O Extra é um Gênio!?

Capítulo 315

O Extra é um Gênio!?

O som suave dos motores da nave vibrava sob os pisos polidos, constante e inalterado. Em sua cabine particular, Seraphina estava sentada à frente de uma mesa ampla, seus longos fios de cabelo rosa-pálido caíam arrumados sobre os ombros, com uma fita azul imperial entrelaçada em uma pequena trança que se desprendia na sua frente. A luz do lampião refletia contra sua pele de mármore, sua expressão serena, mas impossível de decifrar.

À sua frente, jazia relatórios: listas de estudantes feridos, notas disciplinares e os registros mais recentes do conselho que ela havia compilado após o incidente. Como presidenta do conselho estudantil, era seu dever manter a ordem. Como herdeira de Valor, era seu dever demonstrar força. Nenhuma dessas funções permitia hesitação.

Seus olhos pálidos—às vezes pérola, às vezes azul gelo, dependendo da luz—varriam os papéis. A ausência de Nicolas pesava sobre ela. Ainda agora, o nome parecia gravado em todas as margens, toda decisão atrasada.

‘A academia está desprotegida,’ pensou, passando a ponta dos dedos pela tinta. ‘E sem ele, os olhos se voltarão para mim, presidenta do conselho… e para Daemar.’

Um leve bater na porta a tirou de seus pensamentos. "Entre."

A porta se abriu, e Daemar entrou. Ele não demonstrou hesitação alguma, embora ela soubesse que a pressão de sua nova posição fosse pesada. Ela endireitou levemente na cadeira, com postura tão precisa quanto uma lâmina afiada.

"Agora você é o diretor, Professor Daemar," ela disse sem rodeios. "Isso vai mudar como esta academia vai se mover. O conselho precisará se adaptar também."

Sua voz era firme, medida, deixando claro que não admitia dúvidas. Ela não falava apenas como estudante. Falava como herdeira de Valor, cujas palavras carregavam mais do que o peso acadêmico.

Daemar inclinou a cabeça, mas Seraphina continuou antes que pudesse falar. "Os estudantes precisam de estabilidade. Vamos tomar decisões juntos—o conselho e o diretor. Caso contrário, podemos fracassar."

Seu olhar permaneceu por um instante nos relatórios antes de fechá-los cuidadosamente. 'E ambos sabemos que inimigos estão de olho.'

Por um momento, o silêncio pairou. Então, ela falou, sua voz clara, firme, mas carregada de uma ponta da juventude que ela não conseguia esconder completamente. "O diretor Nicolas se foi. Deixou o cargo para você, então você precisa assumí-lo. Os estudantes vão olhar para você como um símbolo, assim como Nicolas era. Embora alguns já tenham escolhido, dado que você é um professor importante."

Daemar observou-a, inicialmente sem falar. O silêncio dele a fez insistir, seus olhos pálidos se tornando mais duros.

"Eles estão com medo," ela continuou. "Mesmo que não admitam em voz alta. Nicolas era uma figura de confiança, e perdê-lo tão repentinamente…" ela parou, achando-se antes que a emoção se transmitisse na sua voz. Seu maxilar se tensionou, e ela olhou diretamente nos olhos dele. "Se vacilarmos, a academia vacila. Não posso permitir isso."

Daemar acenou com a cabeça, expressão impossível de interpretar. "Sei. Temos que trabalhar para que nada dê errado."

Seraphina recostou-se um pouco, a trança roçando no ombro. Parecia mais uma comandante a dar ordens do que uma estudante de dezessete anos, mas a rápida subida e descida do seu peito traíam seu nervosismo.

"O conselho estará ao seu lado," ela disse. "Mas tem que ser mais do que isso. Precisamos mostrar unidade. Comunicados, rotinas, aulas—continuaremos tudo sem pausa. Os estudantes têm que ver que nada mudou."

Seu olhar passou brevemente pelo espelho na parede ao fundo, com a superfície inativa, aguardando. "E meu pai precisa ouvir de nós, não de boatos espalhados por outros. Quanto mais demorarmos, mais frágeis pareceremos."

Finalmente, Daemar falou, em tom baixo. "Quer que ligue para seu pai agora."

A voz de Daemar interrompeu o silêncio. "Tem certeza de que deseja liderar a ligação? O rei é seu pai, sim, mas—"

"Não sou mais uma criança," ela o interrompeu, com tom equilibrado. Tocou na trança sobre o ombro, buscando concentração. "Sou a herdeira. Se a academia perdeu seu escudo, então precisa mostrar que ainda tem sua espada."

Daemar franziu a testa. "Na sua idade, você deveria estar preocupada com provas, não com inimigos."

Seraphina sorriu com a expressão mais discreta, embora não chegasse a seus olhos. "Se ao menos fosse esse o mundo em que vivemos." Apoio a mão no quadro do espelho, seu anel de selo imperial emitindo um leve brilho. A superfície ondulou.

"Você me lembra dele quando fala assim," disse Daemar de repente.

Ela inclinou a cabeça, curiosa. "De quem?"

"De Nicolas," confessou Daemar. "Ele também pensava na academia antes de tudo. Sempre."

O peito de Seraphina apertou brevemente, embora sua expressão permanecesse firme. "Então, honrará a memória dele fazendo o mesmo."

A esfera do espelho pulsou com luz, preparando-se para conectar. Ela se endireitou, a voz calma, mas deliberada: "Quando meu pai aparecer, quero liderar. Se ele questionar você, responda diretamente, mas deixe-me definir o tom. Ele precisa ver controle, não confusão."

Daemar inclinou a cabeça. "Muito bem. Mas se ele pedir a verdade…"

"Ele vai," respondeu imediatamente Seraphina. Seus olhos se tornaram mais duros, o aço por trás de suas palavras contrabalançando sua juventude. "E vamos entregá-la para ele."

A tela do espelho se ilumina completamente agora, a superfície ondulada se tornando uma janela de luz clara.

Seraphina respirou fundo, pronta para encarar o olhar vermelho que sabia estar a lhe esperar.

O espelho se acendeu, tornando-se nítido até que a câmara de Valor surgisse.

Alveron IV, rei de ombros largos e altura imponente mesmo sentado, dominava o reflexo. Seus cabelos loiros estavam presos com elegância por uma fita carmesim, sem um fio fora do lugar. Seus olhos escarlates brilhavam levemente, fixando-se primeiro na filha.

"Seraphina," disse, com voz calma, mas ressonante. "Daemar. Por que chamou tão cedo?"

Seraphina inclinou a cabeça, postura impecável. "Pai." Ela recuou um passo, deixando Daemar assumir o centro.

Daemar inspirou fundo. "Vossa Majestade… Nicolas von Aldros caiu."

O silêncio que se seguiu foi sufocante. O som da nave parecia gritar contra ele.

O queixo de Alveron se moveu levemente. Seus olhos não se desviaram. "…Ele está vivo?"

"Sim," respondeu rapidamente Seraphina. Sua voz firme, embora seu coração acelerasse. "Mas seu núcleo de mana… está destruído. Ele nunca mais poderá lutar."

Pela primeira vez, a máscara de calma do rei se quebrou. Sua mão fechou lentamente o punho, o couro da luva rangendo sob a tensão.

"Eu avisei a ele," disse Alveron, com voz profunda, medida, carregando o peso de uma fúria contida. "Enviei meu exército a Tharvaldur. Ele foi quem me mandou recuar—disse que a situação estava sob controle."

Daemar abaixou a cabeça. "Ele fez. E agora… tomei o lugar dele como Diretor."

O olhar de Alveron se perdeu, não em Daemar, mas para dentro, carregado de um pesado arrependimento silencioso. "…Nicolas. Meu amigo. Meu escudo. Um dos pilares mais fortes de Valor, destruído."

As palavras foram silenciosas, mas o peso delas fez o coração de Seraphina apertar. Ela nunca tinha ouvido seu pai falar de modo tão pesado, tão… humano.

Mas então, seus olhos se ergueram novamente, difíceis e ardentes de vermelho. "Nossos inimigos vão pensar que Valor está fraco. Celebrarão essa perda." Sua voz cortou o ambiente como aço. "Vamos mostrar que estão errados."

Seraphina avançou, costas retas como uma lâmina ensaiada. "Vamos ficar mais fortes, Pai. Pela academia. Por Valor."

Por um instante, os olhos de Alveron suavizaram, brevemente, ao olhar para ela. "…Você é verdadeiramente minha filha."

O espelho se escureceu, a imagem dele desaparecendo em silêncio.

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