
Capítulo 434
O Extra é um Gênio!?
A porta se fechou com um estalido atrás de Noel, isolando o barulho do corredor da academia.
Pela primeira vez desde que voltou, o silêncio o atingiu — suave, pesado, quase demasiado familiar.
Seu quarto parecia exatamente como ele deixara: a cama semiarrumada, pilhas de livros apoiadas perigosamente na escrivaninha, e o aroma sutil de pergaminho antigo e tinta mágica ainda no ar. Um lugar que não era glamouroso nem grandioso, mas que parecia mais como um lar do que a mansão Thorne jamais fora.
Uma ondulação de sombra deslizou pelo chão.
Noir surgiu dela um batimento cardíaco depois, com as patas silenciosas sobre o piso de madeira. Ela se esticou uma vez, o rabo balançando preguiçosamente, antes de pular na cama e se sentar como se estivesse esperando que ele começasse a falar.
"Você tem segurado isso a manhã toda," ela disse em sua mente, com voz baixa e perspicaz.
Noel expirou, deixando-se cair na ponta da cama ao seu lado. "Sim. Eu precisava de um minuto."
Noir o observou, as orelhas se mexendo, enquanto ele passava a mão pelos olhos. A exaustão finalmente se instalou — agora que não tentava aparentar estar bem na frente dos outros: as piadas do Marcus, as reclamações do Laziel, os músculos do Garron… tudo aquilo tinha sido uma distração. Uma boa distração. Mas temporária.
Ele se recostou, apoiando as mãos na colchagem, os olhos vagando até o teto.
"Então… e agora?" Noir perguntou suavemente.
Noel virou a cabeça em direção a ela. Ela o olhava com aqueles olhos violetas — calmos, firmes, inabaláveis. Como sempre fazia.
Ele respirou fundo pelo nariz, formando um meio sorriso sem humor.
"Agora," ele disse em voz baixa, "a gente planeja. Porque as coisas não vão desacelerar… e ambos sabemos disso."
Noir assentiu uma vez, enrolando o rabo ao redor das patas.
"Então, vamos conversar sobre o que vem a seguir, pai."
Noel se endireitou um pouco mais, seu semblante ficando mais sério.
"Sim," ele murmurou. "Vamos começar."
Noel se inclinou para frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, os dedos entrelaçados de forma frouxa.
Por um longo momento, ele não falou — apenas ouviu o zumbido suave das luminárias de mana lá fora e o som delicado do rabo de Noir batendo nas folhas.
Quando finalmente respirou fundo, o ar saiu lento e firme.
"Ficaram duas grandes coisas," ele disse calmamente. "Duas viradas de jogo."
As orelhas de Noir se ergueram. 'Aquelas do romance?'
"Sim." Noel assentiu, com os olhos se estreitando um pouco em reflexão. "Mas tudo começou a mudar desde o instante em que cheguei aqui. Pessoas que deveriam ter morrido viveram. Villains que já não são mais vilões. Eventos que iriam acontecer… não aconteceram."
Ele passou o polegar sobre a palma da mão — um hábito nervoso que nunca conseguiu largar totalmente.
"O efeito borboleta bagunçou a linha do tempo. Completamente."
Noir o observava atentamente, a cauda parada. 'Mas os grandes ainda permanecem?'
"Mais ou menos." Noel levantou dois dedos.
"Primeiro: o Segundo Pilar. O romance dizia que ele se escondia em algum lugar das Ilhas do Norte. Aquela parte onde o protagonista navega até lá, investiga a atividade de seitas e descobre a próxima fase do plano da Elarin." Ele deu uma risada baixa. "Mas isso era história do Marcus originalmente. E agora… quem sabe quanto mudou."
Ele abaixou o primeiro dedo, deixando o último levantado.
"E segundo… o Primeiro Pilar. E a Elarin."
Sua voz ficou mais suave — não por medo, mas por lembrança.
"No romance, a catástrofe final não foi o colapso de reinos." Sua mandíbula ficou tensa. "Foi a queda do mundo inteiro."
O pelo de Noir se arrepiou um pouco.
"Monstros surgiram por toda parte — sem parar, implacáveis. Os Pilares lideraram pessoalmente. Todos eles." Ele engoliu em seco. "Mas agora, restam só dois. Então, a escala será diferente… mas ainda assim apocalíptica."
Uma sombra cruzou seus olhos.
"No romance… todos morreram." Sua voz quase saiu como um sussurro. "Marcus. Elyra. Selene. Charlotte. Elena. Garron. Laziel. Meus pais. Meus colegas… qualquer um que se recusasse a apoiar a Elarin foi eliminado."
Noir se aproximou, empurrando seu braço com o focinho. A voz na mente dele ficou menor que o habitual. 'Todos eles…?'
"Sim." Ele fechou os olhos brevemente. "Todos eles."
Noel soltou uma respiração lenta, com um sorriso amargurado nos lábios.
"Veja… naquela época eu tinha gostos bastante peculiares," murmurou, passando a mão nas têmporas. "Costumava gostar de histórias onde os vilões venciam. Finais trágicos, mundos desmoronando… Acho que parecia interessante quando tudo era só ficção."
Seu semblante escureceu, os olhos tornando-se frios nas bordas.
"Mas viver aquilo? Ver acontecer com pessoas que me importo? Não quero repetir isso. Nem uma vez."
Noir levantou a cabeça, pressionando suavemente contra seu peito, seu calor constante e firme.
'Sim,' ela sussurrou na mente, 'você tem feito tudo para evitar que isso aconteça, pai.'
Algo se suavizou nele com essa afirmação.
Noel deu uma risada cansada e quieta, apoiando a mão na cabeça dela.
"E vou continuar fazendo," ele disse suavemente. "Até o fim."
O rabo de Noir se enrolou mais firme ao redor das patas, enquanto ela olhava para cima, para ele.
'Então… e nós?'' ela perguntou suavemente. 'O que fazemos agora?'
Noel recuou um pouco, encarando a parede oposta como se as respostas estivessem escavadas na pedra. "Vamos nos preparar," disse. "Sem pânico. Apenas… dando os passos que podemos."
Noir inclinou a cabeça. 'E o restante?'
Ele hesitou.
Seu quarto estava silencioso — tão silencioso que até o rangido sutil da corrente da luminária acima se ouvia, o sussurro do vento na janela. Um silêncio que tornava os pensamentos mais altos.
"Não importa o que acontecer a seguir," falou lentamente, "não vou deixar que acabe do mesmo jeito."
Noir piscou uma, duas vezes. 'Você parece decidido.'
"Estou." Ele esfregou a nuca. "E exausto. Mas principalmente decidido."
Noir pulou para mais perto, acomodando-se ao lado do quadril dele. Sua presença sozinha trouxe uma calma estranha — como se as piores partes do futuro parecessem um pouco menos sufocantes com ela ao lado.
'Pai,' ela murmurou na mente, com pensamentos quentes, 'você não vai enfrentar isso sozinho desta vez.'
Ele olhou para ela, encontrando seus olhos violetas.
"Sim," sussurrou. "Sei."
Uma breve pausa — mais suave desta vez, quase reconfortante.
As orelhas de Noir se mexeram. 'Então… qual é o plano mesmo?'
"Nem ideia," Noel admitiu de forma direta.
Ela o encarou.
Ele a encarou de volta.
Então Noir suspirou dramaticamente e se jogou de lado. 'Ótimo. Maravilhoso. Meu pai, o gênio, não tem plano nenhum.'
Noel deu uma risada. "Ei. Eu tenho um esboço."
'Esboço não é plano.'
"É um começo," ele contrapôs.
Noir bufou, mas não argumentou mais. Em vez disso, empurrou levemente o braço dele.
'Então, vamos fazer o plano juntos. Quando chegar a hora.'
Ele sorriu fracamente.
"Sim," disse. "Vamos."
A orelha de Noir se mexeu ao captar a mudança no tom dele, antes mesmo dele terminar de expirar.
"Então… acho que o próximo passo é só… esperar o sistema mandar a próxima missão," ele falou, com a voz cansada e prática, como só usava quando seu cérebro se preparava para o caos. "Acho que a próxima etapa é só… estar pronto."
'Você parece empolgado,' ela comentou secamente.
"Ah, com certeza," Noel respondeu. "Mal posso esperar."
Ele se inclinou novamente, com os dedos batendo de leve no joelho.
"Quando for a hora," ele continuou, "vou ter que estar preparado. E… talvez conversar com o Daemar." Ele fez uma careta. "Vou precisar pedir licença na academia."
Noir o encarou lentamente. 'Para ir às Ilhas do Norte.'
"Sim." Noel encolheu os ombros, embora com esforço. "Não há como não ir. E se a missão me levar lá… então…" Ele apertou os lábios numa linha fina. "Vou cuidar disso."
Noir se alongou, o rabo balançando preguiçosamente. 'Você acha que ele vai simplesmente deixar você sair?'
Noel soltou uma respiração longa, recostando-se um pouco. "Sim," murmurou. "Se ele for parecido com o Nicolas…" Um sorriso cansado e suave surgiu nos cantos da boca. "…ele me deixará ir."
O rabo de Noir se mexeu uma vez, em sinal de alívio. 'Então ficou decidido.'
"Sim," confirmou. "Ele vai fazer algum discurso dramático no começo, mas no final? Vai dizer que sim."
A sala voltou a ficar silenciosa — aquele silêncio que não sufoca, mas que se acomoda suavemente nas paredes, como um cobertor que cobre o mundo.
Noel se levantou e foi até a janela, empurrando a cortina só um pouco para fora e olhando para o exterior. Os campos da academia se estendiam sob a luz do crepúsculo: estudantes conversando lá embaixo, luminárias de mana acendendo uma a uma, a brisa trazendo sinais tênues do outono.
Uma noite tranquila. Normal. Algo que ele dificilmente tinha.
Noir pulou da cama e caminhou até ele, roçando o lado do corpo contra a perna dele.
'Pensando de novo,' ela disse.
"Sempre," respondeu Noel.
Ele descansou a testa contra o vidro frio. De lá de cima, o mundo parecia perigosamente pacífico — quase intocado por monstros, pilares ou destinos que nunca pediu.
"Tudo parece quieto demais," murmurou.
'É por isso que você não gosta,' Noir brincou gentilmente.
Ele soltou um suspiro pequeno. "Talvez."
Noir se sentou ao lado, sua sombra se alongando pelo chão. 'Mas o silêncio também significa que você não está lutando por uma vez. Aproveite enquanto dura.'
"…Sim," concordou Noel, com a voz baixa. "Sei."
Por um momento, nenhum deles falou. O suave farfalhar das folhas lá fora encheu o silêncio.
Depois, Noir cutucou seu tornozelo. 'Vamos dar conta. Seja o que for que venha.'
Ele olhou para baixo, um sorriso cansado, mas sincero, surgindo nos lábios.
"Sim. Vamos."
Nosso pais, porque você é meu pai,' ela pensou, com ternura na mente dele.
Noel deu uma risada suave e fechou os olhos por um instante, deixando que a exaustão o invadisse enquanto a cercava com o olhar. E, mesmo com tudo, sentiu-se um pouco mais leve.
Finalizou o suspiro — lento e firme.
"Tudo bem," ele disse em voz baixa. "Tenho uma noite tranquila. É o que basta."