
Capítulo 473
O Extra é um Gênio!?
"Que diabos acabou de acontecer!?"
As palavras escaparam da garganta de Noel assim que a sensação voltou ao seu corpo.
Ele jazia meio enterrado na areia pálida, os grãos ainda escorregando de seu casaco enquanto seu corpo se lembrava da gravidade de repente. Por um instante, o instinto gritou: batalha, pressão, negação, o núcleo do Guardião entrando em colapso—mas não houve impacto, nem golpe seguinte.
Apenas céu.
Cinza-azulado e distante, estendido acima dele.
A última coisa que se lembra era da janela do sistema pairando diante de seus olhos.
Missão Concluída.
Eles tinham feito. Juntos. O Guardião tinha caído sob raios, magma, sombras e vontade.
E ainda assim—
Isto não representava avanço.
Noel se apertou sobre um cotovelo, o peito se apertando enquanto vasculhava ao redor. Areia. Areia estranha, fina demais, quase vítrea em alguns pontos, levemente iridescente quando a luz incidia de um ângulo errado. A linha do litoral curvas às duas margens, emoldurando um mar assustadoramente calmo.
Sem destroços.
Sem mastros quebrados.
Sem corpos flutuando.
Sem navio.
"...Noir?" ele falou, a voz áspera.
A presença dela pressionou imediatamente contra ele, quente e sólida em sua mente.
"Tô aqui, pai," ela respondeu, afiada mas firme. "Não sei exatamente o que aconteceu. Num instante tudo desfez, e no próximo… isso." Uma pausa, mais suave. "Você está exausto. Mental e fisicamente. Melhor se sentar antes que despenque de novo."
Só isso já mostrava o quão profunda era a fadiga.
Ele se deixou afundar completamente, sentando-se na areia com as pernas esticadas, as palmas das mãos apoiadas atrás de si. A dor invadiu agora que o adrenaline não tinha mais onde se esconder, cada músculo tenso, cada nervo zumbindo levemente de tanto uso. Seu núcleo parecia pesado, não instável, mas exausto a ponto de evitar movimentos impulsivos.
Ele fixou o olhar no oceano.
Não refletia nada claramente. Nem ondas de violência recente. Nem marcas de queimadura, nem espaço distorcido. Apenas um horizonte vazio, que bem poderia nunca ter conhecido a batalha que acabara de rasgar as regras há poucos momentos.
"Estamos bem," Noir acrescentou após uma breve varredura, com tom firme. "Sem ferimentos graves. Você está machucado, mas funcional. Eu também."
Isso trouxe um pouco de alívio. Um pouco. Noel virou lentamente a cabeça, forçando-se a observar a ilha adequadamente. Não parecia natural.
Formações rochosas irregulares surgiam no interior, em ângulos estranhos, não desgastadas pelo tempo, mas colocadas ali, como se o chão tivesse sido dobrado e encaixado no meio do movimento. Algumas superfícies pareciam polidas e lisas, outras fraturadas em padrões geométricos repetitivos que refletiam a luz de forma estranha.
Noel exalou lentamente, os dedos se atanando na areia.
"Então foi intencional," pensou com gravidade.
O que quer que tivesse acontecido quando o Guardião entrou em colapso não havia sido simplesmente um deslocamento aleatório.
Ele os separou.
Ele olhou novamente para o mar vazio, o maxilar se apertando.
"Tá bom," murmurou entre dentes. "Vamos descobrir onde diabos a gente caiu."
Noel se endireitou um pouco e inspirou lentamente, acalmando o pulso antes de falar novamente.
"Status."
Pela primeira vez, o sistema não respondeu imediatamente.
Um instante passou. Depois outro.
A leve, familiar pressão na sua mente parecia… lenta, como se o que governava a interface precisasse forçar sua resistência, algo que nunca tinha experimentado antes. Noel franziu o cenho, estreitando os olhos enquanto aguardava.
"...Isso é novidade," murmurou.
Por fim, a tela azul translúcida surgiu em sua visão.
Ele mal olhou para os dados padrão. Normalmente, o sistema encerraria isso instantaneamente e seguiria em frente. Desta vez, algo mais veio junto.
A interface piscou uma vez—depois se expandiu.
[Nova Notificação – Missão Atualizada]
Alcance a Ilha Central.
Está lá a localização do Segundo Pilar.
Noel olhou fixamente para as palavras por um longo segundo.
Então soltou um suspiro silencioso, sem humor. "Muito útil, Noctis. Sério. Não dava pra dizer isso antes do mundo desmoronar?"
A ironia não doía tanto quanto devia. Ele compreendeu imediatamente a implicação.
Uma ilha central significava satélites. Múltiplas massas de terra dispostas com intenção. E isso confirmava que a distorção violenta que seguiu a morte do Guardião não tinha sido apenas deslocamento aleatório, como ele achava.
Havia separado eles.
Ele olhou novamente para o mar vazio, o queixo se fechando.
"Certo," murmurou. "Vamos descobrir exatamente onde estamos."
Noel se levantou um pouco, respirando fundo para estabilizar o pulso antes de falar de novo.
"Status."
Pelo sistema, dessa vez, a resposta não veio de imediato.
Um ritmo acelerado passou. Depois outro.
A pressão familiar no fundo de sua cabeça parecia… lenta, como se a interface precisasse fazer força para se conectar, como se estivesse sendo sabotada por algum obstáculo inédito. Noel franziu o cenho, esperando.
"…Isso é estranho," murmurou.
Finalmente, a tela azul translúcida apareceu diante dele.
Ele quase nem olhou para as leituras padrão. Normalmente, o sistema teria enfeitado aquilo rapidinho e seguido. Mas desta vez, algo mais apareceu.
A interface piscou uma vez—e se expandiu.
[Nova Notificação – Missão Atualizada]
Alcance a Ilha Central.
Ali está o local do Segundo Pilar.
Ele ficou alguns segundos lendo as palavras, em silêncio.
Então soltou um suspiro silencioso, sem humor. "Bem útil, Noctis. Muito. Poderia ter falado antes do mundo acabar?"
A ironia não doía tanto como deveria. Ele entendeu de imediato a implicação.
Uma ilha central significava satélites. Múltiplas massas de terra dispostas com intenção. O distorcimento violento que aconteceu após a morte do Guardião não tinha sido aleatório, como ele pensava.
Havia separado eles.
Ele olhou novamente para o mar vazio, o queixo se contraindo.
"Vamos lá," falou baixo. "Vamos descobrir exatamente para onde caímos."
Noel se endireitou um pouco, respirando fundo, calmo, antes de falar de novo.
"Status."
O sistema não respondeu imediatamente.
Um ritmo lento, estranho, tomou conta. O mana ao seu redor pulsava de forma irregular, subindo e descendo sem padrão, não se acumulando, não se dispersando.
Estava reagindo.
Noel endireitou, olhos estreitando-se enquanto ampliava seus sentidos. A ilha respondia—não com hostilidade, mas com consciência. Um baixo zumbido percorria o solo sob seus pés, sutil demais para ser percebido se ele não estivesse alerta.
"…Este lugar não está vazio," ele murmurou.
A sombra de Noir se alongou um pouco mais na areia, a presença dela alerta. 'Não,' ela concordou. 'Mas também não está atacando.'
De algum modo, isso era pior.
Mais para o interior, as formações rochosas irregulares pareciam mudar—não fisicamente, mas na percepção. Angulos que antes não se alinhavam agora pareciam intencionais, como se tivessem sido dispostos para serem vistos de exatamente onde Noel estava. Ecos tênues carregados pelo ar, não sons no sentido comum, mas impressões.
A ilha estava observando.
Noel respirou lentamente. "Isto não é como o Guardião."
'Não,' Noir respondeu. 'A pressão era absoluta. Direta. Esta é… dispersa. Difusa.' Uma pausa. 'Expectante.'
Ele não gostou dessa palavra.
Noel se agachou, colocando a palma da mão brevemente no solo. O mana respondeu lentamente, escorregando de seu toque, relutante em se moldar. Não resistia. Apenas… relutava em se comprometer.
Levantar-se novamente, olhou para o horizonte, onde outras ilhas despontavam na superfície do mar em silhuetas distantes e irregulares. Anéis. Camadas. Não um destino único, mas uma estrutura—uma que precisava ser atravessada, não alcançada.
"Em uma dessas," disse Noel, mais para si mesmo do que para Noir, "deve estar a instalação de produção de fragmentos. Ou pelo menos o caminho até ela."
'A ilha central,' ela confirmou. 'É lá que fica o Segundo Pilar. E, se os fragmentos estão sendo usados como fonte de energia… então qualquer processo ou refinamento deles também deve estar lá.'
O maxilar de Noel se fechou.
"E essas ilhas externas?" murmurou, olhando o terreno estranho ao redor. "Não são apenas terra. São filtros. Barreiras. Camadas que precisam ser atravessadas antes que você possa ir além."
Ele soltou um suspiro curto e sem graça.
"Explica muita coisa."
Tharvaldur. Lugares que colapsaram por dentro antes de alguém entender por quê.
Nunca teve a ver com conquista bruta.
"Eles não tomaram as Ilhas do Norte com exércitos," falou baixinho. "Fizeram isso controlando movimentos, energia, acesso. Não lutam pelo núcleo—eles desgastam você chegando até ele."
A presença de Noir se aproximou, pensativa.
'E uma vez que as pessoas percebam o que está acontecendo,' ela acrescentou, 'elas já estão dentro da estrutura.'
Ele assentiu lentamente.
A Círculo não precisava de força avassaladora em todos os lugares. Apenas nos pontos estratégicos. E paciência suficiente para atrair o mundo para a armadilha por conta própria.
Era assim que tinha que funcionar, pelo menos.
A Capital Sagrada. A Academia Imperial de Valor. Tharvaldur. Qualquer centro de poder maior, qualquer lugar onde as pessoas se reunissem, dependessem de rotas compartilhadas, energia compartilhada, estabilidade compartilhada—cada um deles deveria ter caído do mesmo jeito que as Ilhas do Norte. Devagar. Silenciosamente. De dentro para fora. Não por conquista, mas por design.
Cortar os caminhos. Regular o fluxo. Controlar quem move, quem avança, quem chega ao centro.
Noel engoliu em seco, o maxilar tensando-se novamente.
"Mas não aconteceu," disse baixo. "Porque eu estava lá."
Ele tinha interferido. De novo e de novo. Algumas vezes conscientemente, outras pela teimosia de não seguir o roteiro que lhe tinham preparado. O que deveria ter sido inevitável virou rupturas. E agora o Círculo estava compensando, aumentava a escala, apertava a estrutura, transformando as Ilhas do Norte em uma demonstração completa de como o mundo deveria ser tratado.
Foi respirando fundo que Noel se permitiu relaxar lentamente.
"É algo maior," admitiu baixinho. "Maior do que tudo o que enfrentamos até agora."
Não era só mais uma saga. Não era só uma escalada. Era algo que ele sentia no fundo do coração — uma sensação de estar na beira de algo final. Um dos últimos eventos. Uma encruzilhada da qual a história não voltaria atrás.
E isso o assustava mais do que qualquer monstro.
Porque nesta parte… ele não tinha lido.
Marcus nunca chegou até aqui.
O que significava que não tinha plano, nem conhecimento meta, nem certeza do que viria ao final da página.
Somente decisões.
Noel se endireitou, os olhos levantando para o horizonte distorcido e as ilhas silenciosas ao longe.
"Certo," murmurou. "Então, faremos do jeito difícil."
Encontrar os outros.
Navegar pelas ilhas.
Quebrar a estrutura.
E avançar rumo ao desconhecido—sem guia, sem garantias, sem recuar.