dois guardas se endireitaram imediatamente ao vê-lo.
Seus olhos hesitaram nele, talvez percebendo a tensão que emanava de seu rei. O tom de Alveron não deixou espaço para hesitação.
"Preparem uma cela no castelo," ordenou. Sua voz firme, profunda, carregando uma ponta de esforço. "Nicolas von Aldros precisará dela quando retornar."
Os guardas trocaram um olhar surpreso por um instante antes de assentir rapidamente. "Sim, Majestade."
Alveron não diminuiu o passo. Seguiu pelo corredor, com a expressão tão firme quanto sempre, embora por dentro notasse uma dor persistente.
'Você foi como um avô para mim, Nicolas. Me guiou quando ninguém mais pôde. Se não consegui proteger seu núcleo… então pelo menos vou protegê-lo. Valor irá.'