
Capítulo 457
O Extra é um Gênio!?
Ainda havia vapor grudado nos cabelos de Noel quando ele saiu do banheiro, enxugando a nuca com uma toalha. Finalmente limpo. Ele tinha insistido em lavar duas, talvez três vezes. Noir havia se recusado a se aproximar dele até ter certeza de que ele não cheirasse mais a "caldo de monstro".
Ele empurrou a porta do quarto lentamente e parou congelado.
As luzes estavam baixas. Um suave aroma de lavanda preenchia o ambiente. Sua cama estava ocupada.
Selene sentava-se tranquilamente, com as pernas cruzadas, uma pequena livrinha de bolso repousando sobre o colo. Ela vestia a jaqueta do uniforme da academia de forma casual sobre os ombros, com os óculos repousando no nariz—aqueles que ela só usava ao ler sozinha.
Ela levantou os olhos imediatamente ao perceber sua entrada.
Sua expressão não mudou drasticamente.
Mas seus olhos suavizaram.
E uma pequena sorriso surgiu.
"Bem-vindo de volta", ela disse em voz baixa. "Você demorou mais do que o normal."
Noel piscou. "…Selene?"
Noir passou correndo por ele, pulando na cama com um bater de asas orgulhoso. Selene automaticamente acariciou sua cabeça, Noir se derretendo ao toque como um gato muito mimado.
Noel apoiou-se na moldura da porta, ainda segurando a toalha.
"Não esperava ninguém."
Selene fechou o livro com um gesto de um dedo, marcando a página.
"Sei. Por isso vim agora. Antes dos outros."
Seu olhar percorreu-o—cabelos molhados, toalha, roupas novas, um leve desgaste nos olhos.
"Você treinou bastante hoje", ela murmurou. "Percebi assim que entrei."
Noel coçou a nuca. "Achei que estivesse disfarçando o cheiro."
"Você conseguiu", respondeu ela, tirando delicadamente os óculos. "Algumas de suas roupas não."
Ela colocou os óculos ao lado e tocou suavemente na cama.
"…Vem cá."
Noel hesitou por um momento antes de caminhar em direção à cama. Selene se moveu um pouco, criando um espaço ao lado dela—não muito, apenas o suficiente para ele se sentar. Assim que ele o fez, Noir se enrolou confortavelmente contra sua coxa, ronronando como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Selene virou-se para Noel, com uma expressão indecifrável, mas gentil.
Sem perguntar, ela estendeu a mão e pegou seu pulso.
Seus dedos eram frios—sempre um pouco mais gelados que o calor humano, efeito colateral de sua afinidade com o gelo—mas seu toque era firme, preciso, quase clínico.
"Você sempre diz que está bem", ela murmurou, rodando levemente seu pulso para verificar tensões. "Então vou conferir por mim mesma."
Noel levantou uma sobrancelha. "Tá checando se quebrei alguma coisa de novo?"
Selene não olhou para cima. "Seria consistente com seus hábitos."
Noel soltou um suspiro. "…Justo."
Suas mãos deslizaram pelo antebraço dele, sentindo o músculo, parando nos pontos onde a tensão permanecia. Depois passaram para o ombro, pressionando levemente com o polegar. Ele respirou fundo—ela já tinha detectado um ponto rígido imediatamente.
Os olhos de Selene levantaram-se, estudando a reação dele.
"Hum. Sobrecarregado", ela avaliou suavemente. "Sabia que era isso."
"Você diz como se isso não fosse normal pra mim."
"Não deveria ser normal pra ninguém", ela retrucou, com o tom firme, mas ainda sereno.
Ela levantou a mão, e uma tênue luz azul se formou em suas pontas de dedo—Frost Diagnostics, uma magia de suporte que aprendeu ao alcançar o nível de Archimago e raramente usava, exceto por quem ela se importava.
Uma brisa de mana fria passou sobre a pele de Noel, inspecionando se havia inchaços, microfissuras ou ferimentos ocultos. As sobrancelhas de Selene relaxaram um pouco.
"…Nada grave", ela concluiu. "Só fadiga muscular, estresse de mana e…"
Seus olhos ficaram ainda mais suaves. "
…você está exausto, Noel."
Ele não negou.
Pelo contrário, inclinou-se um pouco, deixando o feitiço terminar a varredura.
A mão de Selene permaneceu por um momento a mais do que o necessário sobre seu ombro.
Depois ela sussurrou—
"Não nos assuste assim de novo."
Noel piscou. "Assustar vocês?"
O olhar dela encontrou o dele—calmo, firme, sincero.
"Sim."
Os dedos de Selene deslizaram para longe do ombro, mas sua proximidade não diminuiu.
Seu olhar passou por ele—para a pequena nota dobrada na escrivaninha.
"…Você deixou aquilo", ela disse em voz baixa.
Noel seguiu o olhar dela. A carta que havia escrito naquela manhã. Uma mensagem simples.
Mas, aparentemente, tinha preocupado elas.
Selene continuou, com voz suave, porém firme:
"Quando a vimos, Elena achou que você tinha saído para outra missão sozinho. Elyra e Charlotte pensaram que estava escondendo algo perigoso de novo." Ela respirou fundo. "E eu… achei que você poderia desaparecer como costumava, lidando com tudo sozinho."
Noel fez uma careta levemente desconfortável. "…Certo. Acho que ganhei essa reputação."
Ela não negou.
Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
"Selene… Não tenho intenção de abandonar vocês. Não agora, nunca."
Seu tom era firme, sincero. "Você sabe que não quero que se arrisquem, mas… se acontecer algo, vocês vão correr para encarar. Todas vocês. Então, o mínimo que posso fazer é deixá-las ficar ao meu lado."
As pálpebras de Selene desceram, e sua expressão suavizou—quase derreteu.
"…Bom", ela sussurrou. "Porque não vamos mais deixar você enfrentar as coisas sozinho."
Noel assentiu, e acrescentou:
"E sobre o que vem pela frente… acho que precisaremos deixar Valon em breve."
A postura de Selene se endireitou, alerta.
"Para onde?"
"Para as Ilhas do Norte", disse Noel. "A lasca que encontramos na Capital Santa veio de lá. E é lá que a Segunda Pilar está escondida."
Um calafrio—não causado pela magia dela—pareceu percorrer a sala.
Selene assimilou as palavras silenciosamente, processando.
"Então é pra lá que vamos agora."
"Sim", confirmou Noel. "É inevitável."
Um leve brilho de determinação acendeu em seus olhos azulados.
"Então estaremos prontos."
O foco de determinação nos olhos de Selene permaneceu por um instante—
depois suavizou, transformando-se em algo mais quente.
Ela exalou lentamente, deixando a tensão desaparecer de seus ombros.
"…Chega de falar em Pilar e lascas", ela murmurou, com a voz mais suave. "Você acabou de chegar."
Noel piscou. "Você foi quem perguntou."
"E agora, terminei de perguntar."
Ela se aproximou, reduzindo a distância entre eles na cama.
"Pra essa noite… não quero falar de perigo, missões ou do mundo."
Seus dedos tocaram levemente os dele, com uma brisa fria e delicada.
"Só quero que você se concentre em estar aqui."
Noel sentiu seu pulso acelerar. Selene raramente tomava a dianteira assim, mas quando o fazia, seu impacto era mais forte que qualquer feitiço.
"…É mesmo?" ele falou suavemente.
Selene assentiu, os olhos brevemente direcionados ao cabelo ainda molhado, e depois de volta ao rosto dele.
"Você treinou até a exaustão." Um leve rubor passou pelo rosto dela novamente. "E depois voltou assim…."
Noel levantou uma sobrancelha. "Como o quê?"
Ela engoliu em seco. "
…Como alguém que eu senti falta."
O ambiente parecia encolher ao redor deles—uma luz acolhedora, lençóis suaves, o silêncio tranquilo da noite lá fora.
Selene se inclinou um pouco, com a voz quase um sussurro.
"Hoje, nenhuma missão." Sua mão deslizou para a parte de trás do pescoço dele, suave, mas firme. "Fica comigo."
Noel respirou fundo—lento, controlado, mas claramente abalado.
Selene sempre foi composta, fria, analítica…
Mas agora?
Ela não era a prodígio da magia de gelo.
Ela era apenas uma garota que tinha esperado por ele chegar em casa.
Ele levantou a mão, afastando um fio de cabelo azul de sua face.
Os olhos de Selene se fecharam meio que involuntariamente ao toque, seu hálito preso.
"…Selene", ele murmurou.
Ela não deixou que ele terminasse.
Seus dedos se fecharam na gola da camisa dele, puxando-o lentamente para um beijo—primeiro suave, incerto, como se testasse se ele iria se afastar.
Ele não se afastou.
O segundo beijo foi mais profundo, firme, derretendo, como geada que se desfaz ao sol.
Selene pressionou-se mais contra ele, sua pele fria aquecendo-se, enquanto a mão dela deslizou do pescoço para o peito, sentindo o batimento acelerado do coração dele.
Quando se separaram para respirar, ela encostou a testa na dele.
"Fui a última", ela sussurrou. Sua voz tremeu—não de medo, mas de alívio.
"A última que não tinha… cruzado essa linha com você. Elena, Elyra, até Charlotte—"
Ela parou, as bochechas ficando mais vermelhas. "…Não queria ficar para trás."
"Você não ficou", Noel disse suavemente. Pegou o rosto dela em suas mãos, guiando seu olhar para a dele. "Você nunca ficou."
Algo em seus olhos se soltou—semana de tensão se dissolvendo instantaneamente.
Ela se inclinou novamente, os lábios roçando seu maxilar. "Noel… deita comigo."
Ele fez isso.
O ambiente escureceu até ficar apenas com um brilho suave, sombras balançando lentamente pelas paredes. Selene se aproximou, deslizando sob os lençóis com uma graça controlada que vacilou apenas uma vez—quando a mão dela tremulou ligeiramente antes de tocá-lo novamente.
Noel segurou sua mão, entrelaçando os dedos.
"Tem certeza?" ele sussurrou.
A respiração de Selene tremeu ao tocar as pernas sob o lençol, seus dedos apertando os dele como quem se segura. "…Sim", ela sussurrou. "Quero isso. Com você."
Noel se moveu mais perto, o calor do corpo dele provocando um suspiro suave dela. Sua postura usual de calma se quebrou—ombros relaxando, olhos baixando lentamente, um leve tremor percorrendo-a enquanto ele acariciava sua bochecha com o polegar.
Ela se encaixou nele instintivamente.
A outra mão dele foi para a cintura dela, sentindo o movimento suave da respiração dela. Selene exalou de forma trêmula, quase um sussurro.
"Noel… não se segure hoje."
Ele a beijou novamente, saboreando a maneira como ela se derretia ao seu lado, como seus dedos se fechavam em sua cabeça, como todas as barreiras que ela carregava começavam a se dissolver em seus braços.
As folhas se moveram.
A magia fria dela, normalmente constante, se transformou em uma calorosa suavidade enquanto seu corpo se pressionava totalmente contra ele.
Pela primeira vez, Selene permitiu-se ser vulnerável, deixando Noel ser o único próximo o suficiente para ver isso.