
Capítulo 493
O Extra é um Gênio!?
Noel estava sentado dentro do prédio destruído, encostado em uma coluna rachada enquanto mantinha o foco dividido entre a sala e os sons lá fora.
Três pessoas estavam inconscientes.
Clara jazia com a cabeça apoiada no colo de Selene, respirando com calma e ritmo constante. Selene não se mexia, com uma mão levemente colocada perto do ombro de Clara, os olhos nunca deixando o rosto dela. A poucos passos, o menino e a menina resgatados estavam deitados no chão frio, com as correntes removidas e a respiração tranquila. Noel os observava atentamente, atento a qualquer sinal de problema.
De fora, vozes ecoavam pela rua.
"Então... o que aconteceu aqui?" A voz de Laziel foi a primeira a soar. "Isso parece pior do que o que enfrentamos naquela ilha."
Elyra respondeu sem hesitar. "Foi o Noel," ela disse seca. "Então duvido que alguém saiu completamente intacto."
Elena riu suavemente, o som leve de alívio.
Antes que qualquer um entrasse, uma sombra negra pulou pelo batente da porta.
Noir foi a primeira a entrar.
Ela aterrissou suavemente, cruzou o chão arruinado em dois passos rápidos e saltou direto para o colo de Noel. Logo se enroscou ali, a cauda abanando uma vez antes de se acomodar, completamente relaxada agora que estava de volta com ele.
Noel respirou fundo e olhou para ela. "Não achei que fosse tão sério," falou em voz alta, meio brincando.
Elyra entrou logo depois, seguida por Elena e Laziel. Ela parou na entrada, observando a cena — os corpos inconscientes, Selene ajoelhada no chão, Noel sentado calmamente com Noir repousando contra ele.
"Bom," disse Elyra, cruzando os braços. "De fato, uma cena forte. Seu status de Arquimago é evidente." Seu olhar se agudizou. "Brincadeiras à parte… o que aconteceu? Esses aí não parecem inimigos."
Noel a olhou, depois para Elena e Laziel que avançavam um pouco mais para dentro. "Não eram," ele disse. "Também estavam presos por correntes. Controlados. É por isso que a confusão aconteceu."
Seus olhos se dispersaram brevemente em Clara. "Clara está fora de combate por enquanto, mas está estável. Precisamos tomar cuidado com ela daqui pra frente. Vai ficar mais fácil agora que estamos todos juntos."
Elyra assentiu uma vez. "Sabemos quem são?"
"Ainda não," respondeu Noel. "São daqui da ilha. Assim que acordarem, vamos tirar respostas."
Do lado de fora, a última luz do dia se apagou, e dentro do prédio, a violência deu lugar a uma calma tensa. A noite caiu silenciosamente.
Clara foi a primeira a se mexer.
Ela soltou um suspiro enquanto os olhos se abriam lentamente, piscando para cima, deixando o rosto de Selene à sua frente. "Hm… claro," murmurou fraca. "De todos os lugares pra acordar."
Selene exalou aliviada, o corpo relaxando. "Não mexa," disse suavemente. "Você tomou um golpe."
"Sim," respondeu Clara, os lábios mexendo. "Percebi."
Logo depois, alguém se movimentou do outro lado do cômodo.
O menino gemeu, uma mão pressionando o chão enquanto tentava se erguer. A dor cortou a tentativa instantaneamente, obrigando-o a voltar a se deitar com um suspiro curto. A menina ao lado dele não se saiu melhor, interrompendo o esforço com um chiado enquanto se encostava à parede.
Elyra avançou antes que alguém pudesse falar. "Devagar," ela disse, com calma mas firme. "Você sabe onde está? E lembra o que aconteceu?"
O menino engoliu seco, garganta seca. A voz saiu rouca. "Sim… lembramos de tudo." Ele fez uma pausa, inclinando ligeiramente a cabeça. "Obrigado. Por nos impedir."
A menina acenou ao lado dele. "Tivéssemos continuado lutando. Não conseguimos nos controlar."
Elena se agachou imediatamente, com uma expressão gentil. "Não se mexa muito," ela disse, oferecendo uma garrafinha de água. "Beba devagar."
Ambos aceitaram com gratidão visível, bebendo rápido demais antes de se controlarem. "Obrigada," disse a menina novamente, em voz mais baixa desta vez.
O olhar do menino se voltou para Clara, a culpa pesada em seus olhos. "Sobre o que aconteceu mais cedo… desculpe, não quis te machucar."
Clara olhou para ele, ainda reclinada contra Selene. "Oi," disse com leveza. "Não estou morta. Isso já nos coloca em bons termos. Mas não vou mentir—doeu."
Ele fez uma careta. "Ainda assim. Desculpa."
"Meu nome é Harper," acrescentou depois de um momento. "E ela é Maria. Somos da mesma ilha."
Noel se aproximou então. "Sou Noel," disse. "E essa é a Elyra, Elena, Selene, Clara e Laziel." Ele olhou rapidamente para baixo. "E esta é Noir. Ela é minha familiar."
Noir piscou a cauda uma vez, claramente satisfeita com a atenção.
Maria sorriu levemente e foi até ela, passando os dedos delicadamente pelo pelo de Noir. "Ela é linda."
Sua expressão escureceu ao olhar para cima novamente. "Você precisa saber… não somos os únicos aqui. Tem mais de mil pessoas nesta ilha."
Os olhos de Noel se afilaram. "Tanta gente assim… sim. Faz sentido." Ele olhou para o horizonte escurecido além do muro destruído. "Onde estão eles?"
Harper respirou fundo. "Todos controlados. Reunidos no prédio principal." Seu maxilar se travou. "Estão protegendo alguma coisa. Nos enviaram porque somos os mais fortes. Para lidar com intrusos."
Noel ficou imóvel.
"Um fragmento," ele disse baixinho. "Algo que irradia poder."
A cabeça de Harper se levantou de repente. "Exatamente. Como você…"
Noel puxou o fragmento de sua Mochila Dimensional, seu brilho tênue cortando a escuridão. "Pegamos um de outra ilha. Ele potencializa ela. O Segundo Pilar." Sua voz ficou firme. "Se o usarmos, as correntes enfraquecem em toda a ilha. É esse o plano."
Maria se levantou um pouco, apesar da dor. "Então, temos que ir agora."
"Não," disse Elyra com firmeza.
A palavra cortou a sala.
"Vocês precisam descansar," ela continuou, sem vacilar. "É noite. Amanhã, vocês nos entregam um mapa e tudo que souberem sobre a cidade. Rotas de patrulha, pontos estratégicos, onde as civis estão reunidas. Este momento de ataque agora ajuda ninguém—principalmente eles."
As mãos de Maria se cerraram brevemente no colo. A vontade de argumentar passou por seu rosto, mas a fadiga venceu. Ela baixou o olhar e assentiu uma vez.
Harper seguiu um pouco depois, com os ombros caídos, vendo a tensão se dissipar. "Certo," disse calmamente. "Vamos fazer assim."
Noel pegou novamente sua mochila, puxou comida e começou a distribuir. Rações simples, mas quentinhas. Quando entregou para Selene, a porção dela era visivelmente maior.
Ela percebeu imediatamente, sorriu e, sussurrando, comentou: "Obrigado, Noel."
Ele não respondeu, apenas inclinou levemente a cabeça.