O Extra é um Gênio!?

Capítulo 503

O Extra é um Gênio!?

Marcus voltou a consciousness lentamente.

Sua primeira sensação foi o peso. Não apenas físico, mas em todos os lugares ao mesmo tempo, como se seu corpo tivesse decidido que ainda não estava exausto o suficiente. Sua caixa torácica doía ao tentar respirar fundo, e seus braços pareciam pesados, sem cooperação. Uma pedra pressionava seu lado, áspera e fria.

Ele abriu os olhos.

Detritos quebrados o cercavam, mas não havia sido um colapso. Os escombros haviam sido deslocados, movidos o suficiente para liberar espaço ao redor de seu corpo. Acima dele, o céu vislumbrava-se através da praça aberta, calmo e vazio.

Silêncio.

Isso era o que mais lhe chamava atenção.

"...Vencemos?" perguntou Marcus, com a voz arranhada.

"Sim."

Roberto estava sentado a uma curta distância, encostado em uma laje quebrada, com um joelho dobrado. Ele parecia calmo.

Marcus tentou se levantar, mas seu corpo protestou imediatamente, uma dor atravessando seu lado e ombros enquanto seus braços fraquejavam, e ele recuou com um respiro agudo.

"O que aconteceu?" perguntou.

Roberto se deslocou, alcançando algo ao seu lado e estendendo para ele.

"Você levou uma pancada", disse, com tom neutro. "Bem forte."

Ele fez uma pausa por meia fração de segundo, depois acrescentou, quase casualmente:

"Eu terminei."

Marcus o olhou fixamente por um momento, então deixou a cabeça cair de volta contra a pedra.

A praça parecia estranha.

O chão ao redor deles estava rachado e queimado, é verdade, mas não havia sido destruído. Não havia novas desintegrações, nenhuma pressão residual. O tipo de consequência que ele esperava depois de uma luta daquela magnitude simplesmente… não estava lá.

E Roberto parecia o mesmo de sempre.

Essa era a parte que o incomodava.

Marcus expirou e permaneceu onde estava, aceitando a água oferecida e tomando um gole lento. A dor no corpo não desaparecia, mas deixara de gritar tanto.

Nenhum dos dois falou depois disso.

O silêncio voltou a envolver a praça, calmo e imperturbado, como se a luta jamais tivesse ocorrido.

Marcus permaneceu em silêncio por um tempo, deixando a água fazer efeito e a tontura diminuir até se tornar suportável. Quando finalmente falou novamente, não foi apressadamente. Era o tipo de pergunta que vinha de alguém revendo fragmentos e percebendo que havia muitas lacunas.

"Você quer dizer o Guarda?" perguntou, os olhos ainda na praça, não em Roberto.

"Sim", respondeu Roberto sem hesitar. "Aquele ali."

Marcus moveu um pouco o peso, testando braços e pernas. Tudo doía, mas nada parecia estar quebrado. Isso, sozinho, fez com que ele franzisse a testa.

"Aquela coisa era nível Arquimago", disse. "Não era pra simplesmente… acabar assim."

Roberto deu de ombros, um movimento pequeno e fácil. "Ainda assim quebrou."

Marcus virou a cabeça, olhando realmente para ele.

"Isso não é uma explicação."

Roberto encontrou seu olhar, tão calmo como sempre. Não havia tensão nos ombros, nem sobras de arranjo na luta. Pelo contrário, parecia entediado.

"Empurrou demais", disse Roberto. "Foi tudo de uma vez tentando te liquidar."

Marcus falou mais sério, com uma expressão mais fechada. "E?"

"E depois que conseguiu, ficou gerenciável."

O silêncio tomou conta após aquilo. Marcus vasculhou o rosto de Roberto procurando algo, qualquer coisa que sugerisse que ele estivesse brincando. Mas não estava.

"Você estava segurando pra não explodir," finalmente disse Marcus.

Não era uma acusação. Apenas uma observação.

Roberto sorriu, de forma leve e rápida, como sempre fazia quando não queria que a conversa fosse além do que já havia acontecido.

"Diria que não", respondeu. "Eu apenas não entrei em pânico."

Marcus soltou um breve sopro pelo nariz. "Não é a mesma coisa."

Roberto não respondeu.

Em vez disso, levantou-se e deu um passo à frente, oferecendo a mão. "Vamos lá. Veja se consegue ficar de pé."

Marcus hesitou, mas aceitou. Dor voltou a surgir ao se levantar, as pernas tremendo por um momento antes de firmarem. Roberto permaneceu perto, segurando-o com firmeza sem fazer uma grande questão.

"Devagar", disse Roberto. "Você ainda está se recuperando."

"Percebi", murmurou Marcus.

Ele ficou parado por alguns segundos, recuperando o fôlego, então deu um passo cuidadoso pra frente. Funcionou. Devagar, mas firme.

Roberto o observava atento, os olhos acompanhando cada movimento, pronto para segurá-lo se fosse preciso.

Eles deixaram a praça lentamente, com cuidado.

Marcus não argumentou quando Roberto sugeriu pegar a rota mais longa ao redor das ruas colapsadas. Seu corpo ainda estava rígido, cada passo uma lembrança dolorosa nas costelas e ombros, mas era suportável. A cidade se abriu ao redor deles enquanto avançavam, prédios altos lançando longas sombras pelas ruas, janelas quebradas, mas estranhamente intocadas pela destruição recente.

Algo tinha mudado.

Marcus percebeu isso depois de alguns minutos, a ausência mais evidente que qualquer ameaça nova.

"Esse lugar está… mais quieto", ele disse, olhando ao redor ao passar por uma interseção vazia.

Roberto concordou. "Sim".

Continuaram andando, escaneando esquinas e telhados por hábito, mas a resistência que esperavam nunca apareceu. Nenhuma pressão repentina. Nenhum peso opressivo pressionando suas percepções. O ar parecia mais leve, quase neutro.

"Algo estava segurando tudo junto", acrescentou Roberto após um momento.

Marcus seguiu o olhar dele por uma linha de edifícios que apresentavam marcas de modificação ao invés de dano. Paredes reforçadas. canais escavados na pedra. Estruturas antigas retrofitadas com condutores de mana que já não pulsavam.

"E agora sumiu", disse Marcus.

Foram se aproximando de uma dessas construções modificadas, Marcus abaixando-se um pouco para examinar o chão. A pedra aqui tinha sido rearranjada deliberadamente, não quebrada. Caminhos alargados. Linhas de visão limpas. Nada que organizasse o local parecia improvisado.

"Isso não foi aleatório", disse Marcus. "Alguém planejou isso."

"Sim", respondeu Roberto. "E planejaram pra durar."

Continuaram entrando no coração da cidade, seguindo sinais sutis. Quanto mais adiante, mais claro ficava que tudo tinha sido organizado ao redor de um ponto central, como se tudo estivesse direcionado para algo mais importante que rotas de patrulha ou densidade de monstros.

Então viram.

Uma estrutura elevada acima dos edifícios ao redor, mais alta, mais limpa, com uma silhueta que se destacava contra o horizonte. Diferente do resto da cidade, parecia intacta. Com propósito. Como se tivesse sido deixada intocada de propósito.

Marcus parou.

"Parece que ainda não acabamos", disse baixinho.

Roberto não respondeu imediatamente.

Ficou ali, com os olhos fixos na estrutura, expressão difícil de decifrar. Ficou um segundo a mais do que o necessário antes de, finalmente, se virar.

"Sim", disse. "Provavelmente é a próxima."

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