O Extra é um Gênio!?

Capítulo 453

O Extra é um Gênio!?

A luz da manhã infiltrava-se pelas cortinas do quarto de Noel, mas ele não esperou que ela se estabelecesse completamente.

Dois dias.

Era tudo que o fim de semana lhe proporcionava — e ele não ia perder um segundo.

Noel amarrou as botas, verificou seu equipamento e colocou um bilhete dobrado sobre sua mesa.

Garotas,

Sai cedo.

Testando um novo brinquedo.

Não se preocupem — Noir está comigo.

Voltarei antes da tarde.

— Noel

Eles tinham chaves; encontrariam o bilhete quando acordassem.

Noir pulou em seu ombro, a cauda balançando. 'Você vai levar uma bronca mais tarde, pai.'

"É, — murmurou Noel, ajustando o casaco — Mas eles me dariam uma bronca ainda maior se eu os levasse a algum lugar não testado."

Ele abriu sua bolsa dimensional, alcançou o bolso de mana comprimida e puxou sua capa.

A mana ondulou pelo ar enquanto o tecido se desdobrava.

[Item identificado]

Nome: Véu do Sentinela Silencioso

Tipo: Armadura – Manto

Nivel: Único

Descrição: Um manto tecido de fios condensados de mana. Adapta-se à presença do portador, ocultando movimentos e absorvendo intenções assassinas. Quanto maior a hostilidade do inimigo, mais difícil se torna para ele acertar um golpe verdadeiro.

Status: Vinculado ao Usuário – Noel Thorne

Características:

• Véu Hostil — Reduz a detecção por inimigos que buscam ativamente prejudicar o usuário.

• Guardião Silencioso — Diminui ligeiramente o dano físico e mágico recebido quando o usuário é surpreendido.

• Pulsar do Sentinela — Reage à intenção letal ao reforçar a barreira de mana do manto por um batimento cardíaco.

O tecido era incrivelmente leve — frio ao toque, sem peso, mas firme, como segurar uma brisa transformada em pano.

Noel deslizou-o pelos ombros.

Ele assentou instantaneamente, moldando-se à sua forma com um suave sussurro de mana.

"…Não é ruim."

Noir deu duas voltas ao seu redor, farejando. 'Parece ar de tempestade comprimido. E espaço. E perigo. Gosto. Você está bonito, pai.'

Noel foi até a janela, relaxou os ombros e sentiu o manto se ajustar — respondendo aos movimentos, tensão e intenção.

"Hora de testar o quão bem você realmente funciona."

Ele abriu a janela, escalou o parapeito do balcão e pulou silenciosamente.

Valon ainda estava acordando.

"Vamos lá, Noir," disse Noel, caminhando em direção ao portão leste. "Temos dois dias para ficar mais fortes."

Noir ronronou, sombras se formando ao redor das patas dela.

'Então vamos caçar.'

A estrada ao leste de Valon estava tranquila neste horário — poucos mercadores começando a montar suas barracas, guardas bocejando em seus postos, e o cheiro distante de pão fresco flutuando no ar matinal.

Noel apertou o manto ao redor dos ombros enquanto caminhava, Noir empoleirada como uma sentinela orgulhosa no seu ombro.

"Hmmm…" comentou Noel. "Será que há boas áreas de caça por aqui para alguém do meu nível? Agora que penso… não dá pra voltar às Cavernas de Varn. Os monstros lá estão fracos demais agora. Não me ajudariam em nada."

Noir balançou a cauda. 'Você tem razão, pai. Eles nem te arranhariam. Lá seria perda de tempo total.' Ela inflou o peito, exibindo-se com orgulho. 'Apesar de também mostrar o quanto você está mais forte. Não acha que está incomumente forte para a sua idade?'

Noel soltou uma risada leve. "Sim, sou. Não adianta fingir o contrário." Sua voz suavizou. "Mas eu ainda preciso ficar muito mais forte. Ser Arquimago não é mais opcional… vamos precisar disso. E, como você cresce junto comigo…" Ele a olhou. "O que acontece com você quando eu avanço de nível? Você vai crescer de novo?"

Noir ergueu as orelhas, contente.

'Sim. Quando Noctis mostrou-lhe suas memórias na biblioteca, também mostrou para mim. Eu sei até onde posso crescer em força.' Seus olhos brilhavam de empolgação. 'O tamanho não importa — isso eu controlo sozinha. Mas meu poder continuará crescendo enquanto o seu também evoluir. Então, quando você atingir o nível de Arquimago… espere que eu evolua novamente.'

Noel sorriu de canto. "Ótimo. Vou precisar que você esteja no seu melhor."

'Sempre, pai,' respondeu Noir, pressionando a cabeça contra seu maxilar. 'Sempre.'

Chegaram às periferias da cidade — além das muralhas de pedra, além da praça de guardas, até a trilha de terra que levava a terras mais amplas.

Agora era a verdadeira questão.

Onde alguém como Noel realmente poderia treinar?

E quem em Valon saberia?

Noel saiu da estrada principal, as botas crunching sobre a brita enquanto pensava de forma lógica.

Valon não era apenas a capital humana — era o centro de magia e poder do continente. E os Arquimagos? Havia quase cem deles vivendo lá. Um centena de indivíduos de nível Ascendente na mesma cidade.

Isso significava algo bem simples:

"Tem que haver um local de caça para magos de alto nível," murmurou Noel. "Um lugar onde eles treinam. Algo perigoso o suficiente."

Notiflo a cauda pensativamente.

'Então é só encontrar as pessoas certas para perguntar.'

O olhar de Noel virou-se para uma placa familiar adiante — obsidiana talhada, maçanetas de aço polido, e um brasão levemente brilhando acima da entrada:

A CHIFRE DE FERRO — Salão dos Caçadores

Não era uma taverna comum. Nem um bar casual.

Um lugar onde lutadores de alto escalão, mercenários de elite e magos de topo se reuniam. O tipo de lugar que nem sequer abria suas portas para cidadãos comuns.

Perfeito.

Ele empurrou a porta.

A luz quente das lamparinas derramava-se, misturando-se ao baixo murmúrio de vozes profundas e ao tilintar de copos. O ar exalava cheiro de carne assada e álcool forte.

As conversas silenciaram por um momento.

Vários olhos se viraram para ele.

O reconhecimento apareceu instantaneamente.

Alguns murmuraram:

"É o Noel Thorne…"

"Da Academia Imperial…"

"A criança que lutou na Capital Sagrada?"

"Não sobreviveu à recente tragédia dos Thorne…?"

Outros apenas acenaram respeitosamente — não apenas por causa de seu sobrenome, mas pelos rumores do que ele havia feito. Valon falava. E Valon lembrava.

Noir endireitou-se com orgulho no ombro dele. 'Eles te conhecem, pai.'

Noel ignorou os olhares e foi até o balcão.

O bartender — um homem de ombros largos, com entradas de cabelos grisalhos — inclinou-se para frente.

"…Não esperava te ver aqui, garoto," disse com voz rouca. "A maioria das pessoas da sua idade fica no distrito da academia."

Noel deu de ombros. "Não sou a maioria."

Alguns caçadores próximos riram baixinho.

"O que você procura?" perguntou o bartender, limpando uma caneca de cristal. "Pelo fato de você ter vindo a um lugar como esse pela primeira vez, parece que precisa de alguma coisa."

Noel assentiu.

"Preciso de áreas de caça," disse ele. "Não zonas para iniciantes. Algum lugar onde um Ascendente possa realmente morrer se for descuidado."

O ambiente ficou em silêncio.

O sobrancelha do bartender levantou lentamente.

"…Quer morrer?"

Noir assobiou baixinho. 'Sem educação.'

Noel balançou a cabeça. "Não. Quero evoluir."

Então o bartender sorriu de lado. "…Então veio ao lugar certo."

O bartender inclinou-se para frente, abaixando a voz o suficiente para só Noel ouvir.

"Veja… não há muitos lugares que correspondam ao que você está buscando," começou. "Mas existe um."

Os olhos de Noel se aguçaram.

O bartender continuou:

"É um campo de caça compartilhado. Não pertence a nenhum guilda — território neutro. Um lugar onde qualquer um forte o suficiente pode treinar, contanto que não inicie brigas."

Noir ergueu as orelhas com atenção. 'Zonas neutras geralmente são perigosas. Bom.'

"Fica perto daqui," prosseguiu o bartender. "Mas é subterrâneo. Invisível. A entrada é selada para que aventureiros comuns não entrem e morram."

Ele limpou o balcão mais uma vez antes de acrescentar:

"O lugar é protegido pelos Guardas do Valor Imperial. A missão deles é manter idiotas de baixo nível longe. Mas você—"

Ele olhou para Noel com um olhar longo e sugestivo.

"—eles vão deixar você entrar."

Noel assentiu lentamente. "Onde exatamente?"

O bartender apontou para o distrito norte.

"Você vai encontrar um arco de pedra com um brasão prateado. Dois guardas ficam na porta o tempo todo. Diga que veio treinar. Eles sabem o que fazer."

Ele se endireitou, com tom de advertência na voz.

"Lá dentro, você encontrará outros caçadores. Pessoas do seu nível. Alguns até mais fortes. Se tiver sorte, alguém pode se juntar a você."

Noir deu uma caçada satisfeita com a cauda. 'Não precisamos de equipe.'

Noel ignorou, cumprimentando com um pequeno aceno de respeito.

"Obrigado. Sério."

Ele pegou uma moeda de ouro do bolso, colocou no balcão e deslizou para frente.

O bartender pareceu surpreso — uma reação rara para um homem tão endurecido.

"…Generoso por uma única dica."

"Foi um conselho bom," Noel respondeu simplesmente.

Ele virou-se, o manto balançando atrás de si enquanto dirigia-se à porta.

Noir pulou para o outro ombro, ronronando. 'Vamos, pai. Monstros estão esperando.'

O distrito norte de Valon era mais tranquilo que a praça — rodeado por torres de pedra e rotas de patrulha reservadas aos membros imperiais.

Noel caminhava com propósito, Noir empoleirada orgulhosamente no ombro dele enquanto o ar ficava mais frio.

Então, avistou.

Um arco de pedra maciço, gravado com linhas rúnicas e um brasão prateado no topo — marca da Guarda de Valor Imperial.

Dois soldados armados estavam ao lado da porta selada, lanças apoiadas no chão, postura firme.

Quando Noel se aproximou, seus olhos se arregalaram levemente em reconhecimento.

Um passo à frente.

"Noel Thorne…?"

"Sim," respondeu Noel calmamente. "Soube que há um campo de treino abaixo. Gostaria de entrar."

Os guardas fizeram um olhar trocado — de respeito e preocupação ao mesmo tempo.

O guarda mais velho cruzou os braços. "Antes, como estão as coisas na área dos Thorne? Depois de… tudo que aconteceu."

Noel fez uma pausa.

Por um momento, a memória passou por seus olhos.

Mas ele assentiu.

"Estamos indo bem," disse. "Graças às reforças que o Valor enviou. Sem elas… não teríamos recuperado tão rápido."

Os dois guardas exalaram silenciosamente, aliviados.

"Ótimo," disse o mais jovem. "Sua família passou por uma fase difícil. É bom saber que estão de pé."

Então — um pequeno sorriso.

"E se você veio treinar, isso é excelente; mostra que você quer ficar mais forte."

Noel não negou.

O guarda mais velho levantou sua lança e tocou o arco duas vezes.

As runas se acenderam.

RUMBLE—

A pedra se moveu, desbloqueando, trazendo à tona uma escadaria que descia para uma luz tremeluzente e rugidos distantes.

"Vai lá," disse o guarda. "Você está autorizado a entrar."

A cauda de Noir se enroscou de animação. 'Pai… posso sentir algo forte lá embaixo.'

"Ótimo," murmurou Noel, ajustando o manto com mais firmeza. "Precisamos de força."

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