O Extra é um Gênio!?

Capítulo 432

O Extra é um Gênio!?

Daemar parou de caminhar atrás da sua mesa.

A luz tênue da janela alta refletia nos fios prateados de seu cabelo, suavizando a habitual intensidade de seu olhar violeta. Por um momento, ele apenas observou Noel — não com repreensão, nem com exasperação… mas algo mais silencioso.

"…Cansativo," ele finalmente disse.

Noel piscou. "Sério? Tão ruim assim?"

Daemar bufou — um som tão raro que tanto Dior quanto Charlotte levantaram o olhar em surpresa.

"A transição foi… dramática," admitiu Daemar. " Nicolas gerenciava esta academia com mais precisão que qualquer general. Substituí-lo nunca ia ser uma tarefa simples."

Ele gesticulou para as pilhas de documentos, avisos selados e relatórios carimbados com mana espalhados sobre a mesa.

"Agora," continuou, "metade das famílias está enviando cartas pedindo garantias. Nobres solicitam 'atualizações de status.' Novas políticas precisam ser redigidas antes do início do semestre. Os professores querem reuniões. E a Família Imperial—"

Seus olhos piscaram momentaneamente para Seraphina e Dior.

"—exige coordenação constante."

Seraphina assentiu uma vez, reconhecendo sem vergonha. Dior apenas cruzou os braços, fingindo não se importar — embora seu olhar permanecesse fixo em Daemar com interesse.

Daemar soltou uma respiração curta.

"Resumindo: é caos." Ele fez uma pausa. "Que, considerando sua matrícula, Noel, é… apropriado."

A expressão de Daemar mudou de um cansaço divertido para algo mais profissional enquanto ajustava uma pilha de documentos na mesa.

"Enfim," disse ele, "além das reclamações, a academia precisa estar pronta antes do início das aulas. Nicolas cuidava dessas questões sozinho, mas eu não sou tolo o suficiente para tentar o mesmo."

Seraphina levantou uma sobrancelha. "Quer dizer?"

Daemar virou-se para ela — e um sorriso quase imperceptível aflorou em seus lábios.

"Pretendo envolver ainda mais o conselho estudantil a partir de agora."

Seraphina colocou uma mão na cintura, elegante e confiante. "Naturalmente. É por isso que fui eleita. Pode deixar que cumprirei."

Dior soltou um suspiro suave, mas não protestou.

Charlotte escondeu um pequeno sorriso de orgulho.

Noel recostou-se, com os braços cruzados, observando a troca.

Então, Daemar olhou diretamente para Noel.

"E isso inclui você."

Noel piscou. "Hã? Eu?"

Seraphina sorriu com uma ponta de satisfação. "Claro que você. Achava que eu ia deixar você se livrar das responsabilidades pra sempre?"

Noel ergueu as mãos, em sinal de defesa. "Eu não escapei de nada! Você é quem… nunca pediu."

Seraphina arqueou uma sobrancelha. "Bem, estou pedindo agora."

Noel acariciou a nuca, soltando um suspiro. "Ótimo. Fantástico. Mais trabalho."

Daemar limpou a garganta discretamente. "Como alguém que já foi um ímã de problemas—"

Noel gemeu.

"—sua percepção dos padrões de ameaça e dos assuntos da academia será… útil."

Charlotte riu com a mão na boca.

Noel murmurou: "Útil geralmente significa 'vou me arrepender disso'."

Seraphina avançou, seu tom mudando de brincalhão para firme.

"Falando sério, Noel — este ano é diferente. Não podemos ser passivos. Você esteve no centro de muitas ocorrências, não podemos deixar passar. Então sim… vamos precisar de você. Ativamente."

Seu olhar suavizou um pouco.

"E acho que você sabe disso."

Noel suspirou, aceitando o inevitável. "Beleza. Tudo bem. Eu ajudo."

Daemar assentiu com aprovação. "Ótimo. Então estamos alinhados."

Seraphina bateu o dedo na própria manga pensativa. "Na verdade," ela disse, "acho que é hora de começarmos a trabalhar como uma equipe de verdade. Você, eu, o conselho… e todo mundo aqui."

Noel a olhou de lado, um sorriso relutante se formando. "Acho que isso quer dizer que agora estou preso com você, hein?"

Seraphina sorriu de canto. "Totalmente."

E assim, a tempestade do novo semestre começou a se formar.

Assim que Daemar os dispensou, o clima na sala relaxou. Dior foi o primeiro a sair com um bufinho — embora até mesmo isso estivesse sem o seu usual humor — e Seraphina foi a seguir, caminhando com calma e falando de rotinas em sussurros.

Noel ficou por um segundo, massageando o puente do nariz.

"Ótimo," murmurou. "Mais trabalho. Era isso que eu precisava."

Charlotte cutucou levemente com o ombro dele. "Você poderia tentar ser menos dramático."

"Eu é que estava sendo menos dramático," respondeu Noel.

A voz de Selene de repente soou da porta. "Então era aqui que você estava."

Noel virou-se — e lá estavam elas: Selene, Elyra e Elena, alinhadas como se tivessem esperado ele terminar com os adultos.

Elyra avançou, braços cruzados, olhos cinzentos afiados como sempre.

"Vimos a Seraphina e o Daemar saírem. O que aconteceu? Você quebrou algo de novo?"

Elena completou com um suspiro suave e divertido, "Ou alguém?"

Selene inclinou a cabeça. "Você não está coberto de sangue, então isso é uma mudança bem-vinda."

Noel olhou fixamente. "Por que todo mundo assume que eu cometi um crime?"

Elyra levantou uma sobrancelha. "Porque você respira."

Charlotte riu para a mão.

Noel soltou um suspiro. "Olha, não tem nada de dramático. Daemar só disse…"

Ele fez um gesto vago. "Vocês sabem. Vão me fazer trabalhar neste semestre."

Elyra rolou os olhos em solidariedade. "Quer dizer, ajudar o conselho. De novo."

Elena concordou. "Já estamos atolados com preparativos para o novo período. Ter alguém que realmente entende o que acontece fora da academia vai ajudar."

Selene concordou com um murmúrio. "E você ficou bom em resolver problemas. Mesmo que a maioria deles te persiga."

Noel piscou. "Vocês estão exagerando na minha conta, hein."

Elyra sorriu de canto. "É assim que demonstramos carinho."

Elena deu um passo à frente, suavizando a expressão. "Mas falando sério — estamos felizes por você estar ajudando. É mais fácil se fizermos juntos."

Selene concordou. "Muito mais fácil."

Charlotte olhou entre elas, sorrindo levemente.

Noel hesitou… e então deu um sorriso pequeno, relutante.

"Beleza. Tudo bem. Eu ajudo."

Elyra aplaudiu uma vez. "Ótimo. Agora podemos ir ao verdadeiro motivo de termos vindo."

Selene cruzou os braços. "Seu quarto."

Elena assentiu, calma mas firme. "Temos novidades."

Noel franziu o cenho. "Por que tenho a sensação de que isso é código para 'interrogatório'?"

"Porque é," disse Elyra, já se virando em direção ao corredor.

Noir saiu de trás das sombras de Noel, balançando o rabo uma vez. 'Disse que eles não vão te deixar descansar.'

Noel suspirou mentalmente. "Pois é… eu já sabia."

A caminhada de volta para o dormitório de Noel parecia uma procissão — uma na qual ele não tinha voz nem escolha sobre o destino.

Elyra abriu a porta sem hesitar, agindo como se fosse dona do lugar.

Selene e Elena entraram logo atrás, calmas como sempre.

Charlotte entrou sorrateiramente, fechando a porta suavemente ao lado.

Noir pulou na cama de Noel instantaneamente, enroscando a cauda ao redor de si com uma expressão de 'moro aqui agora'.

Noel olhou ao redor para as quatro meninas assumindo posições ao redor do quarto como uma equipe estratégica.

"…Ok," murmurou. "Isto definitivamente é uma entrevista."

Elyra sentou na cadeira da mesa dele e girou-a em sua direção, com olhos afiáveis. "Correto."

Noel estava quase entrando na sala completamente quando Elyra cruzou os braços com um sorriso excessivamente satisfeito.

"Sente."

Ele levantou uma sobrancelha. "Sério?"

"Pois é," ela disse, "vocês dois estavam muito à vontade quando voltaram."

Charlotte ficou vermelha como um tomate. "E–Elyra!"

Selene encostou na parede, com tom neutro, mas quente por baixo. "Era a ideia mesmo."

Elena concordou gentilmente. "Vocês precisavam de uma pausa. Depois de tudo com Elarin… era o momento certo."

Noel congelou. "Espera— vocês planejaram isso?"

Elyra deu uma olhada revirando os olhos. "Claro que sim. Alguém tinha que te tirar da sua cabeça."

Selene murmurou: "E você é péssimo em descansar. Mesmo. Péssimo mesmo."

Charlotte escondeu o rosto nas mãos, embora estivesse sorrindo. "Então vocês… fizeram tudo por nós?"

Elena riu suavemente. "Hum. E isso ajudou de fato."

Noel abriu a boca, mas Elyra levantou um dedo com um sorriso brincalhão e perigoso.

"Mas—" Os olhos dela brilharam de pura provocação. "Tenta não se empolgar demais, ok? Não precisamos que você faça um filho antes das finais."

Charlotte engasgou com o ar. "ELYRA!"

Selene suspirou. "Você é de um exagero…"

Elena colocou a mão na boca, rindo suavemente. "Ela… não está errada quanto a ter cuidado."

Charlotte estava vermelha até as orelhas. Noel também.

Elyra ajeitou os cabelos com orgulho. "Aliás, já disse que posso bancar tudo? Então relaxem."

Charlotte fez um som de horror e constrangimento.

Noel levantou as mãos. "A gente não pode planejar minha família inteira antes do café?"

Selene sorriu de lado. "A gente só está dizendo… não seja imprudente."

Elena concordou. "Estamos felizes por vocês. De verdade. Só… vá com calma."

Charlotte respirou fundo, finalmente abaixando as mãos. "Eu… entendi."

Elyra bateu palmas uma vez. "Perfeito. Agora que isso está resolvido—"

O tom dela mudou.

"E agora, Noel? Sabemos que isso ainda não acabou."

Os olhos de Selene ficaram mais agudos. "O Pilar Primevo se moveu. O Segundo não vai ficar quieto."

Elena deu um passo à frente. "Diz qual o próximo passo."

Charlotte, mais calma, segurou a mão de Noel. "Estamos prontos."

Noel respirou fundo. O ar ficou mais pesado.

"O próximo alvo é o Segundo Pilar."

As meninas ficaram tensas.

Elena sussurrou: "Sabem onde?'

Noel balançou a cabeça. "Mais ou menos. Mas o último rastro que temos… leva às Ilhas do Norte."

Selene clicou a língua. "Lugar pra lá de complicado."

Elyra endireitou os ombros. "Se é lá que eles estão, é lá que vamos."

Charlotte apertou a mão dele com mais força. "Você não vai enfrentar isso sozinho."

Noel olhou para as quatro, realmente reparando nelas. "…Eu sei," disse baixinho.

O silêncio novamente se instalou, pesando com a ameaça das Ilhas do Norte no ar, enquanto Noel recostava na mesa.

"Bom," começou, exalando lentamente, "por ora, o sistema não deu nenhuma missão. Nada concreto."

Selene levantou uma sobrancelha. "Isso… é estranho."

"Pois é," disse Noel, dando de ombros. "Mas agora, que posso falar com vocês sobre isso, quando algo surgir, vocês vão saber imediatamente. Todas."

Charlotte sorriu aliviada.

"Então, o que fazemos até lá?" perguntou Elyra, com as mãos nos quadris.

"Por enquanto?" respondeu Noel. "Nospreparamos. Treinamos. Vivemos nosso cotidiano normalmente. Se o sistema ficar quieto, provavelmente a próxima jogada não é imediata."

Elena pensou por um momento, depois falou de forma suave.

"E Marcus? Roberto? Clara? Garron? Laziel? Não deveriam saber? Mesmo que seja um pouco?"

A expressão de Noel endureceu — só um pouco, mas suficiente para que todas percebessem.

"Não," afirmou firmemente. "Por mais que eu queira contar… não podemos."

Selene franziu a testa. "Por causa do aviso do Noctis?"

"Exatamente." Noel assentiu. "Ele nos avisou para não confiar em ninguém. Nem naqueles que mais confiamos. Odeio admitir, mas… não podemos arriscar envolver outros nisso sem certeza."

Elena baixou o olhar, compreendendo. "Isso… é uma pena."

"É," murmurou Noel. "Mas é necessário."

Charlotte passou os dedos levemente pelo braço dele, com a voz baixa, mas firme. "Então, vamos agir com cuidado. Só nós."

Elyra cruzou os braços, decidida. "Tudo bem. Se isso ficar só entre a gente, não vamos quebrar essa confiança."

Selene sorriu de leve. "Além do mais, quanto menos souberem, mais difícil é de prever."

Noel soltou uma respiração curta — algo entre tensão e alívio.

"Exatamente," disse. "Quando o sistema falar novamente… estaremos prontos."

As quatro trocaram olhares — um pacto silencioso sem uma palavra sequer.

Comentários