
Capítulo 456
O Extra é um Gênio!?
Noel afastou o último cadáver convulsionante de um Caçador Obsidiano, exalando lentamente enquanto suas escamas negras perdiam o brilho, tornando-se cinzas. Vapor subia do chão, misturando-se ao leve estalo de raios que ainda desaparecia no ar. A Mandíbula do Revenant pingava sangue derretido, ainda vibrando levemente com o impacto de seu último golpe.
Acima dele, Noir, em sua forma gigante, trotava sobre os destroços do campo de batalha—pedregulhos quebrados, terra queimada, espinhos congelados emergindo das paredes como dentes irregulares.
Ela abaixou sua cabeça enorme, os olhos dourados estreitando-se.
'Pai… já estamos aqui há horas.'
Noel mexeu o ombro, sentindo a dor se instalar. "Eu sei."
'Sério mesmo,' insistiu Noir, com a voz mais suave mas firme. 'Horas. Muitas horas. Você matou pelo menos vinte monstros Ascendente e quem sabe quantos Adepts. Seu núcleo já está em cerca de 84%. Você já fez o suficiente.'
Ele limpou a lâmina na pelagem de uma besta caída, depois a encaixou com um clique suave.
"Ainda dá pra fazer um pouco mais."
A cauda de Noir bateu no chão com força—como um aviso em forma de chicote.
'Pai. Lembra o que acontece quando você "empurra um pouco mais".
Você exagera. Desmaia. E aí tenho que arrastar seu corpo meio morto de volta à academia enquanto todo mundo me olha como se fosse a irresponsável.'
Noel deu uma risada involuntária. "Você reclama, mas sempre acaba me carregando."
'Eu faço isso,' admitiu Noir, empinando o tórax enorme com orgulho. 'Porque você é meu pai. Mas isso não quer dizer que eu queira fazer hoje.'
Ele respirou lentamente, sentindo a pressão no núcleo—cheio, mas não transbordando. Os monstros por aqui eram um ótimo treinamento, mas Noir tinha razão.
"Você acha que já estou exagerando?"
'Ah, com certeza,' ela respondeu sem hesitar. 'Seu manto está escurecendo. A Mandíbula do Revenant está vibrando como uma dor de cabeça. E você, humano bobo, está fingindo que seus braços não doem.'
"…Eles não."
'Mentiroso.' Ela encostou suavemente a cabeça enorme no ombro dele. 'Você se saiu muito bem hoje. Está crescendo mais rápido do que alguém da sua idade deveria. Mas não adianta se você não puder caminhar amanhã.'
Noel ficou em silêncio por um momento, olhando para a escuridão do sistema de cavernas. A adrenalina de lutar contra monstros mais fortes sempre o puxava—mas a voz de Noir… o acalmava.
"Tudo bem," concordou por fim. "Vamos voltar em breve."
Nosso rabo se encheu de contentamento, balançando com força.
'Ótimo. Porque se você dissesse "mais um monstro", eu mordia seu manto e arrastava você pra fora eu mesma.'
Ele riu, batendo na pata gigante dela.
"Tudo bem, tudo bem. Vamos terminar o reconhecimento e sair."
'Combinado,' disse Noir. 'Mas depois disso—você vai descansar. Ou eu conto pras meninas que você exagerou de novo.'
Noel congelou.
"…Você não faria."
Seu sorriso era assustadoramente convencido.
'Pode testar.'
Noel respirou fundo, dando um passo à frente, o boto cruncheando sobre o gelo cristalizado de um dos feitiços antigos. A caverna à frente se abriu numa câmara conectada—menor que as anteriores, mas carregada de mana.
Noir diminuiu seu tamanho em um redemoinho de sombra e saltou para o ombro dele.
'Tudo bem, pai. Última varredura. Sem desvios. Sem "só mais um".'
Ele fez um sorriso de lado. "Vamos ver."
'Não. Vamos embora. Ainda mais tarde.'
Mas ao contornar a curva, a última onda de monstros surgiu como se fosse convocada pela teimosia de Noel.
Três Ravagers Costas de Ferro (Ascendente—Comum).
Um Puma de Escama de Gelo (Ascendente—Raro).
E atrás deles—
Um Bruto de Mandíbula de Pedra (Ascendente—Elite).
Noir suspirou dramaticamente. '…Pai.'
"Não foi minha culpa," respondeu Noel, desembainhando a Mandíbula do Revenant. "Eles vieram até mim."
Ele levantou a mão.
"Glacialis."
Uma lança de gelo concentrado disparou à frente, penetrando a garganta do Ravager à frente. Caiu instantaneamente.
As outras duas rugiram e avançaram.
Noel estalou os dedos.
"Gatilho de Chamas."
Um sigilo explodiu sob os pés deles—
FWOOOOSH—
Um pilar de fogo subiu, envolvendo-os. Seus escudos blindados trincaram sob o calor repentino.
Antes mesmo de caírem, Noel se moveu.
Ele avançou—
Corte.
Giro.
Estocada.
A Mandíbula do Revenant cortou através deles como metal amolecido.
Três janelas piscando.
[Você matou Ravager Costas de Ferro (Ascendente—Comum). Recebeu 0,02% de Progresso do Núcleo.]
[Você matou Ravager Costas de Ferro (Ascendente—Comum). Recebeu 0,02% de Progresso do Núcleo.]
[Você matou Ravager Costas de Ferro (Ascendente—Comum). Recebeu 0,02% de Progresso do Núcleo.]
[Progresso Atual do Núcleo: 84,29% — Núcleo de Mana: Ascendente]
O Puma de Escama de Gelo avançou silenciosamente, garras estendidas, mana congelando o ar—
"Cadeia de Relâmpagos."
Raios saíram da mão de Noel, atingindo o Puma no peito. O relâmpago se dividiu em três arcos menores no ar—
CRACK–CRACK–CRACK—
A criatura convulsionou violentamente e caiu.
[Você matou Frostscale Puma (Ascendente—Raro). Recebeu 0,05% de Progresso do Núcleo.]
[Progresso Atual do Núcleo: 84,34% — Núcleo de Mana: Ascendente]
Restava apenas o Bruto de Mandíbula de Pedra.
Ele pisou forte no chão, enviando ondas de choque que reverberaram pela caverna.
Noir, descansando levemente no ombro de Noel, alertou:
'Pai… hora do manto. Está hostil.'
Noel assentiu, deixando a Véu do Sentinela Silencioso pulsar. A intenção de matar do Bruto o invadiu—e depois passou sem causar dano, enquanto o manto suavizava seu instinto de ataque.
"Muito lento."
Ele avançou em um pulo.
"Agulha de Tensão."
Um estalo azul—
Ele perfurou a órbita do olho do Bruto com precisão.
A fera recuou cambaleando, uivando—
Noel murmurou o feitiço final.
"Espinho de Gelo."
Um bosque de gelo cortante surgiu sob o Bruto, levantando e espetando em uma única explosão violenta.
Ele parou no meio do grito, congelado.
Pouco mais que um comando de morte.
[Você matou Bruto de Mandíbula de Pedra (Ascendente—Elite). Recebeu 0,10% de Progresso do Núcleo.]
[Progresso Atual do Núcleo: 84,44% — Núcleo de Mana: Ascendente]
O silêncio tomou conta.
Na cauda de Noir, a ponta da sua cauda balançou lentamente.
'Tudo bem, pai. Agora a gente sai.'
Noel respirou fundo. "Sim… agora a gente sai."
Ele encaixou a Mandíbula do Revenant.
Treinamento concluído.
O longo túnel de pedra que levava de volta à superfície tinha um leve zumbido de mana residual, iluminado por runas embutidas que pulsavam em intervalos regulares. Noel caminhava com passos calmos e firmes, o manto balançando suave atrás dele. Noir, pousada no ombro, arrumava a pata como se nada tivesse acontecido, como se não tivessem acabado de massacrar metade do calabouço.
Quando a curva final se abriu na checkpoint protegida, Noel já ouvia vozes—baixas, cansadas, irritadas.
Três caçadores sentados na parede, claramente recuperando-se após uma expedição difícil. Uma mistura de humanos e um elfo, todos no nível Ascendente, pela aura que ainda brilhava ao redor deles. As armaduras estavam riscadas, amassadas… queimada.
No momento em que viram Noel se aproximar, a conversa parou.
Um deles—um humano corpulento, usando um colar de chifre cortado—franziu o olhar.
“…Rapaz? Você foi sozinho?”
Outro, um elfo de cabelo cor de cinzas, virou a cabeça, intrigado. "Espere. Você foi quem passou por nós mais cedo, certo? Sozinho?"
Noel levantou a mão em sinal de cumprimento. "Sim. Acabei de terminar uma missão."
A última caçadora, uma mulher com um arco maior que ela, franziu a testa, incrédula.
"Acabou? Você ficou lá embaixo por horas. Sozinho?"
Seus olhos caíram sobre Revenant Fang… depois nas marcas de queimada, na poeira nos seus botas, e na mana que ainda persistia na capa.
“…Qual é o seu nível?"
Noel deu de ombros casualmente. "Ascendente."
Os três caçadores o encararam, boquiabertos.
"Isso não—"
"—Você está calmo demais—"
"—Nem sequer suou—?"
Noir deu uma bocejada bem alta no ombro dele.
'Pai sopra bastante. Ele é só teimoso mesmo.'
Noel ignorou.
O homem de chifres apontou na direção dos túneis mais fundos.
"Olha, não quero julgar, mas voltamos cedo. Tem um Behemoth Elite Ascendente lá dentro. Gigante. Bem grande. Quase não sobrevivemos à sua ronda."
Noel assentiu com educação. "É, a gente matou."
Silêncio absoluto.
O elfo piscou lentamente. "…Desculpa, o quê?"
"Matamos," repetiu Noel, como se estivesse falando do clima.
A caçadora inclinou-se para frente, olhos arregalados. "Como? Aquilo ficou lá semanas! Nem as equipes mais experientes tentam encarar!"
Ele simplesmente tocou na empunhadura de Revenant Fang.
"Boa arma. Boa parceira."
Noir empinou o peito com orgulho. 'Resposta correta.'
Os caçadores trocaram olhares—meio de admiração, meio confusão, e uma sensação de crise existencial leve.
"Isso é insanidade…"
"Não é possível que você seja só Ascendente…"
"De onde você aprendeu a lutar assim?"
Noel levantou um ombro. "De vários lugares."
Por fim, o elfo se levantou, oferecendo uma reverência respeitosa.
"…Quem quer que você seja, garoto… você é uma fera."
Noel riu. "Já me chamaram de piores."
O guardião mais velho na porta ouviu e deu um passo à frente, balançando a cabeça enquanto abria a saída.
"Deixa o menino passar. E nem pergunte demais."
Noel passou por eles com Noir confiantemente no ombro.
Nos seus passos, sussurros de espanto se espalharam—como vento assustado.
“…Ele derrotou um Elite sozinho—"
“—Será que ele é até humano?—"
“—Que técnica foi essa—?”
Noir, exibindo a cauda com orgulho.
'Pai, eles têm medo de você.'
"Eles têm que ver o quão incrível eu sou," murmurou Noel.
E assim, ele entrou na luz do sol de Valon—pronto para voltar para casa.
Até chegar às ruas exteriores de Valon, o céu já começava a escurecer.
O sol despedia-se atrás das torres ocidentais, tingindo as cúpulas do castelo de dourado e violeta. Os lampiões acendiam-se um a um enquanto comerciantes desmontavam suas barracas e os cidadãos corriam para casa.
Noir esticou-se preguiçosamente no ombro dele, a cauda tocando sua bochecha.
'Pai… não está cansado?'
Noel sacudiu os ombros, os músculos doendo, mas funcionando.
"Já estivemos piores," disse. "E provavelmente ficaremos pior de novo em breve."
As orelhas de Noir se mexeram. 'Quer dizer, as Ilhas Setentrionais.'
"É, exatamente."
Enquanto cruzavam a avenida principal, Noel sentiu olhos nele—not out of recognition, thanks to the cloak, but because he was covered in dried monster blood and dust. As pessoas o observavam à distância, supondo que viera de uma caçada de alto nível.
Noel não se incomodou em esconder. Estava fedendo.
Passaram pelo portão interno de Valon, com os guardas cumprimentando de forma automática antes de fazerem uma segunda olhada ao perceberem o estado de Noel.
Mas ninguém questionou—estudantes de Classe S costumam voltar de lugares estranhos muito pior.
As paredes de pedra branca da academia subiam à frente, o brasão brilhando levemente sob a luz das tochas.
No pátio interno, a brisa noturna carregava o aroma de pinho e grama recém-cortada. Estudantes caminhavam em grupos rumo aos refeitórios, rindo ou discutindo tarefas. Ninguém prestou atenção na figura encapuzada e ensanguentada que se infiltrava pelo caminho lateral.
Noir farejou o ar e fez careta. 'Pai… você cheira como se tivesse caído em bastante #poop#.'
"Matamos tudo que vimos, e não caí em #poop#, sabia."
'Isso não resolve o cheiro.'
Noel suspirou e subiu as escadas até o alojamento da Classe S. Os corredores estavam silenciosos nesta hora—a maioria dos estudantes estava no jantar ou ainda treinando.
Ele destrancou a porta, entrou—
—e de imediato fez careta.
"É… preciso tomar banho."
Sua capa estava encrustada. Os sapatos pareciam ter andado por um pântano de tripas de monstros. Revenant Fang vibrava irritadamente, como se estivesse ofendido com a sujeira. Até Noir pulou do ombro dele ao entrarem.
'Te amo, pai, mas não vou sentar do seu lado até você consertar… isso.'
Noel balançou os olhos e foi direto para o banheiro.
Precisa de água quente e sabão. Muita, muita coisa.