O Extra é um Gênio!?

Capítulo 518

O Extra é um Gênio!?

A expressão de Noel suavizou no momento em que ele os viu todos ali, de pé na cabine, como se sempre tivessem feito parte daquele lugar. Seu olhar transitou de Elena para Elyra, depois parou—inevitavelmente—em Charlotte.

Ela parecia exausta.

Seu cabelo rosa, puxado em um rabo de cavalo simples, tinha fios soltos ao redor do rosto, e o brilho habitual que ela carregava estava ofuscado pelo cansaço. Mas quando seus olhos dourados encontraram os dele, algo neles se suavizou instantaneamente, um alívio passando tão claramente que quase doeu de ver.

Noel sorriu, pequeno e cansado, mas sincero.

— Oi — disse, com a voz leve apesar de tudo. — Espero que não tenha se esforçado demais. — Seus olhos permaneceram em Charlotte enquanto acrescentava: — Ouvi dizer que os outros tiveram que te parar algumas vezes.

Elyra respondeu antes que Charlotte pudesse, cruzando os braços casualmente enquanto se apoiava na parede. — É. Nesse ritmo, parece que você não pretende ficar com a gente por muito tempo — ela disse, na brincadeira e na seriedade ao mesmo tempo. — Você sabe que a Elena pode ajudar também, né? Não precisa fazer tudo sozinho.

Charlotte estremeceu levemente com isso, depois balançou a cabeça. — Desculpe se te preocupei — disse, com as mãos unidas na frente. — Mas é meu papel. Não posso simplesmente ignorar isso.

Ela olhou de novo para Noel, sua voz ficando mais suave. — Dito isso… eu não quero me esgotar. Não quero desaparecer jovem. Quero ficar com vocês—com todos vocês—por muito tempo. — Sua vista caiu por um instante, depois levantou novamente. — Depois que derrotarmos os Dois Pilares, depois que pararmos com isso… Espero que possamos viver em paz. Não quero depender de Bençãos pra sempre.

Elena assentiu lentamente, as orelhas se mexendo enquanto escutava, e depois se virou para Noel. — E você? — perguntou simplesmente. — Como se sente?

Noel abaixou a cabeça, passando os dedos pelo pelo de Noir enquanto ela se apoiava nele. — Sinceramente? — disse. — Como se fosse novo.

Isso surpreendeu alguns olhares de espanto.

— Estou pronto para ir atrás do Marcus — continuou Noel, calmo, mas decidido. — Você já cuidou de tudo aqui. A ilha está estável. O povo está seguro. Não vou fingir que não quero partir logo.

Seu olhar se movesse entre eles, a gratidão explícita. — Vocês fizeram mais do que suficiente enquanto eu estive fora.

Noel deixou o momento ir runter, depois olhou ao redor da sala novamente, como se estivesse contando mentalmente quem não estava presente.

— E os outros? — perguntou. O tom dele era casual, mas a pergunta não. — Clara. Garron. Laziel.

Selene respondeu primeiro, firme como sempre. — Clara está bem. Está no navio, totalmente fora da ação agora. Descansando, comendo corretamente. — Seus olhos se moveram brevemente para Elena, depois voltaram para Noel. — Ela está cuidando de si mesma. E do bebê.

Os ombros de Noel relaxaram quase que imediatamente. — Ótimo, — disse. — É exatamente onde ela deveria estar.

Elyra continuou. — Garron andou por aí o tempo todo — ela disse com um sorriso suave — ajudando na logística, movendo suprimentos, coordenando com as pessoas na ilha. Ele… surpreendentemente bom nisso, na verdade. Os moradores confiam nele.

— Isso não me surpreende — respondeu Noel. — Ele é assim mesmo.

— E Laziel — acrescentou Elena, juntando as mãos — tem trabalhado com a equipe e os líderes da ilha. Rotas, cronogramas, quem precisa ser deslocado para onde. Ele não parou desde que vocês caíram.

Noel assentiu lentamente, absorvendo tudo.

— Então, tudo continuou a avançar — disse em voz baixa.

— Sim, — respondeu Selene. — Continuou sim.

Ela hesitou por um instante antes de acrescentar: — Mas ninguém tomou a decisão seguinte. Nem a grande. Estávamos aguardando.

Noel olhou para ela.

— Por vocês — disse Elyra simplesmente. — Nós conseguimos nos virar. Todos. Mas isso? — ela gesticulou vagamente, indicando tudo que ainda está por vir — Ainda é seu papel de liderar.

O silêncio voltou a preencher a cabine.

Noel recostou-se levemente, passando os dedos de forma displicente atrás das orelhas de Noir. A sensação de alívio veio primeiro—quente, que traz estabilidade. Depois, uma coisa mais aguda se colocou por baixo.

Sentimento de culpa.

— ...Odeio ter ficado fora — admitiu após um momento — Mesmo sabendo que vocês tinham tudo sob controle.

Elena tossiu suavemente, quebrando o silêncio antes que ele se tornasse muito profundo. — Antes de você ir a qualquer lugar — ela disse, já se movendo em direção à pequena bancada na cabine — você vai comer.

Noel piscou. — Estou bem — começou a dizer.

Ela nem virou para olhar para ele. — Seu corpo pode estar dizendo isso — respondeu Elena calmamente, pegando uma panela — mas não estou confiando nisso depois de você dormir dias a fio.

Elyra sorriu de lado. — Ela tem razão.

Noel suspirou, quase que de imediato, o cansaço se dissipando. — Certo. Certo. Entendo.

— Boa — disse Elena, satisfeita. — Não vai demorar. Só algo quente e simples. — Ela olhou por cima do ombro. — Sente-se. Não se mexa.

Enquanto Elena começava a preparar, Elyra se aproximou dele, inclinou a cabeça e o estudou com atenção. — Você também cheira como alguém que ficou inconsciente por tempo demais — disse de forma direta.

Ele deu uma risada curta. — Uau. Obrigado.

— Sério — ela continuou, já pegando uma roupa limpa ao lado — vá se lavar. Eu esperarei.

Ela empurrou as roupas em suas mãos e apontou para o pequeno banheiro. — Devagar. Sem heroísmo.

Noel hesitou, depois assentiu. — É… ok.

Quando a porta se fechou atrás dele, começou a subir vapor, e após um momento, sua voz ecoou pela madeira. — Você realmente não vai me deixar passar batido hoje, né?

Elyra se recostou na parede do lado de fora, com os braços cruzados. — Não. Ainda mais depois do que acabou de acontecer.

Houve uma pausa, seguida pelo som de água. — O Marcus ainda está lá fora — disse Noel baixinho — uma parte de mim quer sair agora mesmo.

— Eu sei — respondeu Elyra. — Mas se você se machucar de novo, não estará ajudando ele. Ou qualquer um.

Outro silêncio. — Eu não gosto de depender das pessoas.

— Eu também sei disso — ela respondeu, agora de forma mais suave. — Mas você não precisa fazer tudo sozinho.

De dentro, Noel respirou fundo lentamente. — Vou tentar.

— É só isso que peço. —

De volta à cabina principal, Charlotte e Selene se moveram em silêncio coordenado. Charlotte cuidadosamente desmontou a cama, dobrando as roupas de cama com movimentos habituais, enquanto Selene abriu as janelas pequenas para deixar o ar fresco entrar. O espaço foi lentamente se transformando—ar viciado dando lugar ao ar limpo, lençóis trocados, o ambiente mais vivo novamente.

Noel entrou novamente na cabine um pouco depois, cabelo ainda levemente úmido, roupas limpas ajustadas melhor nele do que esperava. Ele parecia… melhor. Não só fisicamente—mais leve, como se tivesse finalmente libertado parte do peso que carregava.

Elena já tinha colocado uma tigela na pequena mesa, com vapor preguiçoso saindo dela. — Sente-se — ela disse novamente, mais suave desta vez.

Noel obedeceu sem reclamar, pegando a colher e dando sua primeira garfada. Seus ombros relaxaram quase que imediatamente. — ...Ok — admitiu. — Está realmente boa.

As orelhas de Elena mexeram-se, com um leve sorriso de satisfação no rosto. — Você precisava disso.

Enquanto comia, o olhar de Noel vagueou pela sala.

Charlotte e Selene terminaram a limpeza, com a cama feita, as janelas entreabertas para deixar entrar o ar limpo. Selene voltou a ficar ao lado dele, perto o bastante para sentir sua presença sem precisar dizer uma palavra. Elyra encostada na parede, com os braços cruzados, observando-o com um olhar de compreensão.

Uma preparou comida para ele.

Duas limparam o quarto dele.

Uma nunca saiu de perto.

Noel balançou a cabeça levemente, um sorriso cansado no rosto. — Vocês sabem — disse, trocando olhares — se essa é a minha nova rotina… não posso reclamar.

Elyra bufou. — Cuidado. Se falar coisas assim, vamos começar a esperar algo em troca.

Elena corou de imediato. — E–Elyra — ela disse, tímida, depois olhou de volta para Noel com um sorriso tímido. — Qu-e… não estamos pedindo nada fora do normal. N–Verdade? —

Charlotte encontrou os olhos de Noel, com uma expressão firme, apesar da cor que subia às bochechas. — Só não desapareça da gente — disse, simples. — Isso já basta.

Selene cruzou os braços, com o olhar afiado. — E não invente ideias malucas — ela acrescentou, de maneira seca. — Você não pode trocar sua vida por conforto.

Noel riu discretamente, o som sincero. — É. — disse. — Eu já tinha imaginado.

A risada se dissipou naturalmente, deixando um silêncio tranquilo, sem peso.

Noel terminou as últimas colheradas devagar, deixando a tigela de lado antes de se recostar um pouco para olhar para elas direito. Não como um grupo ao redor dele—mas como quatro pessoas que carregaram coisas enquanto ele não podia.

— ...Ei — falou após um momento.

Elas todas olharam para ele.

— Sério — continuou Noel, com a voz mais baixa, mais firme. — Obrigado. Por tudo que fizeram enquanto eu estava fora. Por não terem parado. E por não terem… feito besteira só porque eu não estava.

Elyra inclinou a cabeça. — Você fala assim como se não fosse óbvio.

— Não era — respondeu Noel, com sinceridade. — Pra mim.

Charlotte sorriu suavemente. Elena mexeu as orelhas, e Selene não desviou o olhar.

— Odeio perder coisas — continuou Noel. — Odeio ser quem precisa recuperar o tempo perdido. Mas saber que vocês já tinham tudo sob controle? — ele exalou — Isso importa mais do que pensei.

O ambiente permaneceu calmo, o navio balançando suavemente sob eles.

— Vamos atrás do Marcus — disse Noel. — Sem pressa.

Selene se aproximou sem dizer uma palavra. Elyra se moveu da parede, sentando-se perto. Elena foi até a mesa, com a mão próxima ao ombro dele. Charlotte hesitou meio segundo e, então, se juntou a eles com um pequeno movimento cuidadoso.

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