
Capítulo 502
O Extra é um Gênio!?
O Guardião avançou rapidamente.
Cadeias se tensionaram ao se lançar na direção da luz, a pressão aumentando à medida que tentava forçar sua passagem pelo campo que Roberto tinha estabelecido. O ar ondulava ao redor do impacto, as pedras rangiam sob a força da tentativa.
Roberto não se moveu.
Ele não se preparou. Não mudou sua postura. Simplesmente ficou ali, ombros relaxados, peso equilibrado, como se esperar alguém terminar de falar fosse algo comum.
A luz se intensificou ao seu redor, sutil mas instantânea. A fronteira recuou, não com violência, apenas o suficiente para fazer o avanço do Guardião parar, sua força minguando como se tivesse entrado em águas profundas.
"...Certo", murmurou Roberto, quase entediado.
De qualquer forma, o Guardião atacou novamente.
Um golpe forte, com correntes e massa reforçada, vindo com força suficiente para destruir o que sobrava da praça. Roberto levantou uma mão.
O golpe parou.
A luz envolveu seus dedos, densa e precisa, e o impacto morreu ali. Sem onda de choque. Sem recuo. Apenas uma investida interrompida, o braço do Guardião tremendo como se não conseguisse compreender por que não se movia.
Roberto olhou para ele por um momento, com a cabeça levemente inclinada.
Então ele avançou.
O braço recuou na mesma hora, as correntes se soltando enquanto a estrutura vacilava, raspando contra a pedra. Roberto deu um passo à frente, sem pressa.
"Golpe Radiante".
A luz se moveu como uma mexida casual de pulso.
Ela cortou limpo através do metal e das correntes, não explosivamente, nem de forma dramática. Os fragmentos simplesmente se soltaram e caíram, atingindo o chão com sons opacos e definitivos. O Guardião cambaleou novamente, partes de sua estrutura falhando em responder, enquanto pedaços de armadura escorriam e desabavam.
Roberto suspirou suavemente.
"Ela realmente precisava colocar tanta coisa assim aqui?", murmurou, mais cansado do que irritado.
O Guardião tentou ajustar sua postura.
Sua postura mudou, as correntes se retraíram enquanto tentava recuar, criar distância, repensar suas táticas, no que parecia ser uma tentativa de reprogramação. O mana começava a fluir de maneira irregular, sua manipulação já não tão suave.
Roberto não deu oportunidade.
Fez mais um passo à frente, e a luz o acompanhou, apertando o espaço, negando a retirada sem esforço aparente. O Guardião desacelerou, seus movimentos ficando cada vez mais pesados, pedaços de sua estrutura se soltando a cada movimento forçado.
Não havia pressa no rosto de Roberto.
O Guardião deixou de tentar recuar.
De repente, uma onda de mana percorreu todo o seu corpo.
As correntes se romperam para fora enquanto ele se fixava ao chão da praça, esculpindo sulcos profundos na pedra. Qualquer resistência que lhe restava desapareceu num empurrão violento e repentino.
A pressão atingiu o pico.
Marcus sentiu, mesmo deitado e imóvel, o ar ao seu redor se apertar por um momento antes —
Ele quebrou.
O Guardião avançou, dando tudo de si na investida. A força se concentrou internamente, depois se liberou, um volume comprimido de energia destinado a sobrecarregar e apagar tudo o que estivesse na sua frente.
Roberto já se movia.
Ele não desapareceu. Não ficou borrado. Simplesmente atravessou a espaço dentro do campo de luz, como se o próprio espaço tivesse diminuído para ele.
"Passo Sagrado".
Ele estava lá antes mesmo da ataque se consolidar.
A investida do Guardião passou através do vazio.
Roberto levantou a mão, a luz se condensando instantaneamente, densa e concentrada.
"Quebra-Corona".
A descarga perfurou direto no peito do Guardião.
A luz entrou de um lado e saiu do outro, limpa e definitiva, deixando um vazio circular onde anteriormente havia camadas reforçadas e construções de mana.[1]
O Guardião parou de repente.
As correntes relaxaram. A energia se colapsou sobre si mesma.
Ele tentou se mover novamente.
Roberto não permitiu.
"Linha do Julgamento".
Uma linha de luz traçou-se pelo chão da praça, partindo pedra e estrutura com uma certeza silenciosa. O corte atravessou o corpo do Guardião, dividindo o que restava de sua estrutura em duas metades desiguais que escorregaram e tocaram o chão.
Segue-se silêncio.
Sem onda de choque. Sem reverberação.
O ar se assentou.
Ao redor de Roberto, a praça se estabilizou, as fissuras se selaram onde a luz passou, os detritos caíram sem resistência. A pressão opressiva queprimia a área desapareceu por completo, como se nunca tivesse existido.
O Guardião permaneceu imóvel.
Pequeno.
Quebrado.
Roberto deu um passo à frente e parou bem à sua frente, com os olhos baixos mirando o núcleo que pulsava fraco dentro dos restos salas.
O Guardião não explodiu.
Não houve nenhuma última explosão, nenhum release violento de mana. Os restos fraturados simplesmente perderam coesão, a luz os atravessou uma última vez antes do constructo desintegrar-se por dentro e ruir. Metal, correntes e componentes quebrados atingiram a pedra com sons opacos e vazios.
E foi isso.
A praça permaneceu como estava, sustentada firmemente pelos limites do Domínio Solar. Novas rachaduras não se espalharam. Estruturas não colapsaram. O ar permaneceu limpo, calmo, como não ficava desde a chegada deles.
Roberto não olhou por muito tempo para o que restou do Guardião.
Virou imediatamente, atravessando a praça em direção a Marcus, a luz ao seu redor suavizando-se à medida que se movia. Ajoelhou-se ao lado do corpo caído, afastando cuidadosamente os detritos, seus movimentos precisos e controlados.
"Ei", murmurou baixinho, mais por hábito do que por esperança.
Roberto colocou dois dedos levemente no pescoço de Marcus, depois no peito, confirmando o ritmo constante da respiração. Sua mana tremulava fracamente, instável, mas intacta.
Bom.
A luz voltou a se reunir ao redor da mão de Roberto, de modo diferente de antes. Mais fraca. Suave. Ele pressionou brevemente sobre o ombro de Marcus, apenas o suficiente para estabilizar o que começava a se desfazer, aliviar a tensão em vez de forçar a recuperação.
A respiração de Marcus se acalmou.
Ele não acordou, mas a tensão saiu do corpo dele, os músculos finalmente relaxando à medida que o pior dos danos se ajeitava.
Roberto retirou a mão e se recostou sobre os calcanhares.
Por um instante, permaneceu ali, com a cabeça baixa, a luz ao seu redor suavizando até que apenas um rastro fraco permanecesse.
"Está ficando complicado", murmurou.
Ele se levantou e olhou além da praça, em direção ao centro distante do conjunto de ilhas, onde a luz se curvava levemente no céu.
O que quer que estivesse esperando lá ainda não tinha agido.
Mas iria.
E quando o fizesse, essa batalha pareceria pequena em comparação.
Roberto permaneceu ali por mais um momento, ouvindo o silêncio, gravando-o na memória.