O Extra é um Gênio!?

Capítulo 506

O Extra é um Gênio!?

"Não," ele murmurou, balançando a cabeça com força. "Não, isso não é—"

Garron parou no meio de uma respiração, o peito quase travando como se seu corpo tivesse esquecido como continuar sem permissão.

"Noel…?" Sua voz saiu áspera, quase frágil. "Não, não, não. Eu estou sonhando. Não pode ser você realmente aqui."

Noel deu um passo à frente, já abrindo a boca, mas Garron não lhe deu tempo para dizer o que fosse.

"¡NOEL!"

Ele avançou.

Noel reagiu por instinto. Sombras se fecharam e o engoliram, e os braços de Garron se fecharam ao ar vazio enquanto Noel desaparecia e reaparecia um instante depois, atrás de Elyra, saindo de sua sombra tão naturalmente quanto respirar.

Elyra se assustou, girando pela metade com uma inspiração aguda. "—Você poderia não fazer isso?" ela reclamou, já lançando um olhar de reproche por sobre o ombro. "Um dia desses eu vou te bater sem pensar."

Garron ficou observando-os, o movimento finalmente quebrando a tênue negação na qual se agarrou. Suas pernas fraquejaram um pouco, os ombros tremiam enquanto a realização finalmente o atingia, rápida demais e pesada demais para processar de forma limpa.

"Eu achava…" Sua voz quebrou, as palavras se atropelando. "Achava que estávamos sozinhos. Que éramos apenas nós."

Ninguém o impediu. Ninguém lhe pediu que parasse.

Laziel, claro, escolheu aquele momento para sorrir. "O quê, Garron?" ele disse leve. "Nos sumir te assustou tanto assim?"

Garron ergueu a cabeça lentamente, olhos vermelhos, queixo tenso, e por meio segundo Laziel pareceu notar que talvez tivesse julgado mal o momento.

Então Garron se moveu.

Ele avançou direto nele, todo músculo e ímpeto, envolvendo Laziel e jogando-o ao chão num bote descontrolado. O impacto quebrou a pedra enquanto Laziel ofegava, completamente imobilizado.

"—Ajuda," laziel disse de forma flat, lutando uma vez antes de desistir. "Parece que estou morrendo."

Ele lançou um olhar para Noel.

Noel apenas deu de ombros. "Não vou intervir nisso."

Por um instante, cansaço, alívio e risadas se enlaçaram no mesmo espaço. Garron se agarrava a Laziel como se temesse que soltar o faria com que todos desaparecessem de novo, e ninguém teve coragem de dizer o contrário.

Garron ainda não tinha soltado.

Laziel estava completamente aprisionado por ele, um braço preso de forma desajeitada contra a pedra, o outro achatado sob o peso de Garron. Tentou se mexer uma vez, sentiu que nada se moveu, e decidiu que suas chances eram melhores economizando oxigênio.

"—Ajuda, estou morrendo aqui," ele disse, a voz tensa, mas estranhamente calma.

Ninguém reagiu.

Laziel virou a cabeça o máximo que pôde e franziu os olhos em direção a Noel. "Faça alguma coisa."

Noel olhou para a situação, avaliou por meia segunda, e então deu de ombros. "Dessa vez, não posso ajudar."

"Isso não ajuda," Laziel retrucou. "Isso é traição."

Charlotte cruzou os braços, observando sem uma ponta de empatia. "É o que vocês ganham por provoca-lo."

"Foi uma brincadeira," Laziel protestou fraco. "Uma piada inocente."

"Você o assustou," murmurou Garron, ainda se agarrando, com a voz carregada e vacilante. "Todo mundo me assustou."

Clara, um pouco atrás, sorriu pela primeira vez em dias. Não foi um sorriso largo, nem durou muito, mas era verdadeiro. Elena também percebeu, relaxando um pouco os ombros enquanto observava Garron se acalmar lentamente, a onda inicial de emoção finalmente se esgotando.

Elyra suspirou, esfregando a testa. "Garron. Você está o esmagando."

"Estou?" ele perguntou rígido.

"Sim," Laziel disse de forma seca. "Muito mesmo."

"Ah—!" Garron recuou imediatamente, quase perdendo o equilíbrio ao se afastar. "Desculpa, desculpa—!"

Laziel rolou de lado com um gemido, depois de costas, olhando para o céu. "Sobrevivi," anunciou. "Por pouco."

"Desculpe," Garron repetiu, enxaguando o rosto com o dorso do braço, agora envergonhado ao perceber que sua cabeça tinha se clareado. Respirou fundo, mais uma vez, tentando se estabilizar antes de olhar ao redor com mais atenção.

Seu sorriso desapareceu.

"…Espere," disse Garron, sua voz de repente séria. "Cadê o Marcus e o Roberto?"

A risada não sumiu imediatamente, mas esvaziou o momento, deixando para trás algo mais pesado e muito mais real.

A pergunta de Garron ficou no ar por mais tempo do que anyone gostariam.

Noel não respondeu de imediato. Olhou para Garron por um momento, percebendo como sua postura tinha mudado, como o alívio tinha sumido, deixando algo mais apertado no lugar. Quando finalmente falou, seu tom foi equilibrado, firme, como se estivesse colocando as peças na mesa, ao invés de dar uma má notícia.

"Estão mais distantes de nós," disse Noel. "Ilha diferente."

O maxilar de Garron se apertou, mas ele não interrompeu.

"E sim," continuou Noel, levantando uma mão levemente como se quisesse suavizar as palavras sem escondê-las, "parece que eles estão em apuros."

As mãos de Garron se fizeram fists à beira do corpo, os ombros tensos, enquanto inspirava fundo pelo nariz. Ele não falou nada, mas estava claro o quanto tentava se segurar no lugar.

Antes que o silêncio pudesse se tornar algo pior, Clara entrou na conversa. Sua voz era calma, firme, de uma maneira que não tentava sobrepujar o momento.

"Mas não vamos nos separar," ela disse. "Não vamos fazer isso um por um."

Olhou diretamente para Garron. "Vamos juntos."

Noel assentiu uma vez. "Esse é o plano," disse. "Você vai precisar confiar neles. E confiar na gente."

Garron engoliu em seco e fez um breve gesto de cabeça. Não era confiança plena, mas era o suficiente.

Noel estendeu a mão para o lado e ativou o dispositivo. O leve zumbido chamou atenção de todos enquanto o canal se abria.

"Theo," disse Noel. "Você aí?"

"Sim," respondeu Theo quase imediatamente. "Estou ouvindo."

Garron piscou, os olhos se voltando para o dispositivo. "Quem é?"

"Vou explicar depois," disse Noel, voltando sua atenção. "Theo, consegue ver alguma coisa da ilha do Marcus agora?"

Houve uma pausa. Não por muito tempo, mas suficiente.

"Não," respondeu Theo. "Desculpe. Ainda nada claro."

O ar se fechou de novo.

Theo não parou por aí. "Mas tem algo mais."

Todo mundo falou ao mesmo tempo.

"O quê?"

"Como assim?"

"Mais alguma coisa, como?"

Theo respirou fundo. "Algo grande está se movendo em direção à sua posição."

As mãos de Noel se cerraram em punhos ao lado do corpo, os ombros tensos enquanto inspirava fundo pelo nariz. Não disse nada, mas ficou claro o quanto se controlava para não ficar abatido.

Charlotte rompeu o silêncio antes que se tornasse pior. Sua voz foi calma, firme, sem tentar dominar o momento.

"Mas não vamos nos dividir," ela afirmou. "Não vamos fazer isso um por um."

"Vamos juntos," ela disse, olhando diretamente para Garron.

Noel assentiu com uma cabeça. "Esse é o plano," confirmou. "Vocês precisam confiar neles. E confiar na gente."

Garron engoliu em seco, deu um aceno breve. Não era confiança plena, mas era o suficiente.

Noel pegou o dispositivo ao lado e ativou. O leve zumbido chamou atenção enquanto a conexão se estabelecia.

"Theo," disse Noel. "Você aí?"

"Sim," respondeu Theo quase imediatamente. "Tô ouvindo."

Garron piscou, os olhos se voltando para o aparelho. "Quem é?"

"Vou explicar depois," disse Noel, focando de novo. "Theo, consegue ver alguma coisa da ilha do Marcus agora?"

Houve uma pausa. Não por muito tempo, mas suficiente.

"Não," respondeu Theo. "Desculpe. Ainda nada claro."

O clima se fechou outra vez.

Theo não parou por aí. "Tem algo mais."

Todos falaram ao mesmo tempo.

"O quê?"

"Como assim?"

"Mais alguma coisa, como?"

Theo soltou um suspiro audível. "Algo grande está se aproximando da sua posição."

Noel cerrava a mandíbula. "De quão grande?"

"Grande o suficiente para eu não perder de vista," respondeu Theo. "Parece um guardião. Estrutura massiva. E tem um Shard no núcleo."

Ele hesitou, acrescentando: "Correntes por toda parte. Como se estivesse sendo mantido inteiro… ou segurando algo de volta."

Ninguém riu. Ninguém se moveu.

Noel fechou os olhos por meio segundo, depois os abriu novamente. "Tudo bem," disse em voz baixa. "Preparem-se."

Os olhares trocados diziam tudo.

Não havia mais tempo para descanso.

Outra batalha já se aproximava.

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