O Extra é um Gênio!?

Capítulo 460

O Extra é um Gênio!?

Seraphina já estava de pé quando Daemar entrou no escritório do conselho.

Documentos cobriam a mesa comprida—cronogramas, pedidos de financiamento, projeções para o fim do mandato. O trabalho de manter a Academia funcionando não parava, nem mesmo quando o mundo parecia tentar acabar com tudo.

Ela não se incomodou em se sentar.

"Então," ela disse com tom indiferente, cruzando os braços. "Qual regra Noel está quebrando desta vez?"

Daemar fechou a porta atrás de si com uma calma deliberada. "Nenhuma."

"Isso é novidade," respondeu Seraphina. "Porque ontem você mesmo lembrou que ele não podia desaparecer de novo. Eu tinha agendado três avaliações do conselho para ele esta semana."

Daemar cruzou o olhar com ela. "Ele não vai participar."

Silêncio.

Então—"Você está brincando."

"Não estou."

O semblante de Seraphina se quebrou o suficiente para mostrar irritação de verdade. "Diretor, com todo o respeito, não cabe a você tirar meu melhor trunfo do conselho sempre que for conveniente. Eu já tive que reorganizar metade do nosso fluxo de trabalho por causa da última ausência dele."

"Sei disso."

"E agora," ela continuou, a voz ficando mais firme, "ele está fazendo isso de novo?"

Daemar assentiu uma vez. "Sim."

Ela respirou fundo, virando-se de costas. "Inacreditável. Estamos a meses do planejamento de final de mandato. Delegações externas. Avaliações entre academias. E você me vem dizer que quem prometeu ajudar está desaparecendo?"

"Tem mais," disse Daemar tranquilamente.

Ela virou-se lentamente de volta. "Sempre tem."

"Elyra também vai sair."

Seraphina pisca. "...O quê?"

"Vice-presidente Elyra von Estermont. Selene. Elena. Laziel. Marcus."

A sala congelou.

Seraphina ficou olhando para ele, incredula. "Você está brincando de novo."

"Não estou."

Seus dedos cravaram na borda da mesa. "Quase toda a estrutura de apoio operacional do conselho!"

"E ainda assim," respondeu Daemar com frieza, "é necessário."

"Para quê?" ela retrucou, de repente, furiosa. "Outra emergência que Noel decidiu carregar sozinho?"

"Não," disse Daemar. "Para algo que não pode esperar."

Seraphina passou a mão pelos cabelos, a frustração transparecendo além do seu controle habitual. "Você tem alguma ideia de quanto trabalho isso vai nos deixar? O conselho já está no limite. E agora—"

Ela se interrompeu, respirando fundo.

"…Você está me dizendo que isso não é opcional."

A expressão de Daemar suavizou, um pouco. "Não é."

Seraphina fechou os olhos por um momento.

Quando os abriu novamente, a raiva ainda estava lá—mas sob ela, repousava algo mais pesado.

"Tudo bem," ela falou baixinho. "Mas eu vou falar com Noel antes dele ir."

Daemar assentiu. "Era o que eu esperava."

Ela não bateu a porta.

Isso por si só já dizia tudo.

Ela saiu do escritório do conselho e entrou no corredor da academia, os estalos das botas contra o mármore precisos e firmes. Sua postura estava ereta, controlada—mas a tensão que irradiava era impossível de esconder.

Os estudantes perceberam na hora.

Os calouros que conversavam perto das escadas pararam no meio da fala ao ver sua expressão. Os de segundo ano se endireitaram um pouco mais rápido. Até um grupo de terceiro anos, instintivamente, se deslocou para o lado, abdicando de passagem espontaneamente.

"Bom dia, Presidenta," alguém arriscou.

Seraphina não parou de caminhar. "Bom dia," respondeu de forma seca.

Suas ideias, no entanto, estavam longe de estar calmas.

'Inacreditável. Ele prometeu. De verdade, prometeu que iria ajudar desta vez.'

Ela virou uma esquina, o manto balançando atrás de si, a irritação fervendo logo abaixo da superfície.

'Noel Thorne. Sempre no centro de algo que "não pode esperar". E, de alguma forma, levando metade do conselho com ele.'

Dois estudantes deram uma corrida ao redor da esquina, rindo—até quase trombar com ela.

Seraphina parou abruptamente.

Eles também pararam.

"Isto não é uma pista de corrida," ela falou com tono cortante. "Nada de correr nos corredores."

"S–Desculpe, Presidenta!" responderam em uníssono.

"E," acrescentou, com os olhos levemente apertados, "nenhum feitiço nos corredores. Se eu sentir resíduo de mana de novo, vocês vão limpar o campo de treinamento por uma semana. Entenderam?"

"Sim, senhora!"

Eles sumiram na direção oposta.

Seraphina inspirou pelo nariz e retomou a caminhada, a tempera quase controlada.

'Elyra. Selene. Elena. Marcus. Laziel. Será que acham que o conselho se administra sozinho?'

Os sons familiares da cantina chegaram aos seus ouvidos— conversas baixas, talheres tilintando, o barulho da rotina matinal. Ela ajustou o passo, desacelerando um pouco ao se aproximar das portas.

Sua visão se firmou com determinação.

'Tudo bem, Noel. Se você vai desistir de novo... vai olhar na minha cara quando me explicar por quê.'

Ela empurrou as portas da cantina.

E examinou o salão.

Seraphina o reconheceu imediatamente.

Noel estava sozinho numa mesa de canto, com uma postura relaxada, uma xícara de café fumegando suavemente ao lado de um copo de suco de laranja. Sem pressa. Sem culpa. Sem sinal visível de que ele prestes a cancelar metade da agenda do Conselho de Estudantes.

'Inacreditável,' pensou ao se aproximar por trás. 'Ele realmente está sentado aqui.'

Ela desacelerou a alguns passos, já ensaiando o que iria dizer—cada frase afiada, perfeitamente justificada, na ponta da língua.

Então, Noel levantou o copo de suco de laranja.

Seraphina franziu o cenho.

Ele o inclinou—

e despejou calmamente uma parte do suco no café.

A alma dela recuou.

Um arrepio percorreu sua espinha, um sentimento de repulsa pura, instintiva.

Isto— isso é ilegal.

Noel mexeu uma vez na mistura, pensativo, depois deu um gole.

Seraphina ficou paralisada, horrorizada em silêncio.

'Eu gerencio orçamentos. Gerencio pessoas. Gerencio crises. Não estava preparada para gerenciar isso.'

Noel parou no meio do gole.

Nela, sentiu então—a pressão inconfundível de alguém encarando sua coluna com olhar penetrante.

Lentamente, virou-se.

Seus olhos se encontraram.

De imediato, um suor frio escorreu por seu pescoço.

"…Ah."

Seraphina estava atrás dele, os braços cruzados, expressão perfeitamente imperturbável. A calma daquele jeito indicava que alguém prestes a explodir estava a uns três segundos de fazê-lo.

Noel se levantou tão rápido que a cadeira arranhou alto o chão.

"De que maneira," perguntou com cuidado, "posso ajudar a Presidente do Conselho de Estudantes—"

Ele se endireitou e fez uma reverência, com precisão e educação.

"—e Princesa Imperial do Valor?"

O olhar de Seraphina desviou brevemente para o copo. A bebida mista. Depois voltou para ele.

"…Explique," ela pediu.

Noel piscou. "A bebida, ou—"

"Não me teste."

"…Certo. Não a bebida."

Ela deu um passo adiante, abaixando um pouco a voz para manter o assunto privado.

"Você me prometeu," ela falou baixinho, "que ajudaria neste semestre. E agora Daemar me diz que você vai embora de novo."

Noel a olhou nos olhos, calmo, mas sério.

"Sim."

Ela apertou a mandíbula. "E você não achou melhor me contar pessoalmente?"

"Eu ia," ele respondeu sinceramente. "Logo depois disso."

Seraphina olhou para a mesa. A comida intocada. O jeito como ele tinha esperado.

A irritação dela não desapareceu—mas mudou.

"…Então, fale," ela ordenou. "Agora."

Noel apontou para a cadeira vazia na frente dele.

"Por favor," ele disse calmamente. "Sente-se, Princesa—"

Os olhos de Seraphina se estreitaram instantaneamente.

"Não me chame assim," ela interrompeu. "Você nunca faz. É Seraphina. Deixe assim."

Noel assentiu discretamente. "Seraphina."

Ela se sentou—com postura rígida, braços ainda cruzados, o olhar fixo nele.

"Pois bem?" ela falou. "Comece a falar."

Noel não perdeu tempo.

"Elarith está em perigo," ele disse. "Quer o continente inteiro."

Isso a deixou imóvel.

"Descobrimos algo na Capital Sagrada. Um fragmento. É originário das Ilhas do Norte." Ele fixou o olhar nela com firmeza. "É lá que temos que ir."

Seraphina respirou fundo, as peças se encaixando em sua mente. "Então, é sério mesmo."

"Sim."

Ela abriu a boca para responder—

—mas Noel falou novamente, mais baixo, mais firme.

"E antes que você diga algo—desculpe por levar os outros comigo."

Seus olhos correram agudos para os dele.

"É necessário," continuou ele. "Eles já provaram várias vezes. Isso não é coisa que uma pessoa resolva sozinha."

Seraphina o estudou por um longo momento, procurando por hesitação.

Não encontrou nenhuma.

"…E eu?" ela perguntou finalmente.

Noel balançou a cabeça uma vez. "Você não pode vir."

Seu rosto ficou mais fechado.

"Não por achar que eu possa te impedir," ele acrescentou imediatamente. "Mas porque seu pai iria. E ele estaria certo."

Ele se inclinou um pouco à frente.

"A Princesa Imperial. A futura Rainha do Valor. Você não pode ser enviada para algo tão perigoso—sem destabilizar todo o continente se algo der errado."

Um silêncio se construiu entre eles.

Os dedos de Seraphina apertaram contra o braço.

Seraphina ouviu sem interromper, postura ereta, expressão controlada.

"Então," ela falou após um breve momento de silêncio, "você deixa a academia e o conselho comigo enquanto resolve o problema diretamente."

"Sim," respondeu Noel. "Você é a única em quem confio para fazer direito."

Ela o observou por um instante, olhos afiados pesando intenção em vez de emoção.

"…Isso é típico seu," ela disse finalmente. "Você pega a parte perigosa. Deixa a estabilidade para os outros."

Noel deu um sorriso pequeno e apologético. "Alguém tem que fazer."

Seraphina respirou fundo, controlada.

"Muito bem," ela disse. "Manterei o conselho funcionando. Cubrirei as ausências. E garantirei que nada desmorone enquanto todos vocês estiverem fora."

Depois acrescentou, com firmeza—mas sem entusiasmo:

"Mas não interprete isso como uma aprovação confortável. Entendo a necessidade. Isso é tudo."

Noel assentiu. "Era tudo o que eu esperava."

Ela se ergueu, já retornando ao seu papel habitual.

"E Noel," ela disse, parando pouco antes de virar as costas, "volte vivo com todos os outros. Não gosto de redesenhar a liderança no meio do semestre."

Ele esboçou um sorriso suave. "Farei o meu melhor."

Seraphina ajustou o sobretudo e já assumia completamente o controle de si mesma.

"Então, está combinado," ela falou. "Cuidarei do conselho. Você se concentra em não piorar ainda mais a situação."

Noel também se levantou. "Obrigada, Seraphina."

Ela lhe deu um breve aceno. "Não me agradeça. Faça o que sempre faz."

Ela virou-se para sair, mas pausou por meia segundo.

"E Noel."

Ele olhou para cima.

"Da próxima vez que planejar desaparecer por semanas," ela disse calmamente, "me informe antes que o Diretor."

Um sorriso tímido surgiu nos lábios dele. "Vou tentar."

"É tudo que peço."

Seraphina se afastou, passos calculados, já pensando dez movimentos à frente.

Noel a observou partir, então respirou fundo lentamente.

"Certo," ele murmurou. "Hora de me preparar."

Uma rachadura de sombra se moveu aos seus pés.

Noir saiu dela, pousando levemente sobre a mesa, na forma de sua pequena loba, a cauda abanando.

'Você sobreviveu, pai.'

Noel soltou uma risadinha silenciosa. "Por pouco. Não esperava que ela fosse me caçar tão rápido."

Noir inclinou a cabeça, divertida. 'Ela é eficiente. Gosto dela.'

Ele balançou a cabeça, fazendo uma carícia atrás das orelhas dela.

"Vamos nos mexer," disse. "Temos trabalho para fazer."

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