
Capítulo 419
O Extra é um Gênio!?
As ruínas ainda fumegavam quando o rugido de Albrecht rasgou o silêncio.
Ele atirou o punho no chão, faíscas derretidas espalhando-se ao redor. A onda de choque percorreu as pedras quebradas, e todos — Noel, Noir, as garotas — ficaram congelados no lugar. As chamas douradas ao redor dele inflamaram-se violentamente, formando um redemoinho como uma tempestade viva.
"Trinta anos!" — gritou, a voz rouca, mas ensurdecedora. — "Trinta malditos anos segurando esta terra, mês após mês — lutando contra aquelas bestas, enterrando meus homens, reconstruindo esses muros — por isso aqui!"
Ele arrancou a espada do chão, a lâmina brilhando como ferro em brasa enquanto veias de luz subiam pelo seu braço. — "Por um ladrão entrar e pegar tudo como se fosse nada!"
O ar tremer com a força de sua mana. Até as colunas quebradas próximas começaram a rachar ainda mais sob a pressão.
Ninguém falava. Os únicos sons eram o zumbido baixo do fogo e o estilhaçar suave dos entulhos sob as botas dele.
Nalbrecht respirava com fôlegos descontínuos, o fogo lambendo seus ombros. — "Você tem ideia do que era aquele cristal!? Passei décadas garantindo que ninguém tocasse nele!"
Noel não respondeu. Ficou imóvel, com os olhos fixos no pai.
A voz de Albrecht quebrou por um instante — só uma fração — entre a ira e o desespero. — "Cada matilha que abati… cada gota de sangue foi por aquele propósito. E agora, ele desapareceu."
Ele cerrava os dentes, os olhos brilhando em ouro sob a testa franzida. — "Roubado… por alguém que eu nem conheço."
A voz dele vacilou, mais por incredulidade do que por raiva. — "Depois de tudo pelo que lutei… depois de cada homem que enterrei — desapareceu, levado por um estranho."
Ele virou lentamente, seu olhar caindo sobre Noel. — "Por quê?" — perguntou, com o tom baixo, quase tremendo de frustração. — "Por que ele conhecia você, Noel? Falou seu nome como se vocês fossem velhos amigos."
Os olhos de Noel escureceram. Ele exalou lentamente pelo nariz antes de responder. — "Ele foi quem quebrou o núcleo de mana de Nicolas von Aldros."
O peso dessas palavras pairou pesado na fumaça do ar.
Pela primeira vez, Albrecht não respondeu de imediato. Sua expressão mudou — não de alívio, nem mesmo de raiva, mas algo muito mais frio. Compreensão.
Ele desviou o olhar, o maxilar se cerrando novamente. — "Então não estamos lidando com o acaso," — murmurou. — "Isso não foi aleatório. Sempre foi calculado… já estava previsto."
A jornada de volta foi silenciosa.
O ar fora das ruínas estava frio, a luz fraca do amanhecer rompendo o horizonte cinza. Cada passo deixava marcas de cinza e sangue na estrada coberta de neve. Ninguém falou — nem Albrecht, nem Noel, nem Noir, que se movia silenciosa ao lado do mestre, sua sombra se estendendo atrás deles.
Quando as portas da propriedade Thorne surgiram à vista, o que os aguardava não era vitória — era sobrevivência.
O pátio era um cemitério de movimento. Soldados descansavam encostados em pilares quebrados, armaduras queimadas e amassadas, os rostos pálidos de exaustão. Alguns ainda faziam guarda, apesar de sangrar pelos curativos, enquanto outros jazia imóveis sob mantos negros que balançavam ao vento.
As paredes estavam rachadas, várias torres reduzidas a escombros. Os estandartes da Casa Thorne, antes vibrantes de vermelho e dourado, estavam rasgados e enegrecidos pela fumaça — mas ainda pendiam.
Sylvette estava no centro de tudo, com o cabelo desgrenhado de poeira, a voz firme enquanto comandava os sobreviventes. — "Formem duas filas — feridos à esquerda! Quem ainda estiver de pé, pegue água no hall principal!"
Seus comandos eram firmes, não altos, mas todos obedeceram. Os soldados escutaram.
Albrecht parou na entrada, seus olhos percorrendo o caos. Por um momento, a chama nele piscou — não de paz, mas de um orgulho cansado. — 'Ela manteve todos unidos,' pensou. — 'Por tudo isso.'
Ele exalou pesadamente, endireitando as costas apesar dos cortes no peito. — "Relatório," — ordenou, com a voz áspera, mas firme.
Sylvette se virou, enxugando a fuligem da bochecha. — "Poucas perdas. As linhas defensivas resistiram. Os feitiços foram quebrados, mas ainda controlamos o território."
Albrecht assentiu brevemente. — 'Boa… ela será uma herdeira excelente.'
Noel passou por eles sem dizer uma palavra. Seus olhos percorreram os feridos, os cadáveres, as paredes rachadas. O cheiro de ferro e cinza impregnava tudo.
Sentiu a presença de Noir atrás de si — silenciosa, alerta, observando.
'Salvou a casa,' — pensou amargamente. — 'Mas perdeu a única coisa que deveríamos proteger.'
Enquanto os outros começavam a consertar o que podiam, Noel não parou para ajudar. Não olhou para trás.
Continuou caminhando até as portas da mansão, o som de suas botas ecoando suavemente sobre a pedra fraturada.
Albrecht observou seu filho desaparecer na mansão, as portas pesadas se fechando com um estrondo oco que ecoou pelo pátio.
Por um longo momento, ficou ali, olhando para o horizonte — para a fumaça ainda subindo tênue das ruínas além da floresta. Seus ombros doíam, as mãos ainda tremiam, e sua mente recusava-se a se acalmar.
Trinta anos de batalha. Trinta anos de sacrifício.
E, numa única noite, tudo tinha mudado.
Ele virou-se e caminhou em direção ao corredor oeste, onde seu escritório particular aguardava atrás de portas reforçadas. Os corredores estavam meio iluminados, as paredes de mármore rachadas, mas de pé. Entrou sem chamar ajuda.
Dentro, o silêncio reinava. Apenas o cilo-tique do relógio de mana rompendo o silêncio. Sua mesa estava coberta de relatórios — listas de vítimas, sigilos quebrados, fragmentos das antigas defesas de Thorne — mas ele ignorou todos eles.
Ele alcançou uma pena dourada selada e um pergaminho gravado — o canal direto de comunicação com o palácio real de Valor. Sem servidores, sem intermediários. Essa mensagem iria direto ao rei.
Sentou-se pesadamente, a velha cadeira rangendo sob o peso da exaustão. Então, lentamente, começou a escrever.
Para Sua Majestade, Rei Alveron IV de Valor,
Eu, Albrecht Thorne, informo o seguinte:
A propriedade da Casa Thorne permanece de pé, embora severamente danificada. A horda foi neutralizada, e dois seres, identificados como "Pilares", foram eliminados.
No entanto, durante o combate final, apareceu um terceiro indivíduo — poderoso, não identificado — e roubou um tesouro da família Thorne que era protegido há gerações.
Reconheci-o pelas palavras do meu filho. É o mesmo homem responsável por destruir o núcleo de mana de Nicolas von Aldros.
Solicito qualquer inteligência que vocês tenham sobre esse homem. Se alguém na sua corte souber seu nome, lealdade ou natureza, é você, Sua Majestade.
Ele não é uma pessoa comum. Move-se como alguém que já viu o fim deste mundo.
— Albrecht Thorne,
Ele leu a carta uma, duas vezes, apertando o maxilar. Depois, pressionou o selo de Thorne na cera derretida e fechou com um giro agudo do pulso.
— Entregue isso diretamente ao Rei Alveron IV — — ordenou ao mensageiro do lado de fora da porta.
O soldado deu o cumprimento, pegou o pergaminho e desapareceu pelo corredor.
Quando Albrecht ficou sozinho novamente, a tensão em seu peito voltou — mais pesada agora. Olhou para a janela, onde o primeiro brilho laranja do amanhecer surgia através da fumaça.
Sussurrou para si mesmo, quase baixo demais para ouvir:
"Alguém que consegue quebrar núcleos… e roubar de uma Thorne."
O reflexo no vidro mostrou um homem mais velho do que lembrava — olhos enfraquecidos, mas ardendo com uma chama obstinada.
"Isso ainda não acabou," — murmurou.
O sol já tinha completamente surgido quando Albrecht saiu do seu escritório.
Seu calor tênue pouco amenizava o frio dentro dos corredores da Casa Thorne.
Servidores se moviam silenciosos pelos corredores, carregando baldes d'água, panos, ataduras. O cheiro de pedra queimada e sangue ainda permanecia, por mais que abrissem as janelas. Cada passo ecoava alto demais — aquele silêncio que só acompanha uma grande perda.
Albrecht caminhava por tudo como uma sombra, com a mente longe. O peso no peito não aliviara; só afundara mais. Cada canto que passava carregava fantasmas — homens que treinara, soldados que enterrara, momentos pelos quais lutara para preservar.
No grande salão, Sylvette organizava os remanescentes da guarda do castelo. Sua voz era clara e firme, comandando sem precisar gritar.
— "Transfira os feridos para o corredor leste — os curandeiros priorizarão queimaduras de mana graves. Reforce as linhas de barreira; mesmo danificadas, resistirão se canalizarmos as reservas corretamente."
Ela parou ao ver o pai.
— "Pai," — falou de forma suave.
Albrecht lhe deu um aceno breve, os olhos varrendo o salão. — "Você fez um bom trabalho," — disse. As palavras saíram rudes, mas sinceras.
Sylvette endireitou-se, surpresa. — "Fizemos o que podíamos."
Ele a observou por um longo momento — a fadiga resoluta em seus olhos, as faixas de fuligem no rosto, a postura steady de quem carregou mais do que sua cota de medo.
'Ela está pronta,' — pensou. — 'Independentemente de Noel ficar ou partir, ela liderará bem esta casa.'
O olhar de Albrecht se voltou para os retratos ao longo da parede — gerações de ancestrais Thorne, com olhos pintados que pareciam juízes silenciosos.
'Todos lutaram por esta terra… por aquele cristal… por um legado que talvez já esteja escapando.'
Ele se voltou para Sylvette. — "Quando os homens descansarem, comece a reconstruir o perímetro. Eu cuidarei da comunicação com Valor até que saibamos mais."
Noel estava sentado na beirada da cama, com os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos fixos no chão. O crepitar suave da lareira preenchia o silêncio, o brilho tênue refletido na lâmina Revenant Fang, apoiada na parede ao seu lado. A lâmina não queimava mais — sua superfície escura e parada, como a calma antes de nova tempestade.
Ele ouviu uma batida silenciosa.
"Entre," — disse.
A porta se abriu lentamente, e uma a uma, Charlotte, Elyra, Elena e Selene entraram. Pareciam cansadas — manchas de sangue nas mangas, fuligem nas bochechas — mas havia uma estranha sensação de calor nos olhos delas. Alívio, talvez. Ou confiança.
Charlotte sorriu suavemente. — "Queria nos ver?"
Noel acenou, sinalizando para que elas se sentassem. — "Sim. Preciso ir a algum lugar esta noite."
Selene inclinou levemente a cabeça. — "Depois de tudo isso?"
Ele exalou, passando a mão no pescoço. — "Sim. É importante. Não posso dizer por quê — não porque não queira, mas porque… simplesmente não posso."
Elyra piscou. — "Não pode?"
Noel deu um sorriso fraco e sem humor. — "Vamos dizer… que alguma coisa não me deixa falar sobre isso. Sempre que tento, sinto como se minha cabeça ia se abrir."
As palavras ficaram no ar — quietas, estranhas, sinceras o suficiente para que nenhuma delas duvidasse dele.
O silêncio tomou conta por um instante. Charlotte trocou olhares com as outras, depois voltou a olhar para ele, a voz suave, mas firme. — "Então, não precisa explicar. Se você vai, nós vamos também."
Elena cruzou os braços, mas deu uma meada sutil. — "Você sabe que não vamos deixar você se meter em outro desastre sozinho, né?"
Selene concordou, calma e composta como sempre. — "Só diga quando."
Noel olhou para cima, encontrando os olhos delas — o calor de Charlotte, a determinação de Elyra, a astúcia silenciosa de Elena, a calma inabalável de Selene.
Algo dentro dele se acalmou — nem que fosse um pouco.
Sorrindo — pequeno, sincero, cansado — respondeu. — "Nessa noite. Primeiro, precisamos descansar um pouco depois de tudo isso…"
Um leve brilho azul dançou no canto da visão dele — o sistema esperando, observando.
Mas, por uma vez, ele ignorou.
Charlotte foi a primeira a se levantar, dando-lhe um sorriso suave. — "Então, estaremos prontos."
As outras seguiram, saindo silenciosamente.
Quando a porta fechou, Noir ergueu a cabeça de onde descansava ao lado da cama, seus olhos violeta brilhando suavemente na luz fraca. 'Você tem boas pessoas ao seu redor, pai.'
Noel recostou-se, exalando pelo nariz, um sorriso silencioso surgindo no canto da boca. — "Sim… tenho."
A cauda de Noir deu uma fungada uma vez. — "Você é sortudo."
Ele olhou para a janela, onde o sol começava a se pôr detrás das colinas queimadas.
— "Muito."