
Capítulo 475
O Extra é um Gênio!?
"Reivindique a recompensa."
Não houve faísca de luz. Sem comemoração. Sem pausa dramática para impressionar.
O sistema reagiu instantaneamente.
Uma sensação limpa atravessou-o—afiada, decisiva—como um selo de pressão se abrindo profundamente no interior do seu peito.
Um peso que ele não tinha percebido estar carregando se partiu de uma vez, e o que veio a seguir preencheu o espaço rapidamente. Mana aumentou—não de forma violenta, nem em ondas—mas como uma presença única e avassaladora. Sentiu-se menos como algo que invadia-o e mais como algo finalmente autorizado a respirar.
Noel cambaleou meia passo, os dedos apertando instintivamente a Presa do Renascido na mão.
"…Status," ele murmurou.
A resposta veio imediatamente.
[Progresso do Núcleo de Mana: +10%]
[Progresso do Núcleo Atual: 0,22% — Núcleo de Mana: Arcanista]
Noel congelou.
Arcanista.
Por um longo segundo, a palavra não se firmou. Então, se firmou, e as implicações pesaram mais do que qualquer feitiço já feito.
Tinha cruzado para um nível ocupado por pessoas cujos nomes moldaram a história ao redor deles. Por Nicolas von Aldros, quando seu núcleo ainda existia. Por Daemar, no ápice da Academia Imperial. Pelos monstros silenciosos que cada reino fingia que não existiam, a menos que fosse absolutamente necessário.
E agora—
Ele.
Noel fechou os olhos.
A mana dentro dele não estava fora de controle. Não estava rugindo ou arranhando para escapar. Estava lá—vasta, ordenada, atenta. Como estar na beira de um oceano perfeitamente calmo e perceber que ele estava ciente de você. Mana que não precisa de canais ou restrições para se comportar. Mana que ouvia mesmo sem que fosse necessário dizer-lhe como agir.
Mana pura, régia. Sem contenção e sem quebras.
"…Isso é diferente," Noel sussurrou, mais para si do que para qualquer outro.
Não necessariamente mais forte no sentido bruto.
Mais pesada. Mais densa. Como se a gravidade tivesse decidido reconhecê-lo.
Por trás de seus olhos, Noir reagiu abruptamente.
'Pai,' ela disse, com surpresa passando direto pelo vínculo. 'Estamos—uau. Isso é insano. Não está me empurrando nada. É como…'
Noel tossiu uma risada, algo parecido com uma gargalhada escapando dele. 'Pois é. Nem sei como descrever também. É como se o poder estivesse sempre aqui—eu só consegui alcançá-lo agora.'
A empolgação de Noir brilhou mais forte. 'Com isso, não estamos só acompanhando. Estamos na frente.'
Ele não negou isso.
Porém, o olhar dele se deslocou, para a figura caída em correntes diante dele.
O velho.
Ainda preso. Ainda impotente.
A mão de Noel firmou-se na Presa do Renascido, relâmpagos e sombras deslizando juntos pela lâmina como se finalmente tivessem combinado como coexistir.
"Depois," Noel falou em voz baixa, se firmando. "Vamos comemorar depois."
Ele deu um passo à frente.
Noel parou a alguns passos da cadeira.
De perto, o velho parecia menor do que à primeira vista. Não frágil no sentido de estar à beira da morte, mas gastado, como uma vela que queimou por mais tempo do que deveria. Toda energia que sobrava nele não fluía tanto quanto permanecia, mantida por rotina e teimosia, e não por força.
Noel podia sentir isso agora.
Não por alcançar, mas porque sua mana não precisava mais procurar. Ela reconheceu a ausência instintivamente, como o silêncio que se destaca mais claramente depois do ruído.
O velho finalmente levantou a cabeça.
Seus olhos se alargaram.
Ele não entendia o que tinha mudado. Não poderia. Mas seu corpo reagiu de qualquer forma, ombros tensos na medida em que as correntes permitiam, a respiração presa ao sentir que algo vasto e invisível se assentava entre eles.
Medo.
Puro, imediato e honesto.
Noel acariciou lentamente a Presa do Renascido.
Relâmpagos traçaram a lâmina em linhas lentas e firmes, sem estalar ou morder, enquanto sombras deslizaram silenciosamente ao longo do metal em camadas suaves. Não havia mais confronto. Moviam-se lado a lado, como duas correntes atravessando com o mesmo rio, separadas, mas alinhadas, reforçando uma à outra sem atrito.
Isso por si só mostrou o quanto tudo tinha mudado agora.
Ele olhou de volta para as correntes.
Não eram simples restrições. Cada elo carregava peso além do metal, gravado com runas desgastadas pelo tempo. Poderiam ser frágeis como vidro ou inflexíveis como diamante encantado—não dava para saber apenas olhando.
Noel não ia dar palpite.
Puxou lentamente o ar e deixou sua mana penetrar na lâmina, sem inundá-la, sem forçar nada. Apenas o suficiente para preencher cada aresta com intenção. O poder não aumentou repentinamente. Assentou-se, denso e obediente, respondendo com a mesma facilidade de um braço que ele sempre soube mover.
A respiração do velho ficou superficial.
Ele tentou recuar, mas as correntes o mantinham rígido, travando-o no lugar. Seus olhos foram de Noel para a arma, o pânico crescendo rapidamente agora que o instinto havia se atualizado com a realidade.
Noel percebeu.
Ele suavizou a voz—não com conforto falso, mas com certeza.
"Não vim aqui para te machucar," ele disse calmamente. "E não estou apressando isso."
Ele ajustou sua postura, os pés firmes no chão de pedra.
"Você ficou assim tempo demais," continuou Noel. "Então, vou fazer isso uma vez só. De forma limpa."
A Presa do Renascido ergueu-se.
O ar mudou, não violentamente, mas com uma vibração sutil, como o momento antes de um trovão se espalhar lá no alto.
Noel moveu-se e a Presa do Renascido cortou o ar com um arco limpo.
Primeiro foi o som.
Um grito de arranhão agudo rasgou o farol—como passar um garfo de metal numa placa de cerâmica, devagar e errado, um som que dava arrepios na pele porque parecia que algo fundamental tinha sido violado. O eco ressoou nas paredes de pedra, permanecendo um pouco além do que deveria.
Metal se partiu com um rangido agudo, elos cortados com tanta precisão que pareciam rasgados da própria realidade. As correntes se soltaram de uma vez, a tensão desaparecendo instantaneamente, e com ela, o único sustento que mantinha a estrutura de pé.
A cadeira tombou para trás.
A madeira bateu no piso com um estrondo oco enquanto o velho caía, ainda parcialmente preso à cadeira, os restos das correntes caindo inutilmente ao redor. Poeira levantou do chão, flutuando preguiçosamente pelo ar enquanto o eco se dispersava.
Silêncio.
Noel manteve sua postura por um instante a mais, a lâmina ainda estendida, escutando. Quando nada reagiu—nenhum surto de mana, nenhuma pressão retaliatória—ele finalmente abaixou a Presa do Renascido, a vibração suave da arma desaparecendo para um zumbido tranquilo.
Se o Segundo Pilar percebeu isso…
Então, a oportunidade de desfazê-lo já se fechou.
O velho tossiu violentamente, o corpo estremeceu enquanto respirava com dificuldade, como alguém reaprendendo a respirar. As mãos tremiam, os dedos fracos, como se ainda não estivessem convencidos de que estavam livres.
Ele não tentou se levantar.
Simplesmente ficou lá, com o peito arfando, olhos arregalados e sem foco, encarando as correntes quebradas espalhadas pelo chão.
Noel se aproximou com cuidado, comedido.
"Você está livre," ele disse simplesmente.
As palavras demoraram um momento para chegar ao homem. E quando chegaram, algo na expressão dele se quebrou. Disfarce, frágil e intenso, como vidro sob tensão.
Noel olhou uma última vez para as correntes.
Grossas. Densas. Gravadas com padrões feitos para resistir ao tempo, não ao combate.
E agora, inúteis.
A Presa do Renascido descansava ao seu lado.
O farol permanecia inalterado—paredes de pedra, janelas estreitas, o rangido sutil da altura—mas algo fundamental tinha mudado. Pela primeira vez, não havia mais figura presa ao seu coração.