O Extra é um Gênio!?

Capítulo 435

O Extra é um Gênio!?

As aulas haviam começado.

Os corredores da academia estavam cheios novamente.

Estudantes corriam pelos pátios, fofocando, rindo, reclamando do dever de casa — tudo parecia exatamente como sempre tinha sido.

A vida havia voltado ao normal.

E ainda assim… para Noel, nada parecia normal de verdade.

Ele jazia na cama dos dormitórios da Classe S, olhando para o teto enquanto o sol da manhã se infiltrava pelas cortinas. O quarto parecia igualzinho de sempre — prateleiras desorganizadas com livros inestáveis, equipamentos de treino jogados num canto, uma jaqueta jogada sobre a cadeira. Mas algo faltava.

Algo que fazia barulho.

Algo inevitável.

Algo a que ele já havia se acostumado, mesmo odiando admitir isso.

O silêncio.

Uma suave ondulação de sombra moveu-se ao seu lado.

Noir saiu dela, esticando as pernas antes de subir em seu peito como se fosse dona do lugar. Seus pelos tocaram seu queixo enquanto ela olhava diretamente nos seus olhos.

'Você esteve segurando isso a manhã toda,' ela disse, sua voz ecoando em sua mente — baixa, ciente, quase divertida.

Noel exalou pelo nariz. "Sim. Precisava de um tempo."

Colocou uma mão na testa e fechou os olhos por um instante.

Um mês completo — trinta dias — tinha se passado desde o ataque à Casa Thorne.

Um mês sem missão.

Sem aviso.

Sem caos querendo devorá-lo vivo.

As aulas voltaram.

O treinamento continuou.

Seus amigos agiam como se tudo estivesse relativamente normal de novo.

E ainda assim… o sistema permanecia silencioso.

Noir inclinou a cabeça, a cauda batendo suavemente contra suas costelas. 'Você parece entediado, pai.'

"Tão óbvio assim?" Noel resmungou.

'Mmh. Você fica agitado quando nada tenta te matar por tempo demais.'

Apesar de si mesmo, ele resmungou uma risada. "Isso… é assustadoramente preciso."

Ele se ergueu, Noir deslizando facilmente ao seu colo como água. Os suaves sons matutinos da academia vinham de fora — estudantes gritando pelo pátio, o som distante de armas de treino, risadas ecoando perto dos dormitórios.

Tudo parecia pacífico.

Demasiadamente pacífico.

Noel esfregou a nuca, os olhos se estreitando ao olhar pela janela. "Eu não confio em silêncio. Não mais."

Noir enrolou a cauda ao redor das patas. 'Então… e agora?'

Noel se inclinou para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, e soltou uma respiração lenta.

"Agora," murmurou, "ainda não sei."

Os dias seguintes passaram com uma suavidade quase desconfortável.

Treinamentos.

Palestras.

Almoço com Marcus e os outros.

Grupos de estudo com Elena e Sélene.

Elyra puxando ele para tarefas do conselho.

Charlotte passando no quarto dele após as orações noturnas.

Tudo fluía exatamente como a vida na academia deveria.

E ainda assim… Noel caminhava por aquilo como alguém esperando uma lâmina cair que não via.

Sentou-se na grade de proteção fora dos dormitórios da Classe S, observando o pátio abaixo. Estudantes riam, duelavam, empurravam uns aos outros. As lâmpadas de mana piscavam preguiçosamente na brisa da tarde.

Normal. Perfeitamente normal.

Noel suspirou.

"É isso que me incomoda," murmura baixinho.

Noir deitou-se sobre seus ombros como um cachecol, a cauda balançando preguiçosamente. 'Você vem dizendo isso todo dia,' ela apontou.

"E vou continuar dizendo até acontecer alguma coisa."

'Quer que alguma coisa aconteça?' Noir perguntou, as orelhas se mexendo em descrença.

"Quero informações," corrigiu Noel. "Não tem jeito de o mundo de repente decidir se comportar por trinta dias seguidos."

Noir murmurou pensativa. 'Charlotte disse que as cartas dela para a Capital Sagrada ainda não foram respondidas, certo?'

"Sim," Noel respondeu, passando a mão na mandíbula. "Ela enviou logo após voltarmos. Disse que eram urgentes. Mas Orthran ainda não deu resposta."

'E Daemar também não te convocou para nada.'

Os olhos de Noel se estreitaram. "Exatamente. Isso é estranho."

Ele esperava por algo.

Uma pista sobre o Segundo Pilar.

Um rumor.

Um rastro.

Uma missão.

Mas pela primeira vez desde que chegou a este mundo… nada.

A quietude era errada. Como uma respiração presa.

Noel se apoiou contra a coluna. "Não gosto de ficar cego."

Noir colocou uma pata suavemente na cabeça dele. 'Então descanse enquanto pode. Quando a próxima coisa vier… você não terá tempo de respirar.'

Noel abriu a boca para responder—

— então parou.

Uma sensação tênue puxou seu peito. Um sussurro de mana que não era dele. Familiar. Intrusivo.

Mas desapareceu tão rápido quanto veio.

Ele exalou rapidamente. "...Estou imaginando coisas."

Noel não teve muito tempo para se questionar se seus sentidos estavam lhe pregando peças.

Porque na manhã seguinte, enquanto fazia o acabamento das cordas das botas, um toque na porta soou — agudo, preciso, do tipo que alguém usa só quando tem uma notícia para entregar.

Noir levantou a cabeça do travesseiro. 'Não é do Marcus,' ela observou.

"Sim," murmurou Noel, "Marcus abriria aquilo na hora."

Ele abriu a porta.

Estava lá um mensageiro — um jovem monge do salão de mensagens da academia, ofegante e suando, apesar do ar frio da manhã. Em suas mãos, segurava um pergaminho lacrado, com um sigilo inconfundível:

O Brasão da Capital Sagrada.

O selo pessoal de Orthran.

O estômago de Noel apertou.

"Para a Lady Charlotte," ele disse rapidamente, fazendo uma reverência. "Resposta urgente de Sua Santidade. Entregue aos dormitórios da Classe S, conforme instruções."

Charlotte, já caminhando pelo corredor em direção ao quarto de Noel, parou no meio do passo.

Seus olhos se arregalaram ao ver o selo.

"É da Capital Sagrada," ela suspirou.

O mensageiro acenou com a cabeça, fez uma reverência e foi embora apressado.

Charlotte desfez o pergaminho com cuidado, os dedos tremendo só o suficiente para Noel perceber. O selo era inconfundível — cera dourada pressionada com o emblema da Capital Sagrada.

Noel se inclinou um pouco. "De Orthran?"

Charlotte assentiu. "Chegou esta manhã. Ele quer que eu volte… imediatamente."

Sua voz tremia. "Diz que é urgente."

Um sussurro suave veio da cama, enquanto Noir se endireitava, as orelhas levantadas.

'Isso é bom... certo, pai?' ela perguntou, a cauda varrendo levemente as roupas de cama.

Noel exalou pelo nariz, fixando o olhar na carta.

"Depende do que estiver escrito," murmurou. "Então… nem sempre."

Charlotte engoliu em seco, o olhar caindo para as linhas escritas à mão que ela ainda não tinha processado completamente. "A carta menciona o relatório que enviei… sobre o ataque à Thorne. E…"

Ela hesitou.

"…sobre Elarin."

A expressão de Noel se afinou. "Então ele sabe."

Charlotte balançou a cabeça. "Não tudo. Só que algo grave aconteceu. Ele quer que eu diga pessoalmente. Diz que o assunto é delicado demais para cartas."

Noel recuou um pouco, tensionando os ombros. "Faz sentido. A Igreja Sagrada se assusta facilmente."

Noir inclinou a cabeça. 'Vamos?'

Noel pausou — por tempo suficiente para que a preocupação brilhasse por trás de seus olhos.

"Talvez precisemos," ele disse calmamente. "Mas primeiro… precisamos saber exatamente o que Orthran quer."

Charlotte dobrou o pergaminho de novo, segurando-o junto ao peito.

"Eu… não sei o que devo dizer a ele," ela sussurrou. "Ou como ele vai reagir."

Noel deu um passo à frente, colocando uma mão gentilmente sobre o braço dela. "Vamos resolver isso," ele disse. "Juntos."

Charlotte caminhou mais lentamente até a porta do quarto de Noel — não por hesitar, mas porque já podia sentir as presenças familiares esperando lá dentro. Noir abriu a porta com a pata, e uma fraca luz de cristais de mana iluminou o espaço.

Selene estava na mesa, com as pernas cruzadas, folheando distraidamente um de seus cadernos. Elena estava perto da janela, com os braços cruzados, postura calma mas atenta. Elyra encostada no armário de Noel, com a insinuação mais óbvia de impaciência.

Todos olharam para eles no momento em que entraram.

"Demoraram demais," disse Elyra, se levantando da parede. Mas seus olhos suavizaram ao pousar em Charlotte. "Então. Aposto que aconteceu algo."

Selene fechou o caderno suavemente. "Normalmente você não parece alguém que teve o seu bule de chá roubado."

Elena inclinou a cabeça, sempre perceptiva. "Charlotte… está tudo bem?"

Charlotte não respondeu imediatamente—simplesmente desfez o pergaminho e entregou a Noel para que mostre às outras.

Noel virou para elas o pergaminho. "Orthran a chamou," ele disse em voz baixa. "A carta chegou nesta manhã."

Elena se aproximou, com uma voz gentil. "Ele deve querer ouvir diretamente de você sobre o incidente com a Thorne."

Charlotte assentiu lentamente. "Ele… merece a verdade. Mas eu não sei até que ponto posso contar."

Noir pulou na cama, balançando a cauda. 'Suficiente para manter ele calmo,' ela disse na mente deles. 'Mas não o suficiente para causar caos.'

Sélene respirou fundo. "Então estamos de novo pisando em ovos."

"Exatamente," concordou Noel.

Elyra cruzou os braços. "Então, o que a gente conta pra ele?"

"É isso que precisamos pensar," disse Noel. "Não podemos mencionar Noctis. Ou os loops. Ou que a forma verdadeira de Elarin é…" Ele fez uma pausa, olhando para Charlotte. "É, isso."

Charlotte olhou para baixo, segurando o pergaminho novamente. "Ele pensa que estou segura. Pura. Impoluta por tudo isso. Odeio ter que mentir pra ele."

Elena deu um passo à frente e colocou uma mão gentil no braço dela. "Não é mentira. É proteção."

Sélene concordou. "A verdade pode esperar. Sobrevivência não."

Charlotte soltou uma respiração trêmula. "Então… temos que escolher bem nossas palavras."

"Sim," disse Noel. "E quando soubermos exatamente o que dizer, vamos à Capital Sagrada."

Elyra sorriu de leve. "Afinal, é típico. Problemas te encontram mesmo quando você não faz nada."

Noir balançou a cauda. 'Esse é o talento do pai.'

Noel deu uma risadinha leve — mas antes de responder, uma pulsação súbita atingiu seu peito.

Um leve sino.

Uma ondulação de mana.

Fria, familiar — como aquele arrepio que sobe pelos pelos do corpo.

Seu corpo ficou tenso.

Sélene notou primeiro. "Noel? O que aconteceu?"

Então apareceu a notificação — visível só para ele.

Um retângulo de luz azul surgiu diante de seus olhos.

[ Nova Missão Disponível ]

Não deixe a Igreja Sagrada cair no desespero.

Prazo: 30 dias.

Recompensa: ???

"Noel?" Elena se aproximou, com a sobrancelha franzida. "Você tá olhando pra nada."

Elyra fez um gesto com a mão na frente do rosto dele. "Alô? Vaelterra para Noel?"

Noel piscou, a notificação desaparecendo, mas gravando-se na memória. "Ah— sim. Desculpa. É que… surgiu uma coisa."

Noel piscou novamente, a notificação desaparecendo mas queimando-se na cabeça. "Ah— sim. Desculpa. É que… surgiu uma coisa."

Os olhos de Charlotte arregalaram um pouco. "É o sistema?"

Ele assentiu uma vez.

Sélene endireitou-se. "O que disse?"

Noel respirou lentamente. "A missão está vinculada à igreja. Especificamente… a evitar que ela caia no desespero."

A expressão de Charlotte caiu. Seus dedos apertaram o pergaminho. "Então Orthran realmente está em perigo… emocional ou politicamente."

"Parece que sim," disse Noel calmamente. "Quaisquer que sejam as informações que ele receba, qualquer que seja a reação — se as coisas escaparem do controle, a igreja despenca junto com ele."

Elyra soltou um sujeito de palavrões baixinho. "Perfeito. Coloca 'salvar uma religião' na nossa lista de tarefas."

Elena ponderou. "Trinta dias…"

Charlotte olhou para Noel, com uma mistura de preocupação e determinação nos olhos. "Então… precisamos ir logo. Antes que algo se espalhe."

Noel assentiu. "Sim. Se a missão começa agora, não podemos esperar."

Noir pulou no colo dele, batendo com a pata na barriga. 'Te falei que o silêncio não ia durar.'

Noel soltou uma longa expiração. "Sim. Eu sei."

Ele olhou para elas — a determinação de Charlotte, a confiança de Elyra, a calma de Sélene, a perspicácia de Elena.

"Acho que vamos para a Capital Sagrada," ele disse.

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