O Extra é um Gênio!?

Capítulo 461

O Extra é um Gênio!?

Dois dias se passaram — e, nesse tempo, Elyra Estermont transformou intenção em realidade.

Uma hora a oeste de Valon, além das muralhas da capital e das principais rotas comerciais, o porto oeste já fervilhava de movimento. Gruas rangiam sobre águas escuras, marinheiros gritavam ordens em ritmos treinados, e o ar cheirava a sal, alcatrão e combustível infundido com mana. Este porto não atendia ao comércio cotidiano — servia a partidas que realmente importavam.

Ancorada um pouco distante das embarcações comuns, estava uma embarcação que não precisava de bandeiras para anunciar sua origem. Casco reforçado. Revestimento arcano ao longo quilha. Runas sutis gravadas sob uma camada de tinta fresca, pulsando levemente com encantamentos estabilizadores.

Elyra permanecia no centro do cais, com clipboard na mão, completamente à vontade.

"Suprimentos estão garantidos", ela disse com naturalidade. "Comida para quatro meses, se bem racionada — três, se certas pessoas comerem como soldados que acham que logística é opcional. Água doce encantada contra apodrecimento. Kits médicos, estabilizadores de mana, balizas de teletransporte de emergência — de uso único, então não gastem à toa." Ela olhou para cima. "E sim, verifiquei três vezes."

Elena piscou. "Você... já pensou em tudo."

Elyra deu de ombros. "Pra isso que serve dinheiro."

Caixas eram carregadas sob os olhos atentos de uma tripulação contratada — marinheiros experientes de raças diversas, sem insígnias de academia, sem questionamentos. Seus contratos eram inflexíveis. Seus salários, excepcionais.

Não era uma missão de academia.

Selene observava silenciosa, com os braços cruzados, olhos atentos aos detalhes que a maioria deixaria passar. Garron puxava caixas com Laziel, resmungando, mas concentrado. Clara revisava a lista de suprimentos mais uma vez, só por segurança. Roberto encostado a uma pilastra, assobiando baixinho.

"Parece diferente", ele murmurou. "Como se estivéssemos deixando algo para trás."

Noel permanecia um pouco afastado, fixando o olhar na embarcação.

Ele não sorriu.

Noir, apoiado em seu ombro, com a cauda agitava-se. 'Não é como antes, pai.'

"Não," Noel falou suavemente. "Não é."

Sem instrutores. Sem redes de segurança disfarçadas de palestras. Sem garantias de que alguém iria substituir se as coisas dessem errado.

À frente, aguardavam as Ilhas do Norte.

Elyra fechou o clipboard com um estalo. "A embarcação estará pronta para partir em breve. Assim que embarcarmos, não há como voltar atrás."

Noel assentiu.

"Ótimo", disse. "Exatamente como deve ser."

A partida começou logo depois.

Tábuas foram abaixadas. Ordens foram gritadas. A tripulação se movimentava com calma eficiente, guardando as últimas caixas e ajustando os cabos enquanto a maré mudava. Não houve cerimônia — apenas ação. Propósito.

Noel entrou no convés e sentiu imediatamente.

O sutil zumbido sob seus pés.

Linhas de mana percorrendo o casco, encantamentos estabilizadores sincronizando-se com o ritmo do mar.

"Essa embarcação foi feita para sobreviver a águas turbulentas", Garron comentou, testando a amurada com força pesada. "E a coisas piores."

"Que seja", Laziel respondeu. "Os mares do Norte não são conhecidos por serem hospitaleiros."

Selene sentou-se perto do mastro, com o capuz levemente balançando ao vento. Elena permaneceu próxima, sussurrando algo que Noel não conseguiu ouvir — mas ele percebeu o sorriso. Quieto, tranquilizador.

Elyra supervisionava as últimas verificações, conversando brevemente com o capitão — um humano experiente, com pele marcada pelo tempo e olhos que já tinham visto monstros, tempestades e coisas piores. Ele acenou com a cabeça, respeitoso, ao passar por Noel.

Sem perguntas. Apenas reconhecimento.

Marcus aproximou-se de Noel perto do proa, com as mãos apoiadas no alambrado, olhando para o oeste.

"Então", ele disse calmamente. "É isso."

Noel seguiu seu olhar. Águas infinitas. Horizonte aberto.

"Pois é."

Um breve silêncio entre eles — não constrangedor. Conhecido.

"Você está tenso", continuou Marcus. "Focado. Mais do que de costume."

Noel não negou. "Dessa vez, o peso é maior."

Marcus assentiu. "Bom. Isso significa que está levando a sério."

Ele olhou de lado. "Mas também significa que está engolindo as coisas de novo."

Noel bufou. "Você sempre percebe."

"Esse é meu trabalho", disse Marcus simplesmente. "Alguém precisa garantir que você não vire um idiota auto-sacrificante."

Um canto da boca de Noel se contraiu.

Marcus se endireitou. "Antes de sairmos do porto... treine comigo."

Noel levantou uma sobrancelha. "Agora?"

"Em breve", Marcus esclareceu. "Quero ver onde você realmente está agora."

O sino da embarcação tocou — baixo e profundo.

Os membros da tripulação começaram a soltar as amarras.

Marcus olhou nos olhos de Noel, sério. "Se vamos encarar algo que pode condenar um continente... preciso saber que posso acompanhar."

Noel manteve o olhar.

"…Tudo bem", disse. "Uma rodada."

Da ombreira dele, a cauda de Noir balançou. 'Tente não quebrar a embarcação, pai.'

O mar começou a puxá-los adiante.

A embarcação já tinha deixado o porto para trás.

Ondas se formavam sob o casco, mas a embarcação quase não balançava — estrutura reforçada e placas resistentes a feitiços vibrando suavemente enquanto encantamentos absorviam movimento e pressão. Não era um navio mercante. Era mais próximo de uma embarcação de guerra, feita para resistir a feitiços, impactos e monstros de profundidades.

Reuniram-se no convés de treino abaixo do grande mastro — uma plataforma aberta, revestida de runas, marcada com círculos de contenção e sigilos de amortecimento de impacto.

Perfeito para isso.

Clara ficou perto do alambrado, com os braços cruzados, olhos brilhando. "Não economize", ela chamou para Marcus. "Quero ver se consegue acompanhar."

Laziel sorriu. "Vai ser bom."

"Finalmente, uma diversão", acrescentou Garron.

Roberto estalou os dedos. "Minha aposta é em explosões."

De frente para eles, Elyra, Elena, Charlotte e Selene naturalmente se aproximaram de Noel. Sem gritos — apenas confiança silenciosa.

Noel deu um passo à frente, com a lâmina negra deslizando para fora.

Dente de Revenant sorveu a luz.

Marcus virou os ombros uma vez, exalando, depois firmou os pés.

"Preparado?" perguntou Marcus.

Noel levantou um pouco a espada. "Sempre que quiser."

As runas embutidas no piso de treino acenderam uma a uma, linhas finas de luz rastejando pelas placas metálicas até que toda a arena vibrasse com energia contida.

Marcus não hesitou.

Incluiu seu peso para frente, mana fluindo pelas pernas e para o chão.

"Estouro de pedra."

A superfície sob Noel não apenas rachou—explodiu.

Um tremor instantâneo o avisou antes de losangos de pedra se erguerem num fanalato violento, pedaços girando e estalando como presas mirando exatamente seus joelhos e torso. A força não pretendia matar—mas derrubaria qualquer que fosse lento.

Noel reagiu imediatamente.

Ele torceu sobre a bola do pé, o capuz se abrindo ao vento enquanto escorregava de lado, a Vela do Sentinela Silencioso desfocando seu contorno o suficiente para dropar o tempo do feitiço. Fragmentos de pedra passaram onde estavam suas pernas um bate de coração antes de se quebrarem contra os runas de barreira com estalos agudos e ecoantes.

Ele não esperou para aterrissar.

No meio do movimento, Noel puxou mana para o braço da espada, o calor coilando na lâmina de Revenant Fang.

"Arco de fogo."

A lâmina cortou para a frente em um golpe suave, decidido.

Um crescente de chama comprimida saiu da espada, afiado e rápido, atingindo a pedra que se levantava. O arco não explodiu—cortou. Borda de rocha ficou vermelha, depois líquida, os fragmentos perdendo coesão no ar enquanto estilhaços derretidos se espalhavam pela arena em respingos de vapor com assobio de vapor.

A reação foi imediata.

Os olhos de Marcus se estreitaram—não com frustração, mas com aprovação.

E o duelo continuou.

Marcus não recuou.

Pelo contrário, a quase falha só o afinou.

Ele plantou o calcanhar, mana fluindo para o chão, a postura firme.

"Postura fixa."

As placas sob seus pés se fundiram em pedra, veias de fogo azul atravessando as rachaduras. O encantamento de ancoragem o fixou na arena—sem recuo, sem hesitação. Calor emanava de seu corpo enquanto a luz derretida se deslocava pelos braços.

Noel sentiu de imediato.

'Ele está se preparando para trocar tecos', pensou. 'Claro que sim.'

Marcus empurrou a palma na direção dele.

"Pilar flamejante."

Uma coluna de chama azul ardeu verticalmente do chão, sincronizada exatamente com o ponto onde Noel cairia se avançasse. O fogo não era descontrolado—era disciplinado, comprimido, rugindo como uma forja aberta rápido demais.

Noel avançou através dele.

A Vela do Sentinela Silencioso pulsou uma vez, atenuando a intenção letal só o suficiente para ele escorregar pelo limite da explosão. Seu capuz foi queimado, mas não consumido, fios de mana se tensionando enquanto o calor o cercava.

Ele avançou demais.

Marcus reagiu instantaneamente.

"Guardião de pedra."

Uma lasca de rocha surgiu entre eles, inclinada para desviar um golpe de espada. Revenant Fang atingiu, mesmo assim.

TRINCO—

O impacto ecoou no convés, a pedra rachando sob pressão. Noel torceu o pulso no meio do golpe, fazendo a lâmina escorregar em vez de forçar o corte, e seguiu com a outra mão.

"Agulha de voltagem."

A magia de relâmpago disparou a queima-roupa.

Uma lança fina de eletricidade perfurou o escudo fraturado, rachando a pedra enquanto atravessava. Marcus levou o impacto ao ombro, músculos contraídos por um instante enquanto arcos dançavam em seu braço.

Não foi o suficiente.

Ele rugiu e avançou, dentes cerrados, ignorando a dor.

"Ainda não acabou!" gritou Marcus, batendo com as palmas no chão. "Terra Slam!"

A onda de choque rasgou em linha reta, espinhos irregulares se erguendo em direção ao peito de Noel.

Ele não bloqueou.

Sumiu.

"Cavador de tempestades."

Um estalo elétrico cortou o ar. Noel virou uma rajada de luz cegante, reaparecendo atrás de Marcus na mesma respiração, eletricidade escorrendo por seu corpo enquanto o impulso o levava adiante.

Parou a lâmina a um centímetro das costas de Marcus.

Silêncio.

Marcus congelou—depois exalou, os ombros caindo, um sorriso torto surgindo na exaustão.

"…Você ainda está na frente", ele admitiu. "Mas, porra, você não facilita."

Noel abaixou Revenant Fang, respirando calmamente.

"Você nunca faz."

Marcus se endireitou lentamente, girando o ombro enquanto o calor residual sumia de seus feitiços.

Clara correu para seu lado, já lhe repreendendo baixinho enquanto verificava seu braço. Laziel assobiou baixo, Garron soltou uma risada curta, e Roberto aplaudiu uma vez, claramente impressionado.

"Pois é", disse Roberto. "Valeu a pena a viagem."

Noel guardou Revenant Fang, a lâmina negra repousando silenciosa. Ofereceu a Marcus uma mão.

Marcus a agarrou sem hesitar, firmemente. "Um dia", disse, sorrindo, "vou fechar essa diferença."

Noel sorriu discretamente. "Estarei esperando."

Ao redor deles, o mar se estendia infinitamente rumo ao horizonte —

e bem além, aguardavam as Ilhas do Norte.

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