O Extra é um Gênio!?

Capítulo 418

O Extra é um Gênio!?

O ar ainda queimava.

Mesmo depois que a batalha acabou, as ruínas respiravam calor — um ritmo lento e sufocante que dificultava saber se o mundo ainda estava vivo ou simplesmente morria mais devagar do que eles.

cascos batiam contra pedra quebrada enquanto três cavaleiros emergiam da névoa que se desvanecia. Elena puxou o capuz mais para baixo, protegendo o rosto do vento carregado de cinzas. Ao seu lado, Elyra fez uma careta, cobrindo a boca com uma luva rasgada.

"Este lugar…" Elyra murmurou, a voz tremendo levemente. "É de arrepiar."

Os olhos âmbar de Elena escanearam o horizonte — torres negras derretidas na base, o chão rachado em veias fumegantes. "Está pior do que imaginei."

Charlotte vinha atrás em silêncio, com o cabelo rosa carregado de fuligem, as pontas do manto queimadas. Quando finalmente falou, sua voz foi baixa, mas carregada de peso.

"Isso me lembra a Capital Sagrada," ela disse. "Os gritos, o cheiro… tudo."

Ela apertou as mãos nas rédeas. "Pelo menos naquela época, Noel estava lá para me ajudar."

Chegaram à margem da câmara principal, onde o campo de batalha se abria em uma cratera de pedra incandescente. Os primeiros raios de sol da manhã atravessaram as frestas no teto, refletindo em armas quebradas e no leve brilho do mana ainda pairando no ar.

O cavalo de Elyra parou de repente, bufando, recusando-se a avançar. "Até o solo parece errado," ela disse. "Como se estivesse respirando."

Elena desceu primeiro, pousando suavemente sobre o chão carbonizado. "Fiquem alertas. Se as Colunas deixaram algo para trás, vamos encontrar aqui."

Charlotte foi a última a descer, com as pernas tremendo um pouco de cansaço. "Vamos apenas torcer para que Noel ainda esteja vivo."

De dentro da ruína, uma silhueta se moveu — fraca contra a névoa de calor, mas inconfundível.

Noir saiu sorrateiramente das sombras, com o pelo chamuscado e as patas sangrando, mas ainda forte. Quando os viu, pulou para frente, colapsando pela metade até os pés de Charlotte na sua forma menor.

Charlotte ofegou, ajoelhando-se. "Noir!"

O lobo rosnou cansado, sua voz ressoando em suas mentes, fraca, mas viva. 'Você conseguiu… bom.'

Elena se agachou ao lado dela, olhou com atenção. "Se ela está aqui… então ele não deve estar longe."

E ela estava certa.

Por entre a fumaça, surgiu lentamente o contorno de um homem — alto, ombros caídos, roupas queimadas e rasgadas. A Presa do Renascido pendia solta na mão dele, riscando uma linha tênue na cinza. Atrás dele, Selene e Albrecht vinham, ambos mancando, mas firmes.

A visão prendeu as três moças no lugar.

Por um momento, ninguém ousou falar.

Então Charlotte deu um passo à frente, a voz tremendo de alívio. "Noel!"

Ele ergueu o rosto ao ouvir seu nome, olhos cansados, mas claramente vivos.

Um sorriso de relance apareceu em seus lábios. "Vocês realmente vieram."

Charlotte assentiu, lágrimas escorrendo apesar das manchas de fuligem no rosto. "Claro que viemos."

Noir levantou levemente a cabeça, balançando o rabo uma vez. 'Demorou bastante.'

Elyra exalou em um suspiro trêmulo, olhando ao redor na destruição. "O que aconteceu aqui?"

A resposta de Noel foi baixa, quase se perdendo no crepitar das chamas morrendo.

"Inferno," ele disse simplesmente. "Sobrevivemos ao inferno."

Encontraram um trecho de pedra quebrada que ainda não tinha derretido completamente, apenas quente o bastante para sentar sem se queimar. O calor do chão ainda se infiltrava pelas botas enquanto todos se acomodavam, finalmente vencidos pelo cansaço que tomava conta no silêncio.

Noel foi o primeiro a se ajoelhar, com a espada ao lado. O cheiro de carvão e ferro ainda grudava nele, do tipo que não sai fácil. Selene se sentou perto, sem falar, com a varinha equilibrada no colo. Albrecht permaneceu de pé por um momento, escaneando o horizonte, antes de se abaixar ao lado deles com um suspiro silencioso.

Charlotte se ajoelhou entre eles, as mãos tremendo ao se juntar. "Fica parado um momento," ela murmurou.

Uma suave luz dourada começou a subir das palmas das mãos dela — suave, constante, quase sagrada na maneira de combater a fumaça ao redor. O calor se espalhou lentamente, atingindo cada um deles em ondas suaves. Noel sentiu-o envolver sua pele, anestesiando a dor que pulsava sob as queimaduras nos braços.

Ele a observou quieto. Sua expressão era concentrada, os lábios se movendo em um sussurro que ninguém compreendia. O ar vibrou sutilmente a cada respiração dela, como se a própria realidade se dobrasse para permitir que sua oração passasse.

Noel quis falar — dizer que ela não precisava desperdiçar força e vida — mas parou. A expressão no rosto dela deixou claro que ela precisava fazer aquilo.

Quando a luz finalmente se foi, o sangramento cessou. As fissuras na armadura de Albrecht se fecharam com um leve zumbido, o tremor de Selene diminuiu, e até Noir exalou suavemente, sem as queimaduras na lateral do corpo.

Charlotte, porém, estava pálida. A respiração dela era irregular.

Noel franziu o cenho. "Você não deveria se esforçar assim."

Ela olhou nos olhos dele — cansada, mas sorrindo. "Você faria o mesmo por mim."

Ele hesitou, então deu um pequeno sorriso em troca. "Sim. Eu faria."

Ela passou a mão na fuligem dos joelhos e sentou-se ao lado dele, o leve brilho dourado ainda pairando nas pontas dos dedos dela.

O silêncio que se seguiu era pesado, mas não insuportável — pela primeira vez em horas, tudo estava quieto.

Então Albrecht falou, sua voz cortando o ar como uma lâmina. "E quanto ao lado de fora?"

Elyra inclinou-se para frente, puxando um fio de cabelo preto que caía sobre os olhos. "A mansão está segura. As paredes resistiram, graças a Damon e Kael. Sylvette comandou a defesa — ela é… mais forte do que eu imaginei."

Albrecht assentiu lentamente. "Bom. Perdas mínimas?"

Elena respondeu desta vez. "Alguns soldados. O pátio está parcialmente destruído, mas o brasão de Thorne ainda está no alto."

Charlotte olhou para Noel. "Vimos o fogo de longe. Eu pensei…" Ela parou, olhando para o chão ensanguentado sob eles. "Pensei que tínhamos chegado tarde demais."

Noel balançou a cabeça, recostando-se na parede rachada. "Vocês não chegaram."

Selene, ainda recuperando o fôlego, acrescentou com calma: "Por pouco."

Durante um tempo, ninguém falou mais. A ruína ao redor deles rangeu e assoviou — um eco cansado e quebrado da guerra que acaba de terminar.

Noir se alongou ao lado de Noel, a cauda tocando seu boot. 'Você parece menos morto agora.'

Ele bufou, quase rindo. "Essa foi a coisa mais gentil que você me disse a semana toda."

Charlotte sorriu levemente, os cantos dos lábios tremendo. O momento era pequeno, frágil — mas era paz, mesmo que não durasse.

Albrecht se endireitou, limpando lentamente a fuligem da armadura. Sua voz, quando falou, foi calma, carregando aquela mesma frieza que parecia nunca derreter, não importando a proximidade com as chamas.

"Então," ele finalmente disse, "e quanto à Sylvette?"

Elyra olhou para ele, ajustando a postura discretamente. "Ela se saiu bem," respondeu com firmeza. "Quando os monstros chegaram às muralhas, foi Sylvette quem reuniu os soldados. Ela manteve a ordem enquanto todo mundo entrava em pânico."

Charlotte concordou, sorrindo levemente. "Ela nunca hesitou. Mesmo quando o portão externo começou a rachar."

O olhar de Albrecht permaneceu fixo nelas — como se pudesse ouvir o que não estavam dizendo. Mas, por ora, permaneceu em silêncio. Apenas pigarreou uma vez, devagar, refletindo.

"Entendo," ele murmurou, tom indecifrável. "Então, ela finalmente deu um passo à frente."

Elena acrescentou: "Ela é jovem, mas… há algo natural na maneira como ela manda. As tropas a seguem sem questionar."

Uma longa pausa se seguiu. Então Albrecht assentiu de leve. "Bom."

Ele se recostou, colocando as mãos nos joelhos, com os olhos semi-fechados como se estivesse perdido em pensamentos.

'Sylvette… forte, composta, decisiva quando conta,' pensou.

'Se Noel continuar rejeitando o caminho da família, ela é a escolha certa. Entre ela, Kael e Damon, é a única que carrega tanto o coração quanto o controle.'

O pensamento permaneceu como um sussurro na sua mente. Não havia maldade, apenas pragmatismo — a fria clareza que somente um patriarca podia carregar.

Noel, observando-o de canto, captou aquele olhar — o mesmo olhar calculista que seu pai sempre usava ao ponderar vidas como peças em um tabuleiro.

Uma amarga quietude surgiu em seu peito.

'Tudo bem,' pensou. 'Deixa ela como herdeira. Mantém esse nome amaldiçoado. Quando tudo acabar, não preciso mais voltar.'

Ele forçou seu rosto a permanecer neutro, esfregando a nuca como se a tensão ali fosse só cansaço. A verdade era mais simples — ele não queria que essa conversa continuasse.

Selene, percebendo isso, desviou o foco. "Ela será uma boa líder," disse ela, com voz medida. "Os soldados confiam nela."

Albrecht deu um leve aceno, quase aprovando. "Então, fiz uma boa escolha."

Charlotte inclinou a cabeça levemente. "Escolheu?"

Ele olhou para ela por um momento, depois voltou o olhar para o horizonte. "Um líder não nasce," ele disse simplesmente. "Ele é reconhecido."

As palavras caíram pesadas — finais.

Noel expirou lentamente, olhando para o chão escurecido sob seus pés. 'Reconhecido,' ecoou silenciosamente. 'Ou preso.'

O silêncio foi quebrado de repente — sem aviso.

Um zumbido baixo cortou o ar — e então uma luz cortou-os como uma lança, dividindo a fumaça ao meio. O impacto sacudiu o chão, espalhando cinza e fragmentos derretidos. Todos congelaram.

A rapidez de Noel disparou tarde demais. Sua cabeça se virou na direção do som — e lá, onde a pedra preciosa havia estado segundos atrás, estava um homem segurando-a casualmente em uma mão.

A pedra brilhava fracamente na palma dele, seu pulso suave refletindo nos olhos — olhos que reluziam com aquele brilho artificial, zombeteiro, que Noel nunca esqueceria.

Noir arregalou instantaneamente o pelo, as presas à mostra, um rosnado baixo vibrando do fundo do peito. 'Ele.'

O coração de Noel afundou. Ele não precisava que ela dissesse.

Ele já sabia.

O homem sorriu — largo, alegre, completamente deslocado entre as ruínas de fogo e morte. Seu casaco comprido tremulava ao vento, sem ser queimado pelo calor, cabelo despenteado, expressão radiante com aquela alegria insana que só alguém sem parar para pensar poderia usar com tanta naturalidade.

"Ohhh!" ele exclamou, batendo palmas como se tivesse acabado de encontrar um velho amigo em uma taverna. "Bom dia, Noel! Que surpresa agradável!"

Noel se levantou lentamente, o pulso pulsando forte na garganta. "Você…"

O homem girou a pedra na ponta dos dedos como se fosse nada. "Olha só! Você cresceu bastante desde a última vez que te vi. Mais alto, mais afiado — mais forte também! Espero que esses pequenos marcos na sua jornada estejam ajudando você a se tornar o herói que nasceu para ser."

Noir deu um passo à frente, sombras se acumulando sob as patas. "Coloque. Isso. Baixo."

O homem inclinou a cabeça, sorrindo ainda mais. "Ah, certo — isto?" Ele levantou a pedra, admirando seu brilho. "Bonito, não acha? Você se deu ao trabalho de toda essa limpeza por causa de mim. Muito gentil."

Noel apertou os punhos, mana pulsando ao redor de seu corpo. "Por que está aqui?"

"Ah, não me olhe assim," o homem disse com leveza, passando uma mão na manga. "Simplesmente não consegui alcançar esse pequeno tesouro antes — havia muitos incômodos no caminho. Mas agora?"

Ele apontou para a câmara queimada, os corpos, o silêncio. "Agora tudo está bem quietinho."

Ele girou a pedra na mão, observando a luz refratar através dos dedos. "Da última vez, te dei um presente maravilhoso, não foi? Gostaria de te oferecer outro…"

O sorriso dele se intensificou, os olhos brilhando com aquela insanidade familiar. "…mas estou sem muito tempo. Então, vou ficar com esse presente para mim."

Noir rosnou mais alto, sombras se espalhando como veias pelo chão. "Você não vai sair vivo."

Ele riu suavemente, completamente alheio ao perigo. "Oh, pequena loba, você já disse isso antes."

Depois, o olhar dele voltou para Noel, afiado e brilhante. "Embora eu deva admitir —"ele disse, com tom zombeteiro, "estou impressionado de você ainda estar vivo. Sério, achava que iria morrer igual ao pobre Nicolas von Aldros."

Ele fez uma pausa, batendo o queixo como se pensasse profundamente, embora seu sorriso nunca diminuísse. "Agora que penso nisso... ele deve estar quase morrendo, não? Sem núcleo de mana, sem esperança — ugh, que desperdício."

Ele soltou uma risada cruel e casual. "Ele tinha tanto potencial também."

O jeito como falou fez o estômago de Noel se contorcer — não pelas palavras, mas pelo tom de diversão ao dizê-las. Noel deu um passo à frente, a Presa do Renascido tremendo na mão. Sua respiração acelerou — não por raiva, mas pelo medo sufocante que só aquele homem podia despertar.

Ele fez uma breve reverência, guardando a pedra no casaco. "Continue assim, Noel. O mundo vai mudar de novo — e estou ansioso para ver o que vai fazer a seguir."

Um flash de luz o engoliu por completo — silencioso, instantâneo.

Quando desapareceu, ele já tinha ido.

Apenas a marca queimada de suas botas permanecia no chão rachado.

Os punhos de Noel ficaram brancos ao redor da empunhadura da espada.

Ele não se moveu, não respirou. Noir ficou ao lado dele, com os pelos eriçados, a voz trêmula na mente: 'Ele voltou…'

O silêncio que se seguiu após o desaparecimento dele foi quase insuportável. O ar ainda vibrava com o resíduo do mana — agudo, instável, zombeteiro. Noel ficou congelado, cada músculo travado.

Então, de repente—

[Missão Concluída!]

[Parabéns, Noel!! Você evitou com sucesso a Queda da Casa Thorne!]

O texto azul familiar explodiu na sua visão, piscando mais brilhante que o normal — brilhando demais.

[Agora você pode reivindicar sua recompensa: A Verdade!]

[Erro! ERRO!]

[O cristal contendo Elarin foi roubado!]

[Integridade do sistema comprometida! Recalculando—recalculando—!!]

O texto piscava rapidamente, linhas de símbolos distorcidos entre as mensagens antes da tela travar.

Os olhos de Noel se estreitaram levemente, mas sua expressão permaneceu intacta. Sua respiração manteve-se estável, o aperto na empunhadura de Revenant Fang relaxando o suficiente para parecer normal.

Quem estivesse ao redor não percebeu o brilho oscilante diante de seu rosto.

Só Noir sim.

A cauda dela ficou imóvel, sua mente tocando nos pensamentos dele. 'O que há de errado?'

A resposta de Noel foi silenciosa, tensa. 'O sistema está perdendo o controle.'

Mais textos começaram a aparecer, balançando, como se as próprias palavras estivessem em pânico.

[Noel! Ouça com atenção!!]

[Você precisa ir até a biblioteca de Thorne — IMEDIATAMENTE!!]

[O tempo é curto!]

[A Verdade ainda está lá, encontre-a!]

Depois, sem aviso, a mensagem se quebrou em estática e desapareceu.

Noel piscou uma vez, escondendo a tensão na mandíbula.

Por fora, parecia calmo — apenas um jovem cansado encarando a destruição de mais uma batalha.

Mas Noir podia sentir a tempestade por baixo. Sua voz tremia na cabeça dele. 'O sistema nunca fez isso antes… fez?'

'Não,' respondeu Noel baixinho, os olhos voltando para o horizonte. 'O que quer que venha a seguir… não vai ser boa coisa.'

Ele exalou lentamente e virou-se para longe do chão queimado.

As últimas palavras da mensagem ainda ecoavam na sua mente —

'Vá até a biblioteca. Encontre a verdade.'

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