O Extra é um Gênio!?

Capítulo 458

O Extra é um Gênio!?

A luz do sol escapava pelas cortinas finas, colorindo de dourado suave os lençóis.

Noel foi o primeiro a acordar.

Selene estava enrolada levemente contra ele, respirando devagar e uniforme, com os cabelos tocando sua clavícula.

Por um instante, tudo parecia calmo — raro, silencioso, tranquilo.

Então—

PING.

Uma janela de cor azul brilhante explodiu em cima do rosto dele.

[Nova Missão Desbloqueada!!!]

[Aviso: Esta aqui… é complicada.]

Noel fixou o olhar nela, expressão neutra.

"…Droga." Ele massageou o rosto. "De manhã? Sério?"

Selene se mexeu levemente com o barulho, os dedos apertando suavemente seu braço, mas não acordou.

A janela se expandiu.

[Missão: Desmascarar o Segundo Pilar]

[Caramba, Noel… vai ser divertido.]

[Objetivo Principal: Viajar até as Ilhas do Norte, investigar a Rede de Cristais, descobrir quem é o Segundo Pilar e evitar uma tragédia em escala continental.]

[Prazo: 120 Dias]

[Recompensa: ???]

Então—

Uma nova mensagem apareceu.

[Penalidade: Um Continente Vai Cair.]

Noel sentou-se de repente, fazendo Selene se mexer na cama.

"…O quê."

Ele já tinha completado dezenas de missões. Difíceis. Perigosas. Mas nunca — jamais — o sistema tinha mostrado uma penalidade.

E essa…

Essa ameaçava um continente inteiro.

'Noctis… que diabos você acabou de mandar pra mim?'

O texto brilhante pulsava inocente.

[Boa sorte! ♥]

Noel olhou praquilo, horrorizado.

'Será que agora não é a hora de umas letrinhas fofas?!'

No pé da cama, Noir — ainda em sua minúscula forma encolhida — levantou a cabeça sonolenta.

'Pai… por que essa cara?'

Noel exalou lentamente, massageando as têmporas.

"Parece que temos nossa missão," ele comentou baixinho.

A voz dele era calma, mas carregada. Não era uma tarefa qualquer. Era o tipo de missão que podia reescrever a história.

Selene se mexeu, com o olhar meio entreaberto, murmurando:

"Noel…?"

Ele a olhou, depois voltou a atenção para a janela luminosa e implacável.

"…Estamos encrencados."

Selene terminou de despertar, com o cabelo azul-pálido bagunçado na almofada. Os olhos — ainda suaves do sono — focaram no rosto de Noel.

"…Por que estamos encrencados, Noel?"

Mas no instante em que ela viu sua expressão, sua respiração mudou.

"Espere." Ela se sentou lentamente, as folhas escorregando de volta ao redor da cintura. "Você já recebeu a missão…?"

Noel assentiu, exalando baixinho.

Voz baixa e firme de Selene: "O que está escrito?"

Ele passou a mão pelo rosto.

"Lembra do cristal que eu te falei? Aquilo da Capital Santa?" Selene assentiu. "Pois é… realmente temos que ir às Ilhas do Norte. Bem como suspeitávamos."*

Selene absorveu a notícia imediatamente. "E a penalidade?" ela perguntou.

Noel hesitou.

"…Perda de um continente inteiro."

Selene ficou imóvel.

Sem suspiro ou respiração rápida. Apenas… silencio absoluto — o tipo que mostrava que ela compreendia totalmente o peso dessas palavras.

Noel recostou-se um pouco, olhando para a janela da missão.

'Às vezes esqueço que reencarnei em um romance onde os vilões deveriam vencer… e que sou eu quem tem que consertar tudo.'

Ele fechou a janela.

"Precisamos reunir todo mundo," ele falou. "Charlotte, Elena, Elyra, Seraphina… Marcus e os outros também. Precisamos traçar um plano."

Selene assentiu devagar, a respiração controlada, com o rosto mais firme por determinação.

"Então contamos para eles hoje," ela decidiu.

"Sim," respondeu Noel. "Tudo vai mudar agora. Essa missão… não é igual às outras. É maior. Muito maior. Temos quatro meses para completar..."

Selene foi a primeira a levantar da cama, suavemente ajeitando o cabelo de volta ao lugar.

O rosto dela passou da suavidade matinal para uma expressão calma e composta, que ela costuma usar na presença de outros.

Noel se levantou, esticando-se uma última vez antes de vestir a camisa.

Selene o observou arrumar-se, lançando um rápido olhar antes de focar em fechar o uniforme.

"…Você ainda parece cansado," ela sussurrou.

"Vou sobreviver," Noel respondeu, colocando a jaqueta. "Coisas piores aconteceram."

Selene se aproximou, ajustando o colarinho da camisa com dedos precisos.

"Sem distrações hoje," ela falou suavemente. "Vamos fazer tudo certinho."

"Sim," concordou Noel. "Primeiro as garotas. Depois todo mundo."

Noir, no topo da mesa, pulou no ombro dele com a cauda abanando alegremente. 'Finalmente. Tava entediada. Vamos comer logo ou quê?'

Selene reprimiu um sorriso — quase uma expressão.

Eles saíram do quarto da Classe S, caminhando lado a lado pelo corredor iluminado. O sol da manhã refletia nas janelas altas, brilhando nos pisos polidos. Estudantes passavam, trocando cumprimentos silenciosos; muitos olhavam com um olhar diferente, percebendo algo diferente na atmosfera entre eles.

Os dois seguiram sincronizados pelo pátio até o refeitório.

Antes de entrarem, Selene respirou fundo, lentamente.

"Não vamos contar tudo… certo?" ela sussurrou. "Só o que importa para a missão."

"Claro," respondeu Noel. "Só o que eles precisam saber. Confiam no meu julgamento — mas não sabem a minha verdade. E assim vamos manter."

Selene concordou, a tensão suavizando um pouco.

"E Elena, Elyra, Charlotte, vocês… já sabem," Noel acrescentou baixinho. "Vocês quatro entendem o verdadeiro alcance. Mas para os outros… vamos passar a missão, o risco e o plano. Nada mais."

"Isso basta," ela afirmou. "E eles vão te seguir. Confiam em você, afinal, seu histórico mostra isso."

Noel exalou, aliviado. "Vamos torcer para isso. A penalidade já é complicada demais."

Noir, no ombro dele, abanou a cauda.

'Eles vão pirar, pai. Mas vão escutar.'

"…Consolador," Noel murmurou.

Finalmente, abriram as portas do refeitório.

Dentro, o sol atravessava as longas mesas. No canto afastado, seu grupo já se tinha reunido — Elena acenando assim que os viu, Elyra levantando uma sobrancelha de divertimento, Charlotte sorrindo gentilmente.

Mais adiante, estavam Marcus, Clara, Laziel, Garron com sua namorada e Roberto — sem perceber, conversando normalmente, confiando que a ausência matinal de Noel fosse só o jeito dele.

Noel e Selene atravessaram o refeitório, passando primeiro pela mesa das garotas.

Elyra sorriu de imediato. "Demoraram."

Elena se inclinou, com olhos brilhantes. "Tudo bem?"

Charlotte virou a cabeça, percebendo a tensão. "Noel?"

Ele acenou com a cabeça pequena. "Vou explicar daqui a pouco. Deixa eu falar com os meninos primeiro."

Selene se colocou ao lado delas, falando baixo. "É sério. Eu explico enquanto ele conversa com os meninos."

As três garotas trocaram olhares — preocupação, compreensão, prontidão silenciosa.

Noel seguiu em direção à mesa mais distante.

Marcus olhou para ele assim que Noel se aproximou. "Oi—bom dia, Noel! Como foi o treinamento?"

Antes que Noel pudesse responder, Roberto sorriu, apoiando o cotovelo na mesa. "Ou foi uma noite agitada?"

Normalmente, Noel teria rido da piada. Mas, desta vez, sua expressão não mudou.

"Aconteceu algo," ele disse simplesmente. "E preciso da ajuda de vocês."

Marcus piscou — então sorriu lentamente. "Então, finalmente, vão nos contar alguma coisa."

"…O quê?" Noel franziu a testa.

Marcus levantou-se, se alongando. "Você sempre guarda tudo. Quando saiu quase um mês com a Charlotte sem nos contar nada? É, a gente lembra. Nos importamos, Noel. Somos seus amigos. Pode confiar na gente."

Clara também se levantou, concordando firmemente. Laziel e Garron seguiram, com a namorada de Garron ao lado, apoiando silenciosamente.

"Estamos felizes por você finalmente abrir o jogo," disse Marcus.

A surpresa de Noel passou por seu rosto — só um momento, mas sincero.

"…Sim," ele murmurou. "Vamos lá. Eu explico com o resto."

Roberto foi o último a se levantar, com as mãos nos bolsos, com um olhar mais sério agora.

"É perigoso?" ele perguntou.

Noel encarou. "Muito perigoso."

Noir, no ombro dele, virou a cabeça e olhou para Roberto como um gato de mau humor.

Ele estendeu a mão para ela. "Por quê? Por que você fica assim comigo? Vamos lá—"

'Não,' Noir reagiu firmemente. 'Não gosto do seu cheiro.'

Roberto parou de repente. "…Tá, rude."

Marcus bufou rindo.

Noel suspirou. "Vamos logo… sair daqui."

Chegaram à mesa das meninas, reunindo-se num círculo frouxo. Toda conversa morreu ao notarem a expressão séria de Noel.

Ele exalou uma vez.

"Exatamente o que você disse, Marcus… Saí por quase um mês. E na Capital Santa encontramos algo. Algo que não vimos durante o ataque."

O grupo se inclinou, atento.

"Encontramos um fragmento. Um cristal — chame do jeito que quiser. Mas não sabemos o que ele é. Noir sentiu algo errado com ele, e Noir não erra."

A pequena loba sombra ergueu o queixo com orgulho. 'Fatos.'

Noel prosseguiu: "Perguntamos por aí. Orthran nos falou que vem das Ilhas do Norte. Só isso já é suficiente pra dizer que é perigoso. E essa missão… não vai ser rápida. Precisaremos de tempo. E aliados."

Marcus franziu levemente a testa. "Então vocês vão ter que contar pro Daemar e a Seraphina."

"Sim," respondeu Noel. "Eles são o Diretor e a presidente do Conselho Estudantil — não é opcional avisá-los. E, convenhamos, se eles entenderem a situação, vão ajudar. Mas antes, quero que todos vocês saibam primeiro."

A mesa ficou em silêncio.

Então Marcus deu um passo à frente — do jeito que sempre faz quando alguém precisa de apoio.

"Vamos te apoiar," disse firmemente. "Você não vai passar por isso sozinho."

Clara concordou. "Obviamente. Você já nos salvou mais de uma vez."

Laziel sorriu de lado. "Se tem encrenca, faz sentido você estar no centro."

Garron bateu levemente com a mão no peito. "Só falar o que precisa."

Roberto deu de ombros, recuperando a expressão após o julgamento de Noir. "Tá, hora de festa, né?"

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