O Extra é um Gênio!?

Capítulo 490

O Extra é um Gênio!?

"Vou adiante," disse Noel.

As sombras aos seus pés se dobraram para dentro, engolindo seu contorno num piscar de olhos enquanto ele murmurava: "Passo das Sombras." Num instante ele estava ali, no outro havia desaparecido, deixando apenas um tênue ondular na escuridão onde estivera.

Logo atrás, Noir desacelerou e voltou-se para os outros. Sem palavra, assumiu a liderança, com o focinho baixo, as orelhas alertas, guiando Elyra, Elena e Laziel pelo terreno irregular para que não se perdessem. Noel tinha o dispositivo. Isso a tornava a bússola agora.

Em outro lugar, uma sombra se moveu.

Noel surgiu atrás de duas figuras familiares, saindo do escuro projetado por uma parede derrubada de forma tão natural quanto respirar. Selene e Clara estavam a poucos metros de distância, com as costas quase viradas, atenção fixa na rua à frente.

Um calafrio agudo rasgou o ar.

Noel se desvia rapidamente enquanto um projétil de gelo passa rente à sua cabeça, estilhaçando-se contra a pedra com um estrondo violento. Logo atrás, outro, depois um terceiro, forçando-o a se mover novamente enquanto geada se espalhava pelo chão ao redor de seus pés.

O instinto tomou conta.

"Passo das Sombras."

Sua forma se dissolveu justamente quando um fragmento atravessou o espaço onde estivera. Ele reapareceu a alguns passos de distância, semi-agachado, sombras se formando novamente enquanto mais gelo se acumulava nas mãos de Selene, sua expressão tensa e focada.

Então ela hesitou.

A assinatura de mana. A forma como as sombras se moviam.

Seus olhos se arregalaram um pouco.

"…Noel?" ela chamou, a incerteza cortando a firmeza na voz.

Noel saiu das trevas novamente, desta vez lentamente, com as mãos visíveis, postura relaxada apesar do gelo persistente no ar. "Sim," ele disse. "Sou eu."

O gelo na mão de Selene se dissipou instantaneamente. Ela exalou fundo, os ombros afrouxando enquanto a tensão se esvaía da sua postura. "Desculpe," ela falou rapidamente. "Você apareceu do nada. Senti sua presença e achei que fosse outro deles."

Clara agora virou-se completamente, um alívio atravessando seu rosto antes que a preocupação tomasse seu lugar. "Você nos assustou," admitiu, franzindo a testa. "Como você chegou aqui?"

"Passo das Sombras," respondeu Noel simplesmente. "Vim de outra ilha. Os outros estão a caminho."

Selene deu um risinho triste com a cabeça, soltando um suspiro de alívio. "Graças a Deus…"

Noel continuou antes que o momento pudesse se prolongar demais. "O plano é nos reunir todos. Mas essas ilhas não são só obstáculos. Aqui têm coisas ligadas diretamente ao Segundo Pilar. Já lidamos com uma delas. Quanto mais eliminarmos, melhor nossa chance depois."

Selene assentiu lentamente, a expressão se tornando mais séria ao absorver a informação. "Então devemos ficar aqui esperando os outros," ela disse. "Juntos."

Normalmente, Noel teria concordado.

Ao invés disso, seu olhar passou por eles, direcionando-se para a rua além, sombras se ajustando sutilmente ao redor de seus pés. "Era essa a ideia," ele falou. "Mas eu vim adiante intencionalmente."

As duas meninas ficaram tensas.

"Tem gente se aproximando de vocês," continuou Noel, agora com a voz mais baixa. "Nativos da ilha. Estão perto. Perto o suficiente que esperar em silêncio não é uma opção."

O alívio do reencontro esfriou, dando espaço a algo mais pesado.

"Então, pouco tempo temos," disse Selene, já mudando de postura.

Noel assentiu uma vez. "Exatamente."

O som chegou antes das figuras aparecerem.

Arranhar de metal contra pedra. Um ritmo surdo, irregular, ecoando pela rua estreita, aumentando de volume a cada passo. Os olhos de Selene se arregalaram ao perceber a origem, seu corpo tenso enquanto duas silhuetas emergiam entre os edifícios destruídos.

Um garoto e uma garota.

Ambos jovens. Ambos se movendo de forma rígida, como se fossem puxados por cordas invisíveis. Correntes grossas envolviam seus torsos e membros, gravadas com a mesma mana opressora que Noel sentira na outra ilha. Os elos pulsavam levemente, se apertando a cada passo, guiando-os apesar de resistências.

A respiração de Clara ficou presa. "Eles—"

"Apoderados," Noel completou calmamente.

Sua expressão endureceu.

"Não são inimigos," disse imediatamente, dando meio passo à frente. "Estão sendo controlados pelo Segundo Pilar. Nada disso é escolha deles."

O braço do menino se levantou de forma desconfortável, os dedos se curvando enquanto mana se acumulava. Os olhos da garota estavam sem foco, vazios, como se ela estivesse assistindo ao mundo através da visão de outra pessoa.

"Sem matar," acrescentou Noel, agora mais convincente. "Vamos derrubá-los sem acabar com eles. Assim que estiverem livres, eu corto as correntes."

Selene olhou para ele, surpresa. "Você consegue fazer isso?"

Noel piscou uma vez, genuinamente surpreso. "Sim. Você consegue?"

Selene franziu a testa. "Nunca tentei. Essas correntes não parecem normais."

"Eu imaginei," disse Noel. "Você tem uma magia genial. Pensei—" Ele sacudiu a cabeça uma vez. "Não importa. Vou cuidar disso."

Mais um passo à frente, e o ar mudou.

Um pedaço de terra se desprendeu da rua e voou em direção a eles.

O projétil cortou o ar com um grito, obrigando Selene a reagir instantaneamente, geada se formando ao redor de sua mão enquanto ela desviava o golpe. O impacto estilhaçou pedra contra uma parede, poeira e detritos explodindo para fora.

"Tanto faz ir devagar," murmurou Noel.

Ele olhou para ambas, a voz firme apesar do caos que começava a se desenrolar. "Lembre-se. Fora de combate. Nada letal."

Selene assentiu, gelo já se formando ao longo de seus dedos. Clara entrou em posição ao lado dela, mana se agitando enquanto se preparava para apoiar.

As correntes tilintaram mais alto conforme as duas figuras controladas avançavam, energia se acumulando ao redor delas.

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