O Extra é um Gênio!?

Capítulo 452

O Extra é um Gênio!?

Se passaram quatro dias.

Não de forma silenciosa.

A notícia do retorno de Charlotte ao seu papel de Santa se espalhou pelo Valon como fogo em mato seco, e cada rua que Noel cruzava deixava ainda mais claro:

a cidade estava mudando.

Estudantes uniformizados sussurravam em frente às entradas dos dormitórios. Irmãs de branca vestimenta trocavam sorrisos animados enquanto passavam. Acolitos corriam tarefas com energias renovadas, falando o nome de Charlotte com admiração.

E além dos muros da academia, na própria cidade…

As pessoas falavam.

"Ela visitou o Orfanato do Oeste às primeiras horas da manhã."

"Ouvi dizer que ela curou a perna de um ancião perto do bairro do rio."

"Não—escute—ela carregou ela mesma suprimentos para a capela próxima ao mercado!"

"Vi ela ajudando uma criança chorando na fonte. E ainda ficou para rezar com ela."

Por onde Noel passava, ouvia essas notícias.

A Santa não era mais uma figura distante escondida em templos.

Ela caminhava pelas ruas, conversando com os cidadãos, tocando vidas uma a uma.

Charlotte tinha se entregado à sua missão com tudo de si.

E o mundo correspondia.

Noel estava perto de uma das varandas da academia, encostado na grade, observando o movimento matinal abaixo. Selene descansava o queixo na mão ao seu lado; Elena inclinava-se na grade com os cotovelos; Elyra ficava logo atrás dele, de braços cruzados, mas sorrindo suavemente.

Noir estava enrolada ao redor do ombro de Noel como um cachecol obscuro e fofo.

'Eles realmente a amam,' murmurou Noir na cabeça dele.

"Claro que amam," disse Noel quietamente. "Ela está fazendo o que nenhum Santa fez em décadas."

Elena assentiu. "Ela foi a todos os lugares. Até os professores não param de falar dela."

Selene acrescentou, "Algumas das irmãs mais novas choraram no corredor esta manhã. Dizem que nunca se sentiram tão esperançosas."

Elyra ajeitou o cabelo, pensativa. "Isso vai se espalhar além de Valon. As pessoas falam. A fé viaja mais rápido que cartas."

Noel respirou fundo… e então—

Uma janela translúcida apareceu na frente dele.

[Missão Concluída!!!!]

[Não permitir que a Igreja Sagrada caia em desespero — SUCESSO]

Recompensa Disponível: Reivindicar?!?!?

Noel nem piscou.

"...Aptos," ele comentou. "Sempre adiantado."

"Noel?" Selene perguntou. "Você está bem?"

"Sim," respondeu de forma casual. "Concluímos a missão."

Silêncio.

Os olhos de Selene se abriram… e então ela sorriu.

Não aquela expressão pequena e rígida que costumava forçar.

Uma verdadeira.

Noel levantou uma sobrancelha. "Você tem sorrido mais ultimamente."

A cor subiu às bochechas de Selene. "Eu—é—isso... é ruim?"

Ele balançou a cabeça. "Não. Fica bem em você."

Selene cobriu metade do rosto com a mão, envergonhada. "…Idiota."

Logo atrás, Elena cochichou para Elyra, "Ela está melhorando nisso."

Elyra concordou com um aceno de aprovação.

Noir balançou a cauda do ombro de Noel. 'Papai fez Selene corar. De novo. Missão duplicada cumprida.'

Noel ignorou o comentário e tocou na janela brilhante.

"Vamos lá… reivindicar."

A sistema brilhou — e uma capa dobrada apareceu em suas mãos.

Escura. Leve. Trançada com linhas tênues de mana viva.

Um relicário de proteção.

Noel observou.

"...Isso que é? Sério?" Ele suspirou. "Ok, sim, essa missão não foi exatamente de vida ou morte, mas… só uma capa?"

Elena se inclinou. "Pelo menos é boa?"

"Ainda não sei," murmurou Noel. "Mas pelo sistema, é meio frustrante."

Antes que alguém pudesse provocá-lo mais—

O estômago de Noel deu um torcicolo.

Pesado.

"...Ah, sério—"

Selene piscou. "Noel?"

Ele endireitou-se na hora, se cobrindo de uma dignidade que claramente não tinha.

"Eu—hã—preciso ir agora mesmo."

Deu a capa para Elyra, que a pegou com uma sobrancelha levantada.

"Noel?" Elena perguntou. "Você—"

"Tudo bem! Perfeitamente bem! Já volto."

E com isso, Noel virou-se e saiu correndo em direção ao banheiro do corredor, praticamente fechando a porta atrás de si com um chute.

Noir suspirou dramaticamente no ombro enquanto ela pulava de lá momentos antes de ele correr. 'Juro, papai… seu timing é incrível.'

Noel ficou ali, com os cotovelos nos joelhos, olhando para o chão revestido de azulejos enquanto tentava fingir que esse não era o momento mais triste e sem dignidade de receber uma recompensa de missão divina.

A janela do sistema pulsou suavemente na sua frente.

[Item Identificado]

Nome: Véu do Sentinela Silencioso

Tipo: Armadura — Manto

Classificação: Único

Descrição: Um manto feito de fios de mana condensada. Adapta-se à presença do portador, ocultando movimentos e absorvendo a intenção de matar. Quanto maior a hostilidade do inimigo, mais difícil fica de acertar o alvo.

Status: Vinculado ao Usuário – Noel Thorne

Atributos:

• Véu Hostil: Reduz a detecção por inimigos que buscam ativamente prejudicar o usuário.

• Guarda Silenciosa: Diminui levemente o dano físico e mágico recebido quando o usuário é pego de surpresa.

• Pulso do Sentinela: Reage à intenção de morte reforçando a barreira de mana do manto por um instante.

Noel piscou.

"…Ok. Isso não é ruim."

Na verdade — era ridiculamente bom.

Só que não era aquilo que ele queria.

Ele encostou as costas na parede fria e soltou um suspiro silencioso.

"O que eu precisava," murmurou, "era de progresso no núcleo de mana. Ainda estou a 17% de alcançar Archimage."

A voz de Noir entrou suavemente na cabeça dele. 'Talvez o sistema ache que você ainda não está preparado.'

"Ou talvez ele me odeie."

Ele Massageou o rosto.

Archimage não era só uma classificação.

Era questão de sobrevivência — especialmente com a ameaça do Norte vindo aí.

Sua mente voltou ao fragmento que encontraram na Capital Sagrada.

Um cristal inofensivo usado como combustível.

Vendendo por todo lugar.

Negociado em continentes diferentes.

Mas não era inofensivo.

Carregava a mana do Primeiro Pilar.

O maxilar de Noel se apertou.

"Se esses fragmentos estão espalhados pelo mundo… e ninguém sabe exatamente o que fazem…" Ele engoliu em seco. "…isso pode ficar muito ruim."

Eles tinham encontrado só um.

Quantos outros existiriam?

Quantos já estavam alimentando lâmpadas, máquinas, encantamentos?

'Papai,' murmurou Noir suavemente, 'não entre em pânico. Vamos descobrir a verdade.'

"Sei... Mas o romance não mencionou nada disso. De jeito nenhum," olhou para o chão. "Então isso está ligado ao ato penúltimo? Ou a algo que nunca foi revelado…?"

Ele desejava que o sistema já lhe apresentasse a próxima missão. Algo que o ancorasse. Algo que o impulsionasse.

Mas nada veio.

Apenas silêncio.

"…Ótimo."

Ele se levantou lentamente, acionando o vaso sanitário — porque dignidade exigia — mesmo que nada nesta situação tivesse dignidade alguma.

"Vamos ter que lidar com as coisas aqui primeiro," murmurou. "Depois… as Ilhas do Norte."

Noel saiu do banheiro, expulsando os últimos resquícios de desconforto. O ar frio do corredor o atingiu — um alívio frente ao silêncio apertado e cheio de pensamentos demais que acabara de escapar.

Ele ajustou a camisa, deu uma passou nos ombros e, com um movimento de pulso, guardou a capa na Bolsa Dimensional. O Véu do Sentinela Silencioso se desfez em uma fina ondulação de mana e desapareceu.

"Depois," murmurou. "Vou testá-lo mais tarde."

Noir se esticou sobre o ombro dele como um cachecol vivo e convencido.

'Boa. Você já parece menos infeliz,' comentou.

"Eu não tava infeliz."

'Você entrou em spiral. Isso conta.'

Noel ignorou e começou a caminhar. Os corredores da academia estavam mais silenciosos que o usual — meio dia, a maioria dos estudantes em sala de aula ou na praça trocando fofocas sobre a Santa que circulava pela cidade. Mesmo nas janelas, vozes de sussurros passavam de leve: o nome de Charlotte falado com respeito, entusiasmo, reverência.

Ele não conseguiu conter um sorriso discreto.

Ela tinha conseguido — estabilizou a fé do continente em menos de uma semana.

Mas agora, precisava estabilizar seus pensamentos.

Passou por uma fila de janelas altas. A luz do sol refletia no chão polido, lançando ouro nas paredes de pedra. Tudo parecia normal… enganadoramente normal.

'Papai,' murmurou Noir, 'qual será o próximo passo?'

"Sem ideia," admitiu. "Nenhuma missão nova. Sem prazo. Só… esperando."

'Você odeia esperar.'

"Eu odeio mesmo."

Parou por um instante ao passar por alguns estudantes do primeiro ano, cochicando animados sobre Charlotte ter curado alguém no Setor Inferior naquela manhã. Uma garota o notou e respirou fundo — mas Noel apenas acenou com a cabeça e seguiu em frente, antes que ela tivesse coragem de pedir assinatura ou algo igualmente embaraçoso.

Ele caminhou em direção ao corredor das acomodações Classe S.

Antes de chegar ao saguão principal, Noir se remexeu na orelha.

'Seu coração parece mais leve,' ela disse sabiamente.

"Talvez," ele murmurou. "Talvez esteja só aliviado que essa fase acabou."

Respiração.

Um pequeno suspiro.

"…Faltam três dias. E algo mais vai acontecer. Eu sinto."

Mas, por ora?

Ele endireitou a postura, empurrou a porta e entrou.

A próxima fase começaria em breve — mas, pelo menos, ele tinha limpado a cabeça, guardado uma capa única, e sobrevivido ao comentário de Noir.

Um caos de cada vez.

A porta se abriu na sala comum do nível S — chão polido, janelas altas e o habitual burburinho matinal de estudantes de elite se preparando para a aula.

Charlotte estava lá esperando com as outras, já vestindo seu uniforme da academia, cabelo atado com uma fita suave. Elena apoiada ao lado dela, ajustando as luvas; Selene com seu ar calmo habitual; Elyra girando um pequeno cristal de mana entre os dedos, brilhando com magia de ocioso.

As quatro se viraram ao ver Noel entrar.

Charlotte sorria radiantes. "Perfeito! Cheguei na hora certa!"

Noel piscou. "Vocês… prontas para a aula?"

"Claro," respondeu Charlotte alegremente.

Ele a olhou. Depois as demais garotas. E de novo para ela.

"...Sério? Depois de tudo que vocês estão fazendo — os discursos, a mudança de doutrina, o continente todo falando de vocês — vocês vão para a aula como se nada tivesse acontecido?"

Charlotte colocou a mão na cintura, confiante de forma absolutamente injustificada.

"Noel," ela disse com leveza, "Sou a Santa. A figura principal de toda a Igreja Sagrada." Ela inclinou a cabeça, com o cabelo rosa balançando. "Você realmente acha que eu não consigo atender a uma aula?"

Noel não respondeu.

Olhou para ela — a garota que acabou de remodelar a fé em continentes inteiros.

Depois para Selene, capaz de congelar um exército.

Depois para Elena, que sabia curar e destruir paredes com igual talento.

E Elyra, herdeira da mais rica dinastia mágica existente.

Quatro meninas.

Quatro garotas assustadoras, poderosas, influentes.

Todas namorando com ele.

Noir balançou a cauda com orgulho do ombro dele. 'Seu pai, hein? Agora percebe que sua vida está toda virada?’

Noel soltou o ar devagar.

"...Certo. É isso mesmo. Você consegue lidar com qualquer coisa."

Charlotte deu um passo à frente, sorrindo brilhantemente enquanto puxava delicadamente a manga dele.

"Então vamos juntos."

As quatro garotas se juntaram a ele sem hesitar — uma formação tão natural que parecia ensaiada.

E enquanto caminhavam rumo à sala de aula, Noel não podia deixar de pensar:

Essas podem ser realmente as quatro jovens mais influentes do mundo — e esperam que eu consiga acompanhá-las.

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