
Capítulo 437
O Extra é um Gênio!?
A primeira luz da manhãescondida pelas cortinas da sala de aula S de Noel, um dourado suave que tocava os livros empilhados na mesa e a capa dobrada ao meio sobre a cadeira.
Noir apareceu da sombra sob a cama, esticando-se com um pequeno tremor de pelo antes de pular ao lado dele.
"Você está… estranhamente animado hoje, pai," disse ela, com olhos violetas estreitados em divertida satisfação. "Quase como se estivesse morrendo de saudades de uma missão."
Noel, ainda sentado na ponta da cama, esfregou os olhos sonolentos. "Hm. Talvez eu estivesse," admitiu com um leve encolher de ombros. "Mas, honestamente? Eu gostaria que tudo isso acabasse logo. Uma vida tranquila parece bem melhor."
Noir piscou uma vez, depois inclinou a cabeça. "E os irmãos?"
Noel falou antes de pensar. "Sim, e alguns irmãos seriam—espera. O quê?"
Ele olhou para ela. "Você quer irmãos?"
'Hm,' respondeu Noir como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. 'Claro, pai. Você acha que ficarei sozinha do jeito que está? Quero ser uma boa irmã mais velha.'
Na cabeça de Noel, seus pensamentos travaram completamente. '…Quer dizer, isso não devia ser um problema, certo? Com o tempo…'
A cauda de Noir agitava-se. 'Você sabe que nossas mentes estão conectadas, né? Ouço tudo o que você pensa. E sei que não está tão longe assim…'
Noel congelou. "Noir. Quanto você sabe?"
Ela não respondeu — apenas o encarou com uma expressão que de alguma forma era demasiado inocente.
"...Certo." Noel suspirou.
Ele se levantou, passando a mão pelos cabelos. Pequenos fios loiros caíam sobre a testa, refletindo a luz da manhã. Quando começou a se despir para o banho, Noir permaneceu sentada na cama, observando-o com curiosidade silenciosa.
O vapor encheu o pequeno banheiro enquanto ele entrava debaixo do chuveiro. Quando saiu, com a toalha ao redor dos ombros, viu seu reflexo no espelho — cabelo úmido e dourado, olhos esmeralda afiados apesar do cansaço.
Mas era o seu torso que chamou sua atenção.
Centenas de cicatrizes claras cruzavam seu peito, abdômen, braços — linhas sutis, algumas finas, outras irregulares. Um mapa de cada luta, de cada erro, de cada sobrevivência apertada.
Ele tocou uma perto das costelas.
"Uau," sussurrou baixinho. "Realmente parecem marcas de guerra…"
'Você fica bem, pai,' disse Noir de trás dele, com a voz agora mais suave. 'Não se preocupe com elas.'
Noel deu um sorriso seco. "Ah, acho que logo vou acumular mais algumas."
A cauda de Noir eriçou-se. 'Não brinque com isso. Não gosto quando você se machuca.'
Noel se virou, voltando à cama. Agachou-se, tocando suavemente a cabeça dela com a mão.
"Desculpe," disse suavemente. "Não quis te preocupar."
Noir apoiou a cabeça contra a sua mão, fechando os olhos lentamente.
Ele terminou de secar os últimos pingos de água dos cabelos e saiu para a sala principal. Noir observava deitada na cama, com a cauda balançando preguiçosamente enquanto ele se vestia.
Primeiro, as calças pretas – justas, confortáveis, fáceis de mover.
Depois, a camiseta de nobre azul-marinho — simples mas limpa, aquele tipo que não grita status, mas ainda assim parece refinado.
Finalmente, as botas pretas, polidas o suficiente para passar na vistoria.
Ele colocou sua bolsa dimensional na cintura direita, ajustando-a confortavelmente contra o cinto. A lâmina do Phantasma de Revenant foi presa no lado esquerdo, seu peso familiar — equilibrado exatamente onde a mão dominante poderia puxá-la em um instante. O metal brilhava fracamente à luz da manhã.
Noel apertou a fivela e soltou um suspiro curto. "Parece que faz uma eternidade que não vejo o Orthran," murmurou. "Da última vez, ele me mandou cuidar da Charlotte…"
As orelhas de Noir se levantaram. 'Está se culpando? Pelas bênçãos dela?'
Noel hesitou — tempo suficiente para que a pergunta de Noir pesasse mais do que pretendia. "…Não. Não exatamente."
Ele descansou a mão levemente na empunhadura de Revenant Fang, com os olhos baixos.
"Mas confesso que me sinto culpado," admitiu calmamente. "Sempre colocando todos em perigo… várias vezes."
Noir se aproximou, sentando-se ao pé dele enquanto continuava.
"Elyra… na primeira vez, você ainda nem estava comigo. Ela foi investigar algo por minha causa, bem, não exatamente por minha causa, e tive que trazê-la de volta antes que fosse morta."
Ele engoliu em seco, o maxilar trincado. "Elena — na primeira Caçada do Festival, ela quase morreu, e eu tive que mantê-la viva."
"Selene… eu a raptei da mãe dela. Não podia deixar assim, como estava."
"E Charlotte…" Sua voz ficou mais suave. "Tudo o que tivemos que fazer para salvá-la daqueles que se infiltraram."
Noir ouvia em silêncio, com os olhos quentes e firmes.
"Já passaram por demais… e ficaram. Me seguiram. Sou grato, de verdade." Sua garganta ficou apertada. "Só tenho medo. Medo de perder qualquer uma delas. E ao mesmo tempo… me sinto aliviado. Porque finalmente falei o que vinha guardando há tanto tempo."
Um sorriso trêmulo, quase incerto, apareceu nos lábios dele. "Eles aceitaram a verdade. Não deram as costas. Na real, Noir… eu estava apavorado. Apavorado de acabar sozinho de novo neste mundo."
A voz de Noir em sua mente suavizou. 'Sei, pai. Já sabia de tudo isso. E não se preocupe — eu sempre estarei com você. Nos bons e nos maus momentos.' A cauda dela tocou sua bota. 'E aquelas quatro também não vão te abandonar. Você ajudou elas mais do que elas ajudaram você.'
As palavras aliviaram algo profundo no peito dele.
Noel acariciou suavemente a cabeça de Noir, deixando um sorriso verdadeiro surgir. "Obrigado, Noir."
Ele se aproximou da porta e colocou a mão na maçaneta.
"Pois bem," disse com uma respiração, "está pronto para outra missão?"
Noir pulou para o ombro dele, com a cauda enrolada atrás do pescoço.
Ela soltou um uivo curto, cheio de entusiasmo. 'Sempre.'
Noel saiu para o corredor, fechando suavemente a porta — e logo congelou.
As quatro garotas estavam esperando.
Elyra encostada na parede, com os braços cruzados, uma perna apoiada casualmente, cabelo preto trançado frouxo. Ela sorriu primeiro.
"Você se atrasou," provocou, soltando-se da parede e andando direto na direção dele. Passou o dedo pelo colarinho dele, olhos cinzentos brilhando. "Não pense que sair para outro continente te livra do nosso cumprimento matinal habitual."
Antes que Noel pudesse reagir, ela ficou na ponta dos pés e o beijou — com confiança, calor e uma familiaridade que já era rotina.
Sua primeira namorada. Sua primeira tudo.
Mesmo agora, aquela ousadia ainda o pegava de surpresa, embora não como antes.
Chegou a vez de Elena.
Ela já tinha bochechas coradas antes mesmo dele olhar para ela. "Eu—eu acho que deveria… hum… também—"
Ela se inclinou rapidamente e o beijou, suave e tímida, com as pontas das orelhas elficas avermelhadas. Quando afastou, sussurrou: "Fique seguro, por favor."
Charlotte virou-se imediatamente — sem provocações, sem hesitação.
Envolveu-o com braços brevemente, apoiando a testa contra o peito dele antes de lhe dar um beijo suave.
Seus olhos dourados transmitiam algo mais profundo — preocupação e confiança entrelaçadas. "Vamos passar por isso," sussurrou. "Juntos."
Por último, aproximou-se Selene.
Ela não sorriu. Não sorria facilmente.
Mas pôs a mão de luva em sua face, a pele fria acalmando-o, e o beijou com uma decisão lenta e deliberada, que ainda o surpreendia toda vez.
"Vocês dois é melhor voltarem," disse baixinho. "Não quero saber se é só política. Problemas te seguem como uma maldição."
Noel levantou as mãos, rendido com um sorriso meio torto. "Sei, sei. Não se preocupe tanto. Vamos voltar antes que perceba que estamos fora."
Elyra bufou. "Nós percebemos tudo."
Elena assentiu rápido. "Tudo."
Selene cruzou os braços. "Não desafiem isso."
Charlotte apenas sorriu e segurou a mão de Noel.
Nesse exato momento, Noir saiu de sua sombra, alongando-se como se tivesse acabado de acordar.
'Não se preocupem, mães,' anunciou orgulhosa em suas mentes. 'Vamos fazer o possível. O pai prometeu.'
Noel suspirou. "Noir—"
Mas já era tarde demais.
As quatro meninas o encararam com sorrisos cúmplices e conhecedores.
Ele suspirou por dentro. Noir ronronou.
Noel assentiu — firme, confiante, mas com uma calor que não conseguiu esconder no peito.
"Tomem conta da academia," disse. "Vocês sabem o quão delicada está a situação agora. Confio em vocês."
"E nós confiamos em você," disse Elyra suavemente.
Então Charlotte puxou-o delicadamente para as escadas.
"É hora."
Noel olhou para trás uma última vez — quatro pares de olhos o observando, cada um com sua própria emoção.
"Até logo," disse.
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Assim que Noel e Charlotte saíram pelos portões do dormitório S, uma carruagem já os aguardava.
Os cavalos bufaram suavemente, a respiração formando névoa no ar fresco da manhã.
Noel ajudou Charlotte a entrar antes de se acomodar ao lado dela. A porta se fechou, as rédeas foram puxadas, e a carruagem começou a avançar, deixando a academia para trás.
Por um tempo, nenhum deles falou.
Árvores passavam pelas janelas, a luz do sol filtrando entre os ramos em linhas douradas suaves. Estudantes em pequenas tarefas paravam para observar a passagem da carruagem, cochichando entre si — o Santo do Valor e o menino que se recusava a evitar encrenca.
Charlotte apoiou-se um pouco para trás, exalando. "Duas horas até o porto," murmurou. "Estranho partir de novo tão cedo."
"Pois é," disse Noel, assistindo os prédios diminuindo ao fundo. "Mas também dá uma sensação… de que estamos indo em direção a algo importante."
A mão de Charlotte encontrou a dele no assento entre eles.
"Noel," ela sussurrou, "qualquer que seja o que acontecer na Capital Sagrada… obrigada por vir comigo."
Ele apertou suavemente seus dedos. "Onde mais eu deveria estar?"
Do lado de fora, a paisagem mudou — do terreno da academia para a estrada aberta, levando até penhascos distantes onde o mar brilhava ao longe.